terça-feira, 16 de junho de 2009

Os Malefícios de um Blog!

Desde que fui incentivada a publicar os meus textos num blog, que me questiono sobre as vantagens e desvantagens de se ter um “bichinho” destes, tratar dele e cuidá-lo, estimá-lo e alimentá-lo. Afinal de contas, a dedicação de cada blogger para com o seu espaço, acaba por lhe ocupar algumas horas e pensamentos. Uma das minhas primeiras ideias acerca de um blog é que era um espaço onde cada blogger se dava a conhecer a si próprio, ainda que sob um “pseudónimo” ou imagem transfigurada, mas acima de tudo, no meu entender, um blog era um espaço que nascia do amor do seu “dono” e criador, que lá deixava, para quem tivesse interesse em ver, ler ou ouvir, pequenos pedaços, fragmentados de uma personalidade distinta e individual, diferente com seus próprios gostos, particularidades e especificidades. Mas muitas vezes dei por mim a pensar, que ao tornar público o meu blog, para além de dar a conhecer esses fragmentos da minha pessoa, estava a permitir, que pessoas bem ou pior intencionadas invadissem o meu espaço, sem o menor cuidado, educação ou pudor. E como eu, muitos outros bloggers há que se deparam com este problema!
Tenho por hábito, ao chegar ao escritório, fazer uma curta visita aos meus blogs habitué e ler, ou ver, ou ouvir, aquilo que por lá foram publicando os meus parceiros bloggers, alguns dos quais são de visita obrigatória no meu dia! Tornaram-se assim um substituto às revistas cor de rosa, ou à literatura ligth ou não, que tão aficionada me tornaram anos a fio!
Mas, a verdade é que a cada dia que passa me deparo com mais invasões de privacidade e abusos de liberdade numa tentativa de ofender a integridade dos bloggers e participantes, que se “mostram” nestes espaços, chamados blogs!
Hoje mesmo, em dois dos Blogs, que sigo, me deparei com situações desta índole, o que despertou a minha reflexão… e por muito que se diga: “moderem os comentários”, “não liguem a provocações de anónimos”, compreendo bem a frustração das partes envolvidas, pois são fragmentos nossos que são enxovalhados e mastigados e pisados em espaço público da blogosfera! Não é fácil lidar com críticas… não o é, nem nunca será para ninguém em lado nenhum, mas daí a estar voluntariamente sujeito a elas…
Decidi lançar aqui esta minha reflexão, porque já eu, em blog vizinho, me vi envolvida numa troca de “galhardetes” indesejada, com comentadores anónimos, que alimentando a polémica no dito blog renderam mais de 30 comentários e mais de 200 visitas… o que não é nada, comparado com aquilo que tive hoje a oportunidade de ler nesse mesmo blog, em relação a outro tópico… 162 comentários, ou à volta disso e mais de 2000 cliques e visitas… num só dia! Nada mau, ah?! Parece mesmo que a polémica rende e que como já tive a oportunidade de dizer aqui, noutro texto, a interactividade que estas novas “revistas” de fofocas permitem levam muitos a ignorar os limites do bom senso e da boa educação e a extrapolar da crítica de um look, para o insulto pessoal, sem sequer se conhecer as pessoas em questão!
Em tudo na vida, e assim também o tento fazer na Blogosfera eu peso as minhas acções e por isso não queria de deixar de dizer aqui, neste espaço, que é MEU, aberto às vossas visitas, que não me vou coibir de escrever aquilo que quero e penso, com medo de opiniões alheias, nem me vou dignar a aceitar comentários de anónimos mal-formados e mal-intencionados, só no bom nome da liberdade de expressão… entenda-se isso não é liberdade de expressão é agressividade gratuita, contra alguém desconhecido, possivelmente canalizando frustrações quotidianas num espaço alheio, que não vos pertence! Pois, meus amigos, aqui não! Mais, recuso-me a ler blogs, que permitem essa troca de galhardetes, ainda que gostasse muito do Blog, porque acho que depende do Blogger controlar o nível e o bom ambiente do seu próprio espaço! Assim sendo, chego às vezes a pensar que ler determinados Blogs e seus comentários é mais prejudicial do que fumar cinco cigarros. É que um clique nestes blogs, às vezes pode custar cinco minutos de tempo e umas boas horas de sono!


segunda-feira, 15 de junho de 2009

Primeira-Feira...


Segunda-feira, nunca foi tão Primeira como aquela que se segue a um domingo, último dia de férias... Para mim, hoje é Primeira-feira!

Primeira-feira de ressaca e recuperação destes merecidos dias de descanso santo, a banhos de família, boa comida e lugares familiares. Soube bem, mas “soube a pouco”, como diz a voz do Povo! E já estou naquele espírito de Velho do Restelo, que não sabe sequer, se é bom ou mau, o facto de estar de férias e voltar, porque mal habituados, corpo e mente, custam a engrenar nestas primeiras-feiras duras de reinício de vida de quotidiano e trabalhinho regular.
Mas foi bom. Valeu a pena no geral e ainda mais enquanto durou… foram bons estes dias passados num Porto quente e abafado de termóstato avariado, sempre acolhedor e familiar, tripeirinho e prazeiroso.
O regresso de ontem, num voo tardio entre as 23 e a meia noite, fez-se numa ilha húmida e arrefecida, de gente sossegada e sorridente! E hoje, primeira-feira desta minha primeira semana de trabalho pós-pausa, só me apetecia estender ao sol, naquelas praias lá bem em frente a casa, onde a areia preta puxa o sol e guarda o calor e o mar temperado convida a banhos de água do atlântico sereno e azul.

Vamos lá Re-começar!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Vou ali e já venho!


Assim em jeito de aviso aos meus queridos e fiéis Bleitores, que não sendo muitos, são MUITO bons, fica aqui um "Vou ali e já Venho"!
Quem me lê, sabe bem onde, quem não lê... faça favor... tem à sua disposição 45 maravilhas de leitura de Croniquices e Historinhas, desta Mulher a 1000/h, que vai matar saudades de uma casa e ganhar de outra! ;)
Até Segunda-Feira!

Ora, muito bem, aqui para a "je" sai uma noite bem passada, se faz favor!


Se hoje alguma alminha caridosa me tivesse perguntado, como em outras ocasiões, “bem passado ou mal passado?!”, a minha resposta tinha sido, “bem passado, se faz favor obrigada!”. Um soninho descansado. Uma noite “bem passada”! Não era pedir muito, pois não?! Ainda ontem num (contra) tempo me rebelei contra essa instância indomável, que se questiona a si própria acerca da sua essência e duração, nem ela própria se sabendo muito bem ler ou interpretar! O tempo!
Ontem à noite, por volta das três da manhã, para mim, era tempo de dormir! Para a minha filha, no entanto, era tempo de regredir de noites bem dormidas, para os intervalinhos de noite que dormiu, desde o dia em que nasceu até ao seu sétimo mês! Sim, é verdade! Sete meses a dormir, sonos curtos de pulga, intercalados a banhos de choro e baba e muito biberão à mistura! Não há quem aguente! Eu que o diga, que na primeira noite, que ela dormiu sete horas seguidas, acordei em sobressalto, com a sensação de que algo mau se tinha passado!
Pois muito bem, estava eu ontem em descanso, prontinha para entrar na quarta hora do meu primeiro ciclo de sono, quando ela de repente rebenta num choro inconsolável, inapagável e muito audível. Não ouve carinho, nem “fofinho”, nem água que lhe valesse! Chorou como se não houvesse amanhã e quando o amanhã chegou, em forma de cinco e meia da manhã, só o biberão de leite a acalmou!
E eu, caminhando descalça e sonâmbula pela casa fora, às escuras, com ela em braços, mandei o sono passear lá fora e enchi-me de cuidados. Passaram segundos, que demoraram horas, horas que demoraram dias e finalmente o amanhã chegou! E hoje, só queria ter dormido, mais um nadinha, um bocadinho de nada! E não queria ter lutado tanto contra aquele tempo que me acordou ontem, aquele tempo doido varrido e desconcertante, que me levou o sono embora e me deixou aflita de coração nas mãos, entre o certo e o errado, o que fazer e não fazer… enquanto ela dormia chorando, aos intervalinhos no meu colo e pensamento.
O amanhã chegou e ela dormia pesada no seu berço, como se nada se tivesse passado e quando acordou, sorriu! O meu sono foi esquecido e a noite mal passada, que tanto me custou a deglutir e ingerir, soube a prato comido à pressa, sem gosto nem sabor. Esqueci o meu sono, aquele que me abandonou e fiquei feliz e sozinha, mas derrotada pelo meu cansaço. Esta noite, if you please, quero-a mesmo bem passada! Pode ser?!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A Croniquice da S., ou " Deslarga Bicho Mau!"...


Deslarga bicho ruim! Vai de retro Satanás… Xororó perlimpimpim… qu’ele há gajos que não se tocam! Porra prós mafarricos, que nem a pás de chá de “vai pra longe” se põem no seu lugar!
Desculpem lá este desabafo, mas se há homem chato e persistente é esta espécie de não “fo**” nem sai de cima, que só aparece quando nos sente felizes para logo nos mudar o estado de espírito!
Não falo de mim em concreto, não se pense, pois segundo consta, eu para bichos deste género tenho uma espécie de efeito Axe ao contrário! Estão a ver o Dum-Dum… eu é mais “Pum-Pum”, já foste! É que segundo dizem, não é só a aparência Nórdica, de pele, tez e nariz, que me caracteriza… diz quem sabe: “que tenho uma frieza muito nórdica” na minha personalidade. É que quando eu digo: Não! Chega! Basta! A porta fecha-se. Mas fecha-se mesmo e não há brechazinha que lhe valha, por onde, seja ela o mais fina que for, consiga entrar! Aquela esperançazinha maluca do: “vamos lá ver”, “talvez desta seja diferente”, “talvez desta ele mude mesmo”! Na. Minhas queridas… Pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita!
Então não é, que tenho uma amiga! AMIGA, assim com AMIGA em maiúscula, que se vê constantemente assombrada por estes espíritos Xelélé, de mortos-vivos, mais mortos e enterrados, que vivinhos da Silva! Parece Karma mulher! E hoje em conversa, comentava mais uma tentativa de contacto do Além de uma destas Almas Penadas, sem ponta que se lhe pegue, com desculpas do tempo da Carlota Joaquina e historinhas de encantar, para as quais já nem a minha filha tem pachorra de aguentar! “Sarna para te coçares?! Naaa... só se gostares do cheiro do remédio dos piolhos!”, disse-lhe eu! É que não é só um… são dois! Das duas uma, rapariga: ou és Santa Desejada e nunca mais esquecida, ou então esses meninos estão a precisar de um “dicionário de tampas para Totós”!
Tu benze-te antes de sair de casa! Não atendas o telefone, muda de email, casa, nome, caixa e área postal! Por tudo o que te valha, pior coisa que amor falido, é mesmo amor falido e inconformado!
Por todas Vós almas penadas e alminhas assombradas aqui fica uma Velha Máxima, que me custou a encaixar, mas decerto, NUNCA mais me vai deixar: VALE MAIS SÓ QUE MAL ACOMPANHADA! E tenho dito!

(contra) Tempo


Ainda um dia alguém me vai explicar, mas assim como quem explica a quem é "uma criança de 10 anos", de poucas percebas e muitas perguntas, o porquê do tempo passar tãaaaao devagar quando se quer que ele passe a correr!?
É que, apesar desta semana começar numa quinta-feira, como me lembrava e tão bem a minha querida amiga T., o dia está a render, mas a render MUITO de uma forma tão pesarosa!
Há quem diga que o tempo, não é mais do que psicológico, mas se o é, então é do contra, porque joga sempre contra as nossas vontades! É que não é por nada, mas chegando quarta-feira, ou seja sábado, tenho a certeza, mas certeza, certezinha, que o tempo vai passar a correr… a galope, a trote, de avião supersónico e super rápido, que nem TGV na maior loucura!

Sempre que estamos na caminha, quentinhos e a dormir relaxadamente, uma hora passa em cinco minutos! Mas, se estamos numa fila, em que esperamos cinco minutos, já parece que passou uma hora!
Ai que raios este tempo, que se pergunta a ele próprio, quanto tempo o tempo tem, e se responde que tem tanto tempo, quanto tempo o tempo tem! Que podemos nós, de resto, esperar de uma entidade tão abstracta, tão confusa e baralhadora, que se responde com enigmas até de si para consigo?!

“Será chuva, será gente?!” - o que raio será que me está hoje a afectar de tal forma, que me leva a sentir intensamente cada minuto que passa, cada hora que sinto passar?! Com se trouxesse em costas os ponteiros de todos os relógios do mundo?!

Não é enigma nenhum, que esta minha ânsia de ir a casa, de assentar pés no meu Porto, me faz correr o coração a 3000 à hora, mas porque raios, não correrá também atrás dele este molenga do tempo?! Por mim, corria que nem um louco até amanhã, parava só na quarta e demorava um mês até Domingo!

Quando era pequenina, lembro-me bem de me forçar a dormir muito, na véspera de Natal, para o tempo passar rápido até à hora de abrir presentes! Era um sono forçado, sentido, obrigado… mas valia tanto o esforço, porque o que de facto acontecia, era que, na maior parte das vezes, acordava no momento exacto em que os meus pais me entravam no quarto a informar da chegada do Pai Natal! Ou não fosse isso truque deles, que mal me encaminhavam para o quarto, logo me deixavam as prendas no fogão!
Ai quem me dera, puder agora fechar os olhos e dormir e só acordar na quarta-feira de manhã, assim mesmo antes da hora do voo e partir a correr de malas e bagagens e filha e marido e coração apertado, para voltar ao meu espaço, meu ar, minha terra, família e amigos e respirar o ar, que me inundou pulmões, anos a fio!

Assim está esta mulher a 1000/h hoje, numa ânsia, numa ansiedade, numa inquietação infértil que me irrita até o mais pequeno nervo… a contar as horas, para o amanhã chegar!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Futilidades de uma rapariga loira...


Pois é… Estou de luto!

Hoje estou de luto e ninguém me incomode, porque acabei de deixar no cabeleireiro um chão enorme e coberto dos meus pobres caracóis!

Ao que consta, juntamente com os meus pobres, danificados e marcadamente escalados caracóis, acabei de deixar naquele local, 20 anos, ou coisa e tal da minha tão nobre idade! Voltando assim à minha estúpida e pobre aparência de 10 anos de idade!
Estou de luto, não se iludam… por cada pedaço dos meus cabelinhos, que ficou naquele chão! Mas sabem que mais?! Foi morte necessária e voluntária, mais que isso, urgentíssima, daquelas pontas de cabelo inúteis e danificadas!

E so what?! Se me roubaram 20 anos… melhor do que me colocarem 30! Penso eu, enquanto me estranho ao espelho e nos olhos do meu marido!

Mas foi assim… daquelas decisões, para ontem e quanto mais cedo melhor! Vamos lá ao cabeleireiro deixar as marcas de uma gravidez, num leque capilar de anos e trocar uma plástica pela bela da mudança de look!

Mas ao mesmo tempo, que estou de luto… estou de esperanças! Esperanças no crescimento de novos caracóis vistosos e atrevidos, rebeldes e assimétricos, que me façam olhar ao espelho e ver o novo eu! Um eu de Verão… fresco, fresquinho! Tão fresco como uma alface!
Talvez fresco demais… diriam alguns! Mas a mudança é mesmo assim… choca, incomoda, mas refresca!

Ainda passo ao espelho e me pergunto: “Quem vem lá?!”… mas amanhã, já me reconhecerei de novo e rapidamente perceberei que tomei a atitude correcta!
As mudanças são mesmo assim, exigem um período de adaptação e reconhecimento. Mas em tudo na vida a mudança é necessária!

E de resto, olhem… hoje vingo-me e vou comprar vestidos e brincos… frescos e leves, como a leveza deste meu novo corte de cabelo! Esperemos que este corte seja como a Coca-Cola, segundo Pessoa: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O Conto da Rosana!


“- Ó tia, mas tu escreves todos os dias?!
- Sim, amor. Só nos fins-de-semana e feriados é que não… porque nesses dias sou toda da tua priminha!
- É preciso ter paciência! Ufa…
- Não. É preciso gostar!
- Sim, também é verdade!
- Olha lá, tu não vais todos os dias à Internet?! É porque gostas, não é?!
- Tens razão… Sabes, tentei ler o teu texto do acidente… mas é muito comprido… pfff.
- É… um bocadinho! Mas tenta ler antes o que eu escrevi para a tua prima!
- Como se chama?!
- É o das Aventuras da Maria… é comprido, mas lê-se muito bem!
- Ok. Vou ler!
(…)
- Ai Tia, já li! Gostei tanto… Até fiquei emocionada! Tão lindo…
- Ainda bem que gostaste! Eu disse-te que era giro! Amanhã escrevo um para ti…”

E foi assim, que depois de 10 minutos de conversa eu me comprometi a escrever o “Conto da Rosana”. Para a sobrinha mais linda, que uma tia pode desejar! Obrigada pelo teu esforço de leitura e espero que gostes….

Há muito, muito tempo atrás, numa época em que não havia telemóveis, nem telefone, nem internet, nem televisão havia duas amigas, cujo passatempo favorito era plantar flores! Era um passatempo que exigia muitos cuidados e muita paciência… mas acima de tudo, este passatempo tão meticuloso exigia das duas um gosto, uma paixão pelo cultivo e plantação de diferentes flores, plantas e árvores de fruto.
Essas duas amigas viviam numa aldeia muito perto de uma montanha e de uma serra e por isso, naquela região o tempo era ameno e raramente fazia vento. De vez em quando chovia um pouco, mas havia sempre muita humidade no solo, o que era óptimo para as flores! Rosa e Ana, era assim que se chamavam, primavam pela delicadeza com que trabalhavam no seu jardim e quintal e mais ainda pela escolha das flores que ali decidiam plantar! Elas tinham uma diversidade tão grande de flores naquele espaço, que quem visse aquele jardim pensaria de certo estar no Éden… o perfume daquelas flores não deixava ninguém indiferente!
Mas Rosa e Ana, tinham uma grande dor, um grande pesar… é que no meio de tantas flores, havia uma espécie que teimava em não vingar! Não era uma espécie rara, nem de grandes sabedorias, mas a flor tão desejada era naquele solo abafada! Pois sempre que Rosa e Ana a tentavam plantar, acabavam as duas a chorar!
- Mas porquê?! – lamentava-se Ana a alto e bom som… - Porque é que será que não sai nenhuma rosa deste chão!
- Não sei não, amiga do meu coração, mas a verdade é que já me custa deitar tantas vezes essas sementes na terra, para as ver em aflição.
Na verdade, aquilo que acontecia é que as florzinhas até chegavam a crescer um pouco, mas na altura de florir, não havia nada que lhes valesse, deixavam-se morrer, para não mais existir.
Sniff, sniff, sniff… choravam as duas com todo o seu sentimento. E choravam tão alto desta vez, que não havia na aldeia quem não as ouvisse, tão estridentemente, como se fossem três.
De passagem ao largo da aldeia, estava um lindo e formoso viajante. Um Senhor muito elegante e educado, que se chamava Mestre Ricardo. Mestre Ricardo tinha viajado por estradas longínquas e caminhos tortuosos. Tinha corrido esta terra de fio a pavio, em busca de todas as maravilhas, que se lhe acontecesse encontrar. Tinha estado em Veneza, na Índia, em Paris, tinha visto Londres, Oslo, Moscovo, já tinha estado na China, Austrália e Japão. E na sua última viagem até tinha chegado a estar no Uzbequistão. Conhecia várias línguas, dominava-as todas bem e guardava um diário com as anotações todas das suas viagens, tão religiosamente, como quem guarda algo que valor maior não tem. Mestre Ricardo ouviu este choro agudo, mas o que o levou a seguir caminho, foi sem dúvida o trilho daquele aroma florido! Ao encontrar semelhante Jardim, no meio daquela aldeia tão simples, desceu prontamente do seu cavalo deixou-se cair de joelhos, encandeado pelas cores vibrantes e aromas férteis daquele jardim tão perfeito. Fechou os olhos, encostou as mãos ao peito e levantou-se a eito, de um jeito tão de repente como se tivesse sido empurrado por uma corrente!
- Quem sois Vós, lindas Damas e Senhoras deste tão nobre jardim?! E porque chorais agarradas, nessa agonia sem fim!?
- Nós somos Ana e Rosa, as donas deste lugar, mas choramos a morte de uma flor, que não conseguimos fazer perdurar!
- De que flor se trata, caras senhoras minhas… pois no meio de um jardim tão vasto, não pode de certo este solo lhes ser nefasto.
- Mas é meu senhor, é de facto, tão árido e mortal, como se fossem os picos de um cacto!
Inteirou-se dos problemas das duas e surpreendido pela flor moribunda, prontificou-se a partir, trazendo uma rosa tão forte, tão mágica e especial, que vingasse em qualquer jardim, terra ou quintal! Partiu e vagueou durante 3 meses, correu a Europa de lés a lés, mas foi em terras africanas, no Reino do Congo, que semelhante rosa lhe caiu aos pés… Olhou em frente e viu, uma Roseira Brava, tão grande, tão imensa, tão possante, que cravejada de rosas, parecia no meio daquela paisagem um enorme e bruto diamante. Um caminheiro que por perto passava, ao ver o espanto daquele camarada, perguntou-lhe o porquê de tanta admiração, afinal de contas essa Roseira não era mais do que a Rosa do Coração.
- Essas rosas que aí vê, só nascem quando um grande amor se faz, e morrem com ele, quando ele se desfaz. São rosas de amores que vivem, e a roseira plantada, não vive de mais nada, que não seja amor, sentimento e uma fada, que habita algures entre os ramos desta planta.
- Como posso falar eu com ela?! Preciso de levar uma semente para duas amigas, amantes de flores e de seu jardim, que estão enterradas numa tristeza imensa, por não haver rosa que plantem e vingue por fim.
Ao ouvir isto… salta do meio da Roseira a fada, que lhe diz em surdina:
- Se a essas Damas com sua rosa, quiser agradar, terá que fazer nascer um amor verdadeiro, daqueles sinceros e para durar…
E com isto, pôs-lhe na mão uma bolinha vermelha, ligeiramente em forma de coração. Era a semente da Rosa, que só nasceria vaidosa, quando um amor nascesse, que a tornasse de poesia em prosa!
E assim, segui caminho o nosso Mestre Ricardo, orgulhoso e cuidadoso, guardando na mão a semente e uma só ideia na mente: como fazer vingar o amor, no meio daquela gente!
Ana e Rosa, contavam agora entusiasmadas e expectantes à sua prima Teresa, as grandes aventuras do Mestre, que viria em sua defesa. Mas foi Carlos, quem as advertiu, de que esse Mestre Ricardo podia nunca voltar…
- Mentiu… - pensava Ana, tristinha, com olhar de menina meiguinha a quem o coração acabara de se partir!
- Ele volta. – Afirmou Rosa com segurança… empinando nariz e pança e olhando pela janela fora, grita como se não houvesse agora: - Ele chegou… ele está aí…. É ele! É ele! É ele quem vem!
E correram as duas ao seu encontro também!
Ao ver as duas correr, com semelhante alegria, Mestre Ricardo pensou, que por aqueles sorrisos, tudo valia! E nasceu ali, o começo de uma grande amizade. Amizade essa que fez, com que entre aqueles três nascesse um amor, que não mais padeceu… Porque às vezes, vale mais uma verdadeira amizade, do que um amor com falsidade!
E foi assim, que os três de mão dada, escolherem um lugar de realce, para plantar a Rosa Coração, que o Mestre trouxe sempre em sua mão. Não sei se do calor da sua mão, se da amizade forte, que ali nasceu, aquela rosa plantada, muitos anos viveu! Era linda e maravilhosa, inspirava toda a gente, que ao vê-la se sentia inexplicavelmente contente. E foi por isso, que um dia, ao entrarem no Jardim e ao vê-la Rosa e Ana decidiram dar um nome, àquela sua pequena… Rosana!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Outra vez o Amor...


(... E já há muito que não escrevia sobre este tipo, por isso agora, aturem-me!)

Hoje ao ouvir os desejos e aspirações de uma amiga em relação a um "amor", que parece que nunca mais chega à vida dela, dei por mim a pensar, que talvez nunca chegue… pelo menos seguramente não da forma como ela o “quer”. E digo mesmo “quer”, porque segundo ela, ela não quer um tipo qualquer, quer um sensível, mas macho, que goste de pintura e filmes, mas também de literatura e viagens, que saiba cozinhar e que vista bem… e perlimpimpim… um gajo todo quitado, é o que é! Mas afinal o que ela quer, perguntei-lhe eu… é um amor ou um gajo assim?! É que na maior parte das vezes, o nosso amor, surge sobre a forma da pessoa mais inesperada e mesmo assim, ainda gostamos mais dela, pura e simplesmente porque é ela e não alguém por nós idealizado.

Quando as expectativas são altas, as probabilidades de se sofrer uma desilusão crescem com elas… e o amor não é algo anti-natura, planeado, programado ao milímetro e cronometrado ao segundo. O gajo é “fodido” já dizia o outro, é “fogo que arde sem se ver”, “contentamento descontente”, é surpreendente, inesperado e nunca aparece quando queremos vê-lo chegar!

Vamos jogar ao faz de conta e encaremos o amor, a partir de agora, enquanto pessoa e não sentimento. O Amor, (passaremos a designá-lo como nome próprio e por isso em maiúsculas), não vem a nossa casa, quando a gente lhe pede, mas aparece para jantar, precisamente no dia em que não tomámos banho e estamos sentadas no sofá, completamente ”xostras” a papar pipocas e gelado de chocolate, com o cabelo preso por uma mola castanha e velha, deixando antever os restos de maquilhagem no rosto. O Amor é aquele tipo, que quanto mais se anda atrás, menos nos liga. Mas se damos uma de indiferentes ele corre atrás. O Amor tem bons e maus dias e há quem diga que é bastante temperamental. Gosta de variar nas iguarias que come e serve e é como as crianças, testa-nos diariamente! O Amor, lá bem no fundo é um tipo fixe, com quem se passam umas horas bem passadas, mas com quem não se pode programar nada! Senão, sai tudo furado! O Amor faz-se passar por um gajo inatingível, mas é o mais próximo de nós que alguma vez teremos. O Amor é um maluco da cabeça e afecta-nos de tal forma, que a páginas tantas já somos nós quem está, de cabeça perdida, verdadeiramente insano, capaz de cometer a maior loucura do mundo. O Amor, também traz calma e as suas palavras funcionam como um "mantra" ao nosso espírito. O Amor tem telemóvel, computador, internet e correios, por isso, não interessa onde está e com quem está, tem sempre resposta e tempo para nos contactar. O Amor é daqueles gajos, que não gostando de escrever faz de nós musas e dele Pessoa, é capaz das maiores verdades e das maiores trivialidades. O Amor quando se cansa, bebe uma Coca-Cola e continua, porque não desiste. Mas quando se farta, deixa-nos e não volta mais. A marca que deixa é mais funda do que a de uma cratera de um vulcão e nunca mais desaparece da Paisagem. Mas o Amor é como lava e não se extingue nunca... deixa o solo fértil para o próximo coração. O Amor é de poucas palavras e é quando menos diz, que mais fala!

Lá em casa, eu tenho um homem, em género de amor da minha vida, o meu Amor, que até hoje me surpreende pelas coisas mais patetas e dou por mim a apaixonar-me por ele diariamente, mesmo enquanto fuma sentado à janela de pijama vestido e cabelo no ar… Não sei bem como é que ele apareceu naquele dia no sítio onde nos conhecemos, pior ainda, não sei bem como é que eu lá apareci também, mas uma coisa vos garanto e vos juro a pés juntos: não fazia tenções de me apaixonar naquele dia. Mas bastou bater os olhos nele, para nunca mais os querer desviar! Ainda hoje, mesmo quando estou fula com ele, que isso também acontece com o amor e o Amor… não consigo deixar de o olhar nos olhos, porque o amor é mesmo assim… "entra pelos olhos"!

Nos tempos de crise que correm, o Amor anda de cabeça perdida, porque a juntar aos habituais dilemas e “luas” da sua personalidade, o estado e a Sociedade anda-lhe a lixar o juízo. Por isso, não é de admirar que a par da minha amiga, muitas almas perdidas explorem e exprimam os seus “quero” em forma de desejos de amor ou Amor. Umas procuram e encontram, outras encontram e perdem, outras nunca encontram, outras nunca procuram e encontram, outras nunca encontram, nem procuram… mas o certo é, que esse gajo do Amor é difícil de evitar e há um dia em que ele nos bate à porta, quer queiramos, quer não… resta saber se o deixamos entrar ou escapar! Esse dia pode ser amanhã, na próxima semana, mês ou ano... e também pode ter sido ontem! Por isso amiga, relaxa... o que tiver que ser será!

A Vida na Ilha


Ontem em conversa com uma amiga dos tempos de faculdade, recentemente chegada da Índia e de partida marcada para Angola, fui surpreendida pela pergunta: “E então, mas afinal, como é a tua vida aí na ilha?!”… Não é assim tão surpreendente a pergunta, no sentido de ser original ou inusitada ou totalmente descabida, mas no mínimo esta pergunta surpreendeu-me, pela minha dificuldade na articulação de uma resposta! Já estava à espera desta pergunta, afinal de contas era a primeira vez que falava com ela, desde que aqui estou… e já muitas vezes antes dela, outras pessoas me fizeram esta mesma pergunta, com o mesmíssimo interesse e formulação… mas parece que à medida que o tempo vai passando, me vou apercebendo menos que estou, de facto, numa ilha! Se de início, todo aquele mar e a ideia de poder ver a ilha de um lado ao outro me assustava e intrigava ao mesmo tempo. Criando em mim, muitas vezes uma certa sensação contida e controlada de claustrofobia, agora… parece-me perfeitamente natural que assim seja, e embora veja o mar, todos os dias… já não penso tanto nele.

Bem, se das vezes anteriores, quando me fizeram esta pergunta eu me limitei a responder: “Bem, estou bem…está tudo bem! Normal! Mais relaxada e tal… é a vida normal do dia-a-dia!”, desta vez, e porque me pareceu que para esta minha amiga essa resposta não bastava, esforcei-me e dei-lhe a resposta que me pareceu mais sincera, a única na verdade, que de facto me ocorreu dar-lhe após semelhante quebra-cuca.
Engraçado como de início, quando para cá vim, achava surreal e absolutamente assustador o facto de existir apenas um shopping, 2 Modelos, nenhuma Benetton, nem Oisho. Isto a nível de lojas e possibilidades de banhos de “cidade” como eu lhes chamava. Mais horripilante ainda era pensar que por vezes as coisas esgotavam nas prateleiras dos hipers e que tínhamos que esperar até à próxima quinta-feira, para vir o produto por nós desejado… isto se viesse, porque havia uma forte possibilidade de não vir de todo essa semana, ou até mesmo na próxima! Outra coisa que me revoltava eram os serviços dos CTT, que se em semanas demoravam 5 dias a entregar correspondência, noutras demoravam 10… só mais tarde percebi o porquê, para além da diferença do envio por avião ou barco da mesma, havia a forte influência da incompetência do carteiro da zona, que sendo substituído uns tempos, abriu lugar a um ainda pior!
Nas minhas primeiras semana cá na ilha, metia-me confusão que as pessoas na caixa, parassem de trabalhar para se pôr à conversa com os clientes e que toda a gente parasse na rua para saudar a minha filha, elogiá-la, brincar com ela, despedindo-se depois dizendo, em bom micaelense: “Saûdinha pa criá!”, frase que só decifrei após umas três vezes de a ter ouvido.
Irritava-me de morte a azelhice óbvia de muitos condutores da ilha. Só mais tarde percebendo que aqui muitos aprenderam a conduzir sem nunca terem entrado numa rotunda ou VCI, sem usar os espelhos e bla, bla, bla.
Outra coisa que me enervava era o facto de toda a gente parecer conhecer-se e o meu desejado anonimato era desfeito ao fim de uma semana, com quem quer que fosse!

Hoje, já não estranho nada disso e só me lembrei que vivia numa ilha, quando na semana passada ouvi a minha mãe a dizer algo óbvio à minha filha, com ela ao colo, escutando atentamente ao olharem as duas pela janela para o mar: “ Sabes amor, é este mar todo que nos separa… a ti e à mamã da Vovó e do Vovô!”. Era verdade! Mas só ao ouvi-la dizer aquilo e ao pensar no efeito que isso teria para a minha filha se ela a percebesse é que dei por mim a pensar, que de facto, é toda esta água que nos separa… uma água de um azul nunca visto, transponível apenas por ocasionais viagens de avião, emails, sms’s ou telefonemas diários… mas sabem que mais, isso já não me assustou! Assim como já não me irritam as pessoas que passaram a ser minhas conhecidas ou amigas, ou aquelas que também eu agora reconheço e cumprimento. Agora, sou eu que muitas vezes paro na caixa, cumprimentando a pessoa que lá está, fazendo conversa de ocasião e empatando a fila! Os banhos de shopping que de início tanta falta me faziam, foram substituídos por passeios na praia, na natureza, convívios com amigos e tempo caseiro de qualidade para a família. Não me lembro sequer da rapidez e eficácia (ou falta dela) dos CTT, porque já não conto com ela. Aprendi a relaxar na estrada e acho que lentamente também eu me estou a transformar numa azelha ao volante!

Daí que a minha resposta á minha amiga tenha sido a mais óbvia de todas e a única que lhe posso dar:“ A minha vida na ilha, é como a tua por esses continentes fora, que no fundo não passam de grandes ilhas… todos eles! Com a vantagem de nesta ilha eu viver, escrever, falar e amar intensamente em português!”

Resumindo, a vida na ilha é boa! Corre sobre rodas, só temos que nos adaptar fazendo pequenos ajustes de mentalidade, que vêm com o tempo e nos trazem uma calma, uma serenidade, uma paz de espírito tal, que só é possível sentir nos Açores, onde os nossos pensamentos fluem entre barreiras de água azul e profunda com ocasionais lagos verdes e vegetação diversa e fértil. A minha vida na ilha é mesmo assim…

terça-feira, 2 de junho de 2009

Parabéns Desbloqueados...


Na semana passada a minha filha fez um ano e eu não fui capaz de escrever uma palavra acerca do assunto…
Problemas informáticos aparte, acho que tive aquilo a que chamam um “bloqueio emocional de escrita”. Ainda hoje, e passados quase sete dias de tal memorável e significativo acontecimento, me vejo em travessas meias e linhas retortas para escrever o que quer que seja com jeito e algum sentido acerca do assunto.
Fiquei secretamente furiosa comigo mesma por ter deixado fugir a oportunidade de ter escrito algo em forma de elogio aos acontecimentos deste primeiro ano de vida da minha filha, a quem tanto devo em crescimento, amor e bom senso!
Ao longo deste primeiro ano de vida dela aprendi que um choro incansável muitas vezes só pede conforto e protecção, mas às vezes também pede alimento e uma troca de fralda. Aprendi que o meu sono, não é mais importante do que os seus sorrisos tímidos e que qualquer novidade nas suas aprendizagens e capacidades. Aprendi que posso ser linda e magnífica da mesma forma com ela ao colo do que sozinha e carregada de roupas da última tendência da moda. Aprendi que ela sabe bem mais o que é amar, do que eu alguma vez saberia sem ela! Com as primeiras doenças da minha filha, aprendi o que é a humildade e a consciência de que às vezes há razões que a própria razão desconhece… pela primeira vez senti o meu coração pequenino e apertado, de tal forma que me fazia sufocar só com a ideia de ela sofrer. Com a minha filha eu aprendi ao longo deste intenso ano, que não se pede amor, o amor dá-se e recebe-se. Aprendi que um filme, um balde de pipocas ou um concerto não é nada em comparação com as suas primeiras gargalhadas, passos, travessuras, aventuras. Com ela aprendi o que é o medo, aquele de que nos esquecemos e que todos sentíamos quando éramos pequeninos e por ela aprendi a vencê-lo. Aprendi a engolir o orgulho e a pedir ajuda. Aprendi a falar, mesmo com quem ainda não fala, aprendi a olhar para as outras crianças, como se fossem a minha e com isso aprendi a ser uma melhor mulher, mais madura e menos fútil.
Pela minha filha mudei num ano a minha vida, como não mudei em 20! Com ela percebi que não há razão para maus-tratos infantis, nem faltas de paciência agressivas dos pais, nem violentas tareias que em nada ajudam.
Com a minha filha eu vi e senti o que é o amor de uma mãe… que luta contra tudo e todos se for preciso pelo bem da sua cria! Pela minha cria, eu tornei-me em alguém, que começo agora a conhecer e reconhecer, mesmo em feitios e feições, que pensei não existir em mim.
Parabéns para ela, que não consciente destas mudanças é o móbil de todas elas e o motor de arranque de todos os meus dias. Parabéns para mim, que sobrevivi com sanidade ao primeiro ano da minha primeira maternidade, às mil e uma “bouçadelas”, às trinta mil trocas de fraldas, às centenas de noites sem dormir, às dezenas de consultas no pediatra, às aventuras de sopas e leites e papas para bebés, às trezenas de mudas de roupa por semana e a um dia-a-dia exigente, mas profícuo, que é o mais comum dos dias, na vida de uma mãe!
Um ano pode não parecer nada na vida de alguém, mas acreditem se quiserem que neste ano, vivi como em 30! Ainda assim valeu a pena… Parabéns filhota… um dia lês isto e saberás que tudo o que sempre fiz foi por ti e para ti! Musa dos meus dias, maravilha da minha vida, obrigada por me deixares ser tua mãe… Tu és sem dúvida alguma o melhor texto que alguma vez escrevi!

Taras e Manias, Obsessões e Teimosias...


Há muito quem tenha grandes taras, mais ainda há, quem possua mil e uma manias. Obsessões, há alguns que têm, mas aquilo que mais se vê no mundo, não passam de valentes e pesadas teimosias. Há, no entanto, quem lhes teime em chamar: valentia, orgulho, persistência… e a teimosia, bem lá no fundo nasce sempre de algo com algum bem camuflado: a crença de que se está a tomar a decisão certa, que estamos a ser fieis a nós próprios e que não vamos deixar cair por terra as nossas ideias… determinação.
A teimosia bate o lado lunar, na altura em que deixa o indivíduo teimoso, sem um pingo de racionalidade ou pesar, e o força a não arredar pé, mesmo quando tudo lhe diz e mostra que está errado, que não tem razão!
A teimosia, tem vários graus, tem vários modos e diferentes manifestações… mas basta olhar para o lado para vermos às vezes, o maior teimoso do mundo!
Hoje, quando estacionava o carro no parque de estacionamento vi uma senhora, claramente transpirada, sob os 17 graus amenos, que se faziam sentir, a agarrar o volante como se de uma bóia salva-vidas se tratasse, insistindo em estacionar o seu maravilhoso jipe grand “grande” Cherokee num lugar de estacionamento mínimo, onde nem eu me atrevia a estacionar a minha caixinha de fósforos… mas ela virava o volante e vinha à frente, e voltava para trás e os faróis dos dois carrinhos de lata prateada, que lhe ladeavam o espaço de estacionamento já pareciam encolher-se com medo da pancada eminente e potentosa do pára-choques daquele bólide tão possante.
Eu segui caminho, percorri mais cinco metros do que ela, mas estacionei nas calmas. Fiz as minhas comprinhas, almocei, ainda tive tempo de arranjar as unhas e quando voltei… surpresa das surpresas… lá estava ela… mas desta vez acompanhada, pelo segurança do shopping, que olhava de mãos na anca para o pobre twingo de focinho amassado, encostado ao behind do Cherokee contrariado, e atravessado no meio da faixa de rodagem. Teimosia, ó Teimosia, do que vales a estes espíritos, que na esperança de poupar uns cinco metros se envolvem em problemas desnecessários, trazendo dores de cabeça e contrariedades aos outros, que lamentavelmente inocentes se deambulam por tais caminhos azarados!
Mas este foi um exemplo da teimosia, no seu nível mais trivial… mais refinada teimosia pude ver ontem nas palavras e exercício de retórica pura e dura na boca dos Bastonários da “Nossa” Ordem de Advogados, que teimando para um lado, teimando para o outro, com menor ou maior educação, pior ou melhor simpatia, fizeram do Prós e Contras na RTP1, ontem à noite palco dos seus bate testas sem sentido, em nada produtivo a não ser no reacender de uma fogueira de novas e ainda mais refinadas teimosias…
Eu cá, sentadinha deste lado do ecrã… escrevo por teimosia, tenho a tara das carteiras, mania das simetrias e obsessão pelo amor. Não se pense por isso, que me pinto aqui imaculada da minha dose de teimosia, mas quando vejo semelhantes graus de teimosia alheia, não posso deixar de pensar nos meus como “peanuts”. Fraquinhos, fraquinhos, em manifestações ideológicas neutras e familiares, ou questões do quotidiano, que me serve.
Mas isto da teimosia tem muito que se lhe diga, lá isso tem, é que às vezes parece que dizem, nasce com as gentes, até mesmo nas mais “piquenas” acções de bebé em forma de uma, na minha opinião, mal interpretada teimosia! Veja-se só que no outro dia fui alertada para o facto de a minha filha, agora com 12 meses, ser muito “teimosinha”… quando ao participar numa popular troca e exercício de rouba de chuchas entre bebés da salinha dela, trouxe um deles de rastos, só porque a chucha insistia em continuar presa ao fatinho do outro… “Pobre alma teimosinha”… ou será mesmo determinação?! É que neste caso não há razão que lhe valha, porque para ela… o objectivo foi cumprido, as perdas e danos não os sabe ainda avaliar.
Nos adultos, a determinação, não pode ser confundida com a teimosia, porque a teimosia começa, quando a razão nos deixa… daí que eu diga, que escrevo por teimosia e não por determinação… não há razão que me valha nesta minha ardilosa tarefa… mas eu teimo! E teimo…
Ponto assente, claro está, esta minha teimosia não prejudica ninguém… não há-de trazer ninguém de rastos, barafustando contrariado… mas há teimosias que ferem e há teimosias que matam… e essas sim são aquelas víboras perigosas que eu gostava de evitar no meu caminho!
Na semana passada, num fórum de comentários a uma notícia de jornal publicada a respeito do caso “Sandra/Alexandra – A menina Russa”, alguém insistia em fazer prevalecer a sua ideia em detrimento da ideia de todos os outros, mas a troca de argumentos era tal, que da razão se passou para o insulto num ápice e é desta teimosia que eu tenho medo… da teimosia besta, que não nos permite ouvir os outros, dar-lhes até alguma razão em parte e enriquecer o nosso leque de possibilidades através do intercâmbio de ideias, vivências e experiências… ou então, não aceitando de todo a opinião dos outros nos leve a uma motivação de prova e comprovação de factos em jeito de arremate final e “touché”!
Já dizia o outro “ Taras e Manias, você vem p’ra mim…”, ao que eu acrescento, “mas deixe lá de lado, essas teimosias sem fim!”. – É como a minha mãe sempre disse: Pior burro é aquele que não quer aprender!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Trojans, Worms, Virus, Spyware e bichezas informáticas...

Tem piada… só quando estas coisas nos acontecem é que nós vemos o quão dependente somos destas nossas novas “bengalas”.
Acordamos de manhã um dia… e se elas nos falham, andamos a mancar por ele fora!

Neste caso específico, refiro-me ao computador e à Internet… mas poderia referir-me a mais mil coisas e coisinhas a que recorro no meu dia-a-dia, com as quais criei uma relação de dependência tal, que dou por mim a pensar, que não seria já capaz de viver sem elas! Os meus “sine qua non” em forma de coisas: computador, telemóvel, máquina digital, máquina de lavar loiça, máquina de lavar roupa, tv cabo, gps, ipods, não podes, mp3s e cds!

Então foi assim, que esta semana, pela fresquinha, logo no começozinho dela, me deparo com uma infestação de worms e trojans no disco do meu computador, amigo de historinhas e croniquices 1000, que me reduzem a velocidade de 1000/h, para uma travagem brusca de 0! Nicles, Patavina… Rien de rien! O que fazer, Meu Deus… levantei as mãos ao Céu e acendi uma velinha aos anjinhos dos pseudo-escritores em forma de bloggers! Mas, o que fazer?! Estava tudo parado e de que forma… É que não abriam janelas, não corria anti-virus, não mudava o pirosérrimo aviso de spyware, que se me auto-instalou no fundo do ecrã… estava assim… impotente, reduzida a cliques de puro desespero, afundados numa ausência de resposta informática.
Assim, lá vou eu, cautelosa, em passos lentos e modo de segurança, (literal e não literalmente, entenda-se…) tentar sacar os bichinhos do meu disco duro, file, a file… busca bobby busca, com uma pequena ajuda do “Guia de PC's para Totós”, em forma do informático lá da empresa. E é assim, que hoje, lá estamos nós, no final da semana e já com um lento, mas por enquanto eficaz acesso à internet, ficheiros e programas!
Mas (e como não poderia deixar de ser) tudo isto me levou a reflectir acerca da dependência que nós criamos de coisas tão passíveis de “falência” como são os computadores e os gadgets a esta nossa nova Era associados… andar sem telemóvel, nem pensar! Cristo, Credo, Jesus Maria José… que mais me valia andar nua por essas ruas fora do que sem tal apetrecho! É que no maldito dia, em que calhamos de ficar “descarregados”, é o único dia em que tudo nos liga com assuntos urgentes, inadiáveis e para ontem! Estou certa que já passaram por isso…
Está bem… bem sei, que estes nossos novos “andarilhos” nos ajudam e muito, por estas caminhadas duras e modernas do Século XXI, mas já diziam os budistas, que só através do desapego às coisas materiais somos livres de verdade. Hoje, facilmente, com a ajuda do telemóvel, internet, gps e blablablas se controlam os passos e movimentos de quem quer que seja!
Não me entendam mal, pois segundo esta filosofia de vida… pessoa mais presa que eu não existirá com certeza, mas será que não devíamos tentar evitar o uso destes acessórios enquanto dependência e passar a usá-los enquanto… bens que servem os nossos interesses?! É que presos como eu há p’rái carradas, resmas, monelhos deles! Alguns bem mais escravizados do que eu, para quem o fim normal de um desgastado PC ou telelé significariam uma verdadeira catástrofe tecnológica!
Chamem-me Dinossauro, Homo Senilius ou o que vos valha, mas já tenho saudades de ver as mães lá do prédio nas janelas a berrar cá para baixo, chamando os filhos para jantar em altos berros e grandes ganas, em vez de ver os miúdos agarrados ao telemóvel de última geração a mandar sms’s e a escrever “tax cota. Xa to a ir!”… É que já toda a gente sabia, que quando a nossa mãe chamava a primeira vez, eram mais dez minutos de jogos, quando chamava a segunda, já só nos restavam cinco e quando ela gritava o primeiro e segundo nome era dar corda aos vitorinos e “pernas para que nos valem” se não queríamos arriscar chegar a casa e levar uma conversinha amena com o pai em forma de puxão de orelhas e sacudidela do género: “Não ouviste a tua mãe?!”. Ah! Bons velhos tempos… agora, nem as professoras mandam recados para assinar, pelo encarregado de educação… permitindo-nos exprimir a nossa criatividade em forma de artes abstractas, na nossa melhor tentativa de assinatura da mesma! Não! Mandam emails! Pfff… Já estou a ver a minha filha, a tentar por todos os Noddys deste mundo descobrir a palavra passe do meu mail, para apagar aquele comunicado da falta às aulas de Suas Excelentes Rebeldias! Ao menos aí demonstrava engenho… Clap, Clap, Clap em antecedência para ela… quanto a mim, restam-me alguns anos para inventar uma, de que não me esqueça e ela não descubra! Valha-lhe um vírus nessas alturas...

Pelo sim pelo não, a partir de agora e depois de semelhante susto, vou passar a desamar o meu computador e gostar apenas dele, assim como quem usa e abusa, sem deixar remorso! Juro não mais suspirar por aquele Samsung lindo e cheio de pi-pi-pis que brilha na montra da TMN ao lado do seu monstruoso preço! E prometo que vou tentar não ignorar os avisos de cookies indigestos a cair na barriga do disco do meu pczinho…. sniff, sniff!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Uma questão de gosto...


São três da tarde nos Açores e acabei de passar o chão do escritório a pano. Antes disso, varri-o e arrumei uma série de caixas com material para entrega a clientes, que por estarem à uma data de dias no mesmo sítio, estavam a começar a ganhar um certo pó e aspecto “rebelde”! Não foi por gosto que o fiz, não é por gosto, que me levanto todos os dias da cama, cedo, realizando todas as tarefas, que me competem e tentando aproveitar as horas da melhor forma, para que não sinta o dia a passar.
Não é por uma questão de gosto, que me encontro neste momento a desempenhar as funções, que me competem, mas sim, pela consciência de que na impossibilidade de fazer ou realizar as funções, que realizaria por gosto e com gosto, isto, é aquilo, que me dá sustento e alguma independência monetária!
Não foi por isso com estranheza, que este fim-de-semana, em conversa com algumas individualidades, com bem mais “importância” social e etária do que eu, me deparo com o seguinte espanto da mesa a um arremate meu…
“ e gosto…” disse eu! “… sem gosto não lhe saíam tão bem…”!
Isto, a respeito do trabalho de uma senhora, que para além de Engenheira Agrónoma, desempenha a maravilhosa função de fazer bolos para fora, bolos esses, que só vistos e provados de tão lindos, originais e saborosíssimos que são. E no meio de tanto elogio, alguém comentava: “Ah, porque para isso essencialmente é preciso ter jeito…”, ao que se seguia outro: “ jeito e tempo”… sim e mais mil e tal competências, enumeradas no decorrer da conversa, durante a qual apenas a minha exclamação dissilábica levantou um silêncio de admiração e surpresa… GOSTO! Como se ninguém se lembrasse sequer de que isso pudesse ainda existir!
Mas será assim tão difícil de acreditar, que nos dias que correm ainda alguém trabalhe por gosto?! Bem, ao que parece naquela mesa ninguém se lembrou desse pequeno pormenor… à semelhança daquilo que acontece na maior parte dos nossos dias… é que numa altura de “crise crítica” como aquela em que vivemos é de levantar as mãos ao céu, a agradecer um trabalho, ainda mais um emprego, mas deixem-me que vos diga… que quem desempenha a sua função actualmente e com gosto ou por gosto, deveria colocar uma velinha a todos os santinhos, insulares e continentais!
É pena, que as nossas preferências e “gosto” se façam ver em tantas vertentes do nosso quotidiano, por vezes até nas coisas mais triviais, como a escolha de uns sapatos, carro ou móvel e não se verifiquem, na generalidade das vezes, naquilo que eu considero essencial na vida de um indivíduo: a sua realização profissional, o seu “métier”!
Isto porque, se pensarmos na maior parte dos profissionais, que desempenham funções actualmente, em quadros de empresas, públicas ou privadas, poucos serão, aqueles que as realizando, as façam com gosto, ou por gosto! E isso pode sentir-se na forma como muitas vezes os lemos como “maus profissionais”, “incompetentes” ou mesmo “antipáticos”. Não quero com isto dizer, que todos que realizem as suas funções sem ser por gosto, não possam ter empenho e brio na realização das mesmas, de forma tão competente, simpática e profissional, que por vezes nem se denote sequer essa falta de gosto tão óbvia… ainda assim acredito, e baseando-me na minha experiência pedagógica de aprendizagem e ensino, que a falta de gosto é amiga da falta de motivação, que por sua vez são inimigas do sucesso e da competência! Apenas espíritos fortes resistem a inimizades tais!
Bem sei, que mesmo se tendo o seu “emprego de sonho” nem tudo são rosas, mas como diz a sabedoria popular… “quem corre por gosto não cansa!” e embora por vezes se pare para carregar baterias… o essencial é que não se desiste de correr! Nunca!
Eu ainda não desisti de correr atrás do meu “emprego de sonho”, qual louca apaixonada, esperando o seu “Príncipe Encantado”, o seu verdadeiro amor em forma de sapo ou sapato… e se por vezes me canso… venho até aqui e escrevo… “porque quem escreve por gosto não cansa”! Espero que quem o leia, também não! E é por uma questão de gosto, que hoje aqui deixo esta minha reflexão de início de semana, para que não se esqueçam de preservar o gosto, ainda que seja em parte, de tudo aquilo que fazem!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Quizzei-me toda!


Bem… DE RIR! Acabo a semana com a moral em cima, de tanto me rir, mas mesmo até às lágrimas com uma série de testes espanhóis à minha personalidade que acabo de fazer online no FaceBook…

Vou contar-vos como tudo aconteceu… Estava eu na minha vidinha, a pôr a caixa de emails em dia e no mínimo 5 amigas me mandam um convite para me ligar no FaceBook, para trocar fotos, matar saudades e perlimpimpim… resumindo e concluindo, e porque já estava farta de apagar os emails com os convites, lá resolvi eu, céptica mas voluntariosa, criar o meu perfil no dito site!

Diga-se de passagem, que aquela história até nem é complicada, mas para quem se habituou ao “ram-ram” do Hi5, até tem que se lhe diga… Ora eis senão que… dou por mim a descobrir amigos do tempo de Erasmus, muitas delas casadinhas e com filhos, e outros sempre iguais a si mesmos! Mas é que me calhou mesmo bem, nem imaginam, porque me subiu a moral de uma forma, muito mais eficaz do que com o Guronzan!

Continuando… Estava eu então a descobrir as potencialidades do meu novo programinha de eleição e vejo o perfil de uma amiga espanhola, daquelas de quem matei as saudades de morte, porque é como família para mim, e eis senão quê… vejo o resultado de um teste de quizz, que ela fez, que lhe dizia, que se ela fosse uma personagem histórica era o Ghandi! MATEI-ME A RIR… mas vocês lá imaginam o Ghandi a apanhar a bebedeira da vida dele, numa disco do sul da Alemanha, com o brilhante nome de “DASDA” e a sair de lá de rastos até à bicicleta, para percorrer 5 kms na neve, às 4 horas da manhã e comer croissants quentes no fabrico da confeitaria local?! Pois… eu também não… mas este Ghandi espanhol no feminino, fez tudo isso e na companhia aqui da “je”, que em melhor estado que o farrapinho do Pseudo-Ghandi, ainda assim também não merecia a beatificação!
E muito bem, claro está, qual interesse pueril e curiosidade fatal, lá trato eu de me dedicar também à resposta de uns quantos “quizzezitos”. Pois muito bem, e porque quero partilhar convosco, não só as minhas angústias e tristezas, aqui estão os motivos das minhas gargalhadas de hoje…

Quizzei-me toda e os resultados foram:

Se fosse uma personagem histórica seria… FREUD! Pois é, pasmem-se lá… mas isto piora, esperem só!

Se fosse uma frase de cinema seria… “WE WILL ALWAYS HAVE PARIS”, do filme Casablanca, mas esta já eu sabia…

Se fosse uma frase do Homer Simpson seria: “Normalmente não rezo, mas se estás aí, por favor, Salva-me SUPER HOMEM!”, esta também era previsível… não fosse eu loira até ao tutano…

Se eu fosse uma palavra era... “Enamorada”, enfim embora o meu coração esteja em baixo da cabeça, parece que lhe ganha sempre aos pontos, mas esta também não surpreende assim tanto!

Como são os meus beijos…. “doces”, bem, não sei bem o que isso quererá dizer, mas estão a ver, que a partir daqui já estava por tudo… Venha o próximo!

Que coisas absurdas gosto e que nem sabia... “contar gotas de chuva numa vidraça”! CLARO como água! Ó ‘messa! Estou-me mesmo a ver a fazer isso, preferia contar os pelos das pernas… Next!

Qual a figura de Hollywood com que mais me pareço… (e por este resultado agradeço a todos os santinhos mentirosos e enganadores…) Nicole Kidman. Tomem lá que esta é de borla… mas porquê?! Perguntam vocês?! Ora aqui vai a explicação no falar de nuestros hermanos, segundo eles: “eres Elegante y distinguida. eres presumida, te gusta maquillarte. eres atractiva, tu estilo es sencillo y elegante. eres timida pero cuando rompes el hielo no hay quien te pare. eres simpatica, abierta a nuevas amistades i eres muy enamoradiza. te gusta mirarte en el espejo, i te gusta cuidarte. tambien eres luchadora i llegaras lejos en la vida. eres trabajadora, inteligente y astuta. sigue asi que llegaras muy muy muy lejos!” – Ora, que dizer?! CONCORDO! Só não sou tão plástica… nem tão pálida… Graças a Deus, mas gostei… e tudo estava bem até…

E guardei o melhor para o fim… então não é, que andei eu anos na Faculdade, entre Licenciaturas e Pós-Graduações, a perder tempo a encher a cabeça dos meus pobres pupilos, com sabedorias de treta, quando a minha verdadeira vocação é ser… CAMIONISTA! Pois muito bem, meus amigos, preparem-se para a minha partida… embarcarei em breve na minha maior aventura… MAKTUB! E agora percebi a história do “llegaras muy, muy, my lejos”, que de Espanha, “nem bons ventos, nem bons casamentos”… Com esta já me tramaram! Do estilo… Escreves tão bem, mas tão bem, que servias era para conduzir um camião! Mas como dou sempre a volta por cima, até já sei qual a frase ideal para o meu camião: SÓ EU SEI PORQUE SOU CAMIONISTA! Não fazia um brilharete?! Ora digam lá!
Bom Fim-de-Semana Queridos! :)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Recordações (de) amigas...


Olha só p’ra nós, onde estávamos à coisa de um anito atrás…

Porque recordar é viver, hoje apeteceu-me “viver” as minhas belas amigas, que tão carinhosamente se juntaram há um ano atrás, para me inundarem a casa e conhecerem o meu rebentinho! Que saudades vossas amigas… das nossas gargalhadas, brincadeiras, conversas, desabafos e “tonterias”!
Porque uma amizade como a nossa, é prova de que nem todas as mulheres se odeiam de morte umas às outras e porque vale a pena recordar todos os momentos bons e maus do nosso percurso. Algumas amigas de faculdade, outras ainda amigas de escola, mas todas amigas de coração!
A J., finalmente Mestre e vivendo o seu perpétuo e sereno amor de pedra e cal com o P.
A D., sempre igual a sim mesma, fiel amiga, dedicada e calada, mas sempre presença activa, qual militar batendo continência ao amor que a une ao nosso também grande amigo Q..
A N., perdida no balanço das terras bifas e viagens aos continentes americanos e africano, levada em palavras de literaturas femininas, sempre apaixonada amiga e divertida.
A A., a determinação em pessoa, que em Angola vive o seu casamento feliz, e nós aguardando notícias do bebé mais caliente que se seguirá.
E por fim, a S., a minha eterna companheira de combate aos “moinhos”, qual Sancho Pança e D. Quixote.
Só lá faltaram mesmo as companheiras de carteira, turma e escola:
X., que se rendeu aos encantos da noite diurna de uma longínqua Finlândia e aos braços de um nativo, prova de que a nossa alma gémea pode estar nos lugares mais estranhos….
E a M., amiga devota e querida mãe de um afilhado mais querido ainda, que morro de pena de não ver crescer.

Tenho saudades das nossas conversas amenas, acesas e das completamente incendiadas e das nossas noites de festa e farra com confidências e desabafos à mistura! Vocês que muitas vezes funcionaram como escape para a minha “panela de pressão” merecem todo o bem do Mundo!
Este texto é para vocês, porque acredito que as homenagens deveriam ser feitas em vida e não quando já não sabemos se nos ouvem ou não!
A distância não apaga os passos por nós dados em conjunto, que recordo com carinho, sempre! Estou aqui para o que der e vier, só queria que soubessem disso!

Paternalismos


Que a nossa Sociedade anda meia às avessas, que se rege por princípios, sem princípios e morais amorais, já todos nós sabemos. Mas ainda me choca a forma, como nós adultos conscientes, agimos e actuamos em relação às nossas crianças no nosso País. Pois se há valor, que penso que ainda se respeitaria neste País era o valor da Criança. Casos como o da Esmeralda, Joana e da Menina Russa, metido tudo no mesmo saco, bem apertado e espremido acaba tudo por demonstrar uma e apenas uma coisa: a falta de respeito que se demonstra neste País pelo direito das Crianças a ser amadas, ser felizes e ter um lar!
Nós adultos, perdendo-nos em meandros de explicações terminológicas, mais ao menos teatrais sobre os nomes, que nos dão: pais biológicos, pais afectivos, pais adoptivos ou pais de acolhimento, acabamos por nos esquecer daquilo que realmente interessa… os nossos filhos!
E quando falo em nossos filhos, falo em todas as crianças que passando sob a nossa égide de adultos, maiores de idade e emancipados, temos por obrigação de cuidar e educar. Falo de crianças que vamos trazendo a este mundo e que nunca pediram para nascer!
Aquilo que não devemos esquecer é que, pai é quem ama, quem se esforça, quem se mata por amor, ao invés de matar sem ele. As crueldade infligidas, diariamente em crianças inocentes e que nada mais pediram do que um colo e alimento, escandaliza-me e leva-me aos píncaros da raiva! Não aceito que em pleno século XXI se cometam atrocidades em nome do amor de pai/mãe a crianças, hoje menores, mas amanhã maiores, pejados de traumas e malformações socio-familiares, que para sempre condicionarão as suas personalidades enquanto adultos activos e presentes na nossa Sociedade!
Criam-se crianças e não se educam, não se lhes ensina o valor do amor ou da vida e o que estamos nós à espera?! Que amanhã todas se transformem em adultos exemplares?!
Meus Senhores, vamos lá ver, aqueles que pensam em amanhã ainda cá andar, como eu, que tenho por objectivo definido morrer em forma de cadáver bem velhinho e feio, mas carregado de experiência, pensem bem se querem a empurrar as vossas cadeirinhas de rodas estas crianças traumatizadas, mal amadas e fatalizadas pelos nossos erros jurídicos ou más decisões de percurso de Pais de título, mas não de afecto.
Ponham a mão nas vossas consciências, como eu estou a tentar pôr na minha e façam-me o favor de fazer felizes os vossos filhos. Nem sempre o nosso interesse e felicidade deve vir em primeiro lugar… isso sim, é saber ser Pai!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A Cabine


Não sei bem o que me levou a vir para este País… não sei bem como me ocorreu deixar o meu sítio de nascimento, coração e família para tentar a sorte num País alheio, em tudo tão diferente do meu, começando nos costumes e levando-me em pontapés na gramática de uma das línguas mais complicadas que já ouvi falar!
Estamos em Outubro e até hoje a temperatura neste País me continua a agradar. Não tem o frio gelado e branco do Inverno Russo, mas tem chuvas e ventos frios de gentes caladas e desconfiadas, que me olham sub-repticiamente num misto de desconfiança e pena sempre que lhes passo ao lado carregando em mãos mais uma filha que a vida me deu.
Natasha. Escolhi-lhe esse nome, porque a minha filha mais velha, que deixei na Rússia com a minha mãe, tinha uma boneca com a qual dormia e que apelidou de Tasha. Esta nossa “nova boneca”, a minha Erika, a mais velha, ainda não conheceu… mas vai conhecer um dia! Espero! Hoje tive leite para lhe dar, mas amanhã não sei como será… desde que nasceu temos dormido num casebre para os lados da Bela Vista, mas como o tecto é de papelão, em noites de chuva corro em braços com ela para fazer da cabine mais próxima um lar para nos acolher.
A Natasha dorme. É linda e loira como a irmã e ao afagar-lhe os cabelos, acaricio as duas! Hoje vai chover… antecipo as pingas pelo tom acinzentado que começa a cobrir os céus lusos e recolhendo uma pequena trouxa de roupas e coisinhas nossas de haver e ter, corro para a cabine familiar. A minha filha tem medo da chuva e chora assustada quando os céus rebentam! Queria tanto um lar para lhe dar! Queria um marido melhor também e não um, que nos vendo em dificuldades tenha proposto vender a nossa filha! “Ainda nem a conheces”, dizia ele para me convencer… “Vendemo-la agora que é bebé e pagam mais… e assim também não lhe ganhas carinho!”. Fugi, lembrei-me agora o porquê de estar sozinha nesta cabine telefónica e parece-me tão melhor agora! Canto-lhe em russo uma musiquinha de embalar e quero imaginar que tenho moedas no bolso e ligo para a Rússia ficando a cantar para a Erika e para a minha mãe também. No outro dia, numa das casas onde por vezes faço horas, uma das poucas, que me aceita a trabalhar com a bebé, vi de relance na televisão uma Rússia, que em nada me lembra já a minha… “Nazdarovia”, dizia a Senhora da casa, recostada no sofá, enchendo-se de bolachas de chocolate e lamentando-se das varizes nas pernas, que não acusa nas tardes de compras e chazinhos de Sintra.”Nazdrovia”, corrigi eu, sem ela se aperceber e sorri, porque mesmo ignorando o significado da palavra, a senhora acaba de me desejar Saúde!
Os dias vão passando e as minhas tarefas ocupam-me o tempo, concentrada apenas na ideia de ter o suficiente para mandar para casa, fugir ao meu marido e ter um sítio para dormir com telhado em lata ou telha, para não ter que voltar a dormir na cabine, naquele aquário de comunicação interdita, que nos torna espelho da miséria aos olhos do mundo e alvo dos olhares de soslaio de quem não quer saber, ou querendo nada faz.
Hoje estou nostálgica… tenho saudades de casa e do meu idioma. E talvez por isso tenha aceite o convite de uns amigos russos, que também estão cá, e que prometendo ajudar-me com a bebé e dar-me esta noite um prato de comida quente, me levaram a aceitar algo que não é bem aceite no meu País, “a esmola”. Ao chegar todos nos recebem na nossa língua materna! Fiquei feliz. Conto-lhes a minha situação, mas a única sugestão é… entregar a minha filha para um casal de patrões criar. Nego. Não a vendi, não a vou entregar! Explicam-me que seria temporário, só para poder trabalhar e ganhar mais dinheiro, mas saio pela porta a correr! Não cheguei sequer a provar a sopa quente que tinham preparado para o jantar!
A fome aguento-a bem, desde que a menina tenha que comer. Da Erika, a minha mãe trata, da Natasha tratarei eu.
Passou mais um ano e a minha menina, agora quase com dois, fica doente. Em mais uma das muitas noites na nossa cabine coloco-lhe a mão na testa e vejo que está a ferver. O meu coração aperta e procura nas ruas algum olhar de quem me possa ajudar! Não posso procurar a senhora para quem trabalho, não a quero transtornar, não vá ela despedir-me para não ter que me aturar! Ninguém gosta de viver dramas pelos outros, que nos poderão fazer acordar para a nossa própria condição humana. Lembro-me dos meus amigos, dos seus conselhos, dos seus patrões e prometo a nós as duas, que amanhã a entregarei para que a tratem bem. Será temporário, prometo. Esta noite, deixo-me acolher nesta nossa cabine, mais uma vez, talvez na última noite em que será nosso porto de abrigo. Canto-lhe a canção de embalar e esqueço por momentos a febre e a tosse, o nariz a pingar e o meu coração que chora!

As "sem-Razões"...


“Deixa a Vida me levar, Vida leva eu…”, porque comecei a semana assim. Em mood de relax total harmonia e serenidade. Uma paz imensa perturbada apenas por uma ligeira neura de origem desconhecida, que me perturba até ao meu mais fundo e íntimo sentimento e me leva a encarar a vida com um misto de tranquilidade e apatia que não me deixam reagir!
E muitas vezes é mesmo assim, esta neurinha “de domingo” chega sem avisar, mesmo a meio da semana para nos fazer lembrar de que é a vida que nos leva e não nós que levamos a vida!
Porque chega um dia que nos troca as voltas e nos faz encarar a Vida como móbil e não móvel. E é assim, que numa quarta-feira, mais uma, de trabalho e felicidade em tudo igual a todas as outras eu deixo a vida “me levar”…
Não há pior do que quem se queixa de “barriga cheia”, até mesmo para o próprio queixoso, que na maior parte das vezes nem percebe muito bem do que se queixa exactamente! Mas “há razões que a própria razão desconhece” e é assim que me encontro hoje, em plena tempestade de harmoniosa neura, lavada por uma revolta de a não entender e deixando-me levar pela vida!

Ainda assim e sem inspiração, escrevi estas palavras, para justificar a minha ausência e a falta temporária de móbil para a minha móvel escrita!

A quem veio procurar textos inspirados e reflectidos deixo um samba de leveza, porque mais nada lhes posso hoje deixar…

“Vida Leva eu…”

sexta-feira, 15 de maio de 2009

À Rasquinha para deixar de ser Rasca…


Olá! Lembram-se de nós?! A Geração Rasca?!
Ora, pois muito bem, ainda aqui anda mais um espécimen perdido em lutas de sobrevivência do dia-a-dia, e à rasquinha para deixar de ser Rasca!
Mas será que não bastou passarmos toda uma adolescência, com o Cognome escrito na testa, descredibilizados e apupados pela nossa mentalidade “fútil”, de grunge de pátio da escola, com charrinhos e gazetas à mistura, mesmo para quem nem os fumava, nem as fazia!?
Foi tão triste sermos julgados, só porque a “onda” na altura era um Kurt Cobain, atordoado, um Axel em calções de ganga xs e camisa de flanela, um toque de nostalgia e depressão ao som de The Smashing Pumpkins, Alice in Chains e Silverchair!
Para quem, como eu, já não se lembrava ou nem sequer chegou nunca a saber, a origem desse nosso mui nobre título, devo aqui anunciar, que todo o mérito se deve ao Exmo. Senhor Vicente Jorge Silva, actualmente colaborador do jornal Sol e que em 1994, director do Público nos dedica todo um editorial, aquando das revoltas estudantis, entre outras coisas contra o aumento das propinas. Os estudantes do universitário, secundário e não só, juntaram-se então para dizer: “Ó Leite Estás a Azedar!”. Ainda me lembro, de ter participado na célebre manif, na altura ainda manifestação, de cartaz em riste, 14 anos ao rubro e plenamente convicta de que iríamos conseguir levar a nossa avante! A Rua 31 de Janeiro cheia de estudantes como eu e um universitário que nos saudou, dizendo: “É assim mesmo, porque esta luta também é vossa, afinal de contas amanhã são vocês a pagar!”. E voilá! Lá nos rasquizamos todos e as propinas subiram na mesma e toda a minha turma deixou de acreditar que a sua opinião, valia de facto alguma coisa!
Não sei se se lembram, mas foi também nessa altura, em Lisboa, que alguém se lembrou de mostrar o real traseiro, a modos que… em jeito de falta de palavras, toma lá disto! Rasquíssmo acto, de resto… nada como as agressões diárias no parlamento e faltas de respeito das nossas classes dirigentes! Que se me dessem a escolher: lixarem-me o dinheiro em descontos para a Segurança Social e afins, ou mostrarem-me o rabiosque… eu sempre preferia satisfazer a curiosidade e ver de que cor seriam eles feitos na verdade!
Mas é karma, só pode… porque de geração rasca, passamos a geração à rasca! Em muitos casos, à Rasquinha…para nos aguentarmos num dia a dia, de canudo na mão, com a consciência dos milhares pagos em propinas, que tanto jeito nos fariam agora, em que os míseros ordenados de 500 Euros, que recebemos como balconistas, administrativos, empregados de mesa e outros, mal nos chegam para pagar as despesas fixas, quanto mais para pagar propinas aos nossos filhos!
À rasquinha andamos nós agora, à espera de crédito e oportunidades, para vivermos uma vida independente e condigna. À rasquinha para que nos reconheçam mérito e capacidades e nos paguem de acordo com o nosso real valor… e depois… depois o que é que se nos dá para fazer?! Para que mais uma vez nos ouçam?! Pois muito bem, criamos blogs! Afinal de contas, aqui quem manda somos nós próprios, escrevemos o que nos dá na real gana e quem quiser ler, lê!
Acho que aquilo que de Rasca permanecerá para sempre em nós é só mesmo um afaz desejo de ser ouvidos e fazer valorizar aquilo que acreditamos ser nosso de direito: um ensino mais justo e para os nossos filhos e pessoas uma VoZ, numa Democracia, que afinal de contas deve ser de todos! Não vos mostro o rabiosque, mas mostro-vos aqui as cores de que sou feita… verde esperança e revolta, de nos definirem os actos, condicionarem a vida e não nos deixarem nunca mais viver, sem ser à rasca!
Quem me dera conseguir de novo moralizar toda a minha “Geração Rasca” e voltar para as ruas a gritar: “Não pagamos, não pagamos…” não pagamos os descontos da Segurança Social, que de nada me servem ou servirão, não pagamos o dobro pelos combustíveis, não pagamos a vossa falta de competência, não pagamos as taxas e impostos ridiculamente altos, que nos andam a impor, não pagamos o exagero das taxas de juro aos bancos, nem os créditos de habitação descontrolados, não pagamos o facto de o País estar em crise e não ser dirigido pela nossa Geração!
Diz um velho provérbio, que “a necessidade aguça o engenho”… pois o que pensam vocês?!… Eu entendo que, o nosso já deve estar aguçado ao máximo! Deixem-nos ter lugar em cargos de responsabilidade, dêem-nos oportunidade de mostrar aquilo que os “Rascas” sabem fazer… Eu cá, pagava p’ra ver!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Debaixo do mesmo sol...


Se há sonoridade que me faz vibrar são mesmo os sons dos batuques, sítaras, bambulecos, kalachakras e dijiridus. Hoje de manhã, despertei ao som da música de um dos meus grupos favoritos de todos os tempos… quem me conhece já adivinhou! A música levou-me até a um maravilhoso concerto na Cratera das Sete Cidades, onde a páginas tantas desata a chover, como só nos Açores… o vocalista diz então: “We are all under the Sun” e começa a música… magia ou não, efeito de sugestão ou pura coincidência pára de chover e a noite presenteia-nos com uma brilhante lua cheia e um luar limpo e sereno.

Ainda no balanço dessa música saio de casa, mesmo a tempo para ouvir uma conversa de elevador de alguém que dizia: “Mas isto só me acontece a mim!?”
Não sei se teve resposta, não conheço o contexto, que despoletou aquela pergunta indignada, e porque estava entre o corredor e a porta de saída e atrasada, como sempre, continuei a minha caminhada!

Já no escritório, e sem razão aparente, lembrei-me daquela indignação?! E da quantidade de vezes em que teci exclamações do género ou ouvi alguém a fazer o mesmo… “Isto só pra mim!”. Motivadas pelas mais variadas razões e nos mais distintos contextos.
Lembro-me de uma ocasião… daquelas manhãs que correm tão mal, mas tão mal… em que só nos lembramos, que não devíamos ter saído da cama, em que lavada em lágrimas me lamentei entre soluços e fluídos, “Isto só me acontece a mim”… ao que uma voz da sabedoria respondeu: “Não, isso acontece a muita gente, mas agora és tu quem está a senti-lo!”.

E é verdade… o que me leva de volta à canção do meu despertar, que nem vozinha do subconsciente me recorda: que nós estamos todos debaixo do mesmo sol!
A verdade é essa e só essa…e é pena que perdidos nos nossos próprias dramas, dilemas e “vidinhas”, não sejamos capazes de entender, que todos somos iguais… todos partilhamos um mesmo sol, lua e planeta! No fundo, todos humanos, com o mesmo género de preocupações e dilemas, quer tenhamos uma casa de luxo, quer um grande amor e uma cabana!

Lembro-me de muitas vezes dar por mim a pensar que deveria ser a única pessoa com problemas nas relações, dúvidas e inseguranças… e quanto mais me enterrava nesse meu “EU – Problema”, mais me isolava, quando no fundo… a minha solidão e isolamento momentâneo não eram mais do que voluntários!

Tenho uma amiga “piquena”, que no alto dos seus 18 anos acha que está a viver o maior drama da sua vida, sentindo-se sozinha, totalmente isolada e com vontade de desistir… tudo porque acabou com o namorado, com quem ela pensou passar o “resto da vida”… e haverá lá coisa mais dramática do que aos 18 anos achar que se vai passar o “resto da vida” com alguém, que se está a começar a conhecer sob o pretexto de umas curtes, tardes bem passadas e finais de aulas a trocar sms’s e a planear idas ao shopping ao fim-de-semana… Um Drama!

Já lhe tentei explicar, por A + B, que se ela não se der valor a ela própria, nunca ninguém a valorizará, porque a pessoa no mundo que mais a ama… é ela própria! A Auto-estima, a segurança, a consciência das nossas virtudes e defeitos são meio caminho andado para a nossa valorização aos olhos de alguém! Muitas vezes se cai no erro de se colocar o “outro”, antes do “eu”, quando se o “outro” existe na nossa vida é: porque “eu” o quero! Mas acho que só a idade nos traz destas sabedorias e as palavras não chegarão nunca para nos demover de aos 18 anos lutarmos pelo “amor da nossa Vida”, que na maior parte das vezes está completamente errado para nós e em casos raros, acaba por ser a pessoa com quem passamos efectivamente algum resto de vida.

“We are all under the Sun”, e apesar de ele por vezes se esconder em zonas micro - climáticas das nossas vidas, o Sol está sempre lá e regressa todos os dias depois de cada noite… basta querermos sair de casa para o ver!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A Nossa Casa...


Hoje, foi um daqueles raros dias em que me deram umas saudades mortais da nossa casinha…

Lembrei-me de como, enquanto ainda namorávamos, dizíamos em tom de brincadeira, que os quartos de hotel, ou residenciais por onde passávamos nas nossas feriazinhas e escapadelas, eram as “nossas casas”… “a nossa casa em Sintra”, “a nossa casa em Porto Covo”, “a nossa casa em Zeist”, “a nossa casa em Utreque”, “a nossa casa em Lisboa”, “a nossa casa em Veneza”, “a nossa casa na Póvoa do Lanhoso”, enfim… tivemos uma bela maquia delas e em todas deixámos as nossas pequenas recordações.

Mas, quando chegou a vez de termos a nossa própria casa, desta vez MESMO nossa, e quem sabe para sempre. Escolhemos o nosso pequeno apartamento, de janelas altas e espaços amplos… e depois, perdemo-nos na decoração da dita… e tu, tu perdeste a cabeça, medida e a conta com o número de vezes, que nos “enterramos” no IKEA. A “nossa casa IKEA”.

Os amigos foram dando umas peças, para acrescentar à decoração, nós colocámos as nossas próprias… as máscaras de Veneza, as velas da minha perdição e todas as fotos e recordações dos sítios, lembranças, pessoas queridas e amigos que guardámos. Depois veio a menina e foi a “febre” da decoração do seu quarto de bebé… os ursinhos, as tulipas, os véus, a caminha… o dilema dos tapetes!

Engraçado como nos prendemos a estes pequenos pormenores, recordando as nossas “esbutenadelas”, com tanto carinho como quem recorda um amigo ou alguém especial.

Tive saudades do porta-retratos digital, prenda de grandes amigos, conhecedores das minhas taras por fotografia e lembrei-me de o mandar trazer para cá… afinal de contas sempre daria para matar saudades de pessoas e sítios e lembrar com carinho o nosso caminho! Mas depois, achei melhor não! Não quero tirar nada da nossa casa! Porque assim tenho a ilusão de uma certeza, que acabaremos por voltar para lá. Não dá para perceber, eu sei!

No fundo a “nossa casa em S. Miguel”, também já é nossa e acabei por dar o meu “toque” e o vosso “cheirinho” a este nosso novo lar.

Não costumo ter saudades de coisas materiais, mas as coisas que fomos juntando, os nossos “tarecos e pechisbeques”, acabam por ser tanto de emotivo, como de material.

Acho que não se esquece nunca a compra da primeira casa e a aquisição de uma nova forma de independência. E agora, se me permitem, acho que me vou deixar continuar com estas minhas saudades mortais, afinal de contas, tenho direito a elas…

terça-feira, 12 de maio de 2009

Chocada!


Chocada.

A palavra exacta para descrever a forma como me sinto em relação a uma notícia, que acabei de ler. Notícia essa que ocupa o centro da primeira página do jornal de hoje, talvez o mais lido da ilha. “Homem confessa ter morto a esposa a martelo”, é o título.

Escandalizada e intrigada sobre as razões que poderiam levar alguém a matar outra pessoa, com quem já fora casado, de forma tão atroz e brutal, decidi partir para a leitura das páginas do artigo. Ao que parece, a razão/motivo para este “assassinato”, (sim, porque não é uma morte, não me lixem), foi o desejo de divórcio expresso pela “mulher”! (Sim, mulher, não me venham com eufemismos, em notícias do género, porque quem assassina desta forma alguém com quem é casado, não “mata a esposa”, mas sim “assassina uma mulher”!)

Pelos vistos, alegadamente tendo ido ao quarto em que dormia a mulher, para fazer as pazes (ao fim de oito meses a dormir em camas separadas), surpresa das surpresas, é confrontado com a revelação da mulher, que lhe comunica, que não só desejava divorciar-se dele, como já se tinha envolvido com outro homem. Ora, razão o bastante, para este assassino pegar num martelo de pedreiro, lhe esmagar a face e crânio, alegando ainda perante os filhos que ela “teve o que merecia” e mais tarde, perante a polícia, (depois de lhes abrir a porta e os ter convidado a “ver o que ele tinha feito”), que se esta “ainda não estivesse morta, ele trataria disso”! Perceberam o meu choque?! Não?! É que ainda há mais… ao que tudo indica o homem estava “calmo, como se não se tivesse passado nada” e em tribunal ainda pediu desculpas à família, dizendo que “ se pudesse voltar atrás, voltava”!

Não, não é por ser mais um crime, baseado em motivos supostamente passionais, nem sequer por ter sido uma mulher a vítima… mas pela crueldade na forma de matar e mais ainda na frieza dos comentários efectuados após o acto de assassinato cometido a uma pessoa com quem se esteve casado 19 anos, ao que tudo consta!

Choca-me, choca-me e deixem-me que vos diga, ainda bem que assim é… é sinal que nesta cabecita ainda há lugar para o respeito pela vida humana, pelas escolhas das outras pessoas e acima de tudo para uma crença, uma fé de que a humanidade não pode ser isto!
Não adianta nem sequer tentarem explicar a razão deste crime, ou de outros do género, por sinal, que justificação nenhuma me levará a ficar menos chocada!

Lamento, a perda da mãe de 2 filhos, de uma mulher, que teve a coragem de mudar o rumo da sua vida e de um ser humano, que como outro qualquer não merecia semelhante fim.
Para sempre na lembrança daquela filha, ficará um rosto desfeito de uma mãe gemendo, ensanguentada em seu leito e de um pai frio e cruel de martelo de pedreiro na mão, considerando que a justiça tinha sido feita, como se a justiça fosse algo ditado por vontades e desejos egoístas, sádicos e irracionais. Ou eu muito me engano ou estamos a precisar de novos conceitos para a justiça e o mérito neste País.

Meus Leitores desculpem, este momento menos colorido, mas não é olhando para o lado que estas coisas deixam de acontecer e este blog também é um lugar de liberdade, para pensamentos de revolta e indignação contra uma humanidade em falência, que traz o que de pior há no ser humano ao de cima, sob a capa de justificações virtuosas, em nome de um ego ferido e de um amor perdido.

Assistimos em primeira página ao anúncio do assassinato da Vida de uma mulher, e em simultâneo à confissão de Assassínio da Humanidade de um homem.
Os meus Pêsames aos dois, foi uma grande perda para ambos!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sem palavras...


... não há palavras para contar esta história, nem cronicar acerca do assunto.
A Mulher a 1000/h calou-se e parou para ver: os primeiros passos da filha!
:)

Pensem comigo, Vá Lá!!!


Mais um domingo… mais um filme domingueiro, que nos entra pelos olhos sem percebermos muito bem, nem como, nem porquê… mas desta vez, e nem sendo sequer muito fã do género dei por mim a ver, aos bocadinhos, aquele filme do Jack Black e da Gwyneth Paltrow, “Shallow Hal” ou “ O Amor é Cego”. Para quem já viu, dispensa apresentações e quem ainda não viu devia ver… para pensar e não apenas para se limitar a gargalhar, que sendo propício a isso, pode ir muito mais além…

“O Amor é Cego”, é certo e sabido… não estou aqui para contestar nenhuma velha máxima, conquistada e adquirida em séculos de Humanidade, mas até se amar… será que somos cegos?!
A minha dúvida é esta, se por um lado é dado adquirido, que quando se ama, muitos dos defeitos da pessoa amada são ignorados, por cegueira inconsciente ou voluntária, antes de amarmos essa pessoa não existe máxima alguma, que justifique a falta de visão! Ou haverá?!

Quando se conhece alguém será que somos forçados pelo destino a amar essa pessoa, para além dos seus defeitos físicos ou de carácter?! Ou será que escolhemos amar essa pessoa?! Será que a cegueira antes do amor entrar em cena é voluntária?! Consciente?! Ou é o que já tinha que ser!?
Num mundo, como o de hoje, a imagem é tudo… muitas vezes sobrevalorizada, a verdade é que a importância da imagem na nossa Sociedade actual condiciona oportunidades, comportamentos, opiniões… mas será que condiciona relações?!

Sei de vários amigos com opiniões bem formadas a respeito do “seu tipo” de mulheres, assim como tenho várias amigas que procuram apenas um “tipo” de homem. Mas será que a procura por este tipo é consciente?! Sentir-se-ão elas forçadas a procurar este “tipo”?! E se o destino lhes apresentar o Grande Amor da vida delas, num tipo com o “tipo” errado?! O que acontecerá!?

Voltando ao filme… o personagem masculino, possuidor de uma “superficialidade” extremada, procurava um e apenas um “tipo” de mulher, de características bem definidas, inibindo-o de ter sucesso com todas as outras mulheres e nas suas relações, pois não se permitia sequer conhecê-las de verdade! Não passava para além do aspecto das mesmas. Um dia, enfeitiçado por um “guru”, vê a beleza interna das pessoas reflectida na sua imagem e encontra o verdadeiro amor da sua vida, que vendo com 50Kgs, pesava só mais 100! No final, e não fosse isto Hollywood no seu melhor, tudo acaba em bem, ele desenfeitiçado, escolhe na mesma o amor daquela mulher “acima de peso” tanto em carácter como em figura!

Dei por mim a pensar se não seria bom estar sob um feitiço do género… para poder ver na imagem das pessoas o seu verdadeiro carácter reflectido… seria tão mais fácil! Mas a imagem é um embrulho, que muitas vezes super embelezado esconde “presentinhos” bem desagradáveis.
Não procuro a perfeição no meu carácter, que admito desde já não a possuir, de todo! Mas muitas vezes desejei ter ido para além do “embrulho” e ter percebido antes da abertura o conteúdo do “presente”!

Nevertheless, tudo está bem quando acaba bem e passinho a passinho se aprende a andar! Com quedas e hesitações pelo meio… mas desejava, se calhar em vão, que o mundo não fosse tão fútil e que nós fossemos mais humanos, no verdadeiro sentido da palavra.

Há uns anos atrás, lembro-me de ter visto pousados numa mesa uns currículos anotados, depois de umas entrevistas para um emprego, em que a anotação que mais me chocou foi mesmo: “gorda de mais e com cabelo oleoso”, em tudo o resto o currículo da pessoa em questão era o ideal. Podia ter sido uma colega fantástica, trabalhadora pontual, bem-disposta e eficiente, mas era "gorda de mais" e tinha "o cabelo oleoso"… requisito essencial de resto, de quem quer ser bom empregado: Nunca ser gordo, nem ter cabelo oleoso! "Preguiçoso… é desculpável", "mal-educado… é compreensível…" agora "cabelo oleoso"?! Valha-nos Deus e as divindades deste mundo e do próximo!

A verdade é que as Leis do Mercado a estas atrocidades obrigam, a mentalidade de uma sociedade vitimizada por uma Moda do Belo, um culto do Perfeito em imagens tratadas, artificiais e em nada correspondentes com a natureza do envelhecimento e a própria natureza do Ser Humano fazem de nós alvos fáceis em julgamentos precipitados e penalizadores. É pena… “Temos Pena!”, dizem eles, quando a pena sentida ao lado do pesar assenta.

Numa segunda-feira cinzenta, em que o Verão se faz esperar, deixei-me perder nestas filosofias… “Pensas Demais!”, dizem eles… talvez pense, mas não há pensar sem pesar e numa segunda-feira cinzenta, de ilha e de pouco sol não há peso que não se sinta, nem sentimento que não pese!