segunda-feira, 14 de setembro de 2009

...em Branco...


Branco.
Em Branco.
A Preto e Branco.
O Branco e o Preto.
A D. Branca.
Deu-lhe uma branca.
Ficou branca.
Branco leite.
Branco gelo.
Branco puro.
Imaculadamente branco.
No meio de tanto branco, pintou um borrão de tinta preta!
Branco mais branco, não há!
Tudo preto no branco.
Branquínho.
Branquelas.
Branquérrimo.
Branco pérola.
Branquear... roupa, os dentes, dinheiro.
As Brancas.
O fim.
O Começo.
O Medo.
A incerteza.
A insegurança.
A desfaçatez.
A timidez.
O Esquecimento.
O Erro.
O Recomeço.
O Espaço.
A Limpeza.
A Pureza.

Cabe tanta coisa numa folha de papel em branco... e hoje nesta, não caberia nada, porque às vezes, um bilhetinho em branco diz tão mais, do que muitas palavras!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sinuca da Vida!


O bilhar, snooker ou sinuca, como lhe chamam os nossos primos do outro lado do Atlântico, é uma bela de uma representação metafórica da vida!
Senão porquê, vejam só:
Cada um de nós vai jogando na sua vez, tentando sempre “meter a bola certa”, se falhar terá que aguardar a sua próxima tentativa e arriscar-se a ver passar a vitória do jogo para o seu adversário.
Mas, por vezes... só por vezes, aquele que está em vantagem mete a “bola negra”. E o 8 passa a 0!
Na vida, como no bilhar, convém sempre calcular a jogada antes de “meter a bola”!
Bom fim-de-semana a todos e boas “jogadas”!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

...o meu reino por um poeta!


Presos por laços semânticos os termos Prosa e Poesia andam de mãos dadas com os conceitos lirismo e prosaísmo. O lírico e o Prosaico opõem-se em semas e em temas. Como tudo na vida, a própria vida em si, pode ser vivida em prosa ou em poesia! Ou seja, temos momentos na vida em que oscilamos entre o prosaico e o lírico, mas na essência a nossa própria vida só poderá ser uma das duas!
Há pessoas que são prosaicas, dadas a longas prosas e a longos discursos articulados, sem actos, nem factos de grandes “versologias” e há pessoas que tornam a sua própria vida num autêntico acto de esforço poético, com grandes rimas, topos e estruturas sistémicas ora de verso livre, ora de verso “preso”.
Conheço histórias de vidas que dariam autênticas epopeias, enquanto outras não passariam de uma alegre quadra S.Joanina, simples em ideias e versos, mas ricas em conteúdo e emoção. Porque não se pense que a grande felicidade só está nas grandes obras poéticas. Assim, como nem tudo o que tem conteúdo se escreverá em grandes romances. Por vezes, a sintetização de um conto é o cúmulo do poder da representação!
Eu, sou uma pessoa lírica e ainda que por vezes me sujeite a uma prosa, que escrevo com ligeira facilidade, tenho em mim guardados a sete chaves os verdadeiros lirismos, que dão cor à minha vida!
No meu sangue, a poesia corre em gotas, torrentes de gotas, que me enchem as veias e que por ser tanta, se escreve, aparentemente em prosa! Mas no final dos meus dias, aquilo que quero é ler na minha vida, a minha melhor “proesia”!
Para uns “amor é prosa, sexo é poesia”, para outros “campanha é poesia, governação é em prosa”! A prosa, para mim não existia sem a poesia, nem a poesia sem a prosa. Assim como não existiria bem sem mal, nem branco sem preto. Mas se me perguntarem onde está “o sublime”, terei que dizer, que em nenhuma das duas, senão que está na junção das mesmas... porque o melhor poema continua a ser, aquele que foi escrito em prosa e a melhor prosa, aquela que foi escrita como pura poesia!
E agora, perguntam vocês, mas porquê tanto trocadilho?! Porquê este banho literário de dialéctica de estilos... e eu respondo... porque sinto a poesia na minha vida a falecer e por momentos pensei, que “trocava a minha vida por um dia de ilusão”, quando me apercebi, que a minha vida está já ela cheia e plena de dias de férteis ilusões.
Não quero só prosaísmo, por favor recita-me um verso, de vez em quando ao ouvido... basta de prosa, quero um dia de poesia!

Nível Pai!


Num dos títulos de revistas com bebés na capa de hoje, li em letras maximizadas: “9 vantagens de ser mãe”! Fiquei curiosa, (objectivo cumprido da parte da maximização das letras), ainda que na verdade apenas pelo facto de não saber quais as nove que seleccionaram... só porque eu, assim de repente me lembro de bem mais do que nove!
Mas a par dessas e porque nem tudo na maternidade são flores e ursinhos, também me consigo lembrar assim de umas quantas desvantagens de se ser mãe. Principalmente de o ser, como eu, e estou certa que muitas outras mães e pais o são, sozinha! Entenda-se sem o apoio da família e alguns amigos ou sequer conhecidos por perto! Que, se hoje em dia já vamos começando a ter um par ou outro deles, dos amigos e conhecidos, leia-se, de início não tínhamos nenhuns por perto... o que nos levou a sentir muitas vezes: verdadeiros pais ilha! Assim, desde que a minha repolhita nasceu, nós, pai e mãe, enquanto casal, não sabemos o que são sessões de cinema, nem grandes concertos ou festas de dance. Não sabemos o que é estar de papo para o ar na praia horas a fio, de olho cerrado a passar literalmente pelas brasas! Também já não sabemos o que é um jantar a dois ou uma saída romântica sem horas nem preocupações alheias aos dois! Engraçado como já não me consigo lembrar da última vez que entrei num bar ou numa discoteca para dançar a noite toda ou encher-me de produtos tóxico menos lícitos! Da minha parte, já não me lembro do que é beber mais do que um copo de vinho branco, acompanhado de um bom jantar... tudo porquê?! Porque não me posso dar ao luxo de ficar de ressaca, ou mal disposta, ou na ronha... porque a minha filha só nos tem a nós no dia seguinte e não tem culpa da mãe ou o pai estarem cansados da borga!
Por vezes, e porque não nos esquecemos nunca, apesar disto, que somos um casal, tentamos ir jantar e levá-la, o que acaba em uma das três hipóteses seguintes: 1. Somos interrompidos por uma birra monumental dela; 2. Ela fica aborrecida e perdida de sono e andamos a jantar a meias e a ficar cada um com ela à vez; 3. Ela adormece e raras vezes temos um jantar sossegado em tom de surdina!
Outra coisa que não é fácil é tentar levá-la a jantar connosco naqueles restaurantes mais “in”, de tendência mais intimista, que se não são assumidamente anti-bebés, também não fazem por não sê-lo, porque por vezes, nem uma cadeira de refeição para crianças têm...
Numa tentativa desesperada da nossa parte, para recuperar algum romantismo, por vezes metemo-nos os três no carro e vamos até ao drive-in do Mac’Donalds e, se a coisas correr bem, das duas uma, ou comemos a refeição no carro em frente à praia com ela a dormir na cadeirinha no banco de trás... ou a deixamos empanturrar-se de batatas fritas, para nos esquecermos por minutos de que ela está ali!
E agora perguntam vocês, casais sem filhos ou alminhas “amaternais”... mas se isto é assim, porque é que alguém no seu perfeito juízo quererá ter mais que um filho!? É que à primeira, cai quem quer! (...)
E eu digo-vos, que à segunda quem quer cai! A verdade é que as 9, ou mais vantagens de se ser mãe compensam em muito essas “desvantagens” e “once you go dad, you never go back”! É como a passagem para um outro nível, como comentava ontem o meu mais que tudo: “Eu já estou no nível Pai, agora não volto atrás!”...

Croniquice 10ª - 10.09.09 - A Equação do Amor


Homem ama mulher. Mulher ama homem. Casam, vivem juntos e são felizes para sempre! Neste problema simples, de resolução aparentemente banal, faltam todas as variáveis, que tornam esta, mais uma, das grandes equações problema da vida humana. É que homem ama mulher, e mulher ama homem, mas muitas vezes não são o mesmo homem ou a mesma mulher, que um ama, ou que é amado! Em semelhantes silogismos, de crescimento exponencial ou linear, muitas vezes é a matemática que nos trama, quando um mais um é igual a outro, ou mais dois ou três! Homem ama mulher, que é esquisitinha que se farta. Mulher ama homem, que é um zero à esquerda e não ajuda em nada! Ou, mulher ama homem, que gosta muito de amar, mas é outras mulheres! Ou homem ama mulher, que não sabe o que é amor! Como estas haveria muitas outras suposições e variáveis ao problema simples inicial! Diziam-me no outro dia, assim em género de confidência, que o amor era só início, quando eu sempre julguei que ele seria um fim! Linhas tortas e travessas meias, levaram o amor para o primeiro lugar e dos fins se fizeram princípios e os princípios desvirtuaram-se! O amor agora anda nas ruas, nas travessas da amargura e está em vias de extinção natural, segundo consta, pois agora é tudo mais do que artificial! Já não há um “Amo-te” e basta! Não... tem que haver sempre um mas... “Eu amo-te, mas... as coisas não são fáceis!”, ou pior, quando um amo-te não tem sufixo, mas prefixos ajustáveis... “Ah e tal... estou num momento complicado, não sei bem aquilo que quero, mas Amo-te!”. E assim andam os corações deste país com bolsos e cabeça em crise, coração apertado e perdidos do sentido da vida. Desculpem se não sei falar da forma como este sentimento é tratado e abordado nos dias de hoje sem ironia ou sarcasmo, mas quer-me parecer que daqui a uns anos, com tanta falta de experiência instintiva na matéria acabarão os nosso filhos a par da Educação Sexual, por ter aulas e disciplinas de Educação no Amar! Não se ensina a amar alguém, ama-se e já está. Não se explica nem quantifica este sentimento, que nasce naturalmente e sem se saber bem porquê e a única forma de conjugar o verbo e realizá-lo é mesmo fazendo-o no gerúndio... amando!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009


Pois é... Vai daí, estou de volta!

Cansada, morta, ainda um pouco preocupada, mas estou de volta! A quem se admirou pela falta de “produto”, digamos que nem sempre o infortúnio é amigo da “pena”, que quando nem sequer tempo se tem para pegar nela nos vale de nada! A inspiração foi sufocada pelo medo e estive 24 horas, sobre 24 horas, preocupada com o bem-estar da minha mais-que-tudo e tudo o mais, que esteve doente desde quinta-feira à noite, com umas febres que teimavam em não nos deixar e me punham a mim a ferver! Na sexta foi-lhe diagnosticada uma virose, foi medicada e ainda passamos o fim-de-semana inteirinho na companhia da (mal) dita daquela febre! Segunda-feira deixou-nos e ontem já tivemos temperatura amena nas nossas cabecitas, que ainda assim não acalmaram o ferver de corações dos últimos dias! Mas, hoje, estou de volta ao “negócio”, que é assim como dizer que está tudo “aparentemente” a voltar ao normal. Tenho a dizer que não durmo direito desde quinta-feira, não como uma refeição decente, desde essa altura também e odeio viroses!


Tendo dito isto... vou até ali tratar das minhas “coisaschatasquetenhoquefazersenãonãomepagam” e já volto!



P.S. – Tirando isso... hoje é dia de POST número 100!!! Voilá, três bien fait! ;)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O Blogue do Pessoa!

Em relação à minha fértil imaginação, tenho a dizer, que imaginei o primeiro post do blogue do Fernando Pessoa, como algo deste género...




Post 1º - pessoa.meu.blogue.blogspot.com


“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.” E assim nasce também neste dia o meu blogue. O blogue de uma pessoa de seu nome Pessoa, em tudo como os outros, talvez um pouco louco. Mas, “Sem a loucura que é o homem/ Mais que a besta sadia,/Cadáver adiado que procria?”.
Neste espaço que é meu, “Tudo o que faço ou medito/ Fica sempre na metade./ Querendo, quero o infinito./ Fazendo, nada é verdade. // Que nojo de mim me fica/ Ao olhar para o que faço!/ Minha alma é lúcida e rica,/ E eu sou um mar de sargaço.”. Tentarei quando o assunto me faltar, fingir, porque afinal... “O poeta é um fingidor./ Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente.”. E eu... eu, acima de tudo sou um poeta! Porque prefiro escrever aqui, do que em folhas soltas de papel?! Poderão vocês perguntar... e eu respondo, porque “Livros são papéis pintados com tinta./ Estudar é uma coisa em que está indistinta/ A distinção entre nada e coisa nenhuma.”. E entre fazer alguma coisa e não fazer nenhum... eu prefiro negar-me a fazê-lo! “Ai que prazer/ Não cumprir um dever,/ Ter um livro para ler/ E não o fazer!/ Ler é maçada,/ Estudar é nada./ O sol doira/ Sem literatura./ O rio corre, bem ou mal,/ Sem edição original./ E a brisa, essa,/ De tão naturalmente matinal, /Como tem tempo não tem pressa...”. Neste blogue não há pressas, não há sim ou não, mas talvez... “O mistério do mundo,/ O íntimo, horroroso, desolado,/ Verdadeiro mistério da existência,/ Consiste em haver esse mistério.”.
Espero que gostem, que me visitem, que se venham sentar aqui à frente muitas vezes... em contemplação. “Depois pensemos, crianças adultas, que a vida/ Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,/ Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,/ Mais longe que os deuses.”.
“Sim, sei bem /Que nunca serei alguém./ Sei de sobra/ Que nunca terei uma obra.Sei, enfim,/ Que nunca saberei de mim./ Sim, mas agora,/ Enquanto dura esta hora,/ Este luar, estes ramos,/ Esta paz em que estamos,/ Deixem-me crer/ O que nunca poderei ser.”, porque o sonho deste espaço é meu!
Aqui vos deixarei conselhos e o primeiro conservai até serdes velhos: “Para ser grande, sê inteiro: nada/ Teu exagera ou exclui./ Sê todo em cada coisa. Põe quanto és/ No mínimo que fazes./ Assim em cada lago a lua toda/ Brilha, porque alta vive.”.
E em jeito de conclusão, aos possíveis anónimos que me possam visitar, com alegações de arrogância e prepotência da minha parte, apenas vos digo: “ Não tenho ambições nem desejos./ ser poeta não é uma ambição minha./ É a minha maneira de estar sozinho.”! Por isso, se vierdes para criticar, peço-vos... Não venhais de todo!

Hoje dei por mim a pensar, como seria se Pessoa tivesse tido um blogue!? Será que tinha um diferente para cada heterónimo?! Fiquei curiosa e cheguei à conclusão... que penso em coisas, que nem a um macaco lembram!

Croniquice 9ª - 03.09.09 no AO


Já alguém reparou, ou fui só eu, na proliferação do uso do adjectivo “complicado”, aplicado à descrição de estados, situações e pessoas nas mais variadas situações do nosso quotidiano?! Especialmente fértil e abundante é o uso desse mesmo adjectivo no feminino, ainda mais num irónico e comichoso diminutivo: “complicadinha”! Isto, quando usado para descrever pessoas, cujos comportamentos não se entendem ou, não se desejam entender! Opta-se assim pelo modelo Simplex e usa-se e abusa-se do mesmo!
Recordo-me de uma época, quando em género de bengala conversacional, era moda as pessoas usarem a expressão “coitadinho”, e não havia situação em que esse mesmo adjectivo não fosse usado e abusado, muitas vezes até de forma absurda... “Ai, coitadinho do homem, olha ficou sem casa, coitadinho, com a coitadinha da mulher e os coitadinhos dos filhos!”. Agora, quer-me a mim parecer que o “complicado/a/complicadinha” lhe anda a roer os calcanhares e a ganhar adeptos em tudo o que é situação... “Sabes, ele está num momento complicado e ela é complicadinha, não se pode fazer nada, porque é muito complicado... Olha, coitadinhos!”. Enfim, não há conversa, que por mais simples não tenha um “complicado” perdido lá pelo meio e no que diz respeito a este adjectivo as mulheres são tendencialmente as mais classificadas por ele. Vai do “complicadinha” desdenhoso, ao “complicadas” generalista e até ao “complicómetro”, apetrecho feminino psico-biológico, recentemente inventado, que defende a existência no sexo feminino de uma tendência inata para complicar situações, que aparentemente seriam simples! Que a mulher é complexa, já todos nós sabíamos, é uma questão de género, mas que o “complicanço” não é exclusivo do mundo das mulheres, isso também já estaria por estas alturas mais do que testado e comprovado. Não acreditam... então digam-me lá se não é complicar perder mais de uma hora a falar nas transferências futebolísticas, nos esquemas de jogos criticados e analisados à lupa por pseudo-treinadores de bancada ou trocas de galhardetes ideológicos e políticos, que passam do papel para o virtual e do virtual para o carnal! E depois ainda têm a lata de dizer que nós é que somos complicadas?!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A P.D.I.


Ontem tive que tratar de uns assuntos no Cartório da Localidade. E como em todos os assuntos tratados nos serviços públicos... a coisa demora o seu tempo! Assim sendo, tive tempo para não intencionalmente, é claro, pousar o ouvido na conversa de dois cavalheiros dos seus sessenta aninhos e poucos! Um deles, agora reformado por invalidez, que se queixava das maleitas do seu enfarte e da recuperação lastimosa, apontando no entanto que actualmente as coisas estavam bem melhores e que em lugar de se ficar internado 3 semanas num pós operatório cardíaco, hoje em dia bastava uma! O outro, mais lento no andar, dando laivos de uma certa ironia de “Saturday Night Fever”, dizia que bem pior tinha sido a recuperação dele da substituição de um osso partido na anca, que ainda hoje o fazia gemer de desconforto todas as noites! E assim perdidos naquela troca de galhardetes queixosos da Brigada do Reumático, chegam à conclusão que aos 20 anos é que se estava bem! Ao que o idoso do coração diz: “Olhe... 20, 20 anos foi o que me disseram que durava eu... eu sei lá se duro tanto!”. O outro de olhar sisudo, rezingou que a ele nem 20 lhe deram... disseram-lhe 15, no máximo! Ao que o do coração conforta, com a seguinte amargura, bem própria da idade e da vida sofrida: “ Olhe que caraças, aqueles palermas garantem 20... mas mais que 20 não garantem eles, sacanas... A gente devia era provar-lhes que eles estão enganados! Vamos o Sr. e eu durar mais 40!”. E riram-se os dois! Eu ri-me com eles... foi inevitável!
Saí de lá com um sorriso discreto nos lábios e três certezas serenas na cabeça: quanto mais nos sentimos próximos da morte, mais nós desejamos viver e é bem verdade que as prioridades mudam com a idade! A terceira certeza foi que independentemente da idade, o atendimento público demooooora...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

"Um amor, como aqueles de cinema!"


Quem visita este espaço, ou quem me conhece já sabe... que eu não vivo sem o amor... sem o arrebatamento, a respiração ofegante, o carinho, o respeito, a admiração, a surpresa, o calor, as tormentas, as rebeldias, os segredos, os silêncios, os grandes e os pequenos gestos! E porque para mim o amor é feito de tudo isso e muito mais, existe em toda e qualquer forma de arte, um veículo de expressão dos sentimentos e vontades humanas. Nesse sentido, existem para mim, no mundo do cinema, momentos, frases, músicas e filmes que transmitem em tudo a verdadeira essência do amor... seja pelas palavras, pelos actos, pelos gestos, que ainda que "fingidos" para o cinema, deixam transparecer as emoções do sentimento, que faz girar o mundo! Aqui ficam para vocês as imagens do amor no cinema, para mim, melhor conseguidas! Ou pelo menos, algumas delas! Divirtam-se...


Moulin Rouge - "Come what may"


Casablanca - "As time goes by"





África Minha - "He was not mine"





Dr. Jivago - "Lara's Departure"





La Tigre e La Neve





Paris Je T'aime






The Notebook









Pronto... e feito isto... Vou até ali namorar um bocadinho! ;)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009


Já tenho o meu rebento ao pé de mim!
...
A taquicardia acalmou e já consigo pensar direito!

E pensar que por baixo desta pele já viveu alguém que ia de férias para lugar incerto num impulso, cujas únicas preocupações eram os concertos a que ia, os livros que lia e umas semanas de sol e praia e mar. Estes pés já foram de dançar horas a fio em terrenos impróprios e não de caminhar que nem ninjas para não acordar a “Bela”. E estas mãos já se deram ao luxo de passar mais do que curtos minutos em banhos de mar, piscina e banheira...
Agora, restam-me um coração de “cagarolices”, um olhar de cachorrinho ao vê-la e um valente de um escaldão nas costas de andar sempre de rabo virado para o sol na praia, a segurar a mão da minha filha e a tentar ver as coisas, com a altura dela...

(...)

Às vezes tenho a sensação de que vivo a mais a minha maternidade! Que ainda tenho o cordão umbilical da minha filha ligado a mim e que vivemos num constante estado de comunicação empaticamente telepática!
Serei só eu, que adivinho quando ela vai passar uma boa ou uma má noite?! Serei eu a única mãe a adivinhar o estado de alma da minha pequenota apenas olhando-a nos olhos!? Serei eu a única mãe a sentir as picadas por ela e a saber sempre se ela vai ter uma birra ou um bom comportamento!? Que sei quando ela vai adoecer, mesmo antes de acontecer?!
Lembro-me muitas vezes do dia em que a minha filha nasceu... parece que esse dia foi um presságio de tudo o que ainda estaria para vir... nesse dia, depois das dores alucinantes de um parto induzido e de estar à espera de uma epidural das nove da manhã até às 12 da noite, tudo acabou numa mesa de cirurgia, numa cesariana de emergência, em que entrei em choque na mesa de operações, com o meu marido cá fora... sem saber o que se tinha passado, que ao ouvir-me berrar, pensou que a minha filha tinha nascido de parto normal! Pois bem... tudo isso aconteceu às 04:06 da manhã, altura em que a minha filha nasceu, tendo eu saído do bloco, por volta das 04:50... dando de caras com o meu marido de braços imobilizados a segurar o nosso repolhinho de 47 cms e 2,600kg nos braços! As minhas primeiras impressões, dopadas pela anestesia directa que levei, foram de que ela era sossegadinha e ruiva! Pois bem, por volta das seis da tarde nesse mesmo dia já eu andava a pé, tendo passada toda uma noite às claras, às voltas com ela, loira, que não parava de chorar e libertar mecónio! No dia seguinte, aquando da visita da minha sogra, que pacientemente escutava os relatos da minha noite, diz-me ela em tom complacente: “Pois é minha querida, agora que és mãe, prepara-te... nunca mais vais dormir uma noite descansada!” – Aquilo que naquela altura me soou assim um bocadinho a praga supersticiosa, mas sem maldade, hoje relembro-a como sendo uma das maiores verdades que já ouvi na vida! Todas as noites durmo em constante estado de alerta máximo... qual bombeiro sempre pronto para qualquer suspiro, tosse ou respiração mais pesada emitida no berço, que dorme, no quarto ao lado do meu. E até hoje tem sido assim... trago sempre o coração nas mãos, porque só eu sei sempre... se ela comeu, se ela chorou, quantas fraldas fez, do que gosta, do que não gosta, se caiu, quando e onde, se fez febre, se tem febre, se tossiu, se espirrou, se precisa de uma manta, de uma chupeta, de um brinquedo, de um não, de um sim, de um colinho, de um afago, de um ombro, de uma bolacha... enfim, nada que quem é mãe não perceba imediatamente e por isso me custou Himalaias deixá-la hoje nas instalações provisórias da Creche dela, que entrará em obras brevemente, num local para ela em tudo estranho, com todos os seus amiguinhos a estranharem também, o que a fez desatar num pranto inconsolável e agarrar-se a mim como uma alforreca! Hoje de manhã deixei a minha filha na Creche a chorar... saí de lá em passos largos, entrei no carro e entrei em estado de choro e tristeza semelhante, que nada nem ninguém confortam...
Já decidi, hoje saio mais cedo, vou buscá-la às quatro! Também já liguei para lá e como desconfiava... chorou a manhã toda, comeu pouco e dormiu ainda menos... e não há mãe que sossegue ao ouvir que o seu rebento não está bem... porque no fundo, tudo aquilo que sempre queremos é saber que estão felizes... e eu hoje, sei que ela não está! Serei só eu a saber estas coisas?!
* Curiosamente ou não, na fotografia está ela ao colo do Pai, que apesar de não sentir tudo como eu, às vezes sofre pelas duas... sim, porque pai que é pai, quer-se com "P" maiúsculo!

Este blog hoje está de chuva e de coração partido, como o tempo nos Açores e a alma de quem escreve!
(...)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A pedido de muitas famílias... ou uma só, a minha. Mais particularmente do meu marido, que prima em tudo o que é bom e teimosia. Decidi hoje fazer-lhe a vontade e colocar as Crónicas Semanais, que escrevo para o jornal Açoriano Oriental, aqui, à Vossa Mercê, para Vosso bel-prazer ou mal dos vossos pecados! Isto, tendo em consideração, que mentes mais distraídas da menção e link lateral deste blog, de acesso directo às mesmas, possam ter algum interesse em ler as “baboseiras”, de muito boa qualidade, claro está, que todas as quintas-feiras os Açorianos, meus amigos e vizinhos têm à sua disposição no jornal diário mais antigo de Portugal!

A quem de interesse, aqui fica a leitura de fim-de-semana e a carantonha com a qual me apresento todas as semanas, que se escusa de opiniões vossas, sendo que quem me conhece em pessoa diz que estou irreconhecível...

Boas Leituras!

Crónica Inaugural – Açoriano Oriental – 09.07.09

“É um mundo cruel, este que se pisa debaixo de tacões de salto alto! E não, não me refiro só às ruas de paralelos e de inclinações duvidosas. É difícil caminhar de costas direitas, quando se traz um filho ao colo, de cabelos ao vento, base aplicada, gloss nos lábios a agarrar tudo o que voa e decote entortado pelo peso da carteira que se carrega aos ombros, cheia de tudo aquilo que sempre é preciso carregar, juntamente com um filho.
Desengane-se quem neste século ainda pensava que ser mulher agora é bem mais fácil do que o foi em tempos! As mulheres de outros tempos nunca conheceram dificuldades de mini-saia travada em escritórios cravejados de mentes pensantes, nem mundos profissionais, embelezados por homens, que se vêem entre travessas meias e pernas cruzadas com mulheres igualmente funcionais, belas e ambiciosas!
Cruel é manter uma vida profissional de sucesso, juntamente com uma vida pessoal realizada. Uma casa organizada, marido e filhos felizes, bem alimentados, limpos e mesmo assim, ter tempo para se alimentar e limpar a si própria. Não há pó-de-sol, que aguente tantas horas de vida doméstica e corre-corre atrás de uma realização profissional, que se vislumbra cada vez mais ao longe, cada vez mais inatingível.
Mas qual Fénix renascida, lá acordamos todas nós, por essas manhãs fora, cheias de força e esperança, não fôssemos nós o Sexo forte num mundo de fracos. Um mundo de Século XXI, tecnologias 31 e velocímetros a 200/h. Mulheres a 1000/h, que saltam da cama todas as manhãs, com esperanças renovadas de que hoje tudo vai ser diferente! E de um dia para o outro somos mães, e de um dia para o outro somos esposas e depois deixamos de ser. E de um dia para outro somos magras e depois nem tanto assim. E nós lá vamos, por essas ruas, no nosso melhor modelo, pensamentos ao vento e sorriso nos lábios. Se um dia, por uma dessas ruas, virem uma mulher de tacão partido a colar o buraco da meia com verniz, não pensem que é louca, é só mais uma a tentar fazer o seu melhor, mesmo quando a vida lhe apresenta aquilo que tem de pior! É que é difícil caminhar num sapato de tacão partido, mas é imperdoável ter um buraco na meia e deixá-la romper por todo! Para bom entendedor…”
E a Crónica que falta na NET,

Crónica 4ª - Açoriano Oriental - 29.07.09

"Se uma mulher levanta a voz, é histérica. Se diz a sua opinião, sem ligar a politicamente correctos, é alienada e desbocada. Se uma mulher fuma, é devassa. Se uma mulher dá um murro na mesa, é masculina. Se uma mulher se recusa a ter filhos, é insensível. Se um homem faz tudo isso e ainda por cima bebe cerveja, enquanto coça as partes íntimas e acaba a emitir sons do interior, que lhe saem cavernosamente pela boca... é um tipo às maneiras, que sabe o que diz e não vai em tretas!
Se uma mulher concorre a um emprego, perguntam-lhe logo se tem planos de constituir família, onde se vê daqui a cinco anos e se está disposta a abdicar de tudo isso em nome de uma carreira. Se uma mulher vai ao mecânico, das duas uma, ou ele a ignora e se dirige ao homem, que a acompanha, ou ele lhe fala como se ela tivesse 10 anos e depois cobra-lhe uma conta, que ela só paga, quanto tiver 60! Se uma mulher deixa o filho com o marido, para ir ao cinema ou trabalhar até mais tarde, é uma desnaturada, que não sabe ser mãe e não tem moral! Se uma mulher conduz como o Schumacher, e se recusa a ser tomada por lorpa na estrada, é uma louca desgovernada, que um dia acaba mal. Se um homem faz tudo isso... é um gajo normal.
Se um homem toma conta dos filhos, das lides domésticas e ainda assim tem tempo para o seu desporto favorito e amar e respeitar a sua companheira, é gay, amaricado, só pode! Se um homem não percebe nada de desporto, nem gosta de carros, nem futebol, é fraco! Se um homem arranja as unhas, cuida do seu aspecto, é metro sexual, com a mania que é o Cristiano Ronaldo. Se uma mulher faz tudo isso... é tão gaja, que mete nojo!
Se um homem vai às compras e gasta o saldo inteiro, foi loucura temporária, mas era porque tinha mesmo que ser. Se uma mulher faz isso, é uma gaja normal, com a mania das compras e da moda! Se uma mulher, não suporta ir às compras, nem sequer no Natal, é uma aberração, não existe, só pode ser homossexual!
Feminista? Cruzes, Credo... para longe, que isso é lá coisa de se ser neste século!
Machismo? Ai, mulher que raio de palavrão... isso já não existe!
É por estas e por outras, que a história do Pai Natal me parece tão mais verdade do que o fim da Guerra dos Sexos.
"
As outras, estão à Vossa disposição no site do jornal, AQUI...

Zézinho na Visão...


Afinal ele também é gente... Também veste blusão de ganga e já teve o péssimo gosto de usar relógio dourado no pulso! Devo dizer de resto, que as brancas lhe ficam bem e lhe dão um certo charme! Não estão a ver quem é?! Eu também não estava... segundo a Visão é o "Zezito", aqui para a plebe é o nosso Primeiro com nome de filósofo, aquando do nascimento do seu primeiro filho!

Praticamente irreconhecível... achei piada e resolvi partilhar! ;)

BOM DIA!


... e já agora, alguém sabe onde se vende um chazinho de “paciência” para “mim” aguentar o dia?!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O meu "ursinho" bravo!


A minha filha com 15 meses, fresquinhos, fresquinhos e feitinhos hoje, está a passar uma fase de mutação! Nos últimos dias, chega a casa perdida de sono, com uma neura, que não se aguenta. Quer comer sozinha e pinta-me as paredes e a casa, com tudo o que é sopa e papa de fruta, ao mesmo tempo que polui o ar com os seus berros e guinchos e choros sem lágrima, sequinhos como a pele de um crocodilo ao sol! BIRRA! E que birras que têm sido! Eu, impávida e serena, sigo à risca o manual, que diz para não dar importância... para não fazer caso, para lhe mostrar que não se faz assim... mas a verdade é que tenho momentos em que sinto uma palmadinha prestes a sair-me da mão... Controlo-me, só porque sei que não ia resolver nada... ao que dizem, ela é pequena demais para perceber! E lá tenho eu passado, os meus finais de dia, cansados e transpirados, com ela neste estado... pensando de mim, para comigo, que nos últimos dias, ser mãe não tem sido nada divertido!

Vantagem das vantagens... ela tem chegado a casa morta e por volta das oito horas já está a pedir para ir para a cama. Coloco-a no carrinho e quase sem embalar ela adormece! Já vamos nisto há três dias e o meu marido já não a vê há dois, porque sai antes de ela acordar e chega quando ela já está a dormir.

Ontem, ao chegar a casa, o pai babado e ansioso, depara-se comigo na banheira e com ela na cama... “Já tenho saudades dela!”, lamenta-se ele. “Eu também...”, suspirei entre dentes, “é que aquela criatura a quem dei banho e de comer há minutos atrás, não era a minha filha!”. Ele, olhou-me de soslaio e sorriu!
Ela muda este mês de sala na Creche. Da sala das “Cegonhas” passará para a dos “Ursinhos” e a verdade é que, com tanto berro, guincho, empurrão e mordida, à excepção do pêlo fofinho e das orelhinhas redondas, nada me parece mais adequado para ela!


Ai, que ser mãe é dose!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Croniquice a duas vozes...


Hoje acordei e senti-me Sophia...


Olhei para o meu marido e para o seu corpo frio, dos suores da manhã, ainda deitado a meu lado e disse-lhe ao ouvido: “Amo-te”!


“Porquê?!” – Perguntou ele mudo, ainda perdido no sonho...

E eu respondi-lhe:


“Porque os outros se mascaram mas tu não

Porque os outros usam a virtude

Para comprar o que não tem perdão.

Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados

Onde germina calada a podridão.

Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem

E os seus gestos dão sempre dividendo.

Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos

E tu vais de mãos dadas com os perigos.

Porque os outros calculam mas tu não.”


Continuou adormecido, sem se aperceber de mim.


Levantei-me em passos silenciosos e corri para o quarto da minha filha. Olhei-a dormindo no seu berço, tão sossegada e serena e pensei...

“Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição

Onde tudo nos quebra e emudece

Onde tudo nos mente e nos separa”

Beijei-a na testa e deixei-a dormir...

Entrei na sala, onde os primeiros raios de sol brilhavam e olhei pela janela para o mar... mar que me separa das coisas que mais amo, família e amigos, tia, pai, mãe...


“Quando a pátria que temos não a temos

Perdida por silêncio e por renúncia

Até a voz do mar se torna exílio

E a luz que nos rodeia é como grades”


Mas não me perdi em angústias, nem sufocos em demasia.


Abri a janela, precisava de respirar e então sonhei... e pensei...


“Se todo o ser ao vento abandonamos

E sem medo nem dó nos destruímos,

Se morremos em tudo o que sentimos

E podemos cantar, é porque estamos

Nus em sangue, embalando a própria dor

Em frente às madrugadas do amor.

Quando a manhã brilhar refloriremos

E a alma possuirá esse esplendor

Prometido nas formas que perdemos.”


A minha alma encheu-se de esplendor e senti-me “reflorir”, também eu, neste acordar.


"Cantei" encarando o mar, a sorte de ali me encontrar e jurei...


‘quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar’...


terça-feira, 25 de agosto de 2009

VENDO MULTA!


VENDO MULTA!
1ª mão;
como nova;
por pagar;
procura novo dono, idóneo e responsável!
Garanto satisfação... a minha, óbvio! =)

Lembram-se do conjuntinho, que eu ganhei aqui... ora aí fica uma amostra grátis do seu bom emprego na "je"! ;)


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Possíveis Improváveis na Vida da Mulher a 1000/h...


Existem na minha vida uma série de coisas, realisticamente possíveis, mas que por causa da minha realidade me são... realmente improváveis! Baralhados!? Eu passo a “desbaralhar”...
Todos os dias ao sair de casa e ao entrar no carro penso: “Tenho que lavar este carro!”. Absolutamente a mesma coisa que penso ao sair dele, todos os dias, quando chego a casa!
Todos os dias ao olhar-me ao espelho, ou antes do verdadeiro ataque ao frigorífico, num final de tarde esfomeado me lembro: “Tenho que começar a fazer dieta!”, o que concluo todos os dias com a mesmíssima promessa: “Amanhã!”.
Todos os dias ao deitar-me me lembro, que me esqueci de aplicar o maravilhoso creme Serum 7, oferta da minha mamã... mas todos os dias tenho preguiça de me voltar a levantar para tratar de o aplicar! Consolo-me em pensar... “Também, não estou ainda assim tão mal!”.
Não há dia em que não tente arranjar um espaço no meu tempo, para por fim comprar aquele creme reafirmante da Shiseido, que me prometeram fazer maravilhas na minha pele de efeito casca de laranja (leia-se celulite)! Todos os dias me arrependo de ainda não o ter feito!
Existem, como estas, uma série de “coisinhas”, ninharias que me fazem ver que 24 horas não são horas que cheguem no dia de uma mulher, se para além de tratar dos filhos, trabalho, dela e do marido, esta ainda quiser dar-se ao luxo de dormir! Mas, esta semana, ou a semana, que passou, que este Português dá margem para dúvidas, decidi tirar uma meia hora por dia, para todos os dias tratar das minhas unhas, que não cresciam devidamente desde que a minha filha nasceu! Assim, do possível improvável fiz perfeitamente realizável e trata de todos os dias, depois de a menina estar na cama, trazer o “kit manicure” e trata de aplicar fortalecedor, cálcio, limar arestas e hidratar cutículas, massajar com óleo de amêndoas doces... resultado: umas unhas fortes, magníficas e saudáveis, como já não me lembrava e um marido rezingão e queixoso, exigindo o livro de reclamações, com alegações de “falta de assistência”! - Não há pachorra! Se trato delas no escritório, tenho o chefe “em cima”, se trato delas em casa, o marido não se cala... isto de se ser mulher exigia pelo menos mais duas horas por dia, só para tratar de nós devidamente, sem criancinhas a reclamar atenção e a borrar-nos a pintura toda, com carinha de quem não parte um prato, mas a loiça toda se nós deixarmos e maridos carentes a apresentar reclamações a anexar numa folha de divórcio provável se hábitos assim se mantiverem! 4 dias... foram 4 dias, nos quais me prestei a este luxo, mas o atraso que ficou em tarefas afins, vai-me custar 4 meses! 4 Meses!
Ainda me lembro de um tempo, que parece “dinossáurico”, em que no “Chez Mamã” me dava ao luxo de gastar 3 horas a arranjar-me para ir a um jantar... “C’est la vie, mon amie”, “É pró questá”... Dizia o outro!
De qualquer das formas, juro, que vou deixar de fazer posts sobre unhas e mãos e pés, que isto parece que está a virar tendência... Talvez amanhã... Amanhã deixo! ;)

Sexta-feira, seis da manhã... acordo atordoada e assustada com aquilo que parecia ser o som da minha filha a sufocar. Levantei-me, corri para o quarto dela e o que acontecia de facto era que ela estava a vomitar! Podia ter sido cómico, se não fosse tão preocupante e assustador, porque ela estava a fazê-lo de olhos fechados e quase em silêncio. Não passaram mais de 15 minutos e os vómitos estavam de volta e assim estivemos durante duas dolorosas horas, em que ela foi agravando as queixas, o que nos levou a correr com ela para as urgências do Hospital! Estivemos cerca de duas horas em observação e a criança que entrou naquelas urgências, tremelicando, chorando e vomitando sai de lá de ânimo renovado, dizendo “ADEUS” a tudo o que é médico e auxiliar hospitalar! Aparentemente não passou de mais do que uma indigestão, provavelmente provocada pelo leite, tratada com ben-u-ron, para acalmar as dores das cólicas, soro e chá, bebido em colherezinhas e um dia de dieta, a canjinha da mamã!


Não chegou para o susto e levou-nos a um estado de pânico tal, totalmente desconcertados, atarantados, perdidos, sem saber o que fazer para ajudar o nosso “rebentinho”! O Pai, conseguiu “infiltrar-se” pelas urgências fora e acompanhou-nos na última hora de “observação”, enquanto aguardávamos pelas fezes da menina, que seriam depois também elas sujeitas a “observação”... Ansiosos os dois por esse “passo de mágica” da nossa pequena... foi no meio de uma conversa angustiada, que ela nos interrompe para dizer a apontar para a fralda: “Cocó”! Nunca, nunca na minha vida gostei tanto de ouvir essa palavra e jamais me esquecerei do arzinho dela, que como que percebendo a nossa aflição nos anuncia o seu esforço para fim do nosso sufoco! A “observação” concluiu que estava tudo ok e pudemos voltar para casa, mas ainda assim em constante estado de alerta para novos sintomas ou desenvolvimentos! São momentos destes que nos lembram da importância que estes pequenos seres e o seu bem-estar têm na nossa vida!


O Sábado e o Domingo seguiram-se com naturalidade e aproveitámos para uns convívios salutares com amigos, beber um chá em Porto Formoso, enquanto ela “esbanjava” charme para tudo o que era transeunte e uma curta visita ao Teatro Micaelense para ver a World Press Photo 09 da Canon! Exposição a não perder, sem dúvida alguma! O Domingo foi pacato, caseiro e domingueiro e conseguimos até acabar por levá-la à praia! Mas sempre que nem águias... sim, porque essa de “pais galinha” não existe cá em casa... nós aqui somos mais é “pais águia”! Que não tiramos os olhos do nosso “ratinho”, com sondas e radares escrupulosamente apontados a qualquer alteração de tez, cor, expressão, estado de espírito e físico.


Hoje, deixei-a na Creche, um pouquinho estranha, um pouquinho retraída e o meu coração está aqui partido, porque o meu olhar não a alcança e esta mãe águia anda perdida em outros voos... não sou religiosa, mas juro por Deus, que nestes dias já rezei umas tantas rezinhas! Não vá o diabo tecê-las, hoje, vou continuar a rezar...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Don't Get me Wrong...


Não me interpretem mal... mas sou só eu que me vejo negra para caminhar direito pelas “linhas tortas” deste País?! Um País onde os Professores é que apanham dos alunos, um País onde quem anda sem armas são os polícias, um País onde as vítimas de violação é que esperam para fazer prova do crime sofrido, um País onde se é operado e se perde a visão?! Um País onde a Gripe A só assusta no emprego, mas tudo se enfia em shoppings, concertos e estádios de futebol?! Não... desculpem lá a minha franqueza, mas este parece o País da “Alice” sem as maravilhas... Num Jardim à beira mar plantado onde as rosas e as laranjas já há muito que fedem, onde a maré do contra só bate ao de leve, sabia bem um vento de mudança...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O Maravilhoso Destino de "Silvie Martin"...


“Silvie”, que para além de esposa, amante, mãe, filha, amiga e muitos mais apêndices e atributos de relações consanguíneas e mais coisa, menos coisa, para além de tudo isso, trabalhava! Não fazia aquilo que sonhava, nem muito menos aquilo para o que se formou, mas fazia aquilo, que ao fim do mês lhe pagava algum dinheiro certo, fixo e lhe permitia pequenos luxos!
Para além de mulher “às direitas”, “Silvie” era também muito, muito gaja! E uma vez, que já todos perceberam que estamos a falar de mim, sim, moi, ich, ik, ego... aqui vai o relato do meu “maravilhoso” dia de hoje:
Levantei-me tarde e a más horas, para não variar.
Fiz tudo a correr, ainda tive tempo para partilhar uns sorrisos e gargalhadas com a minha filha, enquanto a levava até à Creche, ao som do imortal avô Cantigas, no seu mais recente “hit”, o Popó do Papá, que leva a minha filha aos píncaros de contentinha e feliz, enquanto vai tentando os seus melhores sons, os quais soam a emissões vocálicas, ainda sem ritmo, com muitos... “popopo, pó, papá, páaaa, paá... pipiopippii...”! Hilariante.
Cheguei ao escritório e passei a manhã entretida!
Voei até casa para almoçar, porque estamos a tentar instaurar e manter o hábito, que nos permite poupar uns trocos, comer mais saudável e ter cinco minutos de relax, privacidade e silêncio a dois! Depois disto, literalmente, atirei a loiça toda para a banca (que por estas horas deve estar à minha espera, a feder que mete medo!) e parti para umas compras rápidas de listinha minimalista: fraldas, bolachas, água, queijo, fiambre, pão e frango!
Mas, a gaja que há em mim, veio ao de cima e não resistiu em ir procurar um verniz LINDo da risque, que dá pelo nome de “flash dance” na esperança de embonecar as mãos, sem ter que despender de uma hora na manicura e quase 10 euros! Mais uma vez, na onda da poupança! Ora, claro está, não tinham o tal e tão desejado verniz, mas tinham outros dois, que não sendo tão baratos, nem tão desejados, me senti quase que “intimidada” a trazer pela simpatia excessiva e quase “ameaçadora” do género... “ai fazes-me procurar e não vais levar nada?! Ah!? Ah?! Ah?!” da menina da loja, que me assistiu! Saí de lá com dois vernizes, que não queria e menos 25 euros... AI! Shame on me... que isto não se faz! Mas bom... lá desci eu ao piso seguinte com vernizes na carteira e listinha de compras nas mãos, decidida a completar a minha missão, no tempo recorde de uma hora (menos 20 minutos, que perdi nas lojas dos vernizes)! Mas, eis senão que... acontece o inevitável... passei pela montra da Zara, deixei-me encantar pelas vozinhas mudas das letrinhas das montras, que entoavam: SALDOS, SALDOS... e lembrei-me que ainda não tinha visto o novo preço da camisola que trago no “goto” desde Fins de Junho... Vai daí... 5,99 Euros... IMPOSSÍVEL! É minha... “agarra que é ladrão”... essa e mais cinco, que eu não tenho culpa da Zara de Ponta Delgada ter roupas lindas, muito mais do que em qualquer Zara do Portugal Continental!
E lá ia eu, contente e feliz, quando vi as horas... CREDO! NÃO PODE! Atrasada 20 minutos... NÃaaaaaaoooooo.... Corri, Saltei, Cheguei! - Não fiz as compras e perdi a lista!

Cansada, mas vitoriosa, decidi brindar-me com uma pintadela e arranjadela de unhas mesmo antes de pegar no aspirador e esfregona... (sim, porque estamos sem senhora da limpeza há duas semanas...) e disse de mim, para comigo... cinco anos de licenciatura, dois de pós-graduações, dois anos de ensino, um de maternidade e aqui estamos nós! Levamos poucos Euros no final do mês para casa, mas DAMN YOU, serei a mulher da limpeza/escriturária com as unhas mais bem arranjadas desta ilha e arredores! E como me deliciei, com a minha nova lima bourjois... com 6 funções, um espanto... e o meu verniz roxo/quase azul/assim para o beringela morta! Passei as mãos pelo meu outro verniz caríssimo e acabadinho de comprar... rosa choque e não é que chocou mesmo?! Chocou e partiu... Caiu-me no chão!
NÃAAaaaoooo!
Fiquei a saber qual é a pior coisa do que ser apanhada pelo chefe a pintar as unhas no serviço... é mesmo partir um verniz rosa choque e vê-lo derramado em tudo o que é chão preto e móvel lindo! Toma lá... quem te manda ser orgulhosa... querias tu... ter mãos arranjadas! Verga-te e limpa... BRUXO! Limpei... limpei tudo... com algodão, acetona, kleenex... e teimosa como só eu, retoquei as unhas arruinadas e deitei mãos à limpeza geral!
Ora, para quem não sabe... tem estado nos Açores um tempo... (e desculpem-me os mais sensíveis...) de merda... o que fez com que eu transpirasse quilos de suor estivesse assim entre o arfante e o morta pela altura em que cheguei ao segundo andar! E quem lá estava, quem era?! O meu mais que tudo (sim... para quem não sabe... trabalhamos juntos)... que ao ver-me naquele estado, carinhoso como só ele, me pergunta: “Que foi amor?!”, Eu, passando a mão pela cara e varrendo com ela a vergonha de contar ao meu “chefe” (sim, eu sou esperta, não dou margem de manobra... sou mulher e secretária do Rei da Casa), comecei a contar-lhe entre suspiros e coradelas, a minha mais recente desventura... “Partiste um verniz caríssimo... deixa lá amor... foi esse?! Também... não gosto nada dele!”.
Infelizmente, não tinha sido esse, tinha sido o outro! BUÁAA... Antes de sair... ainda me chama outra vez, para cuidadoso, como só ele, me dizer: “Amor, tens chiclete na bota!”...
... a minha botinha de estimação... camurça creme... mas não... não era chiclete... isso mesmo... era verniz cor-de-rosa choque. Escusado será dizer, que entrei em choque... acabei a limpeza, retomei funções e agora vim desabafar...
Se isto fosse o maravilhoso mundo da Amélie... a história acabava aqui... mas como é o da “Silvie” amanhã estou de volta!

Croniquice do (não) Verão Açoriano e Historinhas de Pés...


E o Verão que anda a tramar os Açores?! Parece a minha filha, que descobriu agora a fazer o jogo do “CuCú”, “agora estou aqui... agora já não estou... olha lá pra mim... fui!”.
AH?! Esse malandro desse anticiclone da Região, que hoje tapou outra vez o bom tempo e nos cobriu de um nevoeiro digno do melhor dia de inverno londrino! E eu aqui... perdida em viagens de blogues alheios, a ver tudo o que é pernoca bronzeada de menina, fotos de férias em lugares paradisíacos, lugares de sonho... é que ninguém merece! E com isto, “foi-se-me” a vontade de escrever! Ainda por cima, nem que queira, as botas que trago calçadas hoje não me permitem tirar a real da fotografia da chuléquita à mostra, com a unhaca devidamente pintadinha da cor da moda... “azulejo português”, li eu algures por aí!
O meu pai sempre se intrigou com essa moda de fotografar os pés, descalços ou não... eu já tirei umas quantas fotografias dos meus pés em calçadas portuguesas e nem tanto assim! “Pés?! Mas que piada é que têm essas fotos?! Puxa... Não percebo!”, dizia ele de nariz aguçado a espreitar no meio da armação dos óculos, que sempre traz! Eu, sem saber muito bem, qual a piada continuei a tirar fotos de pés... talvez a piada seja só mesmo para quem tira e está na foto, que se recorda exactamente do local e altura em que a tirou e com quem! Para os outros... fotos dessas não passam mesmo de fotos de pés! Bronzeados, arranjados, mal amanhados, bem ou mal calçados! Enfim, pés! E se houve parte do corpo, que durante anos mais repudiei foi mesmo essa... os pés! Tendo superado apenas e ligeiramente o trauma ao conhecer os pés da minha filha! Ai maternidade... que operações transformas! ;) – Ainda assim, continuo a achar os pés uma parte curiosa e um misto de repelente e intrigante do corpo humano! Uma vez, ouvi alguém comentar a respeito dos dedos do pé de um bebé, que tinham uma “agilidade invejável”, coisa que nós adultos não tínhamos, porque a tínhamos atrofiado no interior de sapatos, tornando os dedos dos pés, segundo ele, coisas completamente dispensáveis! Terminou dizendo: “ Acho que o próximo passo da evolução humana será perder os dedos dos pés!” – Eu, ri-me e muito! Nitidamente este senhor ignora a vasta gama de vernizes da risque, Andreia e afins e a falta que uns belos dedos dos pés fazem na bela da sandaloca de uma bela de uma mulher!
Oh God... give me back my summer!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

GANHEI, GANHEI! :)


Então vocês não querem lá ver, que pela primeira vez na minha vida, eu que nunca tive a sorte nem sequer de receber 30 cêntimos num joguinho de rifas, à excepção, claro está das rifas do “Padre Grilo” em Matosinhos... onde todos ganham, até eu, latinhas de atum, papa de bebé, filminhos, chupa-chupas, balões e lápis! Mas desta vez, ganhei mesmo alguma coisa de jeito, à custa de uma frase, vejam lá!

Inscrevi-me neste passatempo, mandei a frase e GANHEI! Ide ver, ide ver! =)

A pergunta para ganhar um colar e uns brincos, giríssimos por sinal, era: Se ganhasses este conjunto, em que ocasião o usavas?!

Ao que eu respondi...

"Ao que dizem, "os diamantes são os melhores amigos de uma mulher", ao passo que, "o cão é o melhor amigo do homem"! Eu, se ganhasse este conjunto usava-o para ir passear o cão para impressionar o meu homem! Não há nada melhor do que tempo de qualidade entre amigos! ;)"

E, GANHEI! Yupi...
E eis que o "Tom" Sawyer e a Pipi das Meias altas crescem, se apaixonam, casam e têm filhos... e depois?!

A menina sabe lá...



“A menina sabe lá o que é amar! Amar é caminhar de mãos dadas no Louvre, comer croissant nos Champs Elisées, recitar Petrarca em italiano, beijar na testa na Ponte dos Suspiros e depois namorar agarradinho numa gôndola... Amar é gritar bem alto no monte dos Pirinéus... um je t’aime sentido...”

... e sem sentido! Ora, desculpem lá... eu bem sei que um bom prato de rojões ou um cozido das Furnas, não são o prato de digestão mais aconselhável para grandes demonstrações de amor! Bem sei, que S. Miguel ou a Terceira não têm a imponência e o renome da velha Veneza, na ainda mais velha Itália... mas então digam-me lá... só se sabe amar se for assim em grande?! Com nomes importados em terras estranhas!?

“Ai o “Benárdo” é que sabe... deu um BMW à esposa pelo aniversário! Bem se vê que ali há amor... ai há, há...”.

É que tenham lá paciência... Se o Manél fosse o Tóni, e não tivesse dinheiro para dar um BMW à senhora lá da casa... não se via amor nenhum?!

“Ele pediu-me em casamento, quando estávamos no Quénia a fazer bungee jumping! Foi lindo!”

... pois... até aposto... ele devia estar lindo, com uma expressão de morrer, de cabeça para baixo e preso pelos pés... Sim, realmente não me ocorre nada de mais romântico... senão uns milhões de hipóteses bem mais simples e bem menos “radicais”.

Mas o amor é mesmo assim, pede adrenalina, exotismo e emoção! Todos querem ser diferentes e tremendamente originais... quando não há nada que nos torne tão iguais e previsíveis como o amor! Alguém disse um dia, frase quase cristalizada no nosso idioma, que o Amor era um impropério qualquer, daqueles assim mais puxados, que começava em “F-“ e acabava em “-ido”, mas de terminação em “-ido”, só temos mesmo o coração, quando ele nos deixa, partido!
Amor “fugido”, amor “matado”, amor “morrido”, uma série de particípios engraçados, que descrevem algo que já foi! Mas enquanto ele é... asneira e das grandes é a de pensar que o amor “ se mede em euros”! Isso sim é que é “–ido”, iludido, entenda-se! O Amor não complica, só quer chinelo no pé e uma cabana ao sol... se for com piscina e Channel, melhor... mas não será com certeza requisito sine qua non!

O problema de muita gente, que insiste que o amor se vê nas grandes demonstrações e actos... é que não se apercebe que o amor é já de si grande que chegue, dispensa bem grandezas acessórias!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

"Objecto" de desejo do fim-de-semana!


Um dia, ainda vou ter um Blogue daqueles, onde escrevo apenas 1 frase e recebo 300 comentários... :)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Telejornal, onde não falta nenhum mal...


Já por mais de uma vez, jurei de mim, para comigo, que ia deixar de ver os telejornais na televisão, seja de que canal for! Se uns pecam pela filtragem e parcialidade das notícias... outros pecam precisamente pelo mal oposto e confundem opinião pessoal, com interesse público e jornalismo com voyeurismo.
Mas, inevitavelmente, acabo sempre por me querer pôr a par do que se passa no mundo, da forma mais fácil, rápida e visual que há, que é, necessariamente, pela via da tv!
Hoje, um dos raros dias em que conseguimos ir almoçar a casa... lá me perdi num tique-tac de zapping nos canais nacionais e assim-assim, brilhantemente executado pela mão do meu marido... que parou apenas ao vislumbrar os efeitos de mais uma catástrofe mundial com mistura de outras duas ao barulho, deixando-nos aos dois, numa espécie de transe boquiaberto ao ver tanta desgraça e miséria daquelas gentes! Pensando nós, não puder haver miséria, mais aflitiva que aquela, logo se seguem as misérias mais nacionais dos constantes e crescentes casos de Gripe A, com encerramento de mais duas Creches, com imagens de tudo o que era pessoa à porta dos Centros de Saúde de máscara em riste... imagem triste, mas não tanto quanto as afirmações que viríamos a ouvir de seguida... há pessoas, que se recusam a tomar as medidas de prevenção contra os contágios, e há outras, que intencional e deliberadamente o fazem, porque desejam contaminar os outros! BAH... Caiu-me tudo... repitam lá outra vez... ora, expliquem-me lá come?! Que essa eu não percebi... Em meu auxílio de esclarecimento e iluminação tenebrosa, vieram as declarações da nossa ministra da Saúde, que relatava um caso de Pais, cuja filha/o tinha sido contaminada/o, servindo isso de base para o manifesto desejo de ambos de agora contaminarem os filhos dos outros! ALTO E PÁRA O BAILE... Mas tá tudo parvo, ou é impressão minha?! Não... Desculpem-me lá o tanas... Vão-se mas é embrulhar em fitinhas de desinfectante, bolas de naftalina, cogumelos mágicos e mezinhas da avozinha, que com essas ideias “iluminadas”, vocês só podem é estar com uma contaminação grave de traças no cérebro ou possuídos pelo Demo, mais demónio, que Satanás! Brincamos ou quê?! Então agora, porque a minha filha está doente, eu desejo e provoco doenças a todas as outras crianças por este País fora! Ah, gentinha do demónio... vão-se encher de pulgas e gripe A, lá para as vossas festinhas privadas, onde só está quem quer... agora propagar assim uma doença danosa, potencialmente mortal... quer dizer... se o cancro fosse contagioso, às tantas andávamos já todos aí a desejar mal aos familiares alheios...
Mas não parou por aqui... o rol de misérias exibido em horário nobre num dos mais nobres telejornais vinha de seguida com a notícia do esfaqueamento de um homem numa farmácia, que tinha ido em “defesa”/”auxílio” de duas menores, supostamente anteriormente assedias por dois homens mais velhos... Escusado será dizer, que semelhante acto de valentia lhe valeu duas valentes facadas nas costas... mais precisamente, uma na parte de trás do pescoço e outra no braço... que se console ao menos o agredido em pensar, que se lhe “atacam” as costas, lhe respeitam a cara! É que não há mais nenhum consolo possível... Ele está fora de perigo, os agressores, ao que consta, também! Descansamos todos!
É para o que estamos, meus amigos... “pró qu’estamos”! Em bom português, também ouvi eu depois, o anúncio da distribuição de lâmpadas economizadores num bairro mais desfavorecido, para poupar em electricidade no final do mês! As lâmpadas eram dadas, 4 por cada habitação, para serem usadas, de acordo com explicação dos técnicos, nas zonas de maior consumo da casa (cozinha, sala, quartos)! Ora, acto mui nobre da mui nobre fornecedora de electricidade nacional, que de resto mereceu um comentário ao género mui “rico”, de uma moradora que ao ser questionada acerca do acto, do seu valor e da sua intenção de utilização das lâmpadas, respondeu, mais coisa, menos coisa, o seguinte: “Ai, sim... é muito bom terem dado as lâmpadas e as explicações... se realmente ajuda a poupar, vale a pena! Mas eu “num” sei se vou usar... é que elas “icunumiza”, mas se calhar não dão tanta luz!”. Bem, faça-se luz em alminhas assim, que entendem a razão da oferta, mas olham o cavalo nos dentes! Ah, pois é... que a mim não me enganam com essas historias das “icunumizadoras”!
Ponto alto do Telejornal e alguma razão de alento, foi mesmo ver a “Secretary of State”, Miss Hillary Clinton, a mostrar que tem pêlo na venta... finalmente! Sim, é que ela até pode perdoar as “facadinhas matrimoniais” do marido, as manchas em vestidos de secretárias, os charutos e os pormenores divulgados... mas agora, perguntarem-lhe a opinião do marido é que não... afinal de contas ela é que é a Secretária de Estado, ó messa! Por acaso o aluno que lhe fez a pergunta até se saiu bem depois e explicou, ah e tal, que se tinha enganado, que queria dizer Obama e não Clinton ( confusão de resto bem compreensível... dadas as parecenças físicas, proximidade de mandatos e tal...). Nevertheless, as imagens dela a arrebitar a “crista”, lá ficaram, guardadas para a eternidade... um verdadeiro momento KODAK!
Haja paciência, fé na humanidade e chinelo no pé, para ir até à praia passear a Gripe e levá-la a banhos, que nós lá nos vamos agarrando à bronca! Agarra-te bronca!


P.S. - Não fosse o telejornal e não me tinha saído esta “Croquinice”, abençoado sejas Pai, pela tua boca Santa!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Trinta e Um Parabéns ao meu Amor!


Hoje, o Rei lá da casa faz anos!
Os trinta foram o ano passado e para os trinta e três, ainda lhe faltam dois!
Tirei da Internet uma impressão dos factos importantes neste dia e acrescentei entre linhas a data do aniversário dele, com o epíteto, “filho desejado, pai querido, marido muito amado”! Descobri que faz anos no mesmo dia que o Antonio Banderas e brinquei dizendo-lhe que se percebe agora metade do seu charme natural!
Ele, diz que está velho, que tem brancas, imperfeições na pele, bla, bla, bla... Eu olho para ele e vejo um homem incrivelmente lindo, simpático, com um sorriso capaz de derreter corações! Os olhos dele, herança genética directa da mãe, transmitem aquilo que aliás é comum aos dois: pureza, simplicidade e bondade! Lembro-me de me ter apaixonado por ele, na altura até um pouco contra vontade, por causa daquele olhar dele, que me prendeu de imediato... Petrarca bem avisou: “ o amor entra pelos olhos”!
E o sorriso... de uns dentes impecavelmente alinhados, uns lábios perfeitamente desenhados e um fechar de olhos, terno e aveludado, de cada vez que sorri! Diz-se, que o verdadeiro sorriso se vê nos olhos... o dele não poderia ser mais visual! Tem um charme natural e um ar leve e prazeiroso! É sensato, equilibrado, racional, inteligente, tudo na dose certa... um pouco de tudo o que eu queria ser e não consigo!
Tem uma paciência infinita para os meus “desarranjos” emocionais, caprichos e vontades oscilantes, que variam tanto, como as fases da lua! Percebe-me tão bem, lê-me antes de eu própria me ter escrito e sente que a razão da felicidade dele está na minha!

Eu, nunca pensei encontrar alguém assim... quando o conheci, achei tudo tão bom, bom demais aliás... Tanto, que só me lembrava do ditado que diz: “quando a esmola é demais, o pobre desconfia!”... mas ele deu-me tantas riquezas, que não tenho hoje falta de liquidez possível, por onde possa não confiar! É o amante perfeito, o companheiro ideal e amo secretamente aquelas patetas brancas, que tanto o atormentam!
Ele diz que sou eu quem as provoca! Eu sei, que algumas talvez tenham mesmo sido provocadas por mim...

Hoje, almoçámos à beira mar... e comemos batatinhas daulphinoise, que ele tanto adora...
Eu tentei convencê-lo por A + B, que a vida começa aos trinta! A vida começa hoje! Ele quis ouvir... como sempre... eu apresentei-lhe ditos e factos e prometi-lhe o tão desejado veleiro aos 40, como prémio de compensação pelo peso da idade! Acabámos os dois a rir... no fundo, os dois um pouco a sonhar! É por isto, que a idade, e o passar dos anos vale... pelo poder que tem de nos fazer sonhar e acreditar! Guardar esperança num futuro vindouro com saúde, paz, harmonia, qualidade e uma dose q.b. de felicidade!

Parabéns meu Rei, meu querido e amado marido! Não imaginas a importância que as tuas brancas têm na minha vida! És lindo, estás fantástico e a velhice é feitio, não é defeito, meu caro!
Venham mais trinta... e um...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009


Bom... estou a 100 páginas de acabar o livro... que não está a custar nada ler... não fosse a vida, que não pára e me está sempre a interromper leituras! Entretanto comprei mais um e já ando a traí-lo com outro... Desta vez, são as Cartas de Etty Hillesum... já agora, Ana Leonor, se me lês parabéns pela tradução! Eu não o teria feito melhor, amiga! Sim, que isto de se traduzir de Neerlandês para Português não é pêra doce...
Enquanto isto... a minha vida também tem andado a viver uns episódios de “surdina”cómica...
O meu pai, depois de receber a cópia do jornal de ontem, liga-me a dar os Parabéns por mais uma “Croquinice”! É tão bom saber que nos lêem, embora não nos entendam! Um fofo o meu alter-ego inconfessável!
Por sua vez, a minha mãe, que me pediu para escrever esta semana uma Croniquice mais meiguinha, assim “mais romântica, para não pensarem que andas com problemas no Casamento”, leu a “Croquinice” e concluiu... “Ó filha, tu escreve mas é do que gostas...”! Lá está... desta vez a surdez foi do que leu!
Não bastante... hoje ao telefone, digo-lhe que ela está a falar pelo nariz e ela liga-me há cinco minutos atrás a perguntar docilmente se eu já estava melhor do “pingo no nariz”! Enfim... há um pouco de “surdina” em todas as nossas vidas, por vezes mais cómicas e irónicas do que trágicas, Graças a Deus!
E agora vos deixo... parto para os meus dois amores... não os livros entenda-se, que ao fim-de-semana tiro folga da leitura e de “croquinar”! Por falar nisso, a cara metade lá de casa faz aninhos na segunda-feira! Está à espera de uma prenda da filha... e a mãe... paga! Será com o maior prazer, meu amor!

Bom fim-de-semana a todos!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

terça-feira, 4 de agosto de 2009

NÃO LEIAM!


Existe em mim, um mar de estupidez e poucas, pequenas ilhas de uma brilhante lucidez! Mas bem sei, que já vale muito o simples facto de ter noção disso e me preparar para encarar esse mar com fortes e corajosas braçadelas!
Existe em mim, uma crença estúpida e palerma, talvez até um pouco infundada, mas completamente pateta e inocente de que, o intimismo e a confissão, funcionam como uma espécie de catarse! E para que depois não digam, que eu não avisei, aqui fica o meu claro e gritante aviso, de que esta será provavelmente a Croniquice mais disparatada, que alguma vez publiquei neste espaço! Estando Vexas, devidamente avisadas, aqui segue o rol de disparate:

Disparate 1 – Não sei se também já ouviram dizer, se concordam ou se pura e simplesmente estando a “ouvir” isto pela primeira vez, acham este disparate, completamente sem sentido! Mas, hoje de manhã, quando deixei a minha belíssima filha na Creche, dei por mim a pensar, como será ela daqui a uns anos... se será bonita, alta, magra, gorda, tarreca, se ainda será loira, lindíssima, ou se vai corresponder à velha máxima que reza, que criança bonita em bebé fica um adulto feiito, e criança assim pró patinho feio em bebé vira cisne em passos de mágica! É que quando andava na escola, tinha colegas minhas super giras, fashion e tudo e tudo e tudo... que tinham sido bebés horrendos! Ao passo que eu, modéstia à parte, que fui um bebé digno de capa de revista, virei sapinho, com o passar dos anos! E não, não sou mal amada, não sou insegura, mas pura e simplesmente REALISTA! E não... não estou a escrever isto para me dizerem... “ai Sílvia, mas tu és tão linda, bla, bla, bla...” Não, a sério, poupem-me... se eu fosse tudo isso e uma cereja por cima, andava a fazer capas de revista e não estava aqui atrás deste ecrã a esta hora! Ai de mim... que agora caem-me em cima os puritanistas da beleza e “fum, fum, fum... que a beleza vem do interior e fãm, fãm, fãm... que nem toda a gente que é bonita faz capa de revista...” mas vocês perceberam a ideia! E back to the point... lá vim eu, todo o caminho a pensar em exemplos, que me provassem ou contradissessem esta velha máxima! Cheguei ao escritório, ainda sem conclusões inteligentes! Ah, e tal... depois vem ao de cima a mãezinha que há em mim e consola-se em pensar... o que interessa é que ela seja feliz! Mas que tenho um curiosidade parva em imaginá-la daqui a uns aninhos... ai, lá isso tenho!

Disparate 2 – A relva do vizinho é mais verde do que a minha. As pessoas podem ter milhões de defeitos, ser pura e simplesmente uma nulidade, um zero à esquerda, mas nos currículos até o cisne mais depenado vira juba de leão! E eu, que leio uns currículuzitos, que me passam pelas mãos, hoje perdi-me num misto de “ciúme”, “inveja” do género,” bah, ah, ah, o meu pai é melhor que o teu...” ao ler um currículo de uma menina cheia de bom aspecto na fotografia, que ainda por cima já fez “mergulho, pólo aquático, equitação, alpinismo e sapateado”... mas ó Xica desta minha vida... quem no mundo coloca num currículo uma habilitação como o sapateado!? É que não é possível... Lá se foi a minha patinagem, dança oriental e aeróbica cardiofitenizada em forma de body pump! É que não tenho hipótese... mas o meu Papá talvez! Buh, uh! É completamente parva esta rivalização, bem sei, mas eu avisei, que isto hoje era só disparate! Ah, e poupem-me os... “mal-amada, invejosa, ciumenta, ranhosa”, que sou tudo isso e muito mais... mas em doses homeopáticas! Portanto, “put a sock in it”! QUEM?! Digam lá... quem nunca sentiu essa espécie de comichão na nuca, que o ciúme causa!? Eh pah... mergulho... já viram isto?! Não se faz... se ela vier trabalhar para cá, de que é que vamos falar... “Olá! Então?! Que tal, este fim-de-semana, calças os pés de pato?! Ou levas com uma botija de ar na nuca?” “Ai querida, nenhuma das duas, vou sapatear para o cara***!”. Pronto, lá está... confissão feita, catarse em processo!

E como mesmo num mar de estupidez, não há duas, sem três...

Disparate 3 – Sou só eu, que penso, que as pessoas morenas são mais felizes do que as branquelas?! É que eu possuidora de uma brancura de esmalte pérola, que karmicamente passei em forma de genes para a minha filha, me sinto sempre tremendamente infeliz quando vejo aqueles bronzes perfeitamente uniformes entre o cenoura e o chocolate! Este fim-de-semana, estava eu, feliz e contente a passear pela praia, quando alguém, vendo a brancura mini-me da minha filhota, se sente na liberdade de dizer em alto e bom som, mesmo assim com sotaque micaelense reforçado e tudo... “Ai, tão rekim (riquinha, para quem não fala ilhéu!)! é TÃO BRANCA!” – e uns passos mais à frente... “Ai minha rica filha, que tu ainda precisavas de muitos Verões para te bronzear!” – Ora, desculpem lá... Não... mas desculpem mesmo! Mas vocês vão ser Bronzeadas Pride para a Vossa Terra! É que os comentários só não sobraram para mim, porque eu tenho ar de quem, sabendo já falar, sabia dar resposta! Felizmente, a minha rica filha, que ainda não fala, não se sentiu constrangida... mas se isso algum dia acontecer, juro que lhes ponho um bronzeado mais intenso, localizado ali naquela zona entre a pálpebra e o sobrolho! Desde quando é que o bronze é um posto!? HUM?! E pronto, lá fui eu respondendo, com simpatia, dentro do possível... “ Pois é... sai à mãe... ao menos nota-se que está lavadinha! Né?!” – Olha, toma lá, que o algodão não engana...

E vou parar esta confissão por aqui, que com semelhantes ondas de estupidez, ainda se segue um tsunami, que arrasta para longe os poucos mas bons, três seguidores e meio deste blog e me deixa em mãos com um Síndrome de Arca de Noé, que não pode! No meio da bicharada é que não!