segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A Invisibilidade do Essencial e os Olhos do Coração...


Acabados de almoçar entrámos no café por baixo de nossa casa, como sempre populado de uma mescla de gentes, com uma mescla de idades! Dirigia-me ao balcão, tentando agarrar o carapuço da mais pequena, que sempre tenta escapar para se colocar ao sabor do vento da arca frigorífica ou perto das imagens dos morangos e chocolates que ela tanto gosta de apontar, quando de repente começam a passar as imagens do que se passava na Madeira. Parámos, ficamos de olhar fixo no ecrã preso lá no alto e no café, só se fez... silêncio.
Agarrei a mais pequena, controlei as lágrimas que teimavam em querer saltar cá para fora e deixei-me ficar ali, naqueles segundos presa àquelas imagens. Acho que ainda lá estou... ou então trago-as presas na retina! Naquele segundo senti, no meio daquelas pessoas todas aquilo que só um verdadeiro ilhéu sabe sentir: a noção da vulnerabilidade de se ser ilhéu, de viver num Paraíso, que só é nosso emprestado e não dado e que a Mãe Natureza vem reclamar quando e como quer, da forma que muito bem entender!
Dormi mal, dormi muito mal! Não consigo parar de pensar no vento que faz hoje por aqui e não consigo tirar da lembrança a voz de quem perdeu tudo numa noite em que nada o faria prever, numa noite como todas as outras, em que sossegados em casa foram invadidos pela força da água e pela violência de uma mãe, madrasta, chamada Natureza!
Nem de propósito no Sábado à noite fomos ver a peça do “Ano do Pensamento Mágico”, texto magnífico da Joan Didion, um relato na primeira pessoa de quão vulnerável é o laço que nos une a esta vida e a tudo o que tomámos por certo, pela voz e presença em palco da GRANDE e LINDA Eunice Muñoz! E mais uma vez a noção da nossa pequenez foi extrema!

"A Vida modifica-se rapidamente… A Vida muda num instante… Sentam-se para jantar e a vida como a conhecem acaba!”

É por isso, que hoje estou assim, pequenina do tamanho de uma ervilha. Vou até ali aconchegar-me no meu casulo e volto amanhã... talvez!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Hoje é dia de...


Dizem que saio mais a ele. Inventava histórias para me contar à noite, que eu até hoje não me canso de recordar: dois sapatos, um sapateiro, um mal cosido que abria a boca e só dizia asneira. Levava-me ao Palácio de Cristal, ao Zoo, à praia. Ensinou-me a nadar, a andar de bicicleta a jogar ao pião, a martelar e arranjar coisas em casa. Forrámos juntos o tecto do meu primeiro carro. Discutimos que nem cão e gato, mas mal um era atacado, logo o outro saía ferozmente em sua defesa. É o meu Pai, é o maior, o meu ídolo, o supra-sumo dos homens à face da terra. O meu Herói! E hoje está de Parabéns, faz 60 anos! E eu nem quero acreditar! Já tens tantos anos assim?! Não se nota nada! Só no feitio... Continua como és, sempre igual a ti mesmo e vê lá se tiras o pó à bengala que te demos... só assim, pelo sim, pelo não!

Vai correr tudo bem! Para mim continuas igual! Feliz 60 e olha... ou vai, ou rebenta!

PARABÉNS PAI!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Historinha, para ler... com tempo!


Em 25 anos de vida já tinha conhecido 3 grandes amores da sua vida, e no entanto, esta era uma alma agnóstica, descrente do amor, porque na verdade, nada sabia sobre ele.


Ninguém olharia para ela duas vezes, não fossem aquelas duas esmeraldas que trazia como olhos na cara e aquele cabelo longo, longo de mais, na opinião de seu pai e sua mãe, que lhe davam um ar de ninfa, mas de moça sem cuidado, de alguém, que aparentemente não se interessava por nada nem ninguém. Gostava de moda, gostava de arte, ouvia de tudo na música, mas do que ela gostava mesmo, aquilo de que ela era verdadeiramente fã, era da vida! Já em pequena sempre se demarcou dos demais por ser aventureira, destemida, irrequieta, que valeu uma série de sustos aos seus pais e uma série de histórias para contar para ela! Estava hoje no “rebound”, como ela própria lhe chamava, no recuperar de mais um final de mais uma história de amor da sua vida. Sentada no comboio, entre Roterdão e Schiphol, o cheiro a canela de um bolo do seu companheiro de viagem fê-la recordar do seu primeiro amor, do seu primeiro caso, do seu primeiro beijo... sim, porque não há “amor como o primeiro”, pensava ela...


Tinha 16 anos, não sabia nada da vida, não sabia nada de namorados e não gostava muito de si, nem do seu corpo, como qualquer rapariga de 16 anos, que se preze! Encontrou-o uma vez no campo do Vasco, perto da Batalha numa das poucas vezes que lá foi jogar basquete com os amigos. Ele não reparou nela, não tinha porquê reparar. A sua T-shirt branca larga, os seus City jeans apertados e All-Star rotas eram só mais um dos bilhetes “AFASTEM-SE DE MIM”, que ela trazia cravados na testa. Ainda assim, logo que o viu ela soube-o: estava de rastos, de quatro por ele, total e completamente apalermada. Iludida pela facilidade com que ele se ria e socializava deixou-se cair a um canto, batendo a bola vermelha baixinho e pensando nos dois, noutro tempo, noutra época. Fantasiar dava-lhe alento. Imaginou-se Princesa e ele Príncipe de mais um conto de fadas. Olhou-o com meiguice e ele atirou-lhe com uma bola à cara. Não foi de propósito. Foi acidental, mas foi o bastante para que os dois se vissem, com olhos de ver, com olhos de quem finalmente vê a pedra que estava ali no caminho e na qual iria ter que tropeçar, quer quisesse, quer não.
-Desculpa, não foi de propósito, estás bem.
- Sim. Sim. Tá ok. Tá tudo ok!
Saiu dali a correr, o mais rápido que pôde, antes que o vermelho todo que lhe carregou as bochechas quisesse sair delas e explodisse ali mesmo, pintando tudo e todos à sua volta naquele tom, de pudor.

Como ela se perdeu em sonhos, fantasias, Ele foi-lhe alimento de muitas noites. A lembrança daquele Príncipe que ela idealizou. Na primeira oportunidade que teve voltou ao Vasco e tentou que os seus amigos, aqueles que a conheciam bem, lhe dessem o máximo de informações sobre aquele Príncipe, mas sempre sem levantar suspeitas! Mas tudo falhou. É inevitável não levantar suspeitas numa idade em que tudo o que seja hormonal é de suspeitar e ao que queria parecer ninguém o conhecia. Mais lhe valia ir comer um rissol à Império e livrar-se daquelas perguntas parvas, que todos teimavam agora em lhe fazer.
-Opá, calem-se, já chega! Mariana, vou à Império, vens?!
- Sim.
Claro que sim, Mariana a sua “fiel escudeira” não a ia deixar ficar mal, não a ia deixar sozinha, num momento daqueles, principalmente agora, na iminência do interesse de Helena no seu primeiro rapaz!
- Acho-o interessante. Quer dizer achei, na altura, porque nunca mais o vi.
- Pois, tá bem, mas interessante tipo “fazia-me a ele”?! Ou interessante tipo “é giro e tal, mas não é para mim”?!
Riram-se as duas... com uma Coca-Cola na mão e depois de se esquivarem dos voos razios das pombas de Santa Catarina ambas saberiam a resposta. À saída da Zara, onde nunca compravam nada, por acharem muito “senhoril”, mas onde não perderam a oportunidade de experimentar tudo o que foi vestido comprido, decote escabroso e o primeiro blazer com o seu primeiro par de sapatos de tacão, deparam-se com Ele.
- Mariana, olha, olha... é ele...
Olharam as duas sem pudor, para um rapaz sentado na esplanada da Império, com uma grande pasta de desenho a seus pés. É artista! Só pode, eu sabia! Como é lindo! Meus Deus, como era lindo. Estupidificadas e sem jeito começam a falar alto demais, depressa demais, pensando assim chamar a atenção sem dar muito nas vistas. Ele olhou para ela, de leve, e como que identificando-a logo, comenta qualquer coisa com o amigo e desatam-se os dois a rir! Ó lástima da minha vida, ó merda de puto rebelde com a mania que é bom.
- Detesto-o! – disse mais uma vez ruborizada ao seu Sancho Pança, que a seguia na lateral.
- Eu também! Anda, esquece lá isso. Vamos até ao largo da Igreja e ficamos por lá sentadas a comer gomas.

Este era um pacto das duas, sempre que as coisas corriam mal, as gomas eram o seu “porto seguro”. Sentavam-se no largo da Igreja da Batalha, por detrás do quiosque e riam-se de quem passava enquanto comiam gomas sofregamente parando apenas para as reabatecer no quiosque do Sr. João, que já as conhecia e volta e meia se alargava nos bónus das gomas. Como era boa a vida naquela altura, nem quando a mãe de Mariana foi operada ao coração as gomas não lhes lavaram a alma. Nem quando o pai de Mariana fugiu e deixou a mãe sozinha como os dois irmãos, mais ela, a vida lhes pareceu acabar!
- Tudo tem uma solução. – lembrava a sábia Helena, e a solução era essa mesmo, a revolta escondida por detrás daquele quiosque, apagada por aquela amizade das duas, abafada pelas trincas que dava em cada goma comprada.


Que seria feito de Mariana?! Que lhe teria acontecido afinal!? Engraçado como a amizade daquelas duas se dissipou no dia em que Mariana entrou para Psicologia, o curso que queria, na Faculdade que queria e Helena não o consegui, tendo que esperar por uma segunda fase para ingressar no curso que pensou que quis e que depois se apercebeu nunca ter de verdade desejado.
Mas a vida era mesmo assim, uma série de voltas e reviravoltas e uma sucessão de coisas boas, encaradas mais tarde como parvas ou desnecessárias. Não havia explicação racional, que fizesse entender o fim daquela amizade das duas. Ou teria havido!? A única mágoa pequenina, que Helena se lembrava de guardar era a de um dia, Mariana lhe ter dito que ia para casa e em vez disso ter ido à festa da Ruca e ter curtido com o Ricardo Samuel, aquele parvo idiota por quem Helena se deixou apaixonar. Muitos anos depois iria agradecer a Deus não ter ela essa lembrança para guardar. Ele ficou-se pelo metro e sessenta que tinha na altura e só lhe acrescentou centímetros em tacões, que começou a usar pela altura das Raves e Festas Trance. Credo, não era mesmo isso que ela queria para ela. Enfim, no seu primeiro mês na Faculdade do Porto, onde entrou na 2ª fase, deu de caras com Ele, outra vez! O rapaz da Império, o tal, o anormal da bola. Partilharam salas de aula juntos, intervalos e à medida que a confiança surgiu, surgiu também uma sensação de conforto e à vontade que levaram Helena a pensar que se tratava de amor. Unidos por um sentido de humor implacável e por umas gargalhadas sonoras, um dia, no meio de uma delas, surgiu um beijo. Durou, durou e nenhum dos dois quis assumir, mas a verdade é que o tempo e o seu arredor tratou de o fazer. Estava assim definido, quatro dias depois daquele beijo, eram namorados. Não se perdiam em longas conversas, as gargalhadas foram dando lugar a uma excitação contida, que fazia as hormonas fervilhar dentro dos dois... e foi assim, que um dia de ponte, em que na falta de aulas e nada de jeito na MTV, ele conseguiu pôr a mão debaixo da camisola dela, desapertar-lhe o soutien, sentir o seu peitinho redondinho e quente e fizeram amor. De uma maneira trenga, atabalhoada, não se beijaram no fim, ele correu para a casa de banho para tirar o preservativo e ela vestiu-se e saiu. No dia seguinte, nos dias seguintes, a coisa melhorou e com a intimidade a aumentar e a curiosidade também deixaram-se perder os dois numa ilusão de amor, que durou três anos. Até Helena deixar de ser novidade e ele ganhar confiança de machão e começar a ter um “side-affair” com uma miúda belga da sua aula de pintura. Helena morreu, chorou dia e noite, pensou que ninguém mais a iria querer, que não seria de mais ninguém e só ao chegar a Schiphol se lembrou que: Quem consegue perder o seu primeiro amor e sobreviver, consegue perder todos os outros da sua vida e gostar cada vez mais de si. Aquela foi a última vez em que um homem lhe dava com uma “bola na cara”. Ela iria sobreviver. Entrou no avião de regresso a Portugal sem um pingo de pena, nem dor na consciência, afinal de contas, sempre era mais fácil esquecer um amor, quando uma viagem de avião nos separa.


E era assim, esta Helena, a nossa protagonista, a nossa “musa” rebelde, prestes a viver a vida, com umas botas de neve nos pés e uma mala de viagem na mão.

33ª Croniquice no AO -18.02.10 - Feliz Cupido e Carnaval "Bacano"!


Esta semana foi em cheio! Ele foi “Dia de Namorados”, sim porque o S. Valentim já não interessa a ninguém, tanto ou mais que a páginas tantas passa a ser trocado pelo Cupido, que sempre fica melhor na fotografia e atira corações, que é mais “fofinho” e vende mais; depois ainda tivemos as celebrações de Carnaval, que são quase como o Natal, cada vez começam mais cedo e são “quando um Homem quer”! Mas aquilo que me ocorre, assim num ápice, ao lembrar-me da forma como estas duas ocasiões são celebradas em Portugal é tão apenas e só um slogan bastante famoso por estas bandas aqui há uns anos atrás: “Vá para fora cá dentro!”. Em relação ao Dia dos Namorados a viagem neste dia é feita a espaços dentro de nós, raramente “visitados” na correria do dia-a-dia: a aldeia do Romantismo, mesmo ali ao lado da Vila da Intimidade e pertinho, pertinho da povoação da Sedução, sim, porque é engraçado como algumas pessoas precisam praticamente de ser obrigadas por Decreto-Lei a celebrar o amor, a lembrar-se do quão importante atenções como flores e surpresas carinhosas são essenciais numa relação. Em relação ao Carnaval e sempre que vejo imagens das celebrações por esse Portugal fora, só me parece que acabei de viajar para os trópicos ou para a República das Bananas em que só faltam mesmo os cocos, bananas e palmeiras, porque de resto, a tanga, já toda a gente a enverga! É que nem o “calor” esquisito que se faz sentir por estas alturas é proibitivo para quem tem tanto para dar e mostrar! Bom, com tanto “Carnaval com sotaque” por estes Caminhos de Portugal, sempre nos poupam o bilhete de avião e as horas de voo. E uma vez que “a Vida são dois dias e o Carnaval são três”, mais vale gostar dele e ganhar um dia de folia! E depois ainda temos aqueles que aproveitam para fazer uma “viagem” ao passado por estas alturas em que, segundo consta, “ninguém leva a mal”, e partem das Ilhas em busca de um Portugal perdido! Eu cá gosto mesmo do Carnaval, é que por estes dias, as máscaras sempre são mais fáceis de identificar e apelando à falta de originalidade da grande maioria delas eu diria que sempre são mais previsíveis! E agora calo-me, antes que me acertem com um saco de água, perdão “lima”!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ashes to ashes, Dust to Dust!


Ora muito bem... apesar de não estar com grande mood para grandes textos, aqui vai alguma coisa, só para que esta quarta-feira de cinzas não passe incólume.

Acordei de manhã possuída por um desânimo de que já não me lembrava, mas também não era causado pela vontade de ficar na cama, porque dormi bem, era assim como uma picaretazinha chata que a gente vai ouvindo ao longo do dia, o dia todo e que de tanto ouvir nos começa a ensoneirar e a deixar num estado meio anestesiados, dopados por uma apatia, que vem sabe-se lá bem de onde...

Aliada de uma vontade, como só eu possuo, em contrariar tudo e todos, vai de me contrariar a mim mesma e ir aproveitar o fim de saldos para o shopping à hora de almoço. Entro na Tiffosi, experimento umas calças com o maridão e qual não é o meu espanto quando não me vejo com um rabo de “chorar por mais” estilo “finalmente e pela primeira vez na minha vida até parece que tenho um rabo de jeito”, logo assombrado pelo gesto de levantar camisola e vislumbrar as misérias de que tenho sido alvo: um ventre inchado, redondinho, caído, fofinho, quase tão fofinho, que se não fosse deprimente até podia ser giro ao estilo “anjinho renascentista com ar de queridinho e de quem é amante da boa mesa e bom garfo”! AI! Que vergonha...

Enfim, decidida a não me deixar vencer pela imposição de um corpo espelho das minhas novas mestrias culinárias (mousse de chocolate negro, bolo fofo de chocolate com 60% de cacau, açorda de marisco, cabidela, cheesecake de frutos do bosque, bacalhau no forno e ensopado de cabrito de fazer inveja aos Deuses), fui até à Zara, comprei um mini-vestido largo, uma mini-saia descaída e dois mini-blazers... Objectivo traçado: ficar tão bem naquela porra daquelas calças como fico neles!

Infelizmente nunca fui muito dada às artes mágicas de fazer desaparecer pneus e gordurinhas indesejadas... assim, aguardo pela minha próxima gastro ou maleita intestinal crónica e até lá vou vivendo sob uma ilusão: a de que tenho peito para decotes e cú para as calças! Vantagens de se ser “anafadinha”!
Pensamento positivo, minha gente, esse é o segredo! Um dia, renascerei das minhas próprias cinzas, magra, cadavérica, feliz, mas quase tão débil como um passarinho. Será que aquelas calças valem mesmo a pena!?
Ah, a par de tudo isto, descobri que para além das calças push-up, também já as fazem "anti-celulite"... para a próxima experimento umas dessas!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O Passado, a Juventude e 5 anos no meio!


Sabemos que estamos a ficar velhos, quando as “malhas” que ainda nos lembrámos de ouvir ontem à noite nalgumas das discos mais loucas de algumas das noites mais loucas das nossas vidas são vendidas a 1 Euro na Worten! E para além disso, o CD é duplo!
Quem é que disse que a idade valoriza?! AH!?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Das Belas Cartas de Amor...


O S. Valentim andou armado em casamenteiro e morreu à custa disso, antes ainda cegou e voltou a ver, milagre operado pela mulher por quem se apaixonou! E imaginem lá que dizem que o amor é cego! Enquanto esteve preso diz-se que recebeu inúmeras cartas de pessoas apaixonadas, casais, com palavras de crença convicta no amor! Também dizem que daí advém a tradição das Cartas de Amor por estas alturas! Quanto a mim elas são das únicas coisas intemporais nesta vida, das únicas que nunca deixam, nem deixaram, nem deixarão de estar sempre na moda!
Dispenso bem os ursinhos pirosos, as caixas de chocolate em forma de coração (bastam-me os chocolates) e as flores, gosto delas, sempre! Mas do que eu gosto mesmo é da exibição explícita da crença no amor que se vê por estes dias... talvez porque durante muito tempo deixei de acreditar que ele existisse de facto! Por tudo isto e muito mais... este fim-de-semana temos uma desculpa calendarizada a aproveitar, que serve para nos lembrar da sorte que temos em amar e ainda mais, da sorte que temos por alguém nos amar de volta!
Por estes dias vê-se muito o Cupido, Deus do Amor, Anjinho barroco travesso, pena que poucos conheçam a sua bela história de amor e a forma como a sua própria seta o terá alegadamente tramado a ele também! Toma lá que é para veres o que é bom! Quem te manda andar a acertar com setas nos corações alheios!?
Quanto a mim, o Amor faz-me sorrir, faz-me viver e é o combustível dos meus dias... que não seriam os mesmos se não te tivesse conhecido a ti...
Meu Rei, Meu Príncipe, Meu Cavaleiro Alado, Meu Guerreiro de Corações, Meu Lutador convicto, Meu Companheiro Apaixonado, Meu Amante Voraz, Pai Querido, Meu Marido MUITO Amado, Construtor de Realidades, Artífice dos meus Sonhos, Abrilhantador de Quimeras Minhas, Alquimista do Meu Quotidiano! E sim, estas palavras são para ti, Meu Valentim, porque assim como ele recuperou a visão pela força do seu amor a uma mulher, também eu obrigada pelo amor que sinto por ti vejo agora muito melhor, com muito mais clareza, aquilo que, de facto, o amor é!
E que o meu último suspiro seja teu e que o meu último beijo também! Que os teus últimos pensamentos sejam meus e os teus últimos toques em mim! Porque não tenho mais ar, mais alma, mais coração se não o meu, que é teu e o teu que tanto estimo, como se de meu se tratasse. AMO-TE, será que dá para perceber?!

BOM FIM-DE-SEMANA e muita coragem, afinal de contas:
"Um covarde é incapaz de exibir amor; amor é a prerrogativa do bravo." Mahatma Gandhi

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Croniquice da Velhice no AO - 11.02.10


Lembro-me bem dela. Dos cabelos brancos sempre cuidadosamente apanhados e alinhavados encostados a uma cabeça curiosamente ovalada. Um rosto marcado de rugas e pele seca de um sol de campo, que nunca terá conhecido cremes de beleza, nem toque ou retoque de pintura facial. Lembro-me do luto integral, com o qual sempre a conheci e do avental, onde proibida pelo médico de cometer excessos de boca, guardava desde doces a nacos de pão e uma vez até um pedaço de entrecosto! Daquilo que me lembro melhor é do seu arrastar de chinela pelos corredores quando nos vinha espiar! Eu e o meu primo, com cerca de 10, 12 anos na altura, num Verão de férias mais travesso demos-lhe o apelido de Ana “Bufa”, porque era ela quem relatava criteriosamente todas as nossas travessuras à minha avó! O nome dela era Ana Rua e sempre que me lembro da Velhice, lembro-me dela.
Esta semana escrevi um texto sobre a velhice, com o título “Pés de Galinha e Trapos”, mas revolta-me falar da Velhice, não que me incomode o processo de envelhecer, das rugas ou dos cabelos brancos, mas pela deterioração que isso implica! Como concluí nesse texto, não me incomoda nada envelhecer, o que me incomoda é pensar, que um dia, a “Velha” serei eu.
Da minha Bisavó Materna, Ana Rua de cabelos brancos e bengala na mão, chegam-me os laços que me unirão para sempre a um Transmontano Verão trovejante, quente e abafado, mas também aqueles que foram para mim, os primeiros contornos das minhas associações à Velhice. A minha bisavó morreu quando eu já tinha 16 anos. Não a acompanhei na hora da morte nem no avançar da doença, no entanto a lembrança que a velhice dela me traz é uma lembrança agridoce, porque da última vez que a vi, já pouco se lembrou de mim... chamou-me “menina”, perguntou-me quem era... e eu, apoiada pelo ombro compreensivo da minha tia, que me leu na perfeição, sorri! Não fui capaz de proferir palavra!
A Velhice mexe comigo. Acho que mexe com todos. Mas irrita-me que se olhe para o lado, em vez de se falar, ouvir e dar a mão. Afinal de contas, poucos de nós quererão dar um “cadáver bonito”! O que significa, que amanhã, provavelmente os retratos da Velhice para os nossos bisnetos seremos nós! Se tivermos sorte!

MEET THE FiSH!

Ora, o prometido é devido e por isso aqui ficam para vossa "consideração", as fotos dos novos habitantes da casa!

(Chegaram a casa assim pela mão da Repolhita!)

(Foram provisoriamente acolhidos nesta taça, e passo às apresentações: o laranja é o Peixe; o branco das 2 manchas laranjas é o Peixinho; o branco da mancha laranja e barbatana preta é o Peixito e o preto é o Peixoto!)

(Esta é a humilde Poisson Maison, com bolhinhas!)

(Esta é a mais pequena a comer bolachas e a ler-lhes histórias no seu actual posto preferido da casa!)

(E esta é ela na sua actividade favorita... a dar-lhes de comer!)

E para quê mais palavras... acho que estas imagens valem por si! Não?!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Curtas...


Diz que este Senhor se vai candidatar à liderança do PSD...


Será que desta vez também vai ter a JSD a fazer de claque de futebol, com trejeitos manientos no pano de fundo?! HUM?!
Bom, eu sempre ouvi dizer que às vezes, o barulho de fundo camufla muita coisa que nem sequer devia ter sido dita! Venha lá mais um "fait diver", que o povo gosta é de festa!



Cá para mim, são como as Bruxas...
...eu não acredito neles, mas que os há, lá isso há!

Ontem foi dia de alargar a família...


Já há muito que andava com vontade e a adoração da Repolhita por tudo o que é bichinho voador, canídeo, gatídeo ou rastejante impulsionou ainda mais a minha vontade de trazer lá para casa mais uns inquilinos, sem acrescento de renda!

E assim foi... ontem, quando a fui buscar à Creche perguntei-lhe: “Filha, tu queres um peixinho?”, ao que ela respondeu com um “Xiiiiiiiiim!”, acompanhado de palminhas e tudo! Entrámos no carro, arrancámos e a meio do caminho já me tinha esquecido do dito, de tão perdida em pensamentos outros que estava. Eis senão que, qual adivinhadora do meu alheamento, a vozinha do meu coração me diz do banco de trás: “ Mamãe, pixinho!” e começou a imitar os beijinhos dos peixinhos no ar! Pois claro minha rica filha... o teu peixinho!


Lá chegámos à Loja de animais e eu, acho que mais emocionada que ela, deixei os meus olhos e mãos percorrer tudo o que foi gaiolas, gaiolinhas, distribuindo festas a cachorrinhos, gatinhos, enquanto gritávamos as duas em êxtase: “Olha! Olha! Ai, que lindo! Olha... Ai!”. Lá chegámos à taça dos peixes e eu deixei-a escolher o que ela quisesse, enquanto isso ocorreu-me que talvez um globo de vidro não fosse a escolha mais acertada para acolher o nosso novo amigo, porque com a tentação redondinha de vidro ao seu alcance a mais pequena poderia num abraço mais chegadinho parti-lo e depois era desastre total. Assim, a escolha ficou reduzida a um aquário em acrílico com bomba de ar e tudo! “Isso pode levar até 5 peixes senhora!”, diz-me o rapaz da loja, de espírito empreendedor e olhar atento ao nosso entusiasmo quase histérico! Ok... Ora, este, “ete”, aquele e mais “mamãe ete”! Saímos de lá com um aquário, um frasco de comida para 5 anos, um saco de areia e 4 novos amiguinhos. Enquanto o preço dos novos inquilinos, moradia e subsídio de almoço me era debitado no "pêlo", lá andámos nós por uma última ronda a bater ao vidro dos coelhinhos, com ar de “ai tão fôfinho” e depois fomo-nos dirigindo para a porta... e aí começou a aventura e o meu pânico, ao vislumbrar a nossa chegada a casa, com um saco de água e quatro peixes mortos!

Sim, porque a mais pequena fez toda a questão de ser ela a levar o saco dos amigos. Escusado será dizer que “o saco” levou três valentes pisadelas até chegar ao carro e um real “rebolanço” para o chão quando insistia para que a deixasse levá-los ao colo!

Acedi.

MEEEEDO! Muito medo... ouvi o saco cair duas vezes e tremi ao olhar para ele na chegada a casa temendo um sério 4-3=1 ou nenhum! Mas não... os sacanas lá estavam meios atordoados, quase tão excitados como nós!
Chegadas a casa, ainda sem fazer xixi nem nada foi só tirar casacos e tratar dos amiguinhos da Repolhita! Assim, virei-os para uma grande taça, e ela cobriu-os de beixinhos e “olás” e apresentações e “an cá, an cá”! Enquanto isso, eu lavei cuidadosamente a areia, o aquário, li as instruções da bomba e coloquei a areia e água à temperatura ambiente, quando ouço do outro lado! “Mamãe, pixinho papa!”... O quê?! Ó filha! Desenrascada que só ela, abriu a protecção de alumínio do frasco de comida dos peixes e divertia-se a vê-los comer imitando os seus gestos de boquinha gulosa! Que doce! Quando me preparava para virar os peixes para o aquário reparei que não tinha colocado o suporte da base no fundo!” God Damm it”, troca de virar a água, virar a areia, colocar suporte e splash... Glu, Glu, Glu... do outro lado, ela tinha acabado de virara a taça. Resultado: 3 peixinhos em cima do balcão de granito, um na pinga de água que restava na taça e a Repolhita de ar assustado e lágrima de Maria Madalena prestes a rebentar em pânico! AHAHAAHAHH! Apanhei os peixes, um deles, quase a cair do balcão, enchi de novo a taça, limpei-lhe as lágrimas, acalmei-a, terminei de preparar o aquário, verti os peixes, liguei a bomba e... aaaai! Uma baita de uma inundação tinha acabado de se apoderar da minha cozinha! Ora trata de limpar tudo, enquanto ela continuava siderada nos seus amiguinhos, com olás e papinhas e eu só pensava... se estes peixes estiverem vivos amanhã será um milagre!


E estavam! Hoje de manhã, quando os fomos alimentar, lá estavam os quatro de boa saúde e barbatanas a dar a dar!


E assim, a família alargou-se para acolher:


o Peixe, o Peixinho, o Peixito e o Peixoto!

(Prometo colocar fotos!)


Agora vou só até ali respirar de alívio por serem 4 peixes e não um cão, um gato, um coelho ou um rato... acho que se o fossem estávamos todos hoje nas urgências do Hospital mais próximo! AHA!

O Shiuuuu lançou um desafio novo... um desafio de “Opinião”, o desta semana é sobre a Infidelidade e a mim só me ocorre um pensamento:


Que a Infidelidade é como um assalto... em que a ocasião faz o ladrão!


Porque todos temos o mesmo poder para dizer que não, mas alguns de nós têm mais alma de ladrão do que outros! Toda a gente sabe que a infidelidade é amoral, é errada, censurável e altamente danosa, mas muitas vezes sem ocasião nunca as infidelidades ocorrerão, outras vezes, com a ocasião certa e as pessoas erradas, ela acontece mesmo!
Hoje, posso dizer do alto da minha , talvez, “estupidez”, que por muito que me pudesse doer jamais perdoaria uma infidelidade, fosse do meu marido, fosse de uma amiga... mas isso é hoje, porque sei, que em tempos já perdoei, ambas e o resultado nunca foi o melhor!



Quem está comigo, que esteja por bem... quem não está, que se F***!
E um Bom Dia para vocês também!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010


Sabemos que a Repolhita está bem quando ligamos para a Creche e nos dizem:

1. Que já mordeu um amiguinho;
2. Que já se magoou no lábio;
3. Que já roubou as canetas a uma amiga e lhe estragou o postal que essa estava a fazer para o aniversário da mãe!

E um grande bem-haja à motricidade e polivalência das crianças travessas!

Claro que depois disto eu tenho que imprimir um tom sério, franzir o sobrolho e dizer...


“Oh, a sério?!”


Mas depois...

depois desligo o telefone, relato isto ao Rei da Casa com um sorriso nos lábios e respirando os dois de alívio ele conclui:

"Ainda Bem!"

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Pés de Galinha e Trapos


A Velhice. Só a palavra já me irrita, porque eu sempre ouvi dizer que “velhos são os trapos”. A terceira idade também não me agrada mais, porque me faz lembrar de qualquer coisa ao estilo de 3ª classe, ou económica, por oposição a uma 1ª classe de luxo. As rugas não me chocam, a debilitação de corpo e mente já me chocam um bocadinho mais! Tenho respeito pelos cabelos brancos e adoro uma bela de uma ruga de expressão, porque leio sempre nela, muito mais histórias até talvez, do que aquelas que de facto ela já viveu! Ontem, dei por mim ao espelho, por volta da meia-noite, com a cara entre as mãos a dizer baixinho: “Tenho 29 anos! 29 anos!”, como se com esse “mantra” me esquecesse das tareias que a vida às vezes nos dá... querendo-nos encostar para um canto, carregando-nos a expressão de muito mais idade, do que aquela que de facto temos! Até agora tenho 29 anos de viagens, amores, paixões, roupas, coisas divertidas, concertos, gargalhadas, espectáculos, emoções fortes e momentos dramáticos, mas como num bom filme de curta-metragem, elas já só me aparecem em síntese à frente dos olhos, como síncope de momentos breves, momentos alguns que me parecem bem longe no tempo já. “Tenho 29 anos.”. Quero viver até aos 100, mas recuso-me a envelhecer. No dia em que me olharem com pena, me derem um “chega para lá que estás velha”, me lerem nos olhos a dor, que já não consiga expressar, me enfiarem num lar, como “passarinho na gaiola”, juro que morro. Porque se não puder rir, saltar, correr, viajar, comer livremente e dormir onde quiser, não serei mais eu... posso continuar a existir, mas não estarei a viver. E por isso me custa tanto falar da “velhice”, daquela idade que ninguém quer, daquele tempo, que todos esperamos que chegue, mas de que todos fugimos a sete pés quando o sentimos a chegar! Antes dar um cadáver bonito, já dizia Oscar Wilde: "Viva depressa, morra jovem e seja um cadáver atraente". Mas ninguém quer morrer jovem, toda a gente quer viver muito tempo! Estranho é que depois não se atribua mérito nenhum a quem o fez! Os “trapos” são um estorvo para esta sociedade que vive do belo, do jovem, do rápido, do dinâmico e do eficaz... pois eu trocava tudo isso pela contemplação, pelo segundo do momento em que um velho me conta a mesma história pela milionésima vez... e que eu ouço, como se fosse a primeira! Porque eu sei, que um dia serei eu, um dia vou ser eu a querer contar esta história pela enésima vez, e vou querer que a oiçam, porque esse tempo de antena que me irão dar, será a janela para o passado, que tanto todos gostamos de recordar! Envelhecer é inevitável, ficar doente é provável, mas deixarmo-nos morrer por falta de quem nos oiça e acompanhe... isso, isso é pura e simplesmente imperdoável! Porque enquanto alguém nos ouvir e contar a nossa história, a nossa existência terá deixado de ser em vão e a nossa marca continua! De facto, aquilo que de melhor me poderão fazer quando morrer será ter-me ouvido, alguma vez, em algum lugar e lembrar...
Quando penso na forma como encaramos a velhice e lidamos com ela neste País, juro que tenho vergonha! Ganho tremores pudicos de culpada acabadinha de lavar as mãos... como se já não bastasse a morte das células que não podemos evitar, ainda nos enterram em vida, virando a cara, tapando o nariz, fazendo de conta que não estamos de facto ali!
O processo de envelhecer não me incomoda... o que me mata é saber que um dia, a “Velha” vou ser eu!

*a minha participação #3*

Fevereiro, ó Fevereiro!


Imperdoável... com tanta coisa que trago no pensamento, quase me esqueci de mudar o ar daqui do blog! O mês de Janeiro já lá vai... a neura de início do ano também... e Fevereiro é pequenino e mês de saldos... Vai passar rápido! Vai passar!

Conclusões do primeiro mês do ano:

1. Os homens nunca irão perceber porque é que as mulheres nunca têm carteiras e sapatos suficientes e as mulheres nunca irão entender, porque é que eles não percebem isso;
2. Os bebés de 20 meses são MUITO mais divertidos do que os de 2... mas dão 20 vezes mais preocupações;
3. Não gosto de frio;
4. Não gosto de vento;
5. Não gosto de chuva;
6. Gosto de saldos;
7. E adoro a cor! Já estava com saudades de um reboliço colorido por aqui!


E por hoje fico-me por aqui, que ainda não me restabeleci do susto de há pouco, quando liguei para a Creche e me disseram que a minha filha tinha parado de respirar por momentos, o que a levou a ficar roxa e a um grande reboliço! Enfim... escusado será dizer que por uma nesga de segundo não petrifiquei e que só agora comecei a balbuciar umas merdinhas quaisquer sem sentido para me trazer de volta à realidade e me
libertar do pânico!


*Um, Dois, Três... Experiência!*

Terra chama Sílvia!

Esta vida às vezes é mesmo muito cadela!

*Vou até ali respirar e volto amanhã! Tá?!*

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Para Rir! Só!


Eu até nem sou destas coisas...
mas desta vez não resisti a fazer um copy paste de um email!
Deliciem-se!!!



Para trocar uma lâmpada, quantas pessoas são necessárias? Depende do tipo de pessoa:



Gays Seis: um para trocar e cinco para ficarem a gritar: Linda! Poderosa! Maravilhosa! Divina! Tuuudo!


Beatas Duas: uma troca a lâmpada enquanto a outra conta toda a sua vida.


Psicólogos Apenas um, mas a lâmpada tem que QUERER ser trocada.


Loiras Cinco: uma para agarrar a lâmpada e outras quatro para rodarem a cadeira.


Sócrates Não troca... A lâmpada não está fundida, o problema é a crise mundial.


Bêbados Um, só pra segurar a lâmpada, enquanto o tecto vai rodando.


Activistas Gays Nenhum.. A lâmpada não precisa mudar, é a sociedade que tem de mudar.


Portistas Nenhum... Temos o estádio do Dragão, não precisamos dessa merda da luz pra nada!


Machões Nenhum: macho não tem medo do escuro.


Betinhas Duas: uma pra segurar a Cola light e outra pra chamar o papá.


Espanhois Só um: ele segura a lâmpada e o mundo gira ao seu redor.


Mulher com síndrome pré-menstrual Só ela! SOZINHA!! Porque NINGUÉM, dentro desta maldita casa sabe trocar a merda duma lâmpada! São um bando de IMPRESTÁVEIS!!! Nem percebem que a lâmpada fundiu! OS INÚTEIS podem ficar em casa às escuras por três dias antes de notar que a porcaria da lâmpada queimou! E quando notarem, vão passar mais cinco dias à espera que EU troque a lâmpada, porque eles acham que EU sou a ESCRAVA deles!!! E quando se derem conta de que EU não vou trocar a lâmpada, OS INCOMPETENTES ainda vão ficar mais dois dias às escuras porque não sabem que as lâmpadas novas ficam dentro da merda da despensa! E se, por algum milagre, OS INFELIZES encontrarem as lâmpadas novas, vão arrastar a poltrona da sala até o lugar onde está a lâmpada queimada e vão arranhar o chão todo, porque são INCAPAZES de saber onde a escada fica guardada! É inútil esperar que eles troquem a lâmpada, então sou mesmo EU que a vou trocar! E como EU sou uma mulher INDEPENDENTE, vou lá e troco! E DESAPARECE DA MINHA FRENTE!!!

E Já agora...

... Quem é que se atreve a ser o Seguidor número 50?! HUM?!




Coisas Boas de ser Sexta-Feira...


... amanhã não trabalho e depois de amanhã também não!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Filhos Únicos vs. Filhos Vários - 04.02.10 no AO


Consulta no Pediatra com a minha filha. Ela, 83 cms de energia pura ao rubro, com duas vacinas dadas, uma em cada pernoca, muita baba, muito choro, muito ranho e eu, transpirada, mas com um único pensamento consolador: “Boa! Agora só te picam outra vez quando tiveres 5 anos!”. Ah e tal, que estava muito bem a pequena... recomendações, apenas que tivéssemos cuidado com os acidentes e que lhe arranjássemos um irmão! AH?! Não Sr. Doutor, que não! Agora?! Nem pense! Talvez um dia, quem sabe... mais tarde! Ah, e tal, porque não é bom ser filho único! E eu... enrubesci! Mas não é bom porquê?! Eu sou filha única! E sou normal! Até à data... vá! “ Provavelmente fala sozinha.”. Resposta: “Não, escrevo!”. Risada, até breve, até depois, saudações e eu saio de lá com a nítida sensação que existe um complô armado contra os filhos únicos! Tá certo, a família fica mais pequena, por vezes os pais mais obsessivos, por vezes, as crianças mais egocêntricas, mas não acho que isso se aplique nem a tudo o que é filho único, nem a apenas a quem o é! Conheço tanto filho “repetido” mais bichinho narcisista, egocêntrico, egoísta e doidinho da cabeça, que conto pelos dedos “as belas e belos” que conheço “sem senão”!
Ora pois bem, em defesa dos da minha “espécie”, tenho a dizer que: Mito número um, todos os filhos únicos são egoístas! Eu, que por mim falo, até posso ser, por vezes e por uma questão de sobrevivência um pouco egocêntrica, mas controlo bem a fera sem necessitar de recorrer a medicação e egoísta só serei se for estritamente necessário, que às vezes também é. Mito número dois, os filhos únicos não sabem partilhar. E com base neste mito, conheço tantos filhos únicos que por hipercorrecção partilham até demais! Não é dado adquirido este da recusa da partilha! Mito número três, os filhos únicos são mimados. Bom, são aqueles que são! Assim como há muito filho não único que não sabe ele o que é outra coisa! E já agora, benefícios de se ser filho único: Não partilhámos heranças, por isso, não entrámos em disputas nem querelas familiares, não sofremos de traumas de irmão mais velho, irmão do meio, ou irmão caçula... e já agora, filho único que se preze, sabe bem que o silêncio é de ouro e a companhia é de prata, pois embora essencial, só tem valor se for digna de o ser.
E por favor, não me venham dizer para ter mais filhos! Juro que o próximo que me disser isso leva de troco a resposta: “Está bem, eu faço-lhe a vontade. E você faz o quê?! Muda-lhe as fraldas e dá-lhe de mamar?!”.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Pessoa Pessoas


Eu sou uma pessoa, mas não sou como o Pessoa, mas às vezes mais parece que tenho dentro de mim mil e uma pessoas diferentes! Ora sai daqui uma loira amigável e distraída, ora uma ruiva cheia de determinação e força, ora uma amigalhaça daquelas de palmada no ombro, ora uma mãe galinha, ora uma Maria chorona, ora um gajo foleiro, ora um machista de primeira, que logo leva uma coça valente da feminista que sempre sinto querer sair daqui debaixo desta pele. Ás vezes, quando penso naquilo que vai ser, acho que vou ser uma velhota divertida, cheia de experiência, ideias positivas e muitas histórias para contar. Outras vezes acho só que vou ser velha! E como tudo na vida é uma questão de perspectiva às vezes acho que vou ser uma velha daquelas chatas sempre a contar as mesmas histórias, com os mesmos trejeitos e palavras, como se nunca a ninguém as tivesse contado! Tive momentos na minha vida em que me achei galdéria, outros em que vivi que nem Santa. Tenho dentro de mim o espírito luso da saudade, da tristeza, do fado... mas do fado, fado, daquele que não é cantado, mas contado, do cão, do destino. Às vezes acho que não sei lidar com as coisas boas, e que em vez de as aproveitar começo logo a pensar nas más que estarão para vir! No outro dia, ao ver a Mariline dos Ídolos na capa da FHM diz o gajo foleiro que há dentro de mim: “Acho que a fama dá calor!”, ao que lhe pergunta a Santinha: “Como assim!?”, “Porque assim que se lhes começa a chegar ao pêlo, tiram logo a roupa toda!”! “CREDO”, disseram em uníssono todas as vozes femininas que em mim habitam, até a Galdéria! Enfim... mas hoje trago aqui um Velho Ranzinza atrás dos meus pensamentos, que me anda a sussurrar, que as coisas boas não se contam a ninguém, são como os sonhos, se os contarmos não se realizarão nunca! E dentro de mim há uma menina, de cerca dos seus seis ou sete anos, que não tem noção da vida, do dinheiro, da realidade e que só quer saber de ser feliz! Dentro de mim há uma Viajante, acorrentada a quatro ferros, presa e amordaçada, que hoje está excepcionalmente agitada, não pára de esbracejar, se contorcer, acho que ela quer gritar! Tem saudades de viajar! Dentro de mim moram a Alemanha, a Holanda, a Bélgica, a Itália, a Suiça e bocadinhos da Espanha... mas moram também muitas ganas da França da Inglaterra, da Grécia, da Croácia, da Rússia, do Japão e da Austrália, de África, o Continente sem fim... e mora o “África Minha” e o Malvado do “Casablanca”. O “Paciente Inglês” fez da minha Hepburn uma descrente e o estupor do Velho não se cala. Não pára de me dizer: “As coisas boas são como os Sonhos, não se contam, senão não se realizam!”. Porque é que não te calas?! Disse-lhe a minha rebelde sem causa, mas também ela, com a sua inocência traquina tem medo do saber dos velhos! E a Velhinha sensata que trago dentro de mim, senta-se à porta de uma casa caiada de branco com portas azuis muito azuis e fitando um mar de cor celestial, dá uma palmada ao velho e olhando-me nos olhos com meiguice segreda-me assim: “Tranquila pequena, o que tiver que ser será!”. Mas eu sou criança irrequieta e não paro de me inquietar, quem me dera as certezas da idade, e a serenidade, que só a maturidade traz!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Morreu mais uma Rosa neste Jardim...

Morreu hoje. Para minha grande pena... porque simbolizava tudo aquilo que eu sempre admirei nas mulheres! Obrigada por tudo o que nos mostrou... vai o corpo, fica a marca, na obra literária, familiar e tudo o que mais nos legou!

«Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que ninguém tinha na vida real).
Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos, três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus valores como quem arruma um guarda-vestidos. Isto não, isto não se usa, isto não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba, lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos. Mas não interessa quem fez o quê. É preciso é que tenha sido feito. E que seja feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores pessoais.»
in JL, por Rosa Lobato Faria, Autobiografia

Candy is Dandy!


A minha casa cheira sempre a algodão doce, mas às vezes também cheira a açafrão, a batata e a milho! Ontem cheirava um pouco a óleo queimado e anteontem a chocolate quente! Dias há em que lá em casa tudo tresanda a canela, mas as rosas também lá ocupam por vezes o seu lugar. Quando a pequenina nos entrou portas a dentro, muitas vezes o cheiro a fralda e a baba e a vomitado nos penetrou as narinas e nos encheu na casa o ar! Mas agora, o cheiro a fraldas já se fundiu com os outros, já não o sentimos, sempre, embora ele esteja lá... sempre! O cheiro que mais me agrada para ter lá em casa é o cheiro a baunilha, mas cedo se dissipa no ar e de baunilha vira côco e de côco passa a algodão... doce, sempre!
Quando nasceu, a minha filha tinha um cheiro doce a pele de bebé, alfazema suave e um toque adocicado de lilás. Quando eu era pequena adorava o cheiro a novo de alguns dos novos bonecos de plástico que ia recebendo! A minha filha já recebeu duas bonecas de borracha, que cheiram a chocolate de plástico. Há pequeninos espaços de pele no corpo da minha filha e no corpo do meu marido, que são incrivelmente mágicos e meus, que só eu cheiro e que só eu sei apreciar... atrás da orelhas, nos pulsos, na dobra do refego da parte de trás do seu joelhinho, nas omoplatas, na nuca! O meu marido tem um cheiro agri-doce, especialmente neutro, mas com um toque de provocação, ocasionalmente acentua mais o perfume na pele e cheira a “acqua di gio”, eu, que não consigo distinguir o meu próprio cheiro dos cheiros deles, cheiro ora mais a “cool water”, ora mais a “noa”, ora mais a “pleausures”, mas sempre, esses cheiros se transformam do frasco, no PH da minha pele em algo que facilmente reconheço nos meus casacos, ècharpes e pashminas. Às vezes, a minha filha cheira a “jacadi” de bebé, a “mustela”, mas outras vezes, cheira mesmo só a ela... e é um cheiro impossível, de descrever!
Mas a minha casa, a minha casa cheira só mesmo a algodão doce... quase tão doce como o meu amor por eles!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

HaPPy WiFe! - HaPPy LiFe!


Ora, quem me quisesse ver feliz hoje era: ir buscar a Baby à Creche com o maridão (SONHO) e ela estar toda bem dispostinha, sorridente, tagarela, levá-la a comprar um peixinho e um aquário, ir para casa ainda com sol, fazer um jantarinho rápido a quatro mãos, ela comia a sua paparoca toda sem birras, nem muito cagaçal. Depois, depois vínhamos os três tomar café... e quem sabe, se a noite estivesse de feição, íamos ao Tomé, buscar um gelado de máquina e vínhamos os dois comê-lo até à praia... e ela, ela dormia já sossegada no banco detrás agarrada ao seu “BaiBai”! Depois, vínhamos para casa, leitinho para a mais pequena, caminha, soninho tranquilo até às dez da manhã, enquanto nós tomávamos um banho de imersão, com velas e espuma e depois... depois íamos brincar aos Papás e às Mamãs um bocadinho. Para finalizar, aninhávamo-nos na cama e não aterrávamos logo no instante em que a cabeça batesse na almofada... não... íamos falar até às três da manhã, rir, dar beijinhos... de manhã, a pequenita mamava o seu leite de robe, enquanto via a Manon ou outra programação qualquer do Panda e nós, assim ao lado dela a tomar o pequeno-almoço: café, sumo de laranja, torradas e docinhos, a ver o mar... Ah! Que feliz que eu era... Mas não... aquilo que vai acontecer vai ser: saio do escritório a voar para a ir buscar, ela vem cheia de pica, faz birra para se sentar na cadeira, depois vou ao hiper comprar frango para ela, chego a casa e faço-lhe o jantar, enquanto tudo cozinha, dou-lhe banho, mudo-lhe a roupa, dou-lhe o jantar a muito custo e depois mudo-lhe a roupa outra vez, depois faço o nosso jantar, ela faz cocó, mudo-lhe a fralda. Pergunta pelo pai trinta mil vezes e ele chega, finalmente, já perto das nove horas... jantámos, com interrupções para pôr dvd, limpar a água que ela entornou, dar miminho, arrumámos a cozinha, talvez ele vá estender roupa enquanto eu trato dela ou de arrumar alguma roupa passada a ferro. Por volta das onze o soninho bate à porta dos três e aí pega o Inferno! Ela chora, ele boceja e eu ando feita barata tonta a aquecer leite, abrir camas, procurar chuchas. Ela adormece. Vamos para a cama. Boa Noite! Até amanhã! Beijinho e ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...
Valha-nos ao menos que é Sexta-Feira e pode ser que este fim-de-semana esteja de feição para os Martins Gama... a ver vamos, a ver vamos! Se nenhum de nós adoecer, já me dou por feliz!

Beijinhos e bom FDSZZZZZzzzzzzzzzzz!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Anjos Cansados - no AO 28.01.10

Há uns tempos atrás, num dos meus dias mais tristes escrevi isto:
«Na hora em que os anjos se cansam o desânimo é rei. E hoje, tudo em mim é tédio.
Um tédio de sentir as saudades de quem amo e me falta, nos momentos em que os anjos me abandonam à solidão de uma solitária ilha, inundada de casas e pessoas vazias e sorrisos sem significado e palavras mortas presas em lábios roxos, secos de significado e significação.
Na hora em que os anjos se cansam a saudade é rainha. (...)
Perdida em viagens, dentro de mim mesma, procurando o porquê deste meu sentir triste e pesado, lembro-me que é possível, que um dia, até mesmo os anjos se cansem.
Não há anjo que aguente o peso de um coração carregado de saudades, e hoje todo o bater do meu são palavras mudas que envio a quem me falta.
Na hora em que os anjos descansam as minhas palavras pesam. Pesam e falham a tradicional alegria que as marca. Marcando a ausência de uma ausência sentida, pesada e pensada, amarrada e obrigada ao exílio de uma ilha familiar. Ruas e pedras e estradas e campos, vazios. O retrato da minha alma. O reflexo do meu ser e estar.
Não há ausência mais sentida, do que a ausência de nós mesmos. E hoje ausentei-me de mim, juntamente com o meu anjo cansado, na hora em que decidiu descansar! Finalmente sós. Os dois.
Carrego em mim hoje todo o peso de uma falha, falta, ausência, lacuna, vazio. Um deserto abalado pela minha vontade de lhe resistir. Hoje, na hora em que os anjos se cansam, não houve lugar a pensamentos floridos, lugares comuns ou ideias brilhantes. Nesta hora descanso… não é fácil lutar contra um mundo, que não se entende, não se percebe. Não é fácil encontrar justificações constantes para um mundo triste, feio, sujo, sem esperança, corrupto, cruel. Hoje, na hora em que os anjos se cansam trago em mim todo o peso do mundo (...) Hoje, nesta hora solitária, desmistifico a vida e limito-me a senti-la, sem choro, sem riso, sem expressão nem desejos.
Hoje, na hora em que os anjos se cansam, espero desesperançada carregando nos ombros o peso de um anjo cansado, que hoje decidiu descansar.»
E voltei a este texto, porque hoje, vi na teoria dos anjos cansados a única explicação possível para que uma criança inocente adoeça gravemente. A Sofia (7 meses), o Afonso (6 anos) e tantos outros entre estas idades sofrem de Leucemia e esperam esperançosos que os seus anjos não se cansem. O meu não se cansou na altura em que me ofereci como dadora de medula óssea, há uns quatro anos atrás. E o seu anjo, como está?!

Amigas, doces e Carnavais com Samba!


Existe nos Açores, pelo menos aqui em S. Miguel, não quero induzir ninguém em erro, toda uma tradição de festas que antecedem o Carnaval, que implicam que as crianças festejem cinco Carnavais! Eu explico, é que esta pré-época do Carnaval envolve um pouco mais do que isso... quatro quintas-feiras antes do Carnaval abrimos as festividades com o “Dia dos Amigos”, dia de farra para os gajos, depois temos o “Dia das Amigas”, que é hoje e envolve maluqueira total para as gajas, depois o “dia dos Compadres”, depois o “das Comadres” e finalmente temos o Carnaval. A par disto ainda temos os tradicionais bailes de gala nos Coliseus, que implicam uso de smoking e vestido longo... ou seja, esta gente gosta mesmo é de festa! E ainda bem que assim é... já imaginaram a vida na ilha, sempre nos mesmos trilhos, com as mesmas gentes e sem festa?! NA! Não dava!
Na Creche da minha filha, todas estas quintas-feiras implicam uma celebração e o uso de uma máscara ou fato de acordo com o tema! Na primeira quinta-feira a festa foi de fantasia livre! Hoje o tema era a Música e a Repolhita foi vestida de branco com uma clave de sol presa ao peito e um chapéu prateado de fada, que se recusou a colocar! Na próxima quinta temos a festa do material escolar e estou seriamente a pensar metê-la numa mochila e deixá-la ir assim... por fim no dia das Comadres o tema são as Estações do Ano e depois ainda temos o Carnaval! Que canseira! Digo-vos... é que se fosse rica, não havia stress, era comprar uma fatiota para cada festa e tava feita, mas como não sou, tenho que me organizar e apelar à criatividade! Ai e a ginástica mental custa!
Para piorar, hoje, sendo dia das amigas é dia de rambóia para a Canalha na Creche, que tem direito a levar guloseimas, que são espalhadas ao longo de uma mesa e depois... depois é o puto do Carnaval!!! Tá mal! Eu que eduquei a minha filha a não ceder aos doces, que ainda, até hoje, não a deixo comer chocolates, gelados ou rebuçados, vejo hoje este meu lindo caminho incólume ser manchado por tudo o que é doçaria! Estou feita... se a miúda me vem com cólicas ou desarranjos intestinais eu estou só a avisar... VAI HAVER SAMBA ESTE CARNAVAL! Deixei indicações claras para que a vigiassem e dessem privilégio às bolachas de mel e aveia do Noddy, que vou levar para ela, um sumo, também tá ok, mas se lhe dão gomas, eu juro que engomo alguém! TÁ?!
Já agora, um beijo especial às minhas amigas todas!
"Mesmo que as pessoas mudem
e suas vidas se reorganizem,
os amigos devem ser amigos para sempre,
mesmo que não tenham nada em comum,
somente compartilhar as mesmas recordações.
Pois boas lembranças, são marcantes,
e o que é marcante nunca se esquece!
Uma grande amizade mesmo com o passar do tempo é cultivada assim!"
Vinicius de Moraes

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

NÃO ENCHE! (Obrigada Caetano!)

Já tive muitas vezes vontade de soltar um berro com esta música, às vezes, ainda tenho... e hoje, assim de repente, lembrava-me de umas quantas pessoas a quem a dedicar! EHEHE!



Me larga, não enche -Você não entende nada - E eu não vou te fazer entender...
Me encara, de frente - É que você nunca quis ver - Não vai querer, nem vai ver - Meu lado, meu jeito - O que eu herdei de minha gente - Eu nunca posso perder -
Me larga, não enche
Me deixa viver, me deixa viver
Me deixa viver, me deixa viver...

Cuidado, oxente! - Está no meu querer - Poder fazer você desabar - Do salto, nem tente - Manter as coisas como estão - Porque não dá, não vai dá...
Quadrada!
Demente!
A melodia do meu samba
Põe você no lugar
Me larga, não enche
Me deixa cantar, me deixa cantar
Me deixa cantar, me deixa cantar...
Eu vouClarificar - A minha voz - Gritando - Nada, mais de nós! - Mando meu bando anunciar -Vou me livrar de você...

Harpia!
Aranha!
Sabedoria de rapina
E de enredar, de enredar
Perua!
Piranha!
Minha energia é que
Mantém você suspensa no ar
Prá rua!
se manda!
Sai do meu sangue
Sanguessuga
Que só sabe sugar
Pirata!
Malandra!
Me deixa gozar, me deixa gozar
Me deixa gozar, me deixa gozar...
Vagaba!
Vampira!
O velho esquema desmorona
Desta vez prá valer
Tarada!
Mesquinha!
Pensa que é a dona
E eu lhe pergunto
Quem lhe deu tanto axé?
À-toa!
Vadia!
Começa uma outra história
Aqui na luz deste dia "D"
Na boa, na minha
Eu vou viver dez
Eu vou viver cem
Eu vou vou viver mil
Eu vou viver sem você...(2x)
Eu vou viver sem vocêNa luz desse dia "D"Eu vou viver sem você...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A Minha Pequena Artista!


Ser mãe de uma criança com 20 meses é muito mais divertido do que ser mãe de uma criança de 2 meses.
Primeiro, já não choram a cada toque e passam o dia entre biberões e fraldas! Segundo já comunicam, mostram laivos da sua personalidade, brincam, reagem, gritam, às vezes, choram, à vezes, mas já andam sozinhos e podemos deixá-los a fazer a mais das monumentais das birras, sem ter medo de rebolarem da cama e caírem desamparados ou que sufoquem com o seu próprio choro! Enfim... e ser mãe de uma criança, como a minha filha, é, se me permitem, ainda mais espectacular, porque alinha em tudo o que é jogo, brincadeira, actividade, contando que a envolva activamente e que ela se possa sujar q.b.! E eu, eu fico toda derretida com esta sua nova faceta, de “companheira”, de “amiga”, de “coleguinha” de conversas, jogos e tretas assim e assado!
Este fim-de-semana, e porque o pai estava a trabalhar e o popó da mãe está doente, decidimos dedicar-nos às actividades Indoor! Assim, a quatro mãos fizemos um magnífico bolo de ananás, ela ajudou sempre, a partir ovos, a bater, a comer açúcar, a pôr farinha em tudo o que era superfície e o resultado foi estupendo! Depois, na hora de colocar o bolo no forno ensinei-a a atirar um beijinho de boa-sorte ao bolo, ao que ela acrescentou um aceno de mão e um “deeeux”, que repete agora de cada vez que me vê cozinhar e sempre que passando em frente ao forno se lembra de o fazer!
A segunda e talvez mais produtiva parte das nossas actividades, tanto em prazer, como lixo resultante, foi a pintura! Ela pinta quase todos os dias com as suas canetas laváveis e os seus lápis de cera, mas esta semana, decidi arriscar e usar pincel e tintas de vidro! Assim foi... para lá do gozo que me deu ver o empenho dela de pincel em riste a mergulhar em tudo o que era boião e dizer “zúli”, que ao que consta se transformou na cor preferida dela... resultou isto:




Maravilhosos, não são?! E as risadas que ela solta sempre que os vê?! Como que a dizer: “Vês... fui eu que fiz!”. É LINDO... é Amor e Arte!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

You catch more flies with honey...


... So they say, So they say!

Ao que consta é mesmo assim! Apanhamos mais moscas com mel, do que com fel!

E hoje tive a prova disso! Sem receber correio aqui no escritório desde quinta-feira, e depois de me terem sido entregues hoje o jornal de sexta-feira e domingo e nada de sábado ou segunda-feira, com os subempreiteiros à perna por causa dos cheques e mais não sei quem por causa de mais não sei o quê... lá vou eu furibunda aos correios da localidade! “Que não era ali, para apresentar reclamação... pátáti, pátátá... cara de choca e afins” lá venho eu para o escritório com um número de telefone, onde ninguém me respondia e uma carta com poucas linhas para toda a minha revolta! Rabisquei a carta e lá me dirigi ao Posto Principal dos CTT (Chatos Tomó Tarálho)... Ronhonhó, que não podiam fazer nada, que não sabiam, só se fosse falar com o Caldeira da Distribuição. Meti pés a caminho, uma revolta, uma neura, que só amainou quando dois senhores de meia-idade, seguranças me acompanhavam à distribuição com tanta simpatia que parecia quase que estava na LaLa-Land! Chegada à Distribuição, o Caldeira lá estava, careca, de olho azul, com um alto na parte de trás da cabeça, corpanzil de marmanjo e jeitinhos de senhor Sereno! Lá me explicou, que tem estado com muito pessoal doente, ora é gripe, ora é gastroenterite, mas vai tentar ver o que se passa e liga-me amanhã e pois, tá bem... Lá venho eu sem correio, mas conformada! Ah! A bela da paz do Conformismo... God Dam it, lá me apanharam outra vez... BzzzBzzzz!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Trouble in my mind!

Serei só eu, que nunca consigo ser fiel a uma lista de compras?!
Eu vejo-as em tudo o que é sugestão de poupança, em tudo o que é dica de boa organização doméstica, nas mãos de donas-de-casa organizadas, maridos bem-mandados, solteirões “limpinhos” e até nos desajustados perdidos no meio de tudo o que é corredor de super/hiper-mercado e até nos mercados tradicionais! Eu juro que tento, JURO! Até faço um esforço mental de concentração suprema. Até já percorri tudo o que é armário, gaveta e frigorífico lá de casa, para me certificar de que não faltava nada e chegando lá ia “direita ao assunto”. Mas levo sempre um “assuntozito” ou outro a mais para casa e a lista mais simplex, acaba por se tornar na mais complex! Eu tento com tanta força... mas porquê?! Porque é que não consigo!?

Love Fridays!


E no meio dos queixumes de terça-feira, típicos de início de semana contrariada, eis senão que resolvo ligar para a Creche, para saber como está a Baby e me dizem que ela não estava nada bem... não comeu nada ao almoço, nem ao lanche e ainda não tinha feito cocó. Bom, já decidida a sair mais cedo, no meio dos preparativos para o fazer, lá me ligam passados nem cinco minutos! A Repolhita tinha feito uma diarreia enorme, e que não me preocupasse e tal e coisa, mas “sabe Sílvia, temos informação de que anda aí um surto gastro-intestinal...” e nem ouvi mais nada, avisei que tinha que sair, cheguei à Creche e encontrei-a num pranto inconsolável com todos os amiguinhos e educadoras à sua volta. Deu-me um nó no estômago, não vi nem ouvi mais ninguém, agarrei-a com toda a força e fugi com ela para casa... na minha cabeça uma lembrança apenas: os oito dias que passei há um ano atrás, com ela em casa, os vómitos, as diarreias, as febres e as cólicas, muito choro, pouca comida e menos 500 gramas para ela e menos 4 quilos para mim! Enfim, contas feitas a mim sempre me saiu o brinde e a ela, pobre, a fava!

Dois dias volvidos, depois de muito mimo, dieta, Panda, Noddy e Kitty, aqui estou eu de volta ao Office, e estou feliz... realmente a vida ensina-nos muito... posso não fazer o que quero, nem quando quero, mas se fazê-lo implica saber que a pequenita está bem e feliz... eu até limpava latrinas com um sorriso nos lábios (que não se via, claro, porque teria uma máscara a escondê-lo), mas vá... ela está melhorzinha... e eu também! E o resto que se lixe, é Sexta-feira pá!

Os Porquês - no AO - 21.01.10


Depois de ler a minha crónica publicada na semana passada, ocorreu-me que um dia, possivelmente, a minha filha vai entrar em casa e entre as mais de mil perguntas que me terá a fazer, me perguntará com a inocência típica da criança curiosa: “ Mãe, o que é um Homossexual?!”. Bom... nessa altura, eu estarei preparada! Estou certa que sim, até porque já me estou a começar a preparar... O que é que eu vou responder?! Pois, é simples, algo do género: “Bom filha, um homossexual é alguém que gosta de pessoas do mesmo sexo, ou seja, uma rapariga que gosta de raparigas e um rapaz que gosta de rapazes.” (...) ou talvez não, porque assim pode parecer muito promíscuo, vou dizer antes assim: “... é alguém que gosta de alguém que é do mesmo sexo. Um rapaz que gosta de um rapaz, ou uma rapariga que gosta de uma rapariga!”. Está melhor... mas a pergunta que se seguirá será com certeza: “Ó mãe, então e como se chama a um rapaz que gosta de uma rapariga?!” – “Bem, a essas pessoas chama-se Heterossexuais! Por exemplo, eu e o pai somos heterossexuais!”... Mas pensando melhor, dependendo da idade dela talvez não repita a palavra associada a mim e ao pai, não sei porquê, mas ainda não me parece muito bem estar a dizer “sexual” atrás de “sexual” a uma criança de seis anos! Outra pergunta que ela me pode fazer, e eu estou nesta reflexão porque quero estar preparada, será: “Ó mãe... e então alguém que gosta de rapazes e raparigas?” – “Bem, filha, a essas pessoas dá-se o nome de bissexuais!”. Puxa, lá estamos nós a bater na tecla do sexual... Vá, adiante! Talvez também tenha que lhe explicar um dia o que é um transexual... ai maldito sexo... isto não será sexo a mais para a cabeça destes infantes?! Mas bom, seja... “Sabes filha, há raparigas que nascem assim, mas não gostam de o ser, por isso fazem uma cirurgia e mudam de sexo!”. Ai! Mau! Assim não dá... sexo outra vez... vou substituir por “género”, mas será que ela percebe?! Humm... O melhor é dizer que “transexuais são pessoas que passam de rapariga a rapaz e de rapaz a rapariga!”. Mas isto também soa assim um pouco estranho, como se fosse por magia... vou mesmo ter que dizer que para isso precisam de uma operação! Com sorte, e para gastar os “compostos sexuais” todos explico-lhe também o que é um metrossexual... e com tanto pensar nestas coisas já estou com uma dor de cabeça de morte e a morrer de inveja dos meus pais, que quando lhes perguntei de onde vinham os bebés, se saíram com um airoso: “De Paris no bico das Cegonhas!”...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Pensamentos que moram na minha cabeça, numa 3ª feira de manhã!


São 10 e 20, já tomei café e comi qualquer coisa, portanto essa desculpa já não é válida para continuar no dolce fare niente de ler blogues e mails e não fazer aquilo que realmente tenho que fazer e para o qual me pagam... tirar uma resma de fotocópias de facturas e recibos e e guias, para enviar para a nossa Sede, porque aquelas abéculas são muito bem capazes de qual David Copperfield fazer desaparecer todo e qualquer documento importante e depois dizer que não enviámos nada e blablabla, nos Açores não se trabalha, e blablabla... enfim, mas enquanto me lembro disto só penso no poema do Pessoa “Ai que prazer não cumprir um dever. / Ter um livro para ler e não o fazer!”. Acho que às vezes levo demasiado à letra esta minha ociosidade prazeirosa, por vezes contento-me em pensar que é pela minha “veia artística”, que me leva a ser uma alienada das obrigações dos comuns mortais de sensibilidade artística zero e emoção de sola de sapato. Mas isso passa rápido, no exacto instante em que não encontro essa tal veia artística em lado algum, mas valeu os segundos que passaram! Ás vezes e no último momento sou invadida por uma pressa de vontade profissional e cumpro todos meus deveres de rajada, mas só para poder voltar ao ócio no momento seguinte!
Muitas vezes penso que só me sinto assim porque não estou minimamente apaixonada por aquilo que faço, mas tenho outras vantagens, que não a paixão, é claro. Tenho aqui relativa liberdade e quase nenhuma pressão e isso também é de valor, é quase como um casamento sem paixão, mas que nos deixa minimamente feliz, porque nos dá tempo e espaço para sonharmos com as nossas verdadeiras paixões, por muito ingrato e injusto que isto possa parecer. Estou a escrever este texto, pura e simplesmente para empatar tempo e não ter que me agarrar àquela maldita máquina fotocopiadora... Nos entretantos vou pensando que gostava de ir ao cabeleireiro hoje... arranjar cabelo e unhas, mimar-me assim tal e qual dondoca oca e feliz... mas tenho que ir às compras, porque não tenho carne em casa para a sopa da menina e depois tenho que ir aos Correios deixar a correspondência e provavelmente tenho que almoçar ou ir fazer o almoço, e ainda tenho que passar pela “Engomadoria” para deixar as cortinas novas da sala, para fazer bainha. Comprei-as ontem, para tapar 4 metros de janela... um par de linho e um par de cortinas castanhas, bem ao gosto do maridão! Mais uns tostões gastos o que me leva de volta à obrigação de ganhar mais uns tostões! Às vezes, este amor/ódio que sinto pelo dinheiro deixa-me num total estado de desespero, é como aqueles amores: “Can’t live with him. Can’t live without him!”. Bolas... tenho que ir trabalhar!