terça-feira, 18 de agosto de 2009

O Maravilhoso Destino de "Silvie Martin"...


“Silvie”, que para além de esposa, amante, mãe, filha, amiga e muitos mais apêndices e atributos de relações consanguíneas e mais coisa, menos coisa, para além de tudo isso, trabalhava! Não fazia aquilo que sonhava, nem muito menos aquilo para o que se formou, mas fazia aquilo, que ao fim do mês lhe pagava algum dinheiro certo, fixo e lhe permitia pequenos luxos!
Para além de mulher “às direitas”, “Silvie” era também muito, muito gaja! E uma vez, que já todos perceberam que estamos a falar de mim, sim, moi, ich, ik, ego... aqui vai o relato do meu “maravilhoso” dia de hoje:
Levantei-me tarde e a más horas, para não variar.
Fiz tudo a correr, ainda tive tempo para partilhar uns sorrisos e gargalhadas com a minha filha, enquanto a levava até à Creche, ao som do imortal avô Cantigas, no seu mais recente “hit”, o Popó do Papá, que leva a minha filha aos píncaros de contentinha e feliz, enquanto vai tentando os seus melhores sons, os quais soam a emissões vocálicas, ainda sem ritmo, com muitos... “popopo, pó, papá, páaaa, paá... pipiopippii...”! Hilariante.
Cheguei ao escritório e passei a manhã entretida!
Voei até casa para almoçar, porque estamos a tentar instaurar e manter o hábito, que nos permite poupar uns trocos, comer mais saudável e ter cinco minutos de relax, privacidade e silêncio a dois! Depois disto, literalmente, atirei a loiça toda para a banca (que por estas horas deve estar à minha espera, a feder que mete medo!) e parti para umas compras rápidas de listinha minimalista: fraldas, bolachas, água, queijo, fiambre, pão e frango!
Mas, a gaja que há em mim, veio ao de cima e não resistiu em ir procurar um verniz LINDo da risque, que dá pelo nome de “flash dance” na esperança de embonecar as mãos, sem ter que despender de uma hora na manicura e quase 10 euros! Mais uma vez, na onda da poupança! Ora, claro está, não tinham o tal e tão desejado verniz, mas tinham outros dois, que não sendo tão baratos, nem tão desejados, me senti quase que “intimidada” a trazer pela simpatia excessiva e quase “ameaçadora” do género... “ai fazes-me procurar e não vais levar nada?! Ah!? Ah?! Ah?!” da menina da loja, que me assistiu! Saí de lá com dois vernizes, que não queria e menos 25 euros... AI! Shame on me... que isto não se faz! Mas bom... lá desci eu ao piso seguinte com vernizes na carteira e listinha de compras nas mãos, decidida a completar a minha missão, no tempo recorde de uma hora (menos 20 minutos, que perdi nas lojas dos vernizes)! Mas, eis senão que... acontece o inevitável... passei pela montra da Zara, deixei-me encantar pelas vozinhas mudas das letrinhas das montras, que entoavam: SALDOS, SALDOS... e lembrei-me que ainda não tinha visto o novo preço da camisola que trago no “goto” desde Fins de Junho... Vai daí... 5,99 Euros... IMPOSSÍVEL! É minha... “agarra que é ladrão”... essa e mais cinco, que eu não tenho culpa da Zara de Ponta Delgada ter roupas lindas, muito mais do que em qualquer Zara do Portugal Continental!
E lá ia eu, contente e feliz, quando vi as horas... CREDO! NÃO PODE! Atrasada 20 minutos... NÃaaaaaaoooooo.... Corri, Saltei, Cheguei! - Não fiz as compras e perdi a lista!

Cansada, mas vitoriosa, decidi brindar-me com uma pintadela e arranjadela de unhas mesmo antes de pegar no aspirador e esfregona... (sim, porque estamos sem senhora da limpeza há duas semanas...) e disse de mim, para comigo... cinco anos de licenciatura, dois de pós-graduações, dois anos de ensino, um de maternidade e aqui estamos nós! Levamos poucos Euros no final do mês para casa, mas DAMN YOU, serei a mulher da limpeza/escriturária com as unhas mais bem arranjadas desta ilha e arredores! E como me deliciei, com a minha nova lima bourjois... com 6 funções, um espanto... e o meu verniz roxo/quase azul/assim para o beringela morta! Passei as mãos pelo meu outro verniz caríssimo e acabadinho de comprar... rosa choque e não é que chocou mesmo?! Chocou e partiu... Caiu-me no chão!
NÃAAaaaoooo!
Fiquei a saber qual é a pior coisa do que ser apanhada pelo chefe a pintar as unhas no serviço... é mesmo partir um verniz rosa choque e vê-lo derramado em tudo o que é chão preto e móvel lindo! Toma lá... quem te manda ser orgulhosa... querias tu... ter mãos arranjadas! Verga-te e limpa... BRUXO! Limpei... limpei tudo... com algodão, acetona, kleenex... e teimosa como só eu, retoquei as unhas arruinadas e deitei mãos à limpeza geral!
Ora, para quem não sabe... tem estado nos Açores um tempo... (e desculpem-me os mais sensíveis...) de merda... o que fez com que eu transpirasse quilos de suor estivesse assim entre o arfante e o morta pela altura em que cheguei ao segundo andar! E quem lá estava, quem era?! O meu mais que tudo (sim... para quem não sabe... trabalhamos juntos)... que ao ver-me naquele estado, carinhoso como só ele, me pergunta: “Que foi amor?!”, Eu, passando a mão pela cara e varrendo com ela a vergonha de contar ao meu “chefe” (sim, eu sou esperta, não dou margem de manobra... sou mulher e secretária do Rei da Casa), comecei a contar-lhe entre suspiros e coradelas, a minha mais recente desventura... “Partiste um verniz caríssimo... deixa lá amor... foi esse?! Também... não gosto nada dele!”.
Infelizmente, não tinha sido esse, tinha sido o outro! BUÁAA... Antes de sair... ainda me chama outra vez, para cuidadoso, como só ele, me dizer: “Amor, tens chiclete na bota!”...
... a minha botinha de estimação... camurça creme... mas não... não era chiclete... isso mesmo... era verniz cor-de-rosa choque. Escusado será dizer, que entrei em choque... acabei a limpeza, retomei funções e agora vim desabafar...
Se isto fosse o maravilhoso mundo da Amélie... a história acabava aqui... mas como é o da “Silvie” amanhã estou de volta!

Croniquice do (não) Verão Açoriano e Historinhas de Pés...


E o Verão que anda a tramar os Açores?! Parece a minha filha, que descobriu agora a fazer o jogo do “CuCú”, “agora estou aqui... agora já não estou... olha lá pra mim... fui!”.
AH?! Esse malandro desse anticiclone da Região, que hoje tapou outra vez o bom tempo e nos cobriu de um nevoeiro digno do melhor dia de inverno londrino! E eu aqui... perdida em viagens de blogues alheios, a ver tudo o que é pernoca bronzeada de menina, fotos de férias em lugares paradisíacos, lugares de sonho... é que ninguém merece! E com isto, “foi-se-me” a vontade de escrever! Ainda por cima, nem que queira, as botas que trago calçadas hoje não me permitem tirar a real da fotografia da chuléquita à mostra, com a unhaca devidamente pintadinha da cor da moda... “azulejo português”, li eu algures por aí!
O meu pai sempre se intrigou com essa moda de fotografar os pés, descalços ou não... eu já tirei umas quantas fotografias dos meus pés em calçadas portuguesas e nem tanto assim! “Pés?! Mas que piada é que têm essas fotos?! Puxa... Não percebo!”, dizia ele de nariz aguçado a espreitar no meio da armação dos óculos, que sempre traz! Eu, sem saber muito bem, qual a piada continuei a tirar fotos de pés... talvez a piada seja só mesmo para quem tira e está na foto, que se recorda exactamente do local e altura em que a tirou e com quem! Para os outros... fotos dessas não passam mesmo de fotos de pés! Bronzeados, arranjados, mal amanhados, bem ou mal calçados! Enfim, pés! E se houve parte do corpo, que durante anos mais repudiei foi mesmo essa... os pés! Tendo superado apenas e ligeiramente o trauma ao conhecer os pés da minha filha! Ai maternidade... que operações transformas! ;) – Ainda assim, continuo a achar os pés uma parte curiosa e um misto de repelente e intrigante do corpo humano! Uma vez, ouvi alguém comentar a respeito dos dedos do pé de um bebé, que tinham uma “agilidade invejável”, coisa que nós adultos não tínhamos, porque a tínhamos atrofiado no interior de sapatos, tornando os dedos dos pés, segundo ele, coisas completamente dispensáveis! Terminou dizendo: “ Acho que o próximo passo da evolução humana será perder os dedos dos pés!” – Eu, ri-me e muito! Nitidamente este senhor ignora a vasta gama de vernizes da risque, Andreia e afins e a falta que uns belos dedos dos pés fazem na bela da sandaloca de uma bela de uma mulher!
Oh God... give me back my summer!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

GANHEI, GANHEI! :)


Então vocês não querem lá ver, que pela primeira vez na minha vida, eu que nunca tive a sorte nem sequer de receber 30 cêntimos num joguinho de rifas, à excepção, claro está das rifas do “Padre Grilo” em Matosinhos... onde todos ganham, até eu, latinhas de atum, papa de bebé, filminhos, chupa-chupas, balões e lápis! Mas desta vez, ganhei mesmo alguma coisa de jeito, à custa de uma frase, vejam lá!

Inscrevi-me neste passatempo, mandei a frase e GANHEI! Ide ver, ide ver! =)

A pergunta para ganhar um colar e uns brincos, giríssimos por sinal, era: Se ganhasses este conjunto, em que ocasião o usavas?!

Ao que eu respondi...

"Ao que dizem, "os diamantes são os melhores amigos de uma mulher", ao passo que, "o cão é o melhor amigo do homem"! Eu, se ganhasse este conjunto usava-o para ir passear o cão para impressionar o meu homem! Não há nada melhor do que tempo de qualidade entre amigos! ;)"

E, GANHEI! Yupi...
E eis que o "Tom" Sawyer e a Pipi das Meias altas crescem, se apaixonam, casam e têm filhos... e depois?!

A menina sabe lá...



“A menina sabe lá o que é amar! Amar é caminhar de mãos dadas no Louvre, comer croissant nos Champs Elisées, recitar Petrarca em italiano, beijar na testa na Ponte dos Suspiros e depois namorar agarradinho numa gôndola... Amar é gritar bem alto no monte dos Pirinéus... um je t’aime sentido...”

... e sem sentido! Ora, desculpem lá... eu bem sei que um bom prato de rojões ou um cozido das Furnas, não são o prato de digestão mais aconselhável para grandes demonstrações de amor! Bem sei, que S. Miguel ou a Terceira não têm a imponência e o renome da velha Veneza, na ainda mais velha Itália... mas então digam-me lá... só se sabe amar se for assim em grande?! Com nomes importados em terras estranhas!?

“Ai o “Benárdo” é que sabe... deu um BMW à esposa pelo aniversário! Bem se vê que ali há amor... ai há, há...”.

É que tenham lá paciência... Se o Manél fosse o Tóni, e não tivesse dinheiro para dar um BMW à senhora lá da casa... não se via amor nenhum?!

“Ele pediu-me em casamento, quando estávamos no Quénia a fazer bungee jumping! Foi lindo!”

... pois... até aposto... ele devia estar lindo, com uma expressão de morrer, de cabeça para baixo e preso pelos pés... Sim, realmente não me ocorre nada de mais romântico... senão uns milhões de hipóteses bem mais simples e bem menos “radicais”.

Mas o amor é mesmo assim, pede adrenalina, exotismo e emoção! Todos querem ser diferentes e tremendamente originais... quando não há nada que nos torne tão iguais e previsíveis como o amor! Alguém disse um dia, frase quase cristalizada no nosso idioma, que o Amor era um impropério qualquer, daqueles assim mais puxados, que começava em “F-“ e acabava em “-ido”, mas de terminação em “-ido”, só temos mesmo o coração, quando ele nos deixa, partido!
Amor “fugido”, amor “matado”, amor “morrido”, uma série de particípios engraçados, que descrevem algo que já foi! Mas enquanto ele é... asneira e das grandes é a de pensar que o amor “ se mede em euros”! Isso sim é que é “–ido”, iludido, entenda-se! O Amor não complica, só quer chinelo no pé e uma cabana ao sol... se for com piscina e Channel, melhor... mas não será com certeza requisito sine qua non!

O problema de muita gente, que insiste que o amor se vê nas grandes demonstrações e actos... é que não se apercebe que o amor é já de si grande que chegue, dispensa bem grandezas acessórias!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

"Objecto" de desejo do fim-de-semana!


Um dia, ainda vou ter um Blogue daqueles, onde escrevo apenas 1 frase e recebo 300 comentários... :)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Telejornal, onde não falta nenhum mal...


Já por mais de uma vez, jurei de mim, para comigo, que ia deixar de ver os telejornais na televisão, seja de que canal for! Se uns pecam pela filtragem e parcialidade das notícias... outros pecam precisamente pelo mal oposto e confundem opinião pessoal, com interesse público e jornalismo com voyeurismo.
Mas, inevitavelmente, acabo sempre por me querer pôr a par do que se passa no mundo, da forma mais fácil, rápida e visual que há, que é, necessariamente, pela via da tv!
Hoje, um dos raros dias em que conseguimos ir almoçar a casa... lá me perdi num tique-tac de zapping nos canais nacionais e assim-assim, brilhantemente executado pela mão do meu marido... que parou apenas ao vislumbrar os efeitos de mais uma catástrofe mundial com mistura de outras duas ao barulho, deixando-nos aos dois, numa espécie de transe boquiaberto ao ver tanta desgraça e miséria daquelas gentes! Pensando nós, não puder haver miséria, mais aflitiva que aquela, logo se seguem as misérias mais nacionais dos constantes e crescentes casos de Gripe A, com encerramento de mais duas Creches, com imagens de tudo o que era pessoa à porta dos Centros de Saúde de máscara em riste... imagem triste, mas não tanto quanto as afirmações que viríamos a ouvir de seguida... há pessoas, que se recusam a tomar as medidas de prevenção contra os contágios, e há outras, que intencional e deliberadamente o fazem, porque desejam contaminar os outros! BAH... Caiu-me tudo... repitam lá outra vez... ora, expliquem-me lá come?! Que essa eu não percebi... Em meu auxílio de esclarecimento e iluminação tenebrosa, vieram as declarações da nossa ministra da Saúde, que relatava um caso de Pais, cuja filha/o tinha sido contaminada/o, servindo isso de base para o manifesto desejo de ambos de agora contaminarem os filhos dos outros! ALTO E PÁRA O BAILE... Mas tá tudo parvo, ou é impressão minha?! Não... Desculpem-me lá o tanas... Vão-se mas é embrulhar em fitinhas de desinfectante, bolas de naftalina, cogumelos mágicos e mezinhas da avozinha, que com essas ideias “iluminadas”, vocês só podem é estar com uma contaminação grave de traças no cérebro ou possuídos pelo Demo, mais demónio, que Satanás! Brincamos ou quê?! Então agora, porque a minha filha está doente, eu desejo e provoco doenças a todas as outras crianças por este País fora! Ah, gentinha do demónio... vão-se encher de pulgas e gripe A, lá para as vossas festinhas privadas, onde só está quem quer... agora propagar assim uma doença danosa, potencialmente mortal... quer dizer... se o cancro fosse contagioso, às tantas andávamos já todos aí a desejar mal aos familiares alheios...
Mas não parou por aqui... o rol de misérias exibido em horário nobre num dos mais nobres telejornais vinha de seguida com a notícia do esfaqueamento de um homem numa farmácia, que tinha ido em “defesa”/”auxílio” de duas menores, supostamente anteriormente assedias por dois homens mais velhos... Escusado será dizer, que semelhante acto de valentia lhe valeu duas valentes facadas nas costas... mais precisamente, uma na parte de trás do pescoço e outra no braço... que se console ao menos o agredido em pensar, que se lhe “atacam” as costas, lhe respeitam a cara! É que não há mais nenhum consolo possível... Ele está fora de perigo, os agressores, ao que consta, também! Descansamos todos!
É para o que estamos, meus amigos... “pró qu’estamos”! Em bom português, também ouvi eu depois, o anúncio da distribuição de lâmpadas economizadores num bairro mais desfavorecido, para poupar em electricidade no final do mês! As lâmpadas eram dadas, 4 por cada habitação, para serem usadas, de acordo com explicação dos técnicos, nas zonas de maior consumo da casa (cozinha, sala, quartos)! Ora, acto mui nobre da mui nobre fornecedora de electricidade nacional, que de resto mereceu um comentário ao género mui “rico”, de uma moradora que ao ser questionada acerca do acto, do seu valor e da sua intenção de utilização das lâmpadas, respondeu, mais coisa, menos coisa, o seguinte: “Ai, sim... é muito bom terem dado as lâmpadas e as explicações... se realmente ajuda a poupar, vale a pena! Mas eu “num” sei se vou usar... é que elas “icunumiza”, mas se calhar não dão tanta luz!”. Bem, faça-se luz em alminhas assim, que entendem a razão da oferta, mas olham o cavalo nos dentes! Ah, pois é... que a mim não me enganam com essas historias das “icunumizadoras”!
Ponto alto do Telejornal e alguma razão de alento, foi mesmo ver a “Secretary of State”, Miss Hillary Clinton, a mostrar que tem pêlo na venta... finalmente! Sim, é que ela até pode perdoar as “facadinhas matrimoniais” do marido, as manchas em vestidos de secretárias, os charutos e os pormenores divulgados... mas agora, perguntarem-lhe a opinião do marido é que não... afinal de contas ela é que é a Secretária de Estado, ó messa! Por acaso o aluno que lhe fez a pergunta até se saiu bem depois e explicou, ah e tal, que se tinha enganado, que queria dizer Obama e não Clinton ( confusão de resto bem compreensível... dadas as parecenças físicas, proximidade de mandatos e tal...). Nevertheless, as imagens dela a arrebitar a “crista”, lá ficaram, guardadas para a eternidade... um verdadeiro momento KODAK!
Haja paciência, fé na humanidade e chinelo no pé, para ir até à praia passear a Gripe e levá-la a banhos, que nós lá nos vamos agarrando à bronca! Agarra-te bronca!


P.S. - Não fosse o telejornal e não me tinha saído esta “Croquinice”, abençoado sejas Pai, pela tua boca Santa!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Trinta e Um Parabéns ao meu Amor!


Hoje, o Rei lá da casa faz anos!
Os trinta foram o ano passado e para os trinta e três, ainda lhe faltam dois!
Tirei da Internet uma impressão dos factos importantes neste dia e acrescentei entre linhas a data do aniversário dele, com o epíteto, “filho desejado, pai querido, marido muito amado”! Descobri que faz anos no mesmo dia que o Antonio Banderas e brinquei dizendo-lhe que se percebe agora metade do seu charme natural!
Ele, diz que está velho, que tem brancas, imperfeições na pele, bla, bla, bla... Eu olho para ele e vejo um homem incrivelmente lindo, simpático, com um sorriso capaz de derreter corações! Os olhos dele, herança genética directa da mãe, transmitem aquilo que aliás é comum aos dois: pureza, simplicidade e bondade! Lembro-me de me ter apaixonado por ele, na altura até um pouco contra vontade, por causa daquele olhar dele, que me prendeu de imediato... Petrarca bem avisou: “ o amor entra pelos olhos”!
E o sorriso... de uns dentes impecavelmente alinhados, uns lábios perfeitamente desenhados e um fechar de olhos, terno e aveludado, de cada vez que sorri! Diz-se, que o verdadeiro sorriso se vê nos olhos... o dele não poderia ser mais visual! Tem um charme natural e um ar leve e prazeiroso! É sensato, equilibrado, racional, inteligente, tudo na dose certa... um pouco de tudo o que eu queria ser e não consigo!
Tem uma paciência infinita para os meus “desarranjos” emocionais, caprichos e vontades oscilantes, que variam tanto, como as fases da lua! Percebe-me tão bem, lê-me antes de eu própria me ter escrito e sente que a razão da felicidade dele está na minha!

Eu, nunca pensei encontrar alguém assim... quando o conheci, achei tudo tão bom, bom demais aliás... Tanto, que só me lembrava do ditado que diz: “quando a esmola é demais, o pobre desconfia!”... mas ele deu-me tantas riquezas, que não tenho hoje falta de liquidez possível, por onde possa não confiar! É o amante perfeito, o companheiro ideal e amo secretamente aquelas patetas brancas, que tanto o atormentam!
Ele diz que sou eu quem as provoca! Eu sei, que algumas talvez tenham mesmo sido provocadas por mim...

Hoje, almoçámos à beira mar... e comemos batatinhas daulphinoise, que ele tanto adora...
Eu tentei convencê-lo por A + B, que a vida começa aos trinta! A vida começa hoje! Ele quis ouvir... como sempre... eu apresentei-lhe ditos e factos e prometi-lhe o tão desejado veleiro aos 40, como prémio de compensação pelo peso da idade! Acabámos os dois a rir... no fundo, os dois um pouco a sonhar! É por isto, que a idade, e o passar dos anos vale... pelo poder que tem de nos fazer sonhar e acreditar! Guardar esperança num futuro vindouro com saúde, paz, harmonia, qualidade e uma dose q.b. de felicidade!

Parabéns meu Rei, meu querido e amado marido! Não imaginas a importância que as tuas brancas têm na minha vida! És lindo, estás fantástico e a velhice é feitio, não é defeito, meu caro!
Venham mais trinta... e um...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009


Bom... estou a 100 páginas de acabar o livro... que não está a custar nada ler... não fosse a vida, que não pára e me está sempre a interromper leituras! Entretanto comprei mais um e já ando a traí-lo com outro... Desta vez, são as Cartas de Etty Hillesum... já agora, Ana Leonor, se me lês parabéns pela tradução! Eu não o teria feito melhor, amiga! Sim, que isto de se traduzir de Neerlandês para Português não é pêra doce...
Enquanto isto... a minha vida também tem andado a viver uns episódios de “surdina”cómica...
O meu pai, depois de receber a cópia do jornal de ontem, liga-me a dar os Parabéns por mais uma “Croquinice”! É tão bom saber que nos lêem, embora não nos entendam! Um fofo o meu alter-ego inconfessável!
Por sua vez, a minha mãe, que me pediu para escrever esta semana uma Croniquice mais meiguinha, assim “mais romântica, para não pensarem que andas com problemas no Casamento”, leu a “Croquinice” e concluiu... “Ó filha, tu escreve mas é do que gostas...”! Lá está... desta vez a surdez foi do que leu!
Não bastante... hoje ao telefone, digo-lhe que ela está a falar pelo nariz e ela liga-me há cinco minutos atrás a perguntar docilmente se eu já estava melhor do “pingo no nariz”! Enfim... há um pouco de “surdina” em todas as nossas vidas, por vezes mais cómicas e irónicas do que trágicas, Graças a Deus!
E agora vos deixo... parto para os meus dois amores... não os livros entenda-se, que ao fim-de-semana tiro folga da leitura e de “croquinar”! Por falar nisso, a cara metade lá de casa faz aninhos na segunda-feira! Está à espera de uma prenda da filha... e a mãe... paga! Será com o maior prazer, meu amor!

Bom fim-de-semana a todos!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

terça-feira, 4 de agosto de 2009

NÃO LEIAM!


Existe em mim, um mar de estupidez e poucas, pequenas ilhas de uma brilhante lucidez! Mas bem sei, que já vale muito o simples facto de ter noção disso e me preparar para encarar esse mar com fortes e corajosas braçadelas!
Existe em mim, uma crença estúpida e palerma, talvez até um pouco infundada, mas completamente pateta e inocente de que, o intimismo e a confissão, funcionam como uma espécie de catarse! E para que depois não digam, que eu não avisei, aqui fica o meu claro e gritante aviso, de que esta será provavelmente a Croniquice mais disparatada, que alguma vez publiquei neste espaço! Estando Vexas, devidamente avisadas, aqui segue o rol de disparate:

Disparate 1 – Não sei se também já ouviram dizer, se concordam ou se pura e simplesmente estando a “ouvir” isto pela primeira vez, acham este disparate, completamente sem sentido! Mas, hoje de manhã, quando deixei a minha belíssima filha na Creche, dei por mim a pensar, como será ela daqui a uns anos... se será bonita, alta, magra, gorda, tarreca, se ainda será loira, lindíssima, ou se vai corresponder à velha máxima que reza, que criança bonita em bebé fica um adulto feiito, e criança assim pró patinho feio em bebé vira cisne em passos de mágica! É que quando andava na escola, tinha colegas minhas super giras, fashion e tudo e tudo e tudo... que tinham sido bebés horrendos! Ao passo que eu, modéstia à parte, que fui um bebé digno de capa de revista, virei sapinho, com o passar dos anos! E não, não sou mal amada, não sou insegura, mas pura e simplesmente REALISTA! E não... não estou a escrever isto para me dizerem... “ai Sílvia, mas tu és tão linda, bla, bla, bla...” Não, a sério, poupem-me... se eu fosse tudo isso e uma cereja por cima, andava a fazer capas de revista e não estava aqui atrás deste ecrã a esta hora! Ai de mim... que agora caem-me em cima os puritanistas da beleza e “fum, fum, fum... que a beleza vem do interior e fãm, fãm, fãm... que nem toda a gente que é bonita faz capa de revista...” mas vocês perceberam a ideia! E back to the point... lá vim eu, todo o caminho a pensar em exemplos, que me provassem ou contradissessem esta velha máxima! Cheguei ao escritório, ainda sem conclusões inteligentes! Ah, e tal... depois vem ao de cima a mãezinha que há em mim e consola-se em pensar... o que interessa é que ela seja feliz! Mas que tenho um curiosidade parva em imaginá-la daqui a uns aninhos... ai, lá isso tenho!

Disparate 2 – A relva do vizinho é mais verde do que a minha. As pessoas podem ter milhões de defeitos, ser pura e simplesmente uma nulidade, um zero à esquerda, mas nos currículos até o cisne mais depenado vira juba de leão! E eu, que leio uns currículuzitos, que me passam pelas mãos, hoje perdi-me num misto de “ciúme”, “inveja” do género,” bah, ah, ah, o meu pai é melhor que o teu...” ao ler um currículo de uma menina cheia de bom aspecto na fotografia, que ainda por cima já fez “mergulho, pólo aquático, equitação, alpinismo e sapateado”... mas ó Xica desta minha vida... quem no mundo coloca num currículo uma habilitação como o sapateado!? É que não é possível... Lá se foi a minha patinagem, dança oriental e aeróbica cardiofitenizada em forma de body pump! É que não tenho hipótese... mas o meu Papá talvez! Buh, uh! É completamente parva esta rivalização, bem sei, mas eu avisei, que isto hoje era só disparate! Ah, e poupem-me os... “mal-amada, invejosa, ciumenta, ranhosa”, que sou tudo isso e muito mais... mas em doses homeopáticas! Portanto, “put a sock in it”! QUEM?! Digam lá... quem nunca sentiu essa espécie de comichão na nuca, que o ciúme causa!? Eh pah... mergulho... já viram isto?! Não se faz... se ela vier trabalhar para cá, de que é que vamos falar... “Olá! Então?! Que tal, este fim-de-semana, calças os pés de pato?! Ou levas com uma botija de ar na nuca?” “Ai querida, nenhuma das duas, vou sapatear para o cara***!”. Pronto, lá está... confissão feita, catarse em processo!

E como mesmo num mar de estupidez, não há duas, sem três...

Disparate 3 – Sou só eu, que penso, que as pessoas morenas são mais felizes do que as branquelas?! É que eu possuidora de uma brancura de esmalte pérola, que karmicamente passei em forma de genes para a minha filha, me sinto sempre tremendamente infeliz quando vejo aqueles bronzes perfeitamente uniformes entre o cenoura e o chocolate! Este fim-de-semana, estava eu, feliz e contente a passear pela praia, quando alguém, vendo a brancura mini-me da minha filhota, se sente na liberdade de dizer em alto e bom som, mesmo assim com sotaque micaelense reforçado e tudo... “Ai, tão rekim (riquinha, para quem não fala ilhéu!)! é TÃO BRANCA!” – e uns passos mais à frente... “Ai minha rica filha, que tu ainda precisavas de muitos Verões para te bronzear!” – Ora, desculpem lá... Não... mas desculpem mesmo! Mas vocês vão ser Bronzeadas Pride para a Vossa Terra! É que os comentários só não sobraram para mim, porque eu tenho ar de quem, sabendo já falar, sabia dar resposta! Felizmente, a minha rica filha, que ainda não fala, não se sentiu constrangida... mas se isso algum dia acontecer, juro que lhes ponho um bronzeado mais intenso, localizado ali naquela zona entre a pálpebra e o sobrolho! Desde quando é que o bronze é um posto!? HUM?! E pronto, lá fui eu respondendo, com simpatia, dentro do possível... “ Pois é... sai à mãe... ao menos nota-se que está lavadinha! Né?!” – Olha, toma lá, que o algodão não engana...

E vou parar esta confissão por aqui, que com semelhantes ondas de estupidez, ainda se segue um tsunami, que arrasta para longe os poucos mas bons, três seguidores e meio deste blog e me deixa em mãos com um Síndrome de Arca de Noé, que não pode! No meio da bicharada é que não!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Síndrome de Segunda-Feira...


Ah e tal... nunca mais é sexta, nunca mais é sexta... e “pronto”, lá chega sexta, lá chega o sábado e pufft, lá se foi mais um domingo! Hoje, tinha ficado na cama, sem exagero nenhum da minha parte, (quem me conhece sabe bem que é verdade), pelo menos mais umas cinco ou seis horas! Ah! A bela da sensação de se estar a dormir só porque sim... esparramada na cama, sem horários, nem obrigações, nem qualquer noção de culpa ou falta da bom/mau senso, que nos tire do ninho num acto de auto-repressão ao nosso bel-prazer!
E lá passou mais um fim-de-semana, ou FDS, bem ao jeito da internet! E deixou saudades, fds, se não deixou! Fui à praia, a minha filha fartou-se de comer areia, pela boca nariz e olhos... depois ensinei-a a atirar pedrinhas para a água da maravilhosa Lagoa das Sete Cidades! Comi um belo de um arroz de Congro, que eu dizia Côngaro, e pensava que se escrevia Côngoro, mas afinal também já vi escrito Côngrio! E pobre do peixe, que tem um raio de um nome, mas é bom que se farta! Falei e discuti acerca de política, do “Magalhães”, de franchising, de Leis e Famílias e afins! Deitei-me tarde, levantei-me sempre cedo! Comprei 3 vestidos! Paguei 30 Euros! Enfim... uma maravilha!
Hoje, não vesti nenhum dos vestidos novos... estão guardados, para um dia em que tenha menos sono de manhã e mais inspiração para me vestir! E agora já chega, de partilha de informação cor-de-rosa, que este blog não é a “CARAS” dos pobres... vou trabalhar, que isto à Segunda-Feira custa, mas antes, deixo-vos sinceros desejos de uma BoA SeMaNa... Chega, sexta-feira, chega...

sexta-feira, 31 de julho de 2009


Eu sou fã do amor... vocês já sabem e há coisas que me emocionam até ao meu sentimento mais escondidinho! Sou tarada por recadinhos de amor, bilhetinhos carinhosos, flores sem propósito, prendinhas de surpresa, palavrinhas sussurradas ao ouvido... pronto, tudo o que seja assim, pró lamechas!
Estava a ouvir a música Forever do Chris Brown, quando descobri um link para um vídeo da entrada num casamento inesquecível! Vejam AQUI! Com essa música toda! Fantástico! No meio de tanta palhaçada, transpareceu uma alegria enorme e contagiante e um espírito de leveza ao encarar o acto assim! Brilhante, acabei de o mostrar ao maridão cá da casa e a próxima vez que casar com ele, quero uma entrada assim! Talvez só mude a música! Entramos, quem sabe, ao som da Música “Ai, Ai, Ai” da Vanessa da Mata... Vejam lá se a letra não dava os melhores votos matrimoniais de sempre:

Se você quiser
Eu vou te dar um amor

Desses de cinema – (Assim daqueles que nunca morrem nem esmorecem...)
Não vai te faltar carinho – (Claro, muitos beijinhos, como manda a Lei!)
Plano ou assunto
Ao longo do dia...
– (Se faltar lês as Croniquices!)

Se você quiser
Eu largo tudo
Vou pr'o mundo com você
– (Para os Açores, chega?!)
Meu bem!
Nessa nossa estrada –
(que pode ser a Via Rápida mais próxima...)
Só terá belas praias
E cachoeiras...
– (Pois, lá está, os Açores... na mouche!!!)

Aonde o vento é brisa – (E o “pão de cada dia”)
Onde não haja quem possa
Com a nossa felicidade
– (gentinha invejosa... hihi)
Vamos brindar a vida meu bem – ( Venha mais um copo, mais uma mini, ou uma Coca-Cola, para mim!)
Aonde o vento é brisa
E o céu claro de estrelas
– (quando não está nevoeiro!)
O que a gente precisa
É tomar um banho de chuva
Um banho de chuva...
(Isso eu dispenso, mas posso arranjar um desses para ele, se fizer MUITA questão!)

E lá entrávamos nós pela igreja fora... Que lindo! Enfim, tudo isto para dizer, que por muito apalhaçado que fosse o vídeo, eu não me contive e larguei uma lagrimazinha no final! Que raio de incontinente lacrimal, que eu me saí! Mas não me consigo aguentar! O amor emociona-me e deixa-me assim! Que hei-de fazer?! Nasci loira, vou morrer loira e perdida, eternamente crente de que aquilo que a vida tem de melhor é a alegria que o amor nos traz! Ai, Ai, Ai, Ai, Ai, Ai, Ai, Ai, Ai, Ai, Ai, Ai, Aaaaaai...

quinta-feira, 30 de julho de 2009


Hoje, li algo, que me levou a um estado “pele de galinha “ tal, que não houve pelinho do meu corpo, que se aguentasse deitado na minha pele arrepiada! Fiquei emocionada, baralhada e senti-me deveras pequena e uma “pessoínha” perto de tantas pessoas anónimas e enormemente “GRANDES”, que Graças a Deus ainda há por aí!

Antes da minha hora de almoço, passei os olhos pelos habituais jornais online, onde li, um pouco de tudo, daquilo que sempre leio e daquilo que por vezes, me chama a atenção! Um dos artigos que li, foi o que fez despoletar em mim, semelhante estado, anteriormente descrito! Podem lê-lo aqui! O que mais me admirou foi constatar que se na normalidade toda a gente pede por Deus, um filho, que não tenha ponta de defeito, ou ponta doença, há quem, passando por cima de qualquer réstia de egoísmo ou sentimento puro de despreocupação, não se coíba de adoptar uma criança doente ou com problemas, que fazem deles aquilo que vulgarmente entendemos por “deficientes”.

Não é fácil ser mãe. Imagino, que mais difícil ainda seja ser mãe de uma criança portadora de “deficiências”, mas escolher uma criança deficiente, e tornar-se pai dela, com plena aceitação e conhecimento de causa é, pura e simplesmente de louvar! Ao ler alguns dos comentários feitos por pais e crianças, percebi, que não há nada de “anormal” no amor que os une, e que fará deles grandes e inseparáveis até ao fim dos seus dias! Senti-me então assim, pequenina do tamanho de uma ervilha, pois mesmo sabendo, que cada um vive os seus próprios problemas, relativizando-os à sua própria dimensão, nunca me imaginei, grande o suficiente para ser capaz de lidar com a mortalidade iminente de um filho (no caso das crianças portadoras de VHI), ou incapacidades motoras ou psicológicas (no caso de crianças com paralisia cerebral ou autismo)... Sou pequenina, pequenina e tenho vergonha da minha tacanhez de espírito e capacidade de “sacrifício”, pois se os há, enquanto mães de umas crianças, no geral, saudáveis, imagino o tamanho dos nomeados na educação de crianças com dificuldades extra!

Um dia, talvez, seja grande e consiga ver as coisas de maneira diferente, mas por enquanto, a atitude destes pais adoptivos de coração e mente, soa-me como o derradeiro acto de heroísmo no século XXI. Ainda bem, que há pessoas assim!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Ironicamente "falando"...


Há quem, como eu, não seja grande fã da ironia, usada assim a despeito, para maledicência do próximo sob a grande capa, do... “eu não disse isso, pois não?!”. Mas a verdade, verdadinha é que não lhe conseguimos escapar e ela está em todo o lado a toda a hora! Faz-me lembrar um pouco aquela música “Ironic”, da Alanis Morissette!
Há quem defenda que a “ironia” da vida é a sua grande alegoria. Se assim o é eu tenho acumulado uma série de metáforas pindéricas assim a tender para o alegórico! E se não gostam de linguística, deixo desde já aqui um aviso, mudem de página, não leiam o texto! Ou leiam e aprendam, porque o saber não engorda e nem tudo será linguística!
Assim, falando em termos estilísticos da língua, aquilo que eu entendia ser a personificação da pobreza: dormir na rua, não ter casa, passar fome, frio e tudo aquilo que de mais miserável houvesse na condição humana, sofreu este fim-de-semana, um upgrade considerável, que lhe anexa uma grande aliteração: “ A Ralé também tem telelé!”. Pois, é verdade! (E lê-se mesmo aliteração e não, alteração!) Tivesse eu câmara fotográfica em riste e o quadro teria sido talvez o mais pitoresco que já vi até hoje! Ironicamente não a tinha e satiricamente os senhores em questão estavam na rua, deitados em colchões de papel, prontos para mais uma noite ao relento, quando se lembraram de pôr o telemóvel a descansar, ou enviar sms a solicitar o serviço despertar! Sei lá! Lá está, ironicamente me falseando a mim própria, não consegui deixar de me arrebatar pela surpresa de ver este cenário inesperado numa das Ruas de Ponta Delgada à noite!
E foi também assim no meio de onomatopeias e onomatopaicas, no zunido do restaurante Mac Donalds mais próximo, que auch, ui,ui, nã, nã, nã, nã, nã, me deixei ser banhada em seven-up por uma mãe, que tentou ceder ao capricho da filha, carregando-a ao colo, balançando na outra mão um tabuleiro com sopa e bebida! Novamente e sarcasticamente, do meu “pranto se fez riso” e não houve antítese que me coibisse de pensar na sorte que tive em não ser vinho, cerveja ou coca-cola!
Em semelhante Cacofonia me perdi na diáspora do meu dia, que me fez alterar entre nervos e arrancar de cabelos, e me levou ao disparate, que aqui vos deixo em forma de texto, Cronicado!

Sempre Vossa, Mulher a 1000/h!

terça-feira, 28 de julho de 2009

(In) Felizmente (Im) Perfeita!


Ultimamente, e não sei se isto será próprio da idade, não há dia que passe, em que não pense na vida! Sim, isso mesmo! Assim... penso na vida! No quê em concreto, não vos consigo precisar de momento... penso em tudo e de tudo um pouco, e às vezes não penso em nada, mas ainda assim, sempre muito reflectida! Entre muitos dos assuntos que me vão passando pela cabeça, diariamente, nos dias que correm, há um que me ocupa especialmente, que se prende, com uma notícia que li em tempos, que dava conta da infelicidade das mulheres no tempo actual, que se devia, segundo fonte desse mesmo jornal, e baseado num estudo, ao feminismo! Penso que já terei comentado essa notícia, se não aprofundadamente, pelo menos ao de leve, algures nas minhas croniquices! Mas o que me preocupa, não é tanto que eles considerem que foi o feminismo que trouxe infelicidade às mulheres, mas que constatem, que as mulheres andam, de facto infelizes! E é engraçado, que mesmo quando achamos que tudo na nossa vida nos corre bem, guardamos sempre um pouco de nostalgia, ou um canto seguro no lugar dos braços da Infelicidade leve e ténue, que se abate sobre nós, como um manto de nevoeiro e que aparece, inexplicavelmente pelos motivos mais absurdos, algumas vezes mesmo, completamente infundados! Nessa altura, talvez levadas em mão pelas hormonas em festa, lá nos deixamos borratar de chocolate e doces e não há lembrança de espinha na testa, que nos prive de semelhante acto de loucura instantânea!
O que me tem levado a pensar, que se realmente as mulheres andam infelizes tudo isso se deve a um misto de efeitos tipo cocktail molotov, que nos é frequentemente atirado em braços! Já tive oportunidade de referir as pressões, que uma mulher se coloca a si mesma, assim como algumas das pressões, que a própria sociedade e a forma como está estruturado impingem à mulher! “Uma mulher deve ser magra, uma mulher deve casar, deve ser mãe, ser profissional de sucesso, ter queda para a cozinha”... e uma data de outros extras, que farão da Dona de Casa mais desesperada uma perfeita Stepford wife, com ar, cabelo, pose e tom de pele, mesmo ao jeito da Nicole Kidman! Mas a verdade é que não há mulheres perfeitas! Assim como não há homens perfeitos, nem sociedades perfeitas, nem crianças perfeitas e por vezes a maior beleza está mesmo, na maior imperfeição! Continuo até hoje, sem perceber, se tendo noção e plena consciência da não existência de todos estes artefactos supostamente perfeitos, porque é que nós continuamos incansavelmente em busca deles! Colocando a nossa felicidade em mãos de todas essas exigências e tentando fazer caber o nosso pé “medonho” e “gigantesco” dentro do mais formoso sapatinho de cristal!? Só para parecer bem na fotografia?! É que se é por isso, para além de não parecer NADA bem, só nos traz ainda mais infelicidade, frustração e miséria!
Não estou com isto, obviamente a fazer a apologia da imperfeição e do erro... mas se ele existe e é congénito, não há nada a fazer, senão aceitá-lo! Conheço mulheres para quem nunca nada está bem... e eu, em parte sou também um pouco assim, uma eterna insatisfeita! Só que se no meu caso, a minha onda de “infelicidade” me leva a remeter a votos de silêncio ensurdecedores para o mundo e catastroficamente sonoros e caóticos, dentro de mim, para outras é precisamente o contrário... tornam-se mulheres extremamente sonoras com os outros e profundamente silenciosas consigo próprias! Não querendo ser imprópria, nem generalista, nem infundada, mas provavelmente já sendo todas essas coisas juntas e mais algumas, parece-me a mim, que a infelicidade que mostramos ao mundo e o descontentamento que ele, mundo, lê em nós, demonstra apenas o desejo de reflexão, de uma voz e de uma opinião, que durante anos, séculos a fio, a sociedade nos negou! Daí, que, mulheres infelizes deste nosso Portugal, só nos cabe a nós trazer essa “infelicidade” a limpo, dar-lhe o devido luto e depois partir para a festa, que se esta vida são três dias, um deles o passado já levou!

Relatos da Princesinha que há em mim...


Quando eu tinha por volta dos meus 10, 12 anos... (sim, porque de resto irão perceber que não fui uma adolescente prematura), era devoradora e assídua consumidora de tudo o que foi filminho da Disney, lançado naquela altura em cassetes VHS, com dobragens em “brasileiro”! Gostava especialmente dos Contos das Princesas “Rainhas” da Disney, que contavam histórias de amores impossíveis e sem fim, tudo sempre com muita lágrima, contradições, mauzões e beijinhos com finais felizes à mistura! Consumi, talvez até mesmo exageradamente, tudo o que foi “Pequena Sereia”, “Bela e o Monstro”, “Aladino” e “Pocahontas”! Lembro-me de fazer sessões de cinema em casa dos meus pais, minha casa na altura, com um grupinho seleccionado de amigas, em que escolhíamos à vez a personagem que queríamos ser, o que nos dava direito a dizer as falas dessa mesma personagem ao longo de todo o filme! O filme mais visto, foi mesmo a “Pequena Sereia”, pois não havia quem não quisesse cantar sozinha, todas aquelas músicas a que a pequena protagonista, Ariel, tinha direito! Eu, que sempre primei por evitar confrontos, escolhia sempre uma saída mais airosa, ficava-me pelo caranguejo, Sebastião, que tinha quase tantas falas e músicas como a Pequena Sereia, mas não tinha tão bom aspecto!


E agora, perguntam vocês... “Olha lá, ó mulher, ficas uma data de tempo, sem escrever nada de jeito e agora vens práqui escrever de filminhos de Mikies, músicas da Ariel... tás a nanar, ou quê?!”, ao que eu, vos respondo: Tenham lá calma... passo a explicar, que já vi que o regresso de férias ou a falta delas, vos está a deixar muito temperamentais...


Então foi assim, que por volta das onze da noite, ontem, me deparei num dos canais TVCine... qualquer coisa, da nossa tão amada TV Cabo, com a exibição de uma verdadeira relíquia, que justifica, precisamente todo e qualquer devaneio a que me prestei agora e me prestarei ao longo deste textinho! Então não é, que aqueles benditos “macacos” estavam a exibir àquela hora, mais do que adequada, o filminho do Aladino! Não acreditam?! Vão ver à programação de ontem... Mas é verdade! E eu, que fiz eu?!


A. Mudei de canal, porque já vi o filme triliões de vezes.
B. Mudei de canal, porque já não tenho doze anos! Ou
C. Limitei-me a ficar colada à espera da minha parte favorita do filme e cantarolei a música que ninguém me deixava cantar aos doze, porque todos queriam ser ou o Aladino ou a Princesa Yasmin e eu me limitava a ser a voz do Génio da Lâmpada!


Pois, acertaram, vi o filme, cantarolei e mudei de canal, só quando a minha parte favorita acabou... sim, porque logo a seguir a essa parte vem a parte dos mauzões, que nunca fez muito o meu género! Irrita-me! Enfim... tudo isto para dizer, que só ontem tive noção da verdadeira ingenuidade que me possuía, quando eu via aqueles filmes... porque se aos doze eu acreditava piamente no amor daqueles dois, levado ao extremo e sonhando um dia, também eu voar num tapete mágico pelo mundo fora, com um ladrão de bananas do mercado mais próximo. Hoje, como mulher e como mãe, tinha dado uma tareia de cinco dedos cheios àquela tonta da Yasmin, por sair assim, naquele tapete mágico com um estranho, sem capacete, nem cinto de segurança nem nada!


Enfim... foi engraçado ter a real percepção de como as nossas ideias acerca do amor e das relações são imaturas e desfocadas em alguns momentos da nossa vida, limitando-nos muitas vezes a nível pessoal, ainda que inconscientemente, pois não há nada mais limitador do que sonhar ser Princesa e só conseguir ser um tímido, mas feliz e cantarolante caranguejo!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Coisas Minhas de Menina-Mulher


Esta semana, em puro rescaldo das férias, fui avassalada por uma inexplicável e ensurdecedora falta de vontade para escrever! O que não é, de todo normal, na minha pessoa, mas ainda assim perfeitamente compreensível. Por várias razões e talvez umas mais do que as outras!
A primeira delas, talvez seja o facto mais evidente, que é o de que ainda estou com o “modo férias” activado, porque sinto que não me gozei o bastante, nem me senti de facto de férias!
A segunda razão, talvez se prenda com o facto de que cada vez mais pessoas próximas de mim e que me conhecem, começaram a ler o blog e por isso, me condicionaram, ainda que inconscientemente, pois sei, que não haverá palavra sem efeito, nem efeito sem palavras! Parvoíces, bem o sei... mas inconscientemente, assim que começo a escrever começo a auto-proibir-me, conter-me e censurar-me até à última das “virgulzinhas” de cada um dos meus textos!
Razão número três, talvez uma das razões, que entram directamente para o Top 5 da minha falta de interesse pela escrita... está sol! Está sol, calor e bom tempo e eu só consigo pensar em praia, passarinhos e sol. Vestidos fresquinhos, aguinha do mar, passeios no campo, cafezinhos na esplanada! Enfim, nem mesmo o susto da Gripe A, me Alivia deste peso do desejo de me veranear a 100% por aí, inconsciente e livre!
O que me traz à razão número 4, a liberdade de estando a escrever “por conta própria” me puder privar da “obrigação” da escrita ainda que seja só por um bocadinho! E como eu sempre fui um tanto ou nada do “contra”, às vezes “contra”rio-me das minhas próprias vontades...

Bem, mas se isto interessar a um “macaco”, hoje fui fazer a depilação e levei um susto do tamanho do King-Kong, quando me perguntaram, “virilha, simples, total ou completa?”! Agora ajudem cá este meu cérebro loiro e cansado... “total” e “completo” não é o mesmo?! É que eu até sou assim moderna, toda “prá frentex”, mas para além de não saber até hoje a diferença entre depilação total ou completa, ainda me sinto um tanto ao quanto desconfortável ao ter que assumir assim de lata, em plena sala de espera da “Clínica de Estética”, as minhas preferências de “corte”, entenda-se!!! Enfim... nada como optar pela “simples”, com a maior naturalidade e aguardar por uma sala de espera vazia para descobrir a diferença entre a “total” e a “completa”...
É que ele é com cada uma... enfim, anda uma gaja assim a modos que a pensar que está a par de tudo o que é moda e tendência no mundo da depi... e depois olha... toma lá, que essa tua cera de chocolate já é coisa de ontem... hoje o que está a dar é depi virilha total “ou” completa! Ainda me assusto um bocadinho ao lidar com estes profissionais da “beleza feminina”... quase como aquele velho síndrome do cabeleireiro, em que a gente até anda contentinha com o cabelinho que Deus nos deu, mas vai ao cabeleireiro só para “ dar um jeitinho” e sai de lá sempre com a certeza de que “estava mesmo a precisar”, “estava com um cabelo péssimo”, e num passo de mágica deixamos lá couro e cabelo e trazemos um saquinho com tudo o que é “pó” de magia para melhorar males que o nosso cabelo tem e não tem!
É duro ser mulher, é kármicamente bom, mas duro! Enfim... haja sol, mar praia e cabelo, mas nenhum pelo e nós já seremos felizes!

Bom fim-de-semana e até Segunda!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Eu, Tu e o Gogh!


E num dia assim, de notável falta de vontade e inspiração para escrever, pedi ajuda a um “amigo” para me fazer sorrir! É por isso, que vos deixo com esta imagem, num sítio onde eu hoje à noite poderia sentir-me feliz ao lado do meu “mais que tudo e tudo o mais”, talvez num dia em que me esquecesse que já o conheço e o voltasse a conhecer num Pátio, ou num Solar... assim, só com um olhar e um sorriso e um derreter nítido de dois corações!
P.S. - Desculpem, mas hoje, as palavras estão todas cá dentro e por força da vontade ou falta dela... é aqui que vão ficar! Amanhã... quem sabe, voltarei a escrever!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Eu, Tu e um filme...


A maior magia do cinema, talvez seja mesmo a de nos fazer reviver em imagens, mundos vividos e sonhados!

Ontem dei por mim, entre lágrimas pindéricas e gargalhadas ranhosas a admirar o final de um filme, que eu de início logo cataloguei como “lamechas, sentimentalista e meloso”! Mas a verdade é que, a capacidade que o cinema tem de nos fazer sonhar acordados é incrível. E dei por mim, a páginas tantas a estabelecer paralelismos entre a minha vida real e a vida que vivi, ontem à noite ao ver aquele filme, ali sentada no sofá!
O filme em questão é o “Marley” e envolve desde logo quatro coisas pelas quais sou tarada: cães, filhos, o amor e a escrita! Fiquei presa ao filme, algures entre o segundo e o terceiro filho! Eu desconfio, e aqui para nós que ninguém nos ouve, que tive momentos em que partilhei a tela, mesmo ali, coladinha à personagem da Jennifer Anniston! Com alguns laivos de racionalidade pelo meio, lá me deixei levar em mãos até aquele final agridoce, mais que esperado, mas ainda assim inédito! Não vou desvendar mais pormenores do filme, mas devo dizer-vos, que há muito tempo não me lembrava de me abstrair tanto da minha realidade real e viajar assim por mundos de cinema e afins, numa história absolutamente possível, incrivelmente real e assustadoramente doce e simples!

Gostei, não sei se voltarei a ver, mas cumpriu o objectivo: manteve-me alegremente entretida até perto da uma da manhã, num mundo em que não entravam mais nada do que as minhas reflexões, aspirações, desejos e devaneios oníricos! O filme não é bestial, mas foi bestialmente adequado ao momento e disposição...

terça-feira, 21 de julho de 2009

Gripe Aaaaiiii, que medo!


Ainda bem, que a Gripe A não se transmite pela via da leitura! Mal o menos, pensamos todos nós, amantes da escrita e da dita amiga! Ao que consta, este raio deste vírus, que de epidemia virou pandemia, passou a histeria colectiva, que nos leva a todos a ter comportamentos mais xenófobos do que um racista de extrema-direita em pleno fervor do momento!

Se antigamente dizíamos “Santinho” ou “ Deus o abençoe” a alguém que espirrava na nossa presença, agora calamos, tapamos a boca e fugimos a correr para lavar as mãos no lavatório mais próximo! Não há alminha que se preze, que não morra de medo de ser apanhado pela “Peste Negra” do Século XXI, que em lugar de nos deixar bronzeados neste tímido Verão, que vai aparecendo, nos deixa com “cor de burro quando foge” a rezar a todos os Santinhos, Espíritos Santos e Ámen, para não levarmos com uma “suínazita” em cima!

Não há dia em que não receba um email, com indicação de medidas de prevenção da mesma, nem manhã que passe, sem que nos jornais nacionais apareçam noticiados mais 9 ou 10 casos de contágio da mesma!

Mas cómico, cómico é ver uma Madame, numa cadeira de cabeleireiro próxima da minha a comentar, que não ia passar férias a Benidorm este ano, com medo de ser contagiada... é que o vírus é “ruim que se farta lá para aqueles lados”, dizia ela, enquanto ao seu lado, uma manicure de nariz a pingar lhe tratava das mãos, tossindo ruidosamente!

Irónico, irónico é pensar ainda, que até mesmo alguém que ainda não tem sintomas aparentes possa também contagiar os outros e que por isso, a única forma de não sermos de todo contagiados era trancarmo-nos em casa e não sair mais até esta história acabar!

Por enquanto, a melhor arma será mesmo a prevenção, mas como isso, “presunção e água benta cada um toma a que quer”, nunca é demais alertar os mais distraídos!
Nunca foi tão importante manter a célebre e nórdica distância de um metro entre pares, lavar as mãozitas com afinco e alguma regularidade e tapar a boca quando se tosse, depositando depois o lenço, que nos serviu de apara misérias, no caixote do lixo mais próximo!
É que isto de andarmos a brincar com coisas sérias é quase como andar a jogar à “roleta russa”, por isso vamos lá ser cuidadosos!

Enfim... pensando positivamente, e tentando dar uma “arejadela” ao tema, talvez assim se consigam, finalmente, pôr em prática os conselhos das nossas mãezinhas, que nos andaram anos a fio a dizer para “lavar as mãos direitinho”, e quiçá, educar o “tuga”, que não sabe o que é distância nos espaços públicos, nos espirra na cara, nos tosse para as costas e cospe para o chão!

E agora se me permitem, vou dar uma limpadela ao teclado... que, ouvi eu dizer, é dos sítios mais propícios para agregar “bichezas” e impurezas bacteriológicas e assim-assins!

segunda-feira, 20 de julho de 2009



E eis que algures entre o dia de ontem e o dia de hoje, deixei de estar de férias!

A tão merecida pausa, não foi tão pausada assim e o carregar de baterias foi viciado!
Não é fácil voltar à realidade, até porque, sem conseguir perceber muito bem como, dei por mim a pensar, que isto de se estar de férias, funciona como um género de realidade paralela! Não é a nossa realidade de facto e passamos por ela, como quem passa por um sonho mais ao menos bom...

Quem vai de férias e regressa a casa, tem um género de um pensamento de conforto, semi-decadente e semi-optimista, pois se conforta em pensar no regresso a casa, como o regresso um lugar familiar, acolhedor, sossegado e seu! Quem vai de férias a casa e regressa a um outro qualquer lugar, leva consigo a sensação de que está tudo a começar outra vez! E bate na cabeça emitindo um “Doh!”, bem forte, pesado e sentido, assim ao estilo Homer Simpson!
Ainda assim, as férias servem sempre para alguma coisa... quanto mais não seja, para pensarmos nelas como quem pensa em fadinhas, que mesmo sabendo que não existem, é tão bom e simpático sonhar com elas!

Resumo das minhas férias... foram uma valente... “fadinha”!

(E agora para tornarem isto mais interessante... leiam lá a última palavra, como se fossem açorianos!) - “DOOOOOH!”

sexta-feira, 3 de julho de 2009

FECHADO PARA FÉRIAS


E é assim, que a partir das seis da tarde de hoje, me encontro oficialmente de férias!
Uma pausa na escrita. Pausa no trabalho e um eventual carregar de ânimos e baterias, para voltar à carga ainda com mais força!


Planos para um desfrutar das mesmas... paz, harmonia, família e algum sol!

Se me quiserem encontrar, estarei algures entre passagens, pelos sítios abaixo indicados!


Tudo de bom e até ao meu regresso!























P.S. - Alguém já reparou, que este é o Post nr. 60?! :) Chegando ao 100, fazemos uma festa! FUI




quinta-feira, 2 de julho de 2009

Amor ao Tuga!


Ser português é ser tuga e ser tuga é um estado de espírito e um verdadeiro modo de vida!

Ser tuga é arranjar sempre maneira de furar a fila. Ser tuga é dar atendimento privilegiado aos amigos, e favorecer conhecidos. Ser tuga é só vestir roupas de marca, mesmo só ganhando 500 Euros por mês. Ser tuga é ser chamado de Doutor se se conduz um Audi, Mercedes ou Volvo. Ser tuga é falar alto e cuspir para o chão. Ser tuga é levantar a voz e depois a mão!
Ser tuga é ter orgulho em ser trafulha e pensar sempre, que as nossas trafulhices, apesar de melhores, nunca são tão graves como as dos outros. Ser tuga é roubar parafusos no supermercado e apontar o dedo a quem rouba vernizes. Ser tuga é comer cozido e ir dormir. Ser tuga é vender os produtos nacionais como sendo os melhores do mundo, mas só comprar os internacionais, vá-se lá saber porquê. Ser tuga é ir passar férias ao estrangeiro, só para sentir saudades de casa. Ser tuga é dizer que o estado vai mal, a sociedade é corrupta, mas fazer vista grossa a todos os delitos a que assiste. Ser tuga é nunca dizer que não a um Sr. Doutor, mas pensar sempre que o devia ter feito. Ser tuga é levar prendinhas aos médicos, bater palmas quando o avião aterra e comer pipocas ruidosamente no cinema. Ser tuga é ter atitude e estender a roupa toda à frente da janela. Ser tuga é estacionar em cima do passeio e amaldiçoar o outro porque o fez antes de nós. Ser tuga é gostar de tunning, mas só ter dinheiro para o Chunning! Ser tuga é ser trabalhador e ganhar uma miséria. É não trabalhar de todo e receber o mesmo. Ser tuga é ter muitos filhos se é pobre e um ou dois, se se é rico. Ser tuga é vender-se a si próprio como sendo melhor que o próximo, mas tendo sempre medo de não ser tão bom como o outro. Ser tuga é gostar de futebol, S. João, Sto. António, sardinhas e bacalhau. Comer cabidela ao almoço e rojões ao jantar.
Um tuga não janta fora ao Domingo, para poupar dinheiro, mas almoça fora durante a semana toda e vai ao café todos os dias. Ser tuga é comprar sempre um carro acima das suas poupanças e endividar-se até aos ossos para ter uma casinha, a que possa chamar sua.
Ser tuga é conviver à mesa a falar de comida, enquanto se come. Ser tuga é criticar ferozmente e depois não apresentar queixas. Ser tuga é não gostar e dizer: “Está bom, obrigado!”. Ser tuga já não é andar de fio de ouro ao peito e camisa branca aberta a mostrar o peito peludo, mas é trazer cabelo em pé e brinco de brilhante à Cristiano Ronaldo. Ser tuga é trazer o filho ao colo e o carrinho de bebé de 400 Euros ao lado. Ser tuga é roubar lápis no emprego, mas obrigar o filho a pedir desculpa por ter feito o mesmo na escola. Ser tuga não é trazer os filhos com trelas, mas dar-lhe com ela se eles se portam mal. Ser tuga é ter que ir para fora para se ser reconhecido e só depois ter algum reconhecimento no País, que nos viu nascer. Ser tuga é comprar roupa no Chinês, ir jantar ao italiano, ler livros de alemães, ver cinema americano, comer croissant francês e beber chá da Pérsia ou Inglês. Ser tuga é ler Margarida Rebelo Pinto, a “Maria” e desconhecer os Maias. Ser tuga é achar os Lusíadas uma seca, mas reconhecer Camões pela pala e citar o “perdigão”! Ser tuga é rir com os malucos do riso, mas fazer de conta que não se vê. É ver novela brasileira, copiar para a portuguesa e criticar a indiana. Ser tuga é negar tudo isso e fazer de conta que leu Saramago. Ser tuga é corrigir os erros dos outros e a seguir imitá-los.
Acima de tudo, para se ser tuga não se pode ser pontual. Um verdadeiro tuga pede “desculpe lá” por um atraso de 5 minutos, da mesma forma como pede por um de 1 hora!


Eu sou tuga, porque embora não carregue todas estas características comigo, as considero como normais da nação, que me viu nascer! Se gostava de ser outra coisa qualquer?! Isso não! Tão certo quanto ser tuga e gostar! Porque para além de tudo isto, ser tuga é conhecer o nome do vizinho. Ser tuga é cozinhar bem e comer boas carnes e beber bons vinhos. Ser tuga é dar beijinhos na cara, apertar as mãos e dizer “ó amigo”! Ser tuga é beber Sagres no Sul, Super Bock no Norte e Especial nos Açores. Ser tuga é ter sempre mais um lugar à mesa e vontade de receber. Ser tuga é ser capaz de fazer tudo, mas fazer de conta, que não se sabe fazer nada. Ser tuga é falar “protuguês”, com sotaque do norte do sul e das ilhas e ainda assim dar uns toques de “estrangeiro”, dentro do próprio país. Ser tuga é amar o seu país, mesmo sem o saber. É dar a volta ao mundo e esperar sempre voltar! Ser tuga é ter mar, rio, lago, lagoas, montes, serras, planícies e praias. Ser tuga é não ver koalas, nem cangurus, nem ursos, nem pinguins, mas ver andorinhas, priolos, vaquinhas, ovelhas e gaivotas. Ser tuga é acreditar em sonhos, ambições, persegui-los e depois escrever poemas. Ser tuga é amar em português e dize-lo em inglês, brasileiro ou francês. Ser tuga é viver em paz, não fazer bombas, mas morrer de amor! Ser tuga não é um karma é um modo de ser e viver!


Há muito quem diga, que ser tuga é uma vergonha, baixando os braços e abanando a cabeça. Ora, eu tenho é vergonha de quem é tuga e tenta esconder! O preconceito nasce à velocidade da luz, mas a mudança vem a passo de caracol. Haja tempo, vontade e paciência e eu acredito que a Tugolândia pode virar um Portugal de orgulho! Defeitos todas as nações os têm, assim como os seus habitantes, a mudança não está na crítica inactiva, está na acção da crítica! Por isso não me venham lá com merdas, que em bom português aqui fica a minha mensagem para os cépticos da Nação: não foram os velhos do Restelo que fizeram Portugal, mas talvez tenham sido eles, que contribuíram para o seu retrocesso! Tenho dito!

quarta-feira, 1 de julho de 2009


Não há, mas não há mesmo, melhor desafio à inteligência de um adulto pensante, do que ser pai. É que ele não é só a responsabilidade económica que acresce com o nascimento de um filho. Nem muito menos, a dependência natural, que advém do nascimento do nosso rebentinho! É uma pressão da sociedade instruída, que nos faz pôr de lado as tendências naturais da paternidade, em detrimento de teorias de pedagogia infantil, terapeutas e entendidos do assunto.
Não falo só de formas de educação distintas, nem muito menos de estilos parentais diversificados, que isso há-os por aí, tanto quanto meninos nascidos e por nascer!
Já experimentaram, sem experiência alguma no assunto irem até a um supermercado comprar fraldas para a vossa cria?! Não!? Eu digo-vos, por experiência própria, que pode ser daquelas experiências de uma vez na vida, total e completamente traumatizantes. Ele é fraldas de marcas distintas, de acordo com o peso, de acordo com o sexo, de acordo com a movimentação, agilidade ou posição! Fraldas de água, fraldas de noite, fraldas de dia e de assim-assim. A primeira vez, que li no rótulo de uma embalagem, “fraldas para cocós líquidos”, pensei de mim para comigo, que não estava minimamente preparada para a minha maternidade eminente. É que não foi só a lembrança dos “cocós”, que não entram nos sonhos de mãe dedicada e apaixonada, que só vê bonequinhos e peluches, bercinhos e roupas cor-de-rosa. Aquela parte dos líquidos fez-me assim uma aversão! Naturalmente, não tanta como a que me vez ao primeiro vislumbre dos mesmos, ainda assim terrivelmente inesperados! Enquanto isto, o meu marido, no corredor ao lado, não fosse ele homem e dedicado à administração de contas e afins, descobria mais uma maquia de fraldas diferentes, de calculadora na mão, tentando contrabalançar o valor preço e a qualidade das mesmas, numa espécie de tentativa de estudo de mercado inteligente! Resultado, compramos três pacotes diferentes. Eis senão que, quando a minha filha, finalmente nasceu, nenhum dos três era adequado para ela! Fraldas para “bebés prematuros”, foi aquelas que ela usou! Compradinhas na farmácia, por recomendação médica! E ela, que nem prematura foi!
Enfim, completamente desesperante foi também a busca e experimentação constante dos diferentes tipos de leite, HA, confort, digest, para bebés com refluxo gastro-esofágico e de novo para os tais “líquidos”, isto tudo, depois de ter andado numa luta com a amamentação, faltas de leite, cólicas e bombas de extracção de leite, que de tortura medieval tinham tudo, menos o aspecto, marca e preço!
Se pensam, que isto foi complicado, desenganem-se, pois isto é só a ponta do iceberg. Depois vêm as teorias da chucha, do sono, do “não”, dos castigos… um sem número de teses diferentes, todas elas devidamente testadas e aprovadas.
Não há olhinhos que aguentem tantas páginas de teorias e ideias de educação, sugestão, dicas, know how, do that… enfim… perdemo-nos de tal forma, que às vezes mais parece, que a única coisa a que verdadeiramente não prestamos atenção é mesmo ao nosso instinto de pais, que juntamente com o amor e dedicação, que nascem juntamente com um filho, fazem de nós únicos e peritos na matéria!

Ontem, tive Reunião de Pais, na Creche da minha filha, para, entre outras coisas, discutirmos eventuais problemas ou apontar sugestões, enquanto auxiliadores da educação dos nossos “pikenos”. A páginas tantas, e num contexto até um pouco inadequado há um pai, que questiona a utilização e acesso dos infantes a um aparelho familiar do nosso quotidiano, a que ele se referiu, apontando para o dito, e dizendo: “ aquela coisa ali”. Para espanto dos presentes, o Educador, referia-se à televisão. Diz ele que, não a tendo em casa, não sabe até que ponto não será prejudicial para a filha dele, ter acesso no colégio ao dito aparelhómetro. Referiu-se ao caso alemão, onde esses aparelhos não partilham do espaço público e onde não é normal as crianças terem acesso indiscriminado à programação exibida.
Numa cultura como a nossa, é mais que normal isso acontecer e da minha experiência até à data, não sei se sendo por estar habituada a ela, praticamente desde que nasceu, a minha filha, não liga grande coisa à televisão! A acreditar naquilo que foi dito pelo Pai Educador Preocupado com a TV, a filha do mesmo fica quase que em transe ao ter acesso à mesma! Não será pela falta de habituação?!

Eu não sou de extremos, a não ser no que toca a gostos e (des)gostos, mas continuo a achar, que a razão está sempre a meio de qualquer radicalismo. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra! As crianças, deste país, não vivem numa realidade alemã, assim sendo, não sei até que ponto será positivo tentar fazer desse o modelo de educação a adoptar cá! Mas isto é só a minha humilde e pouco meritória opinião… quanto a mim, não me manifestei na dita reunião… ainda estava com medo da “multa” que apanhei por ter levado a minha filha à Creche, com atraso de 20 minutos. 2,5 Euros de vergonha de mãe sem noção das horas… Não sou exemplo para ninguém! E com isto, lá estou eu de novo, a cair na tentação de questionar a minha atitude parental à luz de teorias educacionais, que enaltecem a criação de ordens, rotinas e horários na vida dos nossos pequenos filhotes! Não há pai que aguente, tanto peso de sabedoria pedagógica...

terça-feira, 30 de junho de 2009

Uma hora na praia e um desejo de Pan... Peter Pan!


E voilá… Eis que chegou o dia, em que eu me decidi a fazer algo para mim, mas só para mim mesmo, nas minhas mal aproveitadas duas horas de almoço. Assim, saí do escritório a voar, parei em casa, vesti o bikini, que já tinha saudades de me ver e toca de jornalinho debaixo do braço e telemóvel ao peito rumar até à praia! E que bem que se estava! Um calor, que metia dó, um céu limpo e um sol LINDO a brilhar sem parar! Só de vez em quando vinha um ventinho pouco, mas muito agradável, que nos cobria a pele com leves partículas de areia preta!
Já não me lembrava de estar deitada ao sol, por mais que meia hora! Ok, também não estive muito mais… estive uma hora ao sol… e no meio dessa hora, algures entre os 25 e os 28 minutos, adormeci. Mas adormeci mesmo, assim daqueles sonos pesadinhos e concentrados, onde nem sequer a tão pouco atraente e reles baba faltou. Enfim, figuras tristes aparte, soube-me por horas de sono nocturnas estes minutos ali a dormir. E foram tão dormidos, mas tão dormidos esses minutos de sono, que por alguns momentos me esqueci onde estava e assim, ao acordar daquele pesado sono de Pequena Sereia adormecida, numa praia algures em S.Miguel, fiquei que nem uma tonta, quando me tentei levantar para saber o que me tinha acontecido. A única coisa que restou… uma sensação leve de descanso e relaxamento total e uma ligeira vermelhidão nas costas! Nada de grave, mas ainda assim sinal do estado do tempo!
Mas como ainda tinha uns minutos, resolvi olhar à volta. Sim, porque antes disso nem sequer vi quantas pessoas estavam na praia, como ou de que forma… só tinha um objectivo… ir até lá, tudo o resto era acessório!
Olhei em volta… Do lado direito 3 miúdas dos seus 14, 15 anos, de bikinis reduzidíssimos e gordurinhas salientes, acompanhadas de 4 ou 5 miúdos, por volta da mesma idade, com ar de quem não come há mais de um mês, espinhas na cara e calções compridos e floridos demais. Em frente a mim, um grupo de jovens dos seus 18 ou 19 anos, cantando músicas do Michael Jackson, enquanto tomavam alegres e sacudidos banhos de mar. Do meu lado esquerdo, um jovem trintão solitário, com ar de poucos amigos e ainda menos cabelo e um pouco mais acima, três verdadeiras “zobaidas” de cerca de 20 anos, de túnicas e pareo vestidos, olhando pelo canto do olho para os transeuntes, com olhar de desdém e risadinhas amiúde. Mais ao longe vislumbrei uma vizinha com o filho… despida de preconceitos nos seus 1,50 por 87 kilos, sem se perceber muito bem se a barriga trazia mais um descendente ou se havia práli um caso sério de falta de actimel com bifidus activos! Publicidades aparte, deu-me para rir… é que se nos tapamos no dia-a-dia, com tanto pudor e tão escrupulosamente, tentando disfarçar eventuais gorduras ou defeitos de fabrico, parece que ao chegar à praia vale tudo! É que a bendita senhora, para além de ostentosa, ostentava um bikini de envergadura para além de reduzida, em que até a mais dura fibra se perguntava se iria aguentar tanta “pressão”! Sério mesmo… e agora em tom menos viperino, mas será que ninguém lhe disse, que os trikinis também estão na moda?! Não percebo! Porque raio nos tapamos todos os dias com trapos mais ao menos afamados e mais ao menos bem escolhidos e depois nos estendemos assim ali ao sol… de vergonhas ao léu, sem pudores nem preconceitos! Não me entendam mal… Por favor, pela vossa alminha… mas haja bom senso e mais uma vez, a “tudo pensem, a tudo pesem”!
E de tanto pensar, voltei a analisar o quadro de cenário veraneante, que me circundava e dei por mim a pensar, que é bestial ter entre 15 e 20 anos, em que as únicas preocupações e as mais graves talvez também sejam: “Mas afinal, o que vou eu fazer para ocupar estes três benditos meses de férias!” – Bem hajam as criancinhas deste país, que eu quando for grande quero ser como elas!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A realidade relativa de como a queremos ver...


Sou uma pensadora livre, escritora de alma e mãe por natureza. Acredito que o amor é a única razão de viver e vivo em função dele!

Ao visitar o meu blogue, um amigo pergunta-me em tom, claramente nortenho, semi irónico-piadético… “Ólha-me ésta… xcritora! Puff… tu identificas-te como xcritora?!”. O que me leva a pensar no peso que acarreta essa designação, que não significa mais nada do que uma mulher, que escreve… escritora! Engraçado como não me perguntou porque é que me identificava como “pensadora livre”, “mãe por natureza”, ou o que isso significaria! Muito menos, se deu ao trabalho de ver o “de alma”, que se seguiu a essa classificação “xcritora”, que me auto-atribuí. Mas afinal, qual é o problema de alguém se identificar como escritora?! Será que isso acarreta um peso da profissão, do métier?! Um savoir-faire, sine qua non, para se poder auto descrever como tal?! Ou exige um livro escrito e publicado de reconhecimento do público em geral e da pessoa que lê em particular?!
Se alguém diz escritor, pensa-se logo: Pessoa, Camões, Saramago… com as toneladas de reverências e respeito mítico, que isso implica. Ora, eu de pessoa, só tenho o substantivo, sem maiúscula nem nome próprio, de Camões, só tenho a Lusitana paixão, mas nada de pala nem olho de vidro, que não dava os meus assim por dois tostões. Agora, com o Saramago, tenho em comum a data de aniversário e mais nada! Talvez a falta de pontuação… às vezes! Mas se isso são requisitos essenciais para se ser escritor, então talvez tenha mais a ver com a Margarida Rebelo Pinto… afinal de contas, sou mulher, como ela!
Sem querer ser íntima, mas já sendo pessoal, detesto ter que me descrever. Mais ainda, detesto que me perguntem “algo” sobre mim, ou sobre o que é que eu gosto de fazer, ou o que é que eu quero fazer?! Ou como sou… Enfim, acho que não há coisa mais difícil de fazer, do que me auto descrever, sendo que no que me diz respeito, fica sempre algo por dizer! É como se ao dizer, “eu sou…” estivesse a cometer um acto de alta traição comigo mesma e estivesse a desenhar um quadro surrealista, com apenas alguns dos traços que me definem… assim, indefinidos, esborratados, vazios de mim!
Mas, coincidência ou não… considero que esta descrição que fiz de mim própria no blogue, capta exactamente a minha essência, ou pelo menos o princípio dela, que condiciona tudo o resto! Pensadora, porque sim… porque me recuso a não pensar, ainda que saiba, que “incomoda, como andar à chuva”! Livre, sempre, por natureza também, porque nascemos assim e só deixamos de o ser, se quisermos ou se não formos capazes de ver a liberdade até nas mais pequenas coisas! Sou mãe, porque a natureza me fez assim e porque o aceito e aceitei com toda a naturalidade, como quem cumpre um fim, para o qual sinto que nasci! E na minha alma, bem lá no fundo, ainda que o tenha tentado negar muitas vezes, talvez até vezes demais, é isso que sou… escritora. Escrevo porque gosto, porque me é natural e fácil. Escrevo porque sinto, que a palavra escrita me ajuda a clarificar ideias, pensamentos e não querendo abdicar da liberdade dos mesmos, sinto que ao ter que os restringir a palavras ou linhas, os vejo com mais clareza!
Não sou escritora consagrada, de livros editados, nem faço planos de o ser! Não tenho ambições de virar milionária à custa disso, mas também me recuso a deixar de lado esse meu epíteto, que fez parte de longas horas dos meus dias e noites felizes e me fez sempre, mas sempre, muito feliz e realizada… como se na escrita eu me encontrasse, me definisse, me visse em papéis e sonhos para além dos vividos e sonhados, e talvez, quem sabe, num misto dos dois… contrabalançando num equilíbrio perfeito e total estado de paz!
Há quem tenha muito medo de se auto identificar como escritor, ou poeta, ou cantor, ou pintor, mas engraçado como qualquer um se identifica enquanto doutor, ainda que, na maior parte das vezes, não o sendo… Não percebo… Se pinto, sou pintora! Se faço poemas, sou poetisa! Se escrevo… o que serei?!
Existe, obviamente uma dialéctica forte entre o querer e o ser… e eu nunca quis ser escritora de profissão! Aliás, tenho aquela, velha e ultra-romântica ideia, de que todos os escritores são seres alucinados, que vivem infelizes e morrem pobres! Ideia, já de resto, fortemente debatida em discussões amigáveis e longas acerca da nova vaga de escritores, que surgem como pipocas, enterrando-se num best-seller e alimentando-se da sua fama pontual para a eternidade!
No que a mim me diz respeito, continuarei a sê-lo, nem que seja só de alma, porque é isso, que me sinto ser! Sem mentiras, nem ilusões e enquanto houver papel e lápis continuarei a escrever!

sexta-feira, 26 de junho de 2009


E depois há dias assim…
O Michael Jackson morreu, a Farrah Fawcet também, caem dois mitos por terra e a chuva voltou a S.Miguel.
A caminho do escritório vi três arco-íris e sorrio desde que acordei! Não é um sorriso, que trago estampado nos lábios é antes um sorriso de coração e mente, que se desafogaram um bocadinho no vislumbre de um possível toque do sonho!
Desculpa mundo, se choras hoje e choves, mas por hoje não te faço companhia, nem mesmo por simpatia!
O sorriso que sinto cá dentro de mim, por momentos gargalhou e permitiu-me sonhar, sonhei que estava quase a tocar o sonho e ele nunca me pareceu tão perto!
Sinto-me inexplicavelmente, inexpugnavelmente, inmesuravelmente feliz! Desculpem os tristes e os revoltados, mas hoje não partilho as vossas dores, nem sequer as poderei explicar por palavras, que normalmente me são tão fáceis de traduzir!
Hoje, mundo, sou toda leveza e não há Kundera, que me valha na minha “insustentável leveza de ser”. Hoje, tudo em mim é Arundathi Roy e voltei a ser criança e não vejo o Grande Deus, mas o “Deus das Pequenas coisas”.
Desculpa Michael, desculpa Farrah, mas hoje desliguei a corrente, que me liga a um mundo mortal e estou longe, muito longe! Talvez amanhã vos faça o devido luto e vos preste uma última e única derradeira homenagem!
Porque há coisas que não se explicam e momentos em que se sente o virar da página, hoje, tudo em mim é crença de que a próxima será feliz…