sexta-feira, 11 de junho de 2010

Saldo do dia de ontem...


POTE - 1

X

CUECAS - 5
[e a respeito disto: "A educação é uma coisa admirável,
mas é bom recordar que nada do que vale a pena saber,
pode ser ensinado! - Oscar Wilde]

90's - Anos de más modas, óptimas amizades (10.06.10 no AO)

Estávamos em meados dos anos noventa, eu usava uma pala medonha e repinhas de cabelo frisado, ela usava colares étnicos de palhinha e marfim, em género gargantilha, e o cabelo extraordinariamente longo. Eu, “agrungei-me” um pouco e cedo nos identificámos nas mesmas calças de ganga elásticas, City Jeans, com sapatilhas All Star, de preferência azuis marinho ou beges. Eram os anos loucos dos Nirvana e dos namorados estúpidos. O namorado dela foi da minha turma, tinha a alcunha de “Adeus”, porque acenava a todos quantos passavam. De resto, era um rapaz perfeitamente normal para a época: cabelos longos, t-shirts folgadas e corpo esguio. Eu não gostava dela. Ela, nem sequer reparava em mim. Eu achava-a snob, de uma arrogância desmedida. Cruzávamo-nos todos os dias, pelos corredores daquela “bendita” escola Secundária e ela, ao contrário do namorado, nem olá, nem adeus! Anos mais tarde vim a descobrir porquê… miopia, meus amigos, miopia! Sofria de “más vistas” e disfarçava para não ter que usar óculos.
Foi só quando o Secundário acabou, depois de anos de penteados e moda duvidosa, que nos encontrámos de novo. Eu olhei para ela, ela olhou para mim e vendo-nos uma à outra, como se pela primeira vez, formámos naqueles primeiros anos de faculdade travessos uma verdadeira amizade, à prova de bala. Ela com as suas “Doc Martens”, eu com as minhas malas XXL e excesso de livros às costas. Pejadas de falsas ideias, falsas morais, estivemos juntas no Jornal da Faculdade, na Associação da mesma, em tudo o que era bar, festa, praxe, cortejo… até ao ponto em que decidimos começar a estudar! Hoje, muitos anos, muitos namoros, muitas festas, muitas farras, muitas lágrimas depois, mesmo separadas por um caminho de oceano com muitas mil milhas de água, não há dia em que eu não me lembre dela, não há dia em que ela não se lembre de mim!
A vida separou-nos, mas são dias, como os de hoje em que eu sei, que a verdadeira amizade no feminino existe, que são crenças, como as que partilhámos juntas, que nos unirão até ao fim dos nossos dias!
Eu, num ano mais farto de aventuras e desventuras, num ano em que partimos as duas juntas de carro por esse Portugal fora, sem mapas, sem planos, sem rotas, apenas com a certeza de cerca de 7 dias de férias, apelidei-a de meu Sancho Pança, porque era isso que éramos as duas! Duas crentes, resistentes, unidas pela luta convicta de que o amor valia a pena, unidas pelos nossos sonhos, desejos e ambições. Foram muitos anos de confidências, sabemos coisas, uma da outra, que mais ninguém sabe, que mais ninguém sonha! Partilhámos tardes de compras, em género de exercício físico, horas de ginásio, em género de terapia ocupacional, manhãs de gazetas, em género de esforço adiado, noites de música, em género de aventura emocional, almoços prolongados, em género de conversas de café e uma existência conjunta em género de amizade feminina, contra tudo e todos, que possam alegar que isto é um mito, que não existe… porque ninguém quer caminhar só por esse mundo, porque os nossos limites e fronteiras não somos nós quem define, mas que nos definem a nós, porque tu és e para sempre será a prova de que não há D. Quixote que aguente lutar de frente com gigantes (ou moinhos) sem Pança, nem Pança que resista à tentação de acreditar que D. Quixote merece certamente a sua Dulcineia. E sim, é possível haver amizade, sincera e desinteressada entre duas mulheres e sim, muitas vezes o ponto de união foi o amor ou a resistência dele e a ele. Mas sabes que mais… “isso agora não interessa nada”, porque esta história já é nossa e dela, ninguém nos tira!
P.S. - nem de propósito, no dia em que lhe liguei para lhe dizer que ela tinha que ler esta crónica, apercebi-me que me tinha esquecido do aniversário dela! :( Mil perdões... mas sabes bem que não foi por mal!

quarta-feira, 9 de junho de 2010


Enchi-me de coragem, pois se era dia de “desfralde”, seria eu a inaugurar a efeméride! Vesti-lhe cuequinhas cor-de-rosa, como manda a lei! Depois vesti-lhe uns calções, t-shirt, sem body, e calcei-lhe umas croc’s, passando a publicidade, que dão um jeitaço para secar, no caso de inconvenientes ocasionais. Lá vínhamos nós, ela já de casaco vestido, eu já de carteira ao ombro a treinar as frases da praxe…

“Então, como é que tu vais dizer quando quiseres fazer xixi?” – e ela, expedita: “Qé fazê xixi!”, - “Boa! E quando quiseres fazer cocó?” – novamente com um brilhozinho nos olhos: “Qé fazê Cocó!” – “Boa!”. Insisti mais três vezes, até que ela parou, mesmo na soleira da porta e de cara assustada gritou: “Mãe… xixi!”.

O treino verbal tinha falhado redondamente… tudo porque com tanta preparação e entusiasmo cometi dois erros de principiante: o primeiro, ter arriscado sair com ela sem fralda no primeiro dia de treino… e o segundo: ter-lhe explicado o como, mas não o quando! Minha filha, para que conste, o exercício verbal é para ser antes do acto em si! Certo?!

Cheira-me que nos espera um longo mês de mijadelas nos cantinhos da casa… e digo-o literalmente! God have mercy!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Checking in...


Meus queridos leitores,

estou em dívida convosco, bem sei, mas tenho andado tão envolvida nesta minha nova fase de vida, com tanta coisa a acontecer e tão pouco tempo para tudo que só passei para dizer:

1. que estou viva;

2. que estou bem;

3. que continuo feliz!

Esta semana começámos mais uma nova etapa, a Repolhita está oficialmente no "desfralde" e já tive o primeiro contratempo! :D Tirando isso... tento voltar amanhã com mais tempo! Prometo!

Beijos e abraços a todos e muita energia... a 1000, sempre, pois claro!

segunda-feira, 31 de maio de 2010


Está tanta coisa a acontecer neste momento na minha vida, que juro juradinho, gostava de poder fechar os olhos e acordar só daqui a um mês!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ontem foi assim...


Jantar tarde, receber prendas, saltos e pulos na cama até quase à meia noite, muitas gargalhadas e os adultos de rastos.
Adoro fazê-la feliz!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

2 ANOS


Há dois anos a esta parte, por volta desta hora, mais coisa, menos coisa, eu ainda olhava incrédula para aquele ser pequenininho e chorão que estava deitado naquela cama de plástico ali ao meu lado. Durante 20 horas de muitas lágrimas, suor e sangue eu sofri em silêncio na esperança de que no final tudo corresse bem. Quando a vi pela primeira vez, no meio de toda a atrapalhação e dose reforçada de anestesia, o meu primeiro pensamento foi: “A minha filha é ruiva!”. Curiosamente, aquilo que me saiu da boca foi: “Ao menos deixem-me dar um beijo à minha filha!”. Deixaram. Eu beijei-a, mas não a senti. Os mais de 40 minutos que se seguiram foram uma tortura. Eu só queria ter a certeza de que ela estava com o pai, pois como a minha cesariana foi coisa urgente nem sequer o deixaram entrar! Para ele, o meu parto não foi mais fácil. Aguentou as 20 horas todas ao meu lado, controlando gráficos de contracções e atendendo telefonemas ansiosos... ainda hoje ele diz, que só não sentiu fisicamente a dor, mas a angústia foi tanta, que não pôde deixar de sofrer também. Perdi a conta aos “toques” que me fizeram e lembro-me de estar prestes a entrar em choque na mesa de operações, quando por falta de eficácia da epidural me senti quase ser esventrada para a minha filha sair! Não foi bonito, mas foi sem sombra de dúvida a experiência física mais intensa que senti na vida! Quando finalmente me deixaram sair do bloco, ele, de braços dormentes, cara inchada, olhos aguados segurava no colo o nosso pequenino rebento, que quando foi encostada ao meu peito se apressou a mamar como se não houvesse amanhã! E foi aí que a senti... pela primeira vez foi aí que lhe “tirei a pinta”, lhe decorei contornos, me afeiçoei a ela!

Em dois anos de vida dela muito na minha vida mudou. Acho que se chama a isso crescer! E é um facto, eu cresci com ela! Hoje nada me dá mais gozo do que ouvir a voz dela, o seu sorriso e nada representa maior tortura do que saber que ela está a sofrer ou triste, ou doente! Se ela estiver bem, eu estou bem... e eu tenho feito durante estes 2 anos, das tripas coração para que tudo esteja sempre bem com ela! Tenho tido sucessos e alguns revezes, mas no geral, estes foram os dois anos mais marcantes da minha vida, sem sombra de dúvida!

À minha filha escrevi há tempos largos uma carta, onde vou acrescentando coisas que não quero deixar de lhe transmitir, porque estou certa, que se algum dia eu lhe faltar, alguém lha fará chegar em mãos... Hoje, porque o dia é de festa, vocês também recebem prendas e passo a transcrever os parágrafos iniciais dessa carta, totalmente inéditos, totalmente por ler, totalmente sentidos. Espero que gostem!



“Carta à Minha Filha:
Servem as presentes e futuras folhas de papel desta carta para te transmitir tudo e qualquer coisa que não me lembre de te ensinar ao longo dos dias da nossa convivência conjunta.
No caso de algum dia te faltar e/ou por ausência de mente ou capacidades físicas te não possa transmitir aquilo que tenciono ensinar-te, mostrar-te, dizer-te ou pura e simplesmente dar-te a conhecer ao longo das nossas vidas, gostava que lesses esta carta, e no caso de a não puderes ler, que a lessem para ti.
Antes de mais nada, e a coisa mais importante que eu quero que tu saibas e de que nunca te esqueças é que... tu, Minha Filha, foste fruto de um grande amor e és amada de uma forma tão forte, intensa e incondicional, que se torna indescritível o sentimento que me deste a conhecer.
Tu, minha amada, desejada e querida filha tens o mérito de me teres dado a conhecer o único amor que não necessita de retribuição, que é infinito e infindável e que me levaria a abdicar de tudo na vida, incluindo da própria vida em si, se tal se provasse necessário.
Por tua causa tornei-me uma pessoa melhor e decidi tomar em mãos a tarefa de melhorar o mundo, para que um mundo melhor te possa acolher.
Desde que nasceste tudo na minha vida gira à tua volta e tu estás em tudo nela.
Minha querida, cresce e vive sempre com a certeza de que és muito amada e que se depender de mim, nada te faltará!
No meu curto tempo de vida aprendi algumas coisas que penso te possam ser úteis. Algumas dessas coisas serão talvez tão essenciais à tua vida como forma à minha:
1. Não queiras viver a vida sem amor! Amar o próximo e amarmo-nos a nós próprios é tão essencial à vida como o próprio acto de respirar. Mas lembra-te, para amares e saberes amar os outros, tens acima de tudo que te saber amar a ti própria.
2. Ama-te a ti própria, pois ninguém o fará melhor do que tu. Estima-te, aprende-te, conhece-te e acima de tudo aceita-te! Exactamente como és, com todas as perfeições e vicissitudes... pois se há algo que aprendi é que se tu não te amares, dificilmente alguém te amará também.
3. Acredita em ti. Mais do que ninguém tu conheces-te a ti própria. “ouve-te”, “respeita-te”, “protege-te”. Defende aquilo em que acreditas e não tenhas medo de rumar contra a maré, mas lembra-te, não o faças por orgulho, fá-lo por convicção!
4. Lembra-te: todos são nossos semelhantes! Como nós, todos têm alegrias, tristezas, dias bons, dias maus, todos são filhos ou pais de alguém, irmãos ou amigos... por isso, independentemente da raça ou credo faz aos outros como quererias que fizessem a ti!
5. Aceita os erros. Afinal de contas, “errar é humano”. Hoje erra outro, amanhã errarás tu! Aprenderás com o tempo, que aceitar os erros é encará-los de frente, evoluir e aprender.
(...)”



A carta continua, mas é para ela. Não podia deixar de o ser. Como tudo na minha vida, desde o dia em que a senti nascer!


PARABÉNS Minha Filha, Meu Amor!

Obrigada pela dádiva da tua vida na minha!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Amanhã no AO - HOJE "Áqui P'rÁ VocÊIS"!


Atenção! Antes de mais, que fique desde já bem claro, que apesar de eu não ser totalmente céptica em relação à mudança, sou parcialmente céptica em relação a algumas mudanças. De resto, sofro da síndrome de “criança no primeiro dia de aulas” naquilo que diz respeito à mudança. Lembro-me de ter tido um coleguinha de turma, que tinha as reacções mais estranhas em relação aos primeiros dias de aulas: ou vomitava em jacto ao pisar pé dentro da sala de aula, ou ficava muito vermelho a pontos de sufocar, ou tremia que nem varas verdes até acabar por cair redondo no chão! Não sei ao certo, até hoje, o que lhe provocaria tal angústia, porque a nossa professora da primária foi sempre a mesma, quatro anos seguidos, uma senhora amorosa, com nome de flor, que nos tratava por “periquitinhos”! No entanto, a reacção dele, ano após ano, durante todo o ensino primário foi sempre esta. Uma espécie de “alergia crónica” aos primeiros dias de aula. Bom, digamos que eu não sou exactamente alérgica crónica à mudança, mas tenho algumas “irritações” nervosas aquando da fase de ponderação de mudança e início da transição. Ainda assim, mal sinto o pé tocar na água, mergulho! Talvez este meu receio inicial se justifique por ser ainda daquelas raras pessoas que acredita que na vida tudo pode correr de acordo com o planeado, se quando fizermos um plano, acreditarmos nele e nos agarrarmos com unhas e dentes, cingindo-nos só a ele, com todas as metas e objectivos traçados, atingindo desse modo todas as etapas plena e jovialmente. Mas ao fim de quase 30 anos, até eu começo a acreditar que às vezes é nos planos inesperados e nas mudanças súbitas que nós conseguimos encontrar os nossos melhores projectos e maiores realizações.
Em tempos de crise, porém, algumas mudanças, são encaradas como derradeiros actos insanos, não de “besta sadia”, mas de “malucos varridos” mesmo. O grande António Variações escreveu em tempos, algo recentemente musicado e trazido à nossa lembrança pelos sons dos ‘Humanos’, onde nos lembra que estamos “sempre a tempo de mudar” e nos recomenda em tom “amigo”: “Muda de vida, se tu não vives satisfeito”. Segundo ele não deveríamos viver “contrafeitos”. Maior verdade não podia haver, mas em termos práticos eu conto pelos dedos de uma mão as pessoas que eu conheço e que, em um ou mais aspectos das suas vidas, não vivem “contrafeitos”. Será por resistirem sistematicamente à mudança?! Ou será porque no fundo andamos todos à procura de algo completamente irreal, que é a busca da perfeição, felicidade absoluta e completa realização?!
Talvez seja por uma combinação de factores, mas a verdade é que com tanto empréstimo à perna e “despesa mensal fixa”, não há espaço para margem de manobra e grandes mudanças na vida da maior parte das pessoas. Os que realmente se podem dar ao luxo de mudar, os que acreditam que “quem muda”, alguém ajuda... os destemidos, corajosos. Os que têm o descaramento de arriscar e pura e simplesmente “mudar”, nem sempre caem de pé, como os gatos... mas às vezes também não perdem a vida por causa disso. Não será afinal muito mais divertido sofrer as descargas de adrenalina que as emoções de mudança provocam, do que viver no marasmo dos dias, ignorando um coração forte a latejar dentro de nós?! “Olha que a vida não, não é nem deve ser / Como um castigo que tu terás que viver!”. No alto da sua emoção e inteligência, Raul Solnado pedia-nos um dia: “Façam o favor de ser felizes!”. Eu, acho que não se poderia pedir nada melhor a ninguém! Se é preciso coragem para se tentar ser feliz?! É! Se é impossível ser feliz todos os dias?! Depende... Mas que apesar de todo o cepticismo, descrença, desconfiança e medo vale a pena mudar, às vezes, para se tentar ser um bocadinho mais feliz, isso estou certa que sim! E então?! O que é que vão fazer hoje?! Ficar ou Mudar?!

Mudança (de)vida!
Croniquices da Mulher a 1000/h, por Sílvia Martins

terça-feira, 25 de maio de 2010

Aturem-me...





... porque ser mãe babada é isto!

A 2 dias...



... de fazer 2 anos!

(Alguém me explica porque é que eu gosto tanto deste estilo colorido, descontraído e mix match das miúdas?!)

"We are all under the sun"...


O fim-de-semana foi tão bom, mas tão bom, com direito a feriado regional e tudo ontem, que eu já devia saber que esta terça-feira ia ter sabor a segunda... acordei com uma dor de cabeça fatal, a miúda continua constipada e amanhã começo uma formação que me vai ocupar durante um mês todos os dias das 18:30 às 22:30 e todos os Sábados das 09:00 às 18:00! Mas é por uma boa causa e para além disso este é um dos projectos que tenho vindo a adiar desde que fui mãe e desde que me mudei para esta ilha! No entanto, ontem, fui abalada por um medo de deixar a pequenita tantas horas sozinha com o pai... é que esta semana nem ir buscá-la posso e vou ter que faltar à formação já na quinta-feira, porque ela faz aninhos, enfim, senti-me “vai-não-vai” para desistir, mesmo antes de ter começado! E é por isso que é bom ter ao nosso lado quem nos ame, quem sinceramente se preocupe connosco e que adivinhando o que nos vai na alma nos diga: “Não te preocupes! Vai correr tudo bem. Não quero que deixes de fazer mais isto por nós... deixa-me ser eu agora ajudar-te a fazer alguma coisa por ti!”. E assim, amanhã começo mais uma aventura! Para além disso, espero que entre amanhã ou depois comecem as entrevistas para a minha “substituta” e que eu possa no início da próxima semana partir para “outros voos”!

sexta-feira, 21 de maio de 2010


Este fim-de-semana tenho, porque tenho mesmo, que organizar o meu guarda-roupa. Pôr tudo em ordem nas gavetas e armários, separar “o trigo do joio”... tenho que o fazer porque, para além da desarrumação vigente actualmente em tudo o que é espaço de arrumação no meu quarto, eu tenho esta prática quase como um ritual ao género “dança da chuva”, mas ao contrário... a ver se o sol se instala definitivamente nesta ilha, contrariando as agoiradas previsões meteorológicas e tudo o que é voz de sapiência popular, que diz que este ano a ilha só terá um mês de Verão e que para o ano será ano de “torrão”!

Para além disso, hoje é sexta-feira e eu espero que este final de semana seja para mim também o final de mais uma etapa na minha vida, sendo que aguardo com ansiedade a nova fase que aí vem, na esperança de que este positivismo, com cheirinho a sexta-feira me contagie para o resto do ano! E já agora, que estamos em fase de “desejos”, que me contagie a mim e a vocês todos, que por aqui passam e têm a “pachorra” de ler os devaneios desta pobre alma de rapariga perdida num mundo de amor e ilusão...
Volto mais logo!


P.S.- Já alguém reparou, que finalmente sincronizei o fuso horário do estaminé?! Estava no fuso horário do Pacífico, segundo consta...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Voa, voa...



Esta semente,
que eu carreguei comigo 42 semanas, exactas,
está a 7 dias de fazer 2 anos...
e eu...
eu estou a pontos de desatar a chorar!
CREDO, como o tempo voa...

HOJE no AO - "Os Crisulentos dos 500 Euros"

Quando eu ainda estudava no preparatório, lembro-me de ter participado na minha primeira manifestação. Lembro-me de envergar um cartaz onde se lia “Ó Leite, já estás a azedar!”. Lembro-me de ter pedido para me explicarem o sentido do cartaz. Lembro-me também do barulho, dos gritos, dos arrepios de pele de galinha e do orgulho nos olhos, quando os alunos do secundário e universitário, passando por nós nos aplaudiam e diziam: “Boa! Hoje é por nós, mas amanhã para vocês!”. Lembro-me de nunca me ter resignado com nada. Muitas vezes, nas aulas, aquando de uma explicação menos razoável nunca hesitei em perguntar, questionar, indagar, tudo assim, repetitivamente, insistentemente e exaustivamente. Lembro-me de ter escrito o meu primeiro texto publicado no jornal da escola revoltando-me contra o apelido da minha geração, lembram-se de nós?! A “geração rasca”?! Pois é... Já mais tarde, para o Jornal da Faculdade escrevi outro, acerca do nosso novo epíteto, “geração à rasca”! A geração “aflitinha” para terminar o curso, “aflitinha” para pagar as propinas, “aflitinha” para arranjar emprego! E hoje, ganhámos novo título: o da “geração dos 500 euros”. Vocês sabem quem somos... aqueles, que queimaram pestanas anos a fio, resistiram a tudo o que foi alteração de planos curriculares, provas e pagamento de propinas! Nós somos os licenciados que pagaram os estudos com o suor do trabalho dos nossos pais, aqueles que queriam para nós “ um futuro melhor do que o deles”! Nós somos os que cresceram sem telemóveis, com direito a carteirinha para trazer o passe dos transportes públicos ao peito! Somos os que sobreviveram aos “andarilhos” e à violência escolar, que na altura não se chamava “bullying”, mas “a força dos mais fortes” e que nunca mostrámos medo perante a régua de madeira pousada na mesa da professora! E agora?! Agora quem somos nós afinal?! Agora... agora somos os “temporários”, os recibos verdes, alguns mais verdadeiros, outros mais falaciosos, somos os funcionários públicos sem regalias. Os idealistas. Somos a geração que se endivida por 40 anos para comprar casa, pelo menos 4 anos para comprar carro e que acaba por não saber nunca o que o amanhã trará!
A “geração dos 500 euros” é uma geração letrada, sim senhor! Sabe de História, Filosofia, Direito e Literatura Medieval, fala pelo menos 3 línguas na perfeição e parte-se do princípio que saiba ler pelo menos mais 3. É uma geração cheia de “conhecimentos de informática na óptica do utilizador”, possuidora nata de talentos sociais, “boa capacidade de trabalho em grupo” (que remédio!) e com carta de condução! Uma sociedade onde, supostamente, a igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres vigora e onde quem espera, sempre desespera!
Mas nós somos mais do que isso: somos os professores de matemática em caixas de hiper-mercados, os filósofos de 30 anos que nunca tiveram um primeiro emprego, as professoras de português, que querendo local fixo de trabalho se dedicam à prática administrativa e os historiadores, que sabendo datas e factos de todos os livros, alguns de cor, nos indicam prateleiras e estantes em tudo o que é FNAC!
Bem sucedidos, também temos alguns, os senhores doutores cujo pai era do ramo e o empregou na Clínica, o dentista amigo, que “pediu emprestado” para montar consultório, os eternos “trolhas de canudo”, que vão pulando de obra em obra, qual marinheiro de porto em porto. Somos a geração da canção do “coitadinho”, destinados às constantes “dietas da crise”! A nossa geração é talvez das mais ambiciosas de sempre, pejados de sonhos, inundados de histórias de finais felizes “á la Hollywood” e “à la Disneyworld”, mas a quem melhor se aplicará a velha máxima de que, no fundo, no fundo, a única verdade, verdadinha é a de que, quem se lixa é única e simplesmente sempre o mesmo... o pobre do “mexilhão”!

O namoro acabou...


... estes já vêm a caminho!

Entre nós é assim...


... a fotografia ou fica bem à primeira, ou não fica de todo!

Nós não somos muito chegados à paragem do momento para o registo “kodak”, mas eu, principalmente, gosto de guardar registo dos momentos! Ultimamente, e por uma questão de facilitismo tenho-o feito com o telemóvel, mas adorava ser capaz de nunca me esquecer de carregar a bateria da máquina fotográfica... coisa que não sou! Eu até a trago na carteira, com cabos e tudo, mas quando chega a hora “h” há sempre algo que falha!
No entanto, uma coisa em que eu reparo e que não deixa de ser irónico é que, os fotógrafos mais incautos, inexperientes e emotivos, como eu, caem frequentemente na tentação do “pára, pára aí e olha lá para a câmara”! O que não deixa de ser um contra-senso, pois se é a alegria do momento que querem apanhar, a mim tiram-ma logo toda com o meu pânico de “será que vou ficar bem na foto?!”.
Mas aqui entre nós, é como eu sempre digo, nem sempre a felicidade está na maior perfeição. Às vezes, as fotos mais bonitas são as mais imperfeitas e às vezes, os momentos mais perfeitos são os que não permitem sequer o tempo para a foto.
Este fim-de-semana foi assim, para nós, quase perfeito! E essas foram tiradas logo a seguir a um bom almoço de cozido das Furnas, no nosso jardim preferido no Hotel, com umas companheiras fantásticas, muito queridas e que tornaram este dia muito, muito mais feliz!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

VENDO!

VALENTE DOR NAS COSTAS
Impecável, como nova, com menos de duas semanas! Óptima para desculpas para não ir trabalhar, fazer aquele programa chato ou aturar situações/pessoas indesejáveis.
Ofereço a delícia de verem aqui publicado o meu sorriso, assim que me livrar delas!
Numa altura de valorização do empreendorismo, há que arriscar! Que me dizem, temos negócio?!
AUch!

Boa Ideia...




... encomendei aqui!


E ainda pedi para juntar mais este:

Com estes... estou em fase de namoro:





Ah e tal a crise e tal... e que não pode ser, não se pode! Estamos todos a contar trocos, a dar graças a Deus por ter um emprego, mesmo não gostando dele, mesmo não chegando para pagar as contas, mesmo correndo o sério risco de ser infeliz... ah e tal, a crise, que não se pode e estamos todos a pontos de ficar louquinhos de tanto stress e pressão e bananas na cabeça e Carmen Miranda e vamos ver se nos aguentamos... ah e tal, que peninha do nosso País, que coisa, que desgraça, coitadinhos de nós... mas acalmem-se... não tarda nada está aí o Mundial... e olhem, é o puto do “bacanal”! Tudo a morrer de amor e orgulho à camisola, a gritar POR-TU-GAL a plenos pulmões! E Viva a Lusofonia, que só hoje já recebi 4 e-mails de publicidade para ganhar bilhetes para a África de Sul... ah... e uma Vuvuzela! Afinal de contas, o que seria a minha vida neste Mundial sem uma Vuvuzela?!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Tomei a liberdade...


... de partilhar convosco isto:


"Se puderes,

Sem angústia

E sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo

O logro da aventura.


És Homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças…"


Miguel Torga


Porque há muito quem tenha escrito, mas poucos que o tenham feito, como se fosse só para nós!

Um bilhete de ida...


Eu não gosto de mudanças! Aliás... não é bem que não goste, mas custa-me! “Dar o salto”, arriscar, trocar o “certo pelo incerto”, mesmo na certeza de que este incerto será o lugar mais certo para mim. Tenho um defeito de fabrico, não consigo celebrar a mudança, mesmo quando acredito que tudo aquilo que ela vai trazer é bom! Tenho este defeito. Mas depois tenho outras virtudes: a coragem, a destreza, a desfaçatez de acreditar que sou capaz e o descaramento de tentar mudar!
Estes últimos dias têm sido um verdadeiro tumulto! Entre trocas de e-mails, reuniões, telefonemas, esperas, negociações e pensar... muito pensar... o certo parece-me um tédio e tudo dentro de mim é sede de mudança! Não sei se vai correr bem, não sei se vou ser bem sucedida, se vou gostar! Seria louca em acreditar que sim, sem dúvidas nem hesitações... a vida ensinou-me, com os seus avanços e retrocessos, que até no mais belo pano cai a mancha e que aquilo que nos faz feliz nem sempre é o mais perfeito! Assim sendo, decidi arriscar, com tudo o que isso acarreta, com todas as mudanças que isso implicará e em breve, conto eu que possa ser muito brevemente, deixarei de “bloggar” deste sítio onde me encontro... e o futuro... o futuro o amanhã dirá!
Sabem, eu acredito que realmente, a idade traz muitos benefícios, inclusive a capacidade de nos resignarmos e acomodarmos, com a certeza e o conforto de que assim é que somos felizes! É por isso, que o tempo de mudança é agora, hoje... porque me recuso a deixar de acreditar e abraçar o “marasmo” de uma vida de “certezas absolutas”, pois certa, certa mesmo, essa é só a morte, tudo o resto são promessas de certezas, com que nos iludimos diariamente, engolindo-as aos pouquinhos com copinhos de água de paciência e conformismo!
Hoje sinto-me privilegiada, pois a oportunidade passou-me à frente e eu estou em condições de lhe tocar com a mão! Ao mesmo tempo, morro de medo que as coisas corram mal... mas isso, isso só saberei se arriscar! E hoje, arrisco!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Moral da História...

" I must become a lion hearted girl

Ready for a fight

Before I make the final sacrifice"

"Pais para toda a obra" - 13.05.10 no AO


Seria de esperar que a Croniquice de hoje fosse sobre o Papa, ou sobre as festas do Senhor Santo Cristo, ou sobre a nuvem de cinzas que espalhou a confusão... seria... mas como também já é de esperar para quem me lê, eu não escrevo obrigatoriamente sobre as notícias “quentes” do momento! E é por isso, mas só por isso, hoje vou escrever sobre as coisas que mais me ofendem enquanto mãe no século XXI. Eu sou mãe apenas há dois anos, de apenas um filho, aliás, sem querer ser sexista, mas sendo exacta, uma filha. Não tenho por isso vasta experiência no ramo, nem conhecimentos de causa de largos anos ou grandes teorias formadas ao longo do meu longo empirismo! No entanto sou mãe e como tal tenho direito a opinar sobre a minha curta, mas activa experiência, acerca do meu recente, mas empenhado esforço na procura da realização do meu melhor papel enquanto mãe e deixem-me que vos diga, que há coisas que me dão a volta ao estômago. Não há nada, mas nada que me revolte mais, que me faça mais “espécie” do que as opiniões fundadas e cristalizadas acerca dos pais dos tempos que correm. Se não batem é porque são uns “paus-mandados”, se batem é porque são violentos, agressivos e nunca deviam ter sido pais. Se dão tudo aos filhos é porque os vão estragar, se não dão é porque são negligentes e rudes. Se os pais se preocupam e levam os miúdos a tudo o que é especialista e ligam para a creche todos os dias é porque são galinhas e doentios, se não se preocupam, levam ao pediatra ou ligam para a Creche é porque são uns “bastardos” ingratos que deixam os miúdos ao “Deus dará”. Se os pais levam os miúdos para todo o lado com eles, eventos sociais, espaços públicos, locais exóticos incluídos, são uns “loucos destemidos e sem medida, que não têm noção da barulheira que as crianças fazem e caos e confusão”... se não os levam, são uns “castradores”, que nem deixam as crianças conviver, “nunca hão-de aprender a socializar aqueles pobres meninos”! Enfim, aquilo que mais vejo por aí é gente que opina livremente, sempre que lhe dá na real gana, sem a mínima preocupação do efeito que essas “opiniões” possam ter no “desempenho” enquanto pais, dos constantes alvos da crítica! “Ah e tal, que as crianças de hoje não têm educação...”, “ah e tal que os paizinhos são quem tem culpa”... não me entendam mal, não estou aqui a escrever para fazer a defesa dos “coitadinhos” ou ser advogado do diabo de ninguém, mas a verdade é que a sociedade penaliza cada vez mais os pais, esquecendo-se frequentemente que as exigências que são feitas aos pais actualmente em nada se comparam às do “antigamente”! Ora notem, que não há Pai interessado hoje em dia que não conheça de cor uma ou duas teorias do sono ou de alimentação dos pediatras mais afamados, não há Pai atento, que não saiba o percentil do seu filho ou Pai cuidadoso, que não tenha cadeirinha de carro e de passeio e berço conforme as normas de segurança... digam-me lá, com sinceridade, qual era o Pai que há vinte e poucos anos atrás sabia ou fazia ou sequer se preocupava com tudo isso?! Qual era o Pai ou Mãe, que há trinta e mais anos atrás se preocupava se o menino socializava ou se ia ficar traumatizado com a pancada que apanhava ou se chateava com os professores por causa das “reguadas” e castigos, ou sequer se incomodava se o miúdo tinha actividades extra-curriculares ou não?! E agora os culpados são os pais! Pois, se calhar são... mas apenas por dar ouvidos a vozes, que segundo reza a lenda, não chegam aos céus! Os filhos dos outros “incomodam” nos espaços públicos?! Pois então fiquem em casa! Algo de errado se passa na nossa sociedade quando educar é alvo de crítica, o palrar de uma criança é “barulho” e as suas brincadeiras uma “confusão”. Quando é que será que nos esquecemos todos, que também nós um dia já fomos crianças?!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Cartas na Mesa...


Eu não sou pessoa de sonhos extravagantes, nem de gostos luxuosos, mas gosto de conforto, de alguma segurança, de certezas e de saber que posso contar minimamente com o que o amanhã trará! Infelizmente, acho que quem pede pouco nesta vida recebe ainda menos e que quem pede muito e faz menos do que nós pedimos, acaba por ser quase sempre bafejado pela sorte dos “loucos”! É a “ironia” do universo!
Vejo muito quem tenha nascido em berço de ouro, mais ainda quem lute todos os dias por singrar e ser alguém! Em várias gerações de mulheres e homens na minha família paterna e materna eu fui a primeira a ser licenciada! A ser “doutora”, como diz a minha avó... e posso dizer, com toda a certeza, que sou a primeira a ter o futuro económico e financeiro mais instável e tremido de todos... isto porque quem estuda até aos vinte e poucos anos tarda em entrar no mercado de trabalho e o curso em que apostou há 5 anos atrás, caduca e expira em 5 minutos, quando as tendências do mercado se voltam para outros lados!
Eu posso dizer que tenho uma licenciatura (não de Bolonha), uma pós-graduação concluída e outra por concluir e que trabalhei 7 anos a recibos verdes para diferentes entidades... que nunca tive um salário fixo acima dos 600 euros por mês e que o primeiro contrato que me fizeram foi numa empresa de construção, onde desempenho funções de “escriturária de 2ª”, em que o salário mal pagaria todas as minhas despesas fixas, sem contar com os extras! Escrevo uma crónica semanal para o jornal, sem remuneração e sou mãe disponível “pro bono”!
Não me levem a mal, portanto, que me sinta revoltada, por ter aprendido latim, alemão, inglês, francês, italiano, russo, espanhol e neerlandês, por ter decorado tudo o que foi feito histórico significativo de 4 países distintos, por ter lido os clássicos gregos e romanos, por ter tido aulas de Literatura Brasileira, orais e marginais, literatura de expressão africana, literatura alemã medieval, por ter decorado o alfabeto fonético e saber transcrevê-lo, por saber a diferença entre fonologia, fonética, semântica, sintaxe e pragmática, por ter aprendido linguística alemã e gramática de valências, técnicas de tradução e didáctica de ensino de português a estrangeiros, escrita criativa e bem sei lá eu mais o quê e agora chegue a casa cansada do tédio profissional de uma função mal remunerada, que nada tem a ver com a minha formação, onde me tratam por “menina”, com o único conforto de que todos os meses o salário me cairá na conta, até ao dia 10! Sabendo que tenho que me dar por feliz por estar a contrato, por ter emprego, por não ter salários em atraso e receber o 13º mês, com direito a férias e tudo...
É triste! Juro-vos, tenho dias em que me deito frustrada e acordo mais frustrada ainda! Tenho dias em que o meu único consolo é a satisfação de saber que o meu carro está podre, mas pago, que a minha casa é humilde, mas limpa e que eu sou mais eu quando não calo, mas grito, ainda que possa ser o maior disparate da minha vida, com toda a certeza de que o mérito do mesmo é todo meu!
E agora digam-me... com que cara querem que eu mande a minha filha “estudar para ser alguém na vida”?! Haja paciência!

Cinderela de pé de chinelo na corda bamba das suas miseráveis ambições...


E eis que o email chegou ontem, a marcar reunião para ontem... no final ficou no ar um telefonema até ao fim do dia de ontem... e eis que até hoje... nada!

terça-feira, 11 de maio de 2010


Isto já começa a ser repetitivo, mas estou de volta! Depois de mais uma otite, uma suspeita de varicela, muita febre, muita birra, muita neura e rinohmer... enfim... depois de tudo isso e um feriado municipal, aqui estou eu outra vez! Já perdi a conta às viroses, já me rendi às evidências e agora consolo-me com dias como o de hoje... em que pura e simplesmente: não se passa nada!
Estou cansada a acumular maleitas de stress, que ora me dão dores no braço, ora nas costas, ora me aparecem negras inexplicáveis nas pernas... enfim... mais duas viroses destas assim de rajada e quem se “virosa” de vez sou eu!
A pequenita pobrezinha lá se vai aguentando e tendo em conta as febres e as dores da otite até que se porta muito bem... já na hora do antibiótico... Cruzes, nem é bom lembrar!
Por aqui estamos em semana do Senhor Santo Cristo dos Milagres, a festa das festas cá na ilha, e eu estou tentada a ir falar com o Senhor e fazer-lhe um pedido... mas ele deve estar cheio de trabalho e eu tenho para mim que ele não vai querer nada comigo! Enfim... por hoje é isto, estou oficialmente resignada! O que não é bom meus senhores, não é de todo bom!

"Tum-Tum, Tum-Tum" no AO a 06.05.10


TUM-TUM, TUM-TUM... batia como se tivesse acabado de correr a maratona. TUM-TUM, TUM-TUM... batia com tanta força que o sentia quase querer sair de dentro de mim. TUM-TUM, TUM-TUM... sentia-o agitado na zona lateral do meu pescoço, tão perto da minha boca, que me secava a saliva e me aspirava o respirar! TUM-TUm, TUm-Tum... talvez fosse isto a experiência que o povo denomina de “ficar com o coração na boca”. TUM-TUm, Tum-Tum, TUm-Tum, Tum-Tum... os ombros começaram a tremelicar e antes que eu pudesse dizer a primeira das muitas palavras que para sempre te diria senti a palma das mãos frias e os pés a enrijecerem-se, como que contrariando a vontade do corpo em querer fugir dali. TUM-TUM, TUM-TUM... Ao abrir a boca, prenderam-se-me os braços ao corpo, as veias todas se esticaram e saiu um tímido e preso “olá”, juntamente com um sorriso de expectação... TUM-TUM, TUM-TUM, batia que nem louco o meu pobre coração. TUM-TUM, TUM-TUM... como se me quisesse castigar pelo que eu lhe estava a fazer: “Estás Louca?! TUM-TUM! Estás a ouvir-me?! TUM-TUM! Sai daí, pira-te, pisga-te, foge, não fiques, dá corda aos vitorinos e atira as solas ao asfalto!”... TUM-TUM, TUM-TUM... mas também ele já só o dizia por medo, por receio de se quebrar e partir... TUM-TUm, Tum-Tum... lembrou-se dos dias de tristeza, em que bateu descompassado, quase sem ritmo, quase sem força... Tum-Tum, Tum-Tum... lentamente começou a esmorecer, a desacelerar... tum-tum... tum-tum... os tremores dos ombros pararam, os pés relaxaram, as mãos secaram e a boca humedeceu-se! Não havia volta a dar! Vimo-lo depois, virar-se na nossa direcção e ao nosso “olá” responder com um sorriso... TUM-TUM, TUM-TUM! Alegria, batucadas, estrelinhas e fogos de artifício! O que se seguiu foi tudo aquilo que sempre se segue ao encontro da Paixão! O coração bateu muitas vezes, dançou samba, soou timbaladas, batucadas de meia noite... E é tão bom sentir assim o nosso coração bater dentro de nós! É tão importante senti-lo bater assim, de tempos a tempos, de vez em vez... umas vezes saltitando, umas vezes colando-se-nos ao palato... porque a verdadeira essência da vida está em senti-la na boca e nos membros, com menor, ou maior intensidade e deixarmo-nos vibrar, que nem sinos depois da derradeira badalada!
Enquanto escrevo relembro todas estas sensações do nosso primeiro encontro, da primeira vez que te vi, da segunda e terceira e de tantas outras que se lhe seguiram e penso de mim, para comigo, que estar apaixonado deve ser das sensações mais fortes em adrenalina e produção de “hormonas da felicidade” que existe. Lamento que os Homens não se possam apaixonar todos os dias! Está certo, ficamos mais apalermados, um bocadinho mais aéreos, distraídos, suspirantes e desejosos... mas também ficamos muitas vezes mais felizes, muito mais crentes, mais positivos e voluntariosos. A Paixão é mesmo assim... tum-tum, faz-nos lembrar de que nem só no mundo das Fadas é possível viver sonhos ou percorrer campos verdes de mãos dadas, sem noção do tempo ou da razão. A paixão faz-nos ressuscitar a criança que há dentro de nós e não ficar chateados por correr à chuva ou rebolar na areia, ou rir a alto e bom som, comer de boca aberta, ser selvagem, mas um “bom selvagem”, no fundo ser inocentemente feliz. A memória traz-nos os odores, as cores, o calor, a sensação de corpo transpirado e coração a pular por baixo do peito, visível a olho nu.
A Paixão revisitada, a paixão que nos alenta... porque nem só do racional vive o homem, nem só do que é certo, possível, plausível, perfeitamente concreto ou realizável. E de repente lembrei-me de Agustina: "A existência do homem adulto não encerra senão monotonia. A paixão não procede das pessoas, mas de algo a que elas têm de obedecer para não cumprirem apenas uma vida sem impulso e sem fantasia".

quarta-feira, 5 de maio de 2010

... e hoje, é isto:

Sometimes I feel like throwing my hands up in the air

I know I can count on you

Sometimes I feel like saying "Lord I just don't care"

But you've got the love I need To see me through

Sometimes it seems that the going is just too rough

And things go wrong no matter what I do

Now and then it seems that life is just too much

But you've got the love I need to see me through

When food is gone you are my daily meal

When friends are gone I know my savior's love is real

You Know it's real

You got the love

terça-feira, 4 de maio de 2010

waiting for...


Tenho a catraia outra vez com febre. Desde sexta-feira com uma tosse de cão incrível. Ontem, a noite foi para esquecer... se dormi duas horas foi muito! Já não sei que lhe faça... às vezes mais parece que vivo a minha maternidade de virose em virose...
Bem sei, bem sei que com crianças pequenas a maior parte das vezes é mesmo assim, mas custa-me tanto sabê-la doente! Não que ela tenha aspecto disso... porque continua a correr e a brincar mesmo a arder de febre, mas ambas sabemos que ela não está bem. Fica mais dengosa, mais birrenta, mais irritadinha, só quer colo... o meu colo... faz fita para comer, eu não durmo porque estou sempre alerta e depois andamos assim as duas: cansadas!
Para lá da ansiedade do e-mail, que ainda não chegou e de tantas outras coisas, pelas quais tenho que esperar, a espera pela melhoria de saúde dela é a que mais me faz penar, física e psicologicamente!


“...make haste welfare, make haste...”

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Da Espera...

Eu não sou uma pessoa pontual. Mas detesto atrasos e detesto esperar! É um contra-senso, bem sei! Bem-vindos ao meu mundo dos 8 ou 80’as!
Estou há 4 dias à espera de um e-mail ou telefonema e só hoje já devo ter aberto a caixa de mail, sem exagero, umas 30 vezes! Não consigo evitar! Bem sei, que o que tem que ser, assim será! Mas será que não dava para ser ou não ser mais rápido!?
É que se me cola o palato mole, entorta-se-me a ponta da língua e eu fico aqui, neste sufoco, nesta ânsia... neste pesar ansioso e pessimista, neste trocar de olhos nervoso. Até as pontinhas dos dedos me tremem.
Ultimamente, não tenho conseguido nada na vida sem esta “espera”. E eu já vos disse que detesto esperar?! Certo?!
E vai desta, agora está-me a chegar o tremelicar nervosinho da pálpebra, e já abri o e-mail mais duas vezes! Daqui a mais cinco minutos terá que ficar para amanhã... e a espera passa de 4 a 5 dias, de quase uma semana completa... quem já esperou um ano inteiro devia saber esperar 5 dias, não é?! Mas a verdade é que a espera custa e quem tarda aborrece! Tenho dito!
Com isto, vou só ali abrir o e-mail mais duas vezes e depois desligo!
Até amanhã.

Sei que este País faz mal quando...


1 - ... ao ouvir novas notícias das nuvens de cinza do vulcão da Islândia logo a seguir a uma notícia do TGV, penso que esta trama dos vulcões bem que podia ser conspiração para favorecer a aprovação do mesmo! É que o raio do vulcão "deu mesmo jeito"!

2- ... ao ler o acerca do suposto desvio de 17.500 Euros pelo Presidente da Casa do Douro, me ocorre, que ladrão que é ladrão neste País rouba muito mais... Assim, acho uma vergonha correr o risco de ficar com o título de Sr. Gatuno e só "roubar" 17.500 Euros! Reparem, o crime é o mesmo, mas assim por tostões dá "má imagem"!

3- ... penso que as marchas e manifestações no dia do Trabalhador não foram maioritariamente pela melhoria das condições de trabalho, mas pela falta dele!

4- ... acabo de ver o telejornal ou ler as notícias em papel ou online e me sinto nauseada!


Definitivamente, este País faz mal à Saúde!

Srs. Benfiquistas...

Já deviam saber, mas...

InBicta
=
Na minha casa é que não, carágo!
(I have futterwacken vigorously yesterday! Sorry mates!)

sexta-feira, 30 de abril de 2010


Às vezes cai-me uma sombra de pessimismo nos ombros como um manto pesado que nos faz andar de arrastão... às vezes penso que gostava de ser especial, ter um dote único, ser bafejada pela sorte divina no que diz respeito a reconhecimento e realização profissional. Às vezes sinto-me uma nulidade, um zero à esquerda, sem paciência até para me ouvir a mim mesma lamuriar e “aiar” e snifar e suspirar... Enfim... mas isso é só às vezes, porque depois lembro-me da sorte que tenho em ser feliz com tantas outras coisas e tudo isso me parece acessório! Tudo o resto é banal! Afinal de contas, dias menos bons, quem os não tem?!


Venha de lá um fim-de-semana... sim?! Por favor! Obrigada!

"And so we meet again..."


Aos 20 anos fui estudar para a Alemanha. Desde essa altura nunca mais parei de viajar. Fiquei fora por maiores ou menores períodos de tempo. Conheci sítios mágicos, sítios interessantes e alguns sítios que me pareciam familiares, mas uma coisa a que não me habituei nunca, mesmo depois destes dois anos de ilha, foi às partidas. Pelo contrário, adoro chegadas!
Amo de morte ver as pessoas a chegar aos aeroportos.
Os reencontros.
Quando o meu marido veio para os Açores eu, grávida de quase 8 meses, viva de reencontro em reencontro. O dia da chegada dele era sempre dia de festa! Preparava-me toda, com a melhor roupa, bem cheirosa, e olhava no rosto de todos os que iam saindo por aquela porta das chegadas, na esperança de que cada um daqueles rostos fosse o dele. Lembro-me de espreitar, qual ginasta acrobata, por entre as portas automáticas, na esperança de o ver na zona das bagagens ou mesmo antes de ele passar por entre aquelas portas... eu só queria um vislumbre, uma nesga da figura dele, a certeza de que ele estava ali. Quando ele finalmente chegava todo o meu corpo sucumbia à saudade. Mal me agarrava no seu pescoço e inalava aquele odor, toda eu tremia, toda eu vacilava! Só com esforço continha as lágrimas de felicidade e cada beijo que ele me ia dando sabia a “ainda bem que estás aqui”!
Depois, nasceu a nossa filha e nós ficámos separados mais dois meses. Quando o ia buscar ao aeroporto fazia questão de ir sozinha, foi dos primeiros momentos em que me separei da minha filha, e quando ela fez um mês comecei a tentar levá-la comigo, mas coincidia frequentemente com a hora do choro interminável dela, com as crises de cólicas e isso dava cabo do momento... assim, tentei sempre ir sozinha. O momento era nosso! Aquele momento do reencontro, da redescoberta e foi aí, nesses reencontros, que eu percebi, caso dúvidas restassem, que estava irremediavelmente apaixonada por ele. Pois, de cada vez que o via, de cada vez que o avistava naquela porta de chegada apaixonava-me como da primeira vez em que o vi!
Ontem, a nossa casa, foi palco de um desses reencontros de “amantes”, agravado pelo facto de serem duas das pessoas mais queridas para nós, dois amigos que nos têm acompanhado de muito perto nestes últimos tempos. Para melhorar tudo, ela também está grávida de uma menina, minha sobrinha afectiva, e têm uma relação de largos anos já...
A surpresa era para ela, aliás, para elas. Eu antecipei a viagem dele, eles recomendaram-me segredo e que a mantivesse ali em casa enquanto o meu marido o ia buscar ao aeroporto. Quando ele chegou foi a Repolhita que anunciou a surpresa, apontando para o local onde ele estava. A S. um pouco céptica caminhou na direcção do local da “surpresa” e o momento em que os dois se viram foi indescritível. Eu podia tentar descrever, com as palavras mais expressivas e coloridas, com as mais ricas metáforas, mas nada transcreveria a intensidade do olhar daqueles dois, o ar de paixão reencontrada e a força do beijo que se seguiu! Nós demos-lhes espaço... desaparecemos de cena... mas a imagem daquele reencontro ficou para mim como prova de que, contra tudo o que possam dizer, o amor sincero é a maior força do mundo!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

"I Shall wait until the frabjous day..."

"... then I shall futterwacken... VIGOROUSLY!!!"

... e quase me esquecia...


Bye bye Red hair! Hello sexy Brown! Que tal?!
(Quem é que é a loira agora, huummm?!)

Fresquinho...




Acabadinho de comprar vai directinho para cima da mesa de jantar!


Simples, pálido, fresco e limpinho... bem ao gosto da "je"!

Tau-Tau à moda antiga...


Na Visão desta semana, o artigo que faz capa é o de “Como evitar as birras”. Eu que sigo o link da revista no facebook ainda me espanto com os comentários que lá deixam por vezes. Esta semana era tudo a apelar à ditadura do “não”! E eu acho muita piada a essa ideia de que basta saber dizer “não” para que as crianças o aprendam e sigam com convicção! Acho mesmo muita graça a isso! Principalmente quando a maior dificuldade de tantos adultos (pais ou não pais) não é tanto a de dizerem “não”, mas a de lidarem com os “nãos” que vão ouvindo!
Não me parece, a sério que não, que o “não” seja a solução para evitar birras, tanto ao mais que muitas delas só começam depois de se ouvir o “não”!
Quem não tem filhos acha a mais pequena birra de uma criança uma tremenda “bandalheira” e falta de educação dos pais do menino birrento, mas a verdade é que a birra é uma reacção natural e instintiva às contrariedades com que os mais pequenos se defrontam! Neste aspecto, quer-me a mim parecer, que a melhor solução é mesmo ensinar os mais pequenos a lidar com elas, não perder o tom e a paciência, o que às vezes é uma verdadeira batalha dantesca e dizer que “não”, sim, muitas vezes, sempre que necessário, mas se possível antecipar e evitar possíveis situações em que tenhamos que o dizer! Bem sei, como mãe de birras de 23 meses, que nem sempre isso é fácil! Também sei que uma palmada ou um puxão de orelhas, por vezes, é a solução mais rápida e eficaz na solução de conflitos e término de birras... mas também sei, que não quero que a minha filha encare o poder como forma de uso de violência, pois não a quero ensinar a resolver as coisas com palmadas ou puxões de orelha, que resolvem no momento, mas prolongam o ciclo de raiva!
Já passei por várias fases de birras. Espero passar por muitas mais... e a única coisa que me ofende mesmo não é pensar que ela é mal-educada, pois sei que não é, mas é ver que principalmente quem não tem filhos acaba por culpar sempre os pais, quando tudo o que um bom pai faz é dar dia após dia, couro, cabelo, sangue e suor com amor, para que os seus filhos superem as birras, aprendam a lidar com as contrariedades e se adaptem aos modelos sociais, por muito “barulho” que isso possa fazer. E se isso não é dar educação, de facto não sei o que será!

Dia(s) Livre(s) - HOJE no AO

No passado Domingo festejou-se o “dia da Liberdade”, neste Sábado festejaremos o “dia do Trabalhador” e neste Domingo resta-nos o “dia da Mãe”. Curiosa esta proximidade de datas, que assinalam estas três grandes “celebrações”, em muito paradoxais, mas em tudo tão intrinsecamente relacionadas. Não fosse o fim da ditadura, e a caducidade dos valores morais Salazaristas, e a mulher continuaria a fazer da cozinha o seu lugar mais frequentado, da família o seu único valor e da devoção a filhos e a marido a sua crença maior, apenas disputado pelo seu amor a “Fátima”. Não fosse a queda do regime ditatorial em Portugal e o dia do Trabalhador não poderia ser celebrado, sendo que foi proibida e reprimida durante o Estado Novo qualquer manifestação pública ou comemoração deste dia. O 1º de Maio traz também a chegada do “carrapato” e em regiões como a de que eu sou oriunda, não há casa de bem que não coloque “Maias”, as flores das giestas, em tudo o que é porta ou janela ou entrada de ar na casa! Para afastar o “carrapato”, dizem as gentes!
Tradição no “dia da Liberdade” são as corridas, a pé, de bicicleta... facto que eu sempre achei curioso, porque não consigo, por muito que tente, ver a corrida como manifestação suprema da liberdade de alguém. Vá, talvez seja só eu, mas a corrida a mim sempre me lembrou “fugida”! Fugir de algo, ou de alguém... a “Corrida para a Liberdade” sempre me ocorreu como a fuga da falta dela! Este ano, num corta-mato, que realizaram “lá na terra”, a minha cunhada mais nova, com 19 anos ganhou o primeiro lugar feminino! Isso e uma grande bolha no pé! Mais uma prova de que mulher, que é mulher, consegue tudo só depois de muito suor e sangue. Não me pareceu sentir-se muito livre depois de ter ganho, mas que trabalhou para a ganhar, lá isso trabalhou! E por falar em trabalhar, outro facto que também sempre me intrigou foi o de no dia do trabalhador ninguém trabalhar! Ora, vamos lá a ver, que melhor forma de mostrar apreço pelos direitos enquanto trabalhador do que trabalhando?! Mas não, vem o dia do trabalhador e ninguém trabalha! Ninguém! Lá na terra, nesse dia, fazem-se pic-nics, se o tempo estiver de feição! É que já nem as manifestações dão muito”jeito”!
Não... é uma miséria, não temos direitos nenhuns, as condições de trabalho são cada vez mais precárias, os trabalhadores cada vez mais explorados, mas no dia do trabalhador vamos todos é gozar o feriado e fazer um belo de um pic-nic! Umas sandes de lombo, panados e arroz de feijão e o belo do vinho de garrafão! Afogam-se as mágoas, dorme-se de papo para o ar, que de “tristezas” não vive o Homem! Afinal de contas, por muito paradoxal que possa parecer esta atitude até tem alguma lógica, se pensarmos no bom e velho slogan: “se eu não gostar de mim, quem gostará?!”.
Valha-nos ao menos o dia da Mãe, em que recebemos prendinhas e os nossos filhos nos trazem o pequeno-almoço à cama, ou não! E nós em jeito de agradecimento lá lhes vamos dando beijinhos o dia todo, perdoando pequenas faltas de comportamento, tudo porque é o nosso dia, o dia da mãe! Algumas sortudas, ganham mesmo o direito a passar o dia da mãe sem os filhos... vão fazer uma massagem, a depilação, manicure e pedicure, conforme manda a tradição! Afinal de contas é o nosso dia e cada uma o goza como quer!
Eu, no dia da Liberdade não corri, mas dormi até tarde, que sendo mãe de uma criança pequena é uma das maiores liberdades a que me poderei alguma vez dar ao luxo. No dia do trabalhador, trabalho em casa, porque boca de filha e marido não faz greve nesse dia e a casa continuará por arrumar. No dia da mãe conto com um belo dia de sol, para passear com a mais pequena e peço a tudo por Deus, que nesse dia a maternidade só me mostre o lado solar e se prive de birras, viroses e contratempos! Que mais poderá um ser livre desejar?!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Bela e forte, que só eu, "desfilando" mais um dia da minha vida...


Acordei, cheia de sono. A miúda acordou, cheia de tosse! Ultimamente estamos assim... eu cheia de sono, ela cheia de tosse! Vesti-a, vesti-me. Deixei-a passear pela casa de fraldas um pouco antes, a ver se a “imunizo”, mas a catraia espirrou e eu peguei nela a correr cheia de remorsos e dores de consciência. Ela parecia feliz, mas espirrou! E eu... eu, vesti-lhe uma meia calça de algodão e calças de fato de treino, um body e uma camisola. Prendi-lhe o cabelo e ainda lhe enfiei um casaco de algodão. Aqui está frio. Mas ao menos faz sol! Preparei a mochila dela, a minha carteira, peguei nas chaves, telemóvel e danacol! Ela, que tinha ido buscar um boneco ao quarto, viu o seu triciclo da Kitty e sentou-se nele, olhando para mim, como quem diz: empurra! Eu, a morrer de dores no braço (estou assim desde ontem, calculo que seja tensão muscular), olhei para ela como quem diz: Fada-se! Vamos lá!
Empurra para um lado, empurra para o outro, ela de boneco na mão a virar o volante aleatoriamente, eu a levantar a roda para controlar a direcção. Abre portas, fecha portas, cheguei ao elevador e decido, enquanto espero por ele, beber o danacol (a ver se dou cabo do bicho! Ando a acumular doenças de velha, perdão, “vivida”)! O elevador chega. Empurra triciclo, segura carteira, segura mochila, carrega no botão e entorna danacol inteirinho! (D. Maria se me ler, desculpe...)
A pequena ri-se. Resta-nos um lance de escadas, pego no triciclo com ela sentada (não admira que me doa tanto o braço), chegamos ao carro. Arrumo as tralhas, sento-a, enfio o triciclo lá dentro, ela pergunta-me pelo “bai-bai” (a sua mantinha de eleição)... não veio. Hoje não veio. Ficou em casa! Esqueci-me dele! Dou-lhe o boneco, a outra que estava no chão do carro, sento-me, arranco, pego nos óculos de sol e penso, que se este colestrol não me matar, esta maldita rotina instalada acabará por se encarregar de o fazer!
Preciso de férias! URGENTE!

terça-feira, 27 de abril de 2010


É verdade... ainda nem vos disse... e isso é imperdoável... então não é que aqui há coisa de duas semanas a criança lá de casa desbloqueou a língua e agora farta-se de “papagaiar” que é um disparate! É que já diz de tudo! Até um “Ai XEXUS!” já lhe ouvi sair da boca! Ela fala pelos cotovelos... e foi assim mesmo, exactamente como me disseram que ia ser, de um dia para o outro! Começou a falar com conjuntos de duas palavras, sim, porque palavras soltas já ela começou a dizer com cerca de 10 meses! Agora fala de tudo e com toda a gente... “ Não qé!”, “quêx maix?!” “Tá aí!” “Calada Cadela!”... enfim... já sabe as cores, conta até três e também já diz quatro. Quando lhe perguntam quantos anos vai fazer, diz: “DOIX!”... e eu nem acredito, que de hoje a exactamente um mês ela fará mesmo, de facto, “DOIX” anos!
O coelho é “culhu”, o peixe é “peixu”, a papinha é “pipinha”, a mãe é a “mamãe Fia” o pai é “papai nhama”! O Noddy é “nhónho” e já a ouvi dizer “porra”, mesmo assim, com todas as letras e dito como gente grande! Gosta muito de “faxe” (alface) e “noura” (cenoura)... quando se chateia ou faz algo que não devia, já sabe dizer que “tá tixte” e ontem, depois de lhe beber a água que tinha no copo disse-me “a mamãe bai li penxá!”... foi a primeira vez... é que nós não a pomos de castigo, mas mandamo-la pensar uns momentos num canto... (a mãe vai para ali pensar!!!). E quando eu lhe disse, que não era eu quem ia pensar, mas ela, prometeu “póta bem”! (Eu porto-me bem!)
É mágico digo-vos! Mágico! E melhor que ler só ouvir... talvez ainda vos faça uma surpresa um dia! ;)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Emprestada


Hoje sinto-me emprestada! Isso mesmo, só assim, “emprestada”! A esta ilha, a esta vida, a esta realidade, a este blogue, ao jornal, ao meu emprego. Emprestada para funções às quais não pertenço, que não me reconhecem, que eu não reconheço... emprestada a esta falta de reconhecimento flagrante, que me persegue, que me atormenta!

De tal forma me “emprestei”, que ontem, ao voltar do berço, ainda com a pele quente do calor do ninho, me senti invadida por esta chuva chata, deprimente, triste... o grito saiu da boca da minha filha: “Xai Xuba, Xai!”. [Cada vez me convenço mais que esta criança é um clone meu e não um filho, de tal forma é forte esta simbiose que nos une, que vai além de laços telepáticos, que nos faz adivinhar e assimilar estados de alma das duas!]

Emprestei-me a um dia-a-dia, que de meu só me tem a mim, mas de tal modo me estranho, que mais parece que eu não sou eu, mas alguém que faz e fala e age como eu, se parece um pouco comigo... mas nada mais de mim tem.

Sinto falta do sol, do calor, da alegria despreocupada de um Verão de S. João. Estou cansada e a luta ainda hoje começou... adiante, as tristezas não pagam dívidas... talvez tudo isto seja só mesmo saudade, aquele sentimento tão nosso... a mim emprestado pelo sangue luso que me corre nas veias!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Satus Report a 1000/h!


A operação ao meu sogro correu bem! Pelo menos por enquanto está tudo a correr de acordo com o previsto! Resta-nos aguardar pelos resultados da biopsia! Nos “entretantos” estamos por casa, vamos matando saudades da família e gozando cada dia como se do último se tratasse, porque se há coisa de que as nossas fragilidades de saúde nos fazem recordar é que não estamos neste mundo para sempre e que hoje é o dia certo para viver, aproveitar e fazer da vida o melhor que conseguimos e não o melhor que desejaríamos!
Voltarei em breve… desculpem a ausência, mas a ansiedade tem destas coisas: encurta-me as palavras e sufoca-me a criatividade!

P.S.- A Repolhita está bem… a transbordar de mimos dos avós e cada vez mais linda! Obrigada a todas que se preocupam! :D

"Croniquice d' o Tal" - HOJE no AO

Tenho várias amigas, colegas, conhecidas, que dizem não ter ainda encontrado “o tal”. Esse mesmo, o príncipe da vida delas, o seu amor para sempre! Essas mesmas amigas, colegas, conhecidas perguntam-me frequentemente como é que eu soube que o meu marido era “o tal” e eu respondo, para espanto de muitas, que na verdade ainda não sei! Mais, para ser totalmente sincera, acho que essa coisa d’ “o tal” é mais um mito urbano criado para instaurar o caos e a confusão e acentuar a insatisfação na vida de grande parte das pessoas, especialmente na vida das mulheres, mais propensas a deixar-se levar em contos de fadas e príncipes e fantasias do “amor para sempre”. Na verdade a minha concepção do amor é mais como a minha concepção da vida, a “gente” paga para ver e vai andando e vai vendo! Eu nunca pensei no meu marido como “o tal” ou a minha “alma gémea”, porque na verdade, devo confessar também nunca tive muito tempo para pensar nessas coisas. E eu acho que é mesmo assim, quando o amor é para valer, quando dois querem e dois dançam, as coisas acabam por acontecer de uma forma tão natural como respirar! A verdade é que respirar é essencial para nós, eu diria mesmo vital, mas reparem que se pararem para perder muito tempo a pensar naquilo que estão a fazer, respirar, acabam por ficar meio baralhados, vacilantes e acabam por se perder na vossa própria respiração, muitas vezes atrapalhando-se ao ponto de pensar por instantes que já não serão capazes de voltar a respirar com naturalidade. Para mim, o amor é mesmo assim, não se pensa, não adianta discuti-lo, não adianta analisá-lo ou estudá-lo, apenas se vive! A análise e estudo do objecto “amor” vem muitas vezes quando esse mesmo amor já está morto e pertence ao passado, para espanto de muitos que o consideravam ainda vivo! O amor não é fácil, mas mais difícil ainda é manter uma relação… porque se por um lado o amor é uma coisa natural, que surge como a própria sede, que aparece num momento das nossas vidas, tão imperceptível como o momento exacto em que adormecemos ou acordamos, as relações já são mais uma grande noite de insónias em que temos que nos forçar a dormir, temos que nos esforçar por relaxar, temos que nos concentrar e pensar que nem sempre vai ser assim, que cedo voltaremos às noites felizes de sonhos relaxados e felizes… nas relações o processo é o mesmo, esforço, concentração, respeito, muita paciência e fé de que nas fases menos boas e mais difíceis as fases boas nos darão alento para aguentar até à próxima, com a agravante de que numa relação ao contrário de uma insónia o esforço e a vontade de cumprir objectivos não pode ser só de um, mas tem obrigatoriamente que ser de ambos… porque meus amigos, maior verdade não há: “quando um não quer, dois não dançam!”.
Muitas amigas, colegas, conhecidas minhas, aquelas que alegam ainda não ter encontrado “o tal”, perdem-se tanto em reflexões e análises acerca do seu objecto amoroso, que frequentemente perdem hipóteses de “pagar para ver”, pura e simplesmente porque é mais fácil dizer que aquele não era “o tal”… e elas!? Serão elas “as tais” de alguém?! (Se é que isso existe?!) Pois… isso agora, talvez seja coisa que nem elas, nem eu, nem vocês nunca saberemos!
Outra coisa que acontece frequentemente é cair-se no erro crasso de se pensar que só porque uma relação está a passar uma fase menos boa já está condenada! Pois eu vos digo, meus caros, que é precisamente nas horas de “aperto” que se vê o quão unidos estão os dois numa relação, porque o “elo mais fraco” não quebra no “relax”, mas sim na tensão!
Hoje, o meu marido está a passar por, provavelmente um dos momentos mais difíceis da vida dele. E eu nada mais posso fazer, a não ser garantir-lhe que estou aqui, que pago para ver e que o amo muito: hoje menos do que amanhã!