
terça-feira, 30 de março de 2010
La Dolce Vita!

Só para que conste... esta foto é de um local que existe mesmo... e sabem que mais... eu moro mesmo aqui... em frente ao mar...
Ahhhh... como é bom ter um dia inteiro de sol nesta ilha!
A minha mãe é como a pescada, antes de ser já o era! Nasceu a 30 de Março, mas foi registada como tendo nascido a 27! Nós, lá em casa, sempre festejámos a 27. Mas também lhe damos os parabéns a 30. Ela, não festeja em nenhum dos dias. Porque a minha mãe é mesmo assim. A minha mãe não é de festas! A minha mãe não é de rambóias e galhofadas, nem de bailaricos ou grandes convívios... não... nisso saio todinha ao meu pai! A minha mãe não dá gargalhadas sonoras, nem fala alto, nem berra! Aliás, acho que nunca ouvi a minha mãe berrar! A minha mãe é como as flores do campo, de beleza discreta, rude até a um primeiro olhar, mas sempre as preferidas de toda a gente! Ela é como o detalhe de que toda a paisagem precisa e sem a qual ela nunca estaria completa!
A minha mãe não tem amigas, com quem vá tomar chá, fazer compras ou dar duas de letra!
Não!
Mas a minha mãe é a pessoa mais sincera e amigável que conheço! A minha mãe cozinha bem “pa caraças”, sabe sempre que remédios devemos tomar, adivinha-nos os males da alma e tem sempre duas palavras de reflexão para dar! A minha mãe não é nada como eu. Mas eu gostava de ser mais como a minha mãe...
Acho que só vi a minha mãe chorar para aí umas três vezes na minha vida... mas sei que já deve ter chorado muitas mais! A primeira vez que “vi” com olhos de ver a minha mãe a chorar foi quando ela viu a neta! Pegou-a no colo, olhou para mim, tentou falar... mas só chorou... quase compulsivamente! Talvez porque soubesse, que a par de uma grande felicidade, um filho é também uma grande responsabilidade! A minha mãe é mulher de carreira, discreta, empenhada, muito profissional... mas nem por isso desleixou os cuidados que tinha comigo.
A minha mãe não sabe nadar, não sabe andar de bicicleta e desde que eu tinha 5 anos começou a usar saias pelo joelho até eu ter para aí uns 18... Hoje em dia, a minha mãe já só usa calças! Da minha mãe herdei a paixão por anéis, pulseiras, colares, lenços, lencinhos, cachecóis e echarpes. Não lhe herdei a calma, nem o temperamento pausado... herdei-lhe um pouco da frieza e neutralidade, mas não herdei nem os olhos verdes, nem o cabelo escuro... agora cada vez mais branco! Herdei-lhe a paixão pelo campo, pelos animais, pela família!
A minha mãe é uma Mãe assim com “M” maiúsculo...
...e como ela está lixada da vida, porque não encara bem o passar dos anos, eu hoje, não lhe dou os parabéns... mas digo-lhe antes que a adoro, hoje menos do que amanhã!
segunda-feira, 29 de março de 2010
O Brilho da Fama...
... deturpa a visão! Só pode! E a páginas tantas, a fama, chega mesmo a ferir mais fundo, e cega! A fama e não apenas os famosos, porque muitas vezes a fama cega mais facilmente até quem desse mal não padece! Pois, está dito, eu cá, não gosto da fama! Ela assusta-me, arrepia-me só de pensar, que sob a capa de um pretenso reconhecimento da nossa pessoa ou trabalho, alguém já se entenda no direito de pensar que nos conhece! A fama é mesmo assim, perigosa que só ela, pois quem compra a revista onde a foto de um famoso vem, compra frequentemente também o direito a opinar mais ou menos fervorosamente acerca da foto em si, da pessoa, do que diz, ou do que dela escrevem! A fama devia vir com aviso de perigo na “contra-capa”, mas não vem! E quem tanto a persegue deixa-me zonza! Não percebo como se vendem pedaços da nossa intimidade voluntariamente por “dá cá aquele cachet”! Ok, está certo, que a fama rende, e que há quem viva só dos rendimentos dela... mas eu prezo tanto o meu anonimato discreto! Ah, a minha rica individualidade que passa despercebida sem ninguém a ver passar! Haverá bem mais precioso?! É que quem alimenta a fama não é só o famoso, que se “vende” às revistas, não menos do que o anónimo que as compra, que as lê, que as deseja, que quer saber tudo, sobre todos, que quer na privacidade do seu lar, invadir livremente a privacidade dos lares do outros. Porque é que será que o ser humano tem tanta vontade de endeusar outros que não conhece, de ler nas suas supostas vidas, vidas que supostamente não poderá nunca ter! É que a curiosidade pela vida alheia suplanta tantas vezes o interesse pela própria vida! Quem tem uma rica vida não tem o menor interesse de andar a apresentá-la assim, ao preço de uma revista cor-de-rosa, pois quer-me a mim parecer, que acaba por aparecer quem mais quer parecer que tem! Mas isso, talvez seja só eu... que já aqui escrevi e repito: essa coisa da fama não é para mim, obrigada! É que nem obrigada que fosse vendia fotos minhas da minha saída da maternidade, nem que o dragão do FCP me fosse lá visitar juntamente com os leões do zoo de Lisboa todinhos! Mas quem sou eu para julgar quem vende?! Ninguém, vá! Menos ainda para julgar quem compra... é que estas revistas têm um efeito meio sedativo, entram-nos com aqueles títulos garrafais pelos “olhos adentro” e deixam-nos vontade de folhear cada página para uma leitura na diagonal, como se quer, em tudo o que é posto de abastecimento, quiosque da freguesia, ou no hiper mais perto de si! A curiosidade é o motor da vida, o interesse pela vida alheia, no entanto, devia era ser só mesmo, uma tremenda falta de educação! Mas bom... há quem se preste! Quem se exponha, quem se ponha mesmo a jeito, para só mais uma fotografia “inesperada”, para só mais uma “exploração de um escândalo pessoal”. E então?! Então que seja... que role a tinta, que “rolem cabeças”, que se esprema bem o suco do quem andou com quem, quem comeu quem, quem deixou quem, que carro conduzem, que casa possuem, que rímel usam, onde compram, o que compram, quanto gastam... não se queixem! Sob o título de uma revista, que supostamente dá a conhecer “tudo sobre a vida de X ou Y”, isso também eu gostava de ler! Mas custa-me a crer que vidas interessantíssimas estejam brilhantemente resumidas em duas páginas com lay-out de 80% de imagens! A fama é perigosa, porque “cega” ao ponto de não se ver mais nada, a não ser aquilo que nós achamos que estamos ali a ver, a ler, ou a “conhecer”. Ninguém conhece alguém em três quartos de página, ou meia página, ou página e meia, que seja... pois mesmo quem de facto pensamos conhecer, muitas vezes, parece que os acabamos de ver! E isto não é jogo de língua, nem trocadilho prosaico: cada ser tem uma razão de o ser, que depressa se perde, num julgamento de parecer.
News Flash...

Estou aqui! Estou de volta! Não se preocupem... (Ginger, ainda não morri!) Só estive desde quarta-feira em casa a dar assistência à mais pequena, que apanhou mais uma virose! E eu a pensar que ela já as tinha apanhado todas! Vai-se a ver... e pumbas, febres, tosse, muita ranhoca e expectoração! Birrinha da boa como se quer... noite e dia! Acordar às 2 da manhã com ela a arder em febre... Entrei em casa na quarta-feira depois de a levar ao pediatra e só voltei a sair no Sábado à tarde, para ir às compras... mas, nem cheguei bem a ir, porque o carro estava sem bateria! Bom, assim sendo, só saí no Domingo, de manhã, para tomar café, apanhar dois minutos de sol nas trombas e ir comprar pão, lâmpadas e plasticina... mas não havia plasticina! Bom... como estão a ver, não tenho estado no meu melhor... entre horas de sono mal dormidas, preocupações acrescidas, panasorbes, brufens e tal... a única coisa que salvou os últimos dias foi mesmo o facto de a mobília nova já ter chegado e o maridão a ter montado (quase) toda... só faltam os sofás! E agora vou só até ali e já volto... que tenho uma resma de “assuntinhos” para resolver! Boa semana para vocês, que a minha só tem 3 dias! Aleluia, meu irmão... graças a Deus, e salve-nos das viroses, que passamos bem sem elas, sim?!
quarta-feira, 24 de março de 2010
AHA!
Eu ainda não vos disse, pois não?!


E aqui está mais uma prova de que o que tiver que ser, será! Não tive que correr nem nada! Juro! Estive aqui quieta com o rabo sentado na cadeirinha o tempo todo! TOMEM LÁ pessoas que correm e não gostam de pessoas "atrasadinhas"!!!
Então não querem lá saber que depois de fazer aquele post com os vestidinhos lindos da Dress-a-Day resolvi dar um pulo ao facebook deles para namorar mais uns e eis senão que... aparece um passatempo para "testar" um vestidinho à escolha... assim, o nosso favorito, com a condição de depois tirar uma foto com ele e escrever um testemunho... e claro, toda eu, lá fui explicar porque é que aquela beleza azul de rendinha boémia devia ser minha... e...
... ganhei-o!!!! GANHEI! EU GANHEI-O!
Sim, ESTE...

Ainda não estou em mim! Juro! Juro! Obrigada Dress-a-Day! Afinal de contas, arriscar vale mesmo a pena! :)
Este foi o meu texto:
"É este! Sem sombra de dúvida! Porque é azul, porque é simples com um toque de boémio, porque é discreto, conseguindo no entanto destacar-se, porque é suis generis, porque é versátil... olha, porque é um bocadinho como eu! E porque estava na Wish list do meu blogue, mesmo antes de ter visto este passatempo! Por tudo isto... não custa tentar! ;) Parabéns pela mestria e arte! :)"
Agora, resta-me esperar por ele... vesti-lo, tirar fotos e voltar para contar! :D
...e inspirada pela minha vitória presentiei-me com mais um... Lindo, lindo que só ele!

(Cortesia simbólica da Mamã, que me vendo tão apaixonada me ligou a dizer: "Ó filha, eu dou-te o vestido. Manda-o lá vir que eu pago!"... e isto, ao fim de 30 anos, depois de casada, independente e com uma filha é música para os meus ouvidos!!!)
E aqui está mais uma prova de que o que tiver que ser, será! Não tive que correr nem nada! Juro! Estive aqui quieta com o rabo sentado na cadeirinha o tempo todo! TOMEM LÁ pessoas que correm e não gostam de pessoas "atrasadinhas"!!!
terça-feira, 23 de março de 2010
Am I really that late?!

Hoje estou em dia “não”... quer dizer... nem sei bem!
Estou em dia “sei lá eu”! Não estou virada para chatices, nem confrontos, não me apetece nada ralar, não me apetece correr! Sabem, vou confessar aqui uma coisa... eu tenho um defeito genético, sou uma atrasada por essência... e não me refiro às minhas capacidades físicas ou intelectuais... não sou pontual, vá! E porquê?! Por uma razão muito simples, mas que a grande maioria das pessoas tem dificuldade em compreender... eu não corro para nada!
Eu vou confessar aqui, sofro do síndrome “eu nunca corri para apanhar um transporte público”! JURO! É a mais pura das verdades... e a maior parte das pessoas não consegue perceber isso...
... e gritam-me, puxam por mim, provocam-me...
Anda lá! Corre! Não custa nada! COOOORRE!
Bem sei, vão pensar que sou louca! Provavelmente não compreenderão também! Apresentar-me-ão desculpas, justificações, motivos para correr... mas de nada valerá a pena! Por uma única razão, tão simplesmente e só por isto: porque eu sei bem, que na minha vida há coisas essenciais e coisas importantes... e eu não corro atrás das importantes, mas esfolo-me pelas essenciais!
Assim posso chegar eternamente e continuamente atrasada ao emprego, mas nunca, NUNCA chegarei atrasada para ir buscar a minha filha, nunca faltarei a nenhuma festinha dela, nunca lhe negarei mais um abraço, mais um beijinho, mais um segundo de atenção, nunca deixarei de correr, saltar, mudar a minha vida de pernas para o ar por ela e por ele, no fundo... pelo amor!
Porque é como vos digo: eu sou uma “atrasadinha”, mas com prioridades, para com as quais sou extraordinariamente pontual!
Porque é como vos digo: eu sou uma “atrasadinha”, mas com prioridades, para com as quais sou extraordinariamente pontual!
segunda-feira, 22 de março de 2010
LOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOL
Agora já percebi...
Por isso é que o Pedro Abrunhosa começou a usar óculos de sol... sou só eu que acho que com cabelo e sem óculos de sol ele "dá ares" de um tal de Mr. Bean?!
hihihihihihihi
sexta-feira, 19 de março de 2010
Palavras que o vento não pode levar...

Há momentos nas nossas vidas, no nosso desenvolvimento, no nosso crescimento em que parece que o mundo está todo contra nós! Já dizia o meu querido Rui “Não vês como isto é duro, ser jovem não é um posto,/ Ter de encarar o futuro com borbulhas no rosto.” Mas as borbulhas não duram para sempre, assim como não dura a eterna rebeldia da juventude e a idade vai pousando em nós com maciez, às vezes... Outras vezes cai-nos no colo de rompante e traz com ela uma quietude, um conformismo, responsabilidades e frequentemente, uma inversão de papéis!
Eu sempre fui miúda dona do meu nariz, que muitas vezes também foi dono de mim, pela sua forma arrebitada, que sempre me deu ar altivo, de quem sabe o que quer! Coisa, que nem sempre soube! A minha filha, herdou-me em rebeldia, o nariz, o temperamento e as ondas do cabelo! “Indomável”, dizem muitos, quando me vêem passar! Referem-se ao cabelo, pois claro!
Desde cedo sempre soube dizer o que pensava que queria, o que pensava ser aquilo que seria o melhor para mim. Os meus pais, respeitaram-me, sempre! Eu, pelo contrário, nem sempre os respeitei a eles! Parti bem jovem mundo fora com mil sonhos e desejos, para ver, que aquilo que sempre sonhei e desejei, afinal, estava bem aqui, no ninho, no sítio onde sempre estive!
A minha maternidade fez-me passar de filha única, para mãe única... e como mãe, vi que sempre tive na minha única mãe, tudo aquilo que um filho único pode querer! Dou por mim a dizer o que ela me dizia, a viver os mesmos sufocos, aflições e constrangimentos e o mesmo amor... às vezes, as semelhanças são tantas que dou por mim a pensar se o destino não nos andará a tramar! Com uma diferença... hoje há imensas estrelas no céu a dourar o meu caminho...
No dia do Pai não podia deixar de me lembrar dele, tanto ao quanto como me lembrar da minha mãe! Pois penso nos dois, sempre, como uma unidade, uma frente unida, ora para me fazer frente, ora para me aplaudir! Acho que deve ser assim mesmo, os bons pais, como as meias, deveriam vir sempre aos pares! Não que não ache que as famílias monoparentais não possam resultar ou ser igualmente felizes... penso que nalguns casos, ora por escolha própria, ora por falta de opções essa seja mesmo a melhor solução. Mas, para mim, que conheci mãe e pai, não me imagino a prescindir de nenhum deles na minha vida!
Ser Pai não é fácil, não é monetariamente bem remunerado, não é limpinho, não é sofisticado, mas é o melhor presente que se pode receber, porque se ganha uma forma de amor que não há igual, uma forma de perceber que juntos, em família, poderíamos formar uma pequena “sociedade”, um núcleo seguro, uma tribo, que fala o mesmo dialecto, embora conflituosa, por vezes, mas da discussão nasce a luz e assentando a poeira, a verdadeira felicidade reside no saber que o amor vingará, sempre!
Este é um hino a todos os filhos e a todos os pais, aos que estão aqui e aos que não estão, mas marcaram de tal forma, que mais parece que sempre estiveram!
Não posso deixar passar em branco, a importância dos avós e no dia do Pai, percebi que os avós são mesmo Pais com açúcar, com segurança, tranquilidade, carinho e amor a dobrar... e ao sentir isto não posso deixar de me sentir tremendamente culpada por privar, ainda que não deliberadamente, a minha filha do contacto diário presencial com os avós, e vice-versa...
Em conversa, ao telefone com o meu pai, disse-lhe:
- Sabes, hoje levava-te a almoçar!
Ao que ele respondeu:
- E eu ia, contigo e com a minha neta! Para depois a levar a passear!
E a isto seguiu-se um silêncio e um mudar de assunto estratégico! Porque esse silêncio de segundos disse tudo!
Ao que ele respondeu:
- E eu ia, contigo e com a minha neta! Para depois a levar a passear!
E a isto seguiu-se um silêncio e um mudar de assunto estratégico! Porque esse silêncio de segundos disse tudo!
...e porque neste dia as ausências são ainda mais sentidas, aqui fica também o meu “oxalá” aos meus avós: avô Zé D’Arufe e avô Martins, pela herança que me deixaram ficar, a mais valiosa de todas... pais bem formados com toneladas de amor para dar! Para além disso, recordações boas, que guardo no coração e cores que trago gravadas nos olhos como marca genética de que sou e serei sempre neta deles, com muito gosto!
Por tudo isto e muito mais, espero que a minha filha saiba sempre valorizar o pai que tem, ainda que por vezes se possam desentender, ainda que por vezes deixem muitas palavras por dizer... porque eu sei bem, o que são essas palavras não ditas... talvez as mais importantes que alguma vez poderíamos dizer, mas que turvadas de emoção sincera e sentida, teimam em não sair!
É deixá-las ficar, pois quem é pai, sabe bem lê-las, ainda que não as ouça no ar!
"Benza a Deus" que é Sexta-Feira!
quinta-feira, 18 de março de 2010
"Coisas da Vida..." no AO - 18.03.10

Eu já vi um eclipse solar, um eclipse lunar, uma chuva de meteoritos, uma chuva de estrelas, a queda do muro de Berlim, a queda das World Trade Center. Eu já vivi a maior crise económica mundial, o recuperar de uma Democracia, a morte de uma Princesa e de 3 Santos. Já assisti à morte e proclamação de um novo Papa, a várias guerras, a Tsunamis, a Terramotos, a calamidades à escala global. Durante estas minhas quase três décadas de vida já descobriram o cromossoma X, o genoma humano, a cura para uma série de doenças, anteriormente fatais, a forma de recolher e conservar células estaminais. Já ouvi polémicas de bombas atómicas e nucleares, já discuti acerca do agravamento do estado da camada do ozono e dos seus efeitos nefastos na evolução do estado do tempo em todo mundo! Em 30 anos, nos meus quase 30 anos de vida já desapareceram pelo menos uma centena de espécies de animais e já se encontraram outros tantos fósseis pré-históricos e múmias e corpos a.c.! Inventaram os telemóveis, minimizaram os computadores e a internet globalizou-se! Escreveram o Código de Da Vinci e eu li, deram um Nobel ao Saramago, depois outro ao Obama e eu vi, morreu o Freddie Mercury, o Patrick Swayze, o Michael Jackson, a Sophia de Mello Breyner, a Rosa Lobato Faria e mais alguma gente que eu conheci. Nem sequer vou falar da quantidade de gente que nasceu, casou, namorou e acabou. O Saramago chamou obscenidades a Deus e a Abraão , o Saddam Hussein morreu, o Bin Laden continua a monte, os Estados Unidos tiveram o seu presidente mais pervertido, o mais incompetente e o mais Santo! Em Portugal, passamos de uma época em que ninguém tinha carro próprio, para outra em que todos tinham e agora outra em que todos se endividam para o ter. A CEE, passou a CE e depois a UE. As notas de 20 e 50 escudos viraram moedas, os escudos viraram euros e para o povo, habituado a lidar com “paus e tostões”, os escudos (paus) de euros passaram a “aérios” ou “oiros” ou “eurios” e os velhos centavos (tostões), de cêntimos passaram a “sentimos”! E de facto, que diferenças sentimos na pele e no “pêlo”. Deixou de ser preciso passar pelo controle das fronteiras para se ir comprar “caramelos” a Espanha e pagamos na mesma moeda a (quase) todos os outros países da Europa. O 115 passou a 112. O 01 virou 21, o 02, 22, o 0933, 93... O código postal cresceu 3 dígitos. Nasceram a Sic e a Tvi, e depois a Sic Notícias, a Sic Radical, a Sic Mulher e a Tvi 24. Os walkmans, passaram a leitores de CD’s e os leitores de CD’s a MP3’s. A pen virou líder digital no armazenamento de informação informática; os modernos BETA e VHS extinguiram-se por completo e deram lugar aos DVD’s. A nossa imigração licenciou-se, assim como uma parte da nossa classe operária. Os professores deixaram de dar reguadas e começaram a levar “pauladas”. A Madonna virou rainha e depois mãe, o Brad Pitt casou com a Angelina e o George Clooney tem um caso com a Nespresso. O Pinto da Costa é Presidente do FCP desde o tempo em que eu nem sequer via ainda TV, o Benfica substituiu por uns tempos a águia por um abutre e o Sporting deu a conhecer ao mundo o Figo, o fantasma do Dani, o brinco do Quaresma, o cabelo do Miguel Veloso e as pernas do Cristiano Ronaldo. Agora a sério, se em 30 anos eu já vi isto tudo e mais umas coisas que ou não posso contar ou me esqueci de dizer, até tenho medo de pensar naquilo que a vida ainda me “trará no bico”...
A vida está sempre a surpreender-nos, sempre a ensinar-nos, sempre a renovar-se. Porque é que nós não fazemos como ela, em vez de insistirmos em virar pedra e fossilizar ideias num único pensamento, o nosso, imutável e surdo a todas as outras realidades e pensamentos, que nos rodeiam?! Não percebo.
E com isto, hoje, fico-me por aqui, que esta viagem ao passado fez-me sentir, no mínimo, “vivida”!
A vida está sempre a surpreender-nos, sempre a ensinar-nos, sempre a renovar-se. Porque é que nós não fazemos como ela, em vez de insistirmos em virar pedra e fossilizar ideias num único pensamento, o nosso, imutável e surdo a todas as outras realidades e pensamentos, que nos rodeiam?! Não percebo.
E com isto, hoje, fico-me por aqui, que esta viagem ao passado fez-me sentir, no mínimo, “vivida”!
quarta-feira, 17 de março de 2010

Acho um piadão a esta série!
Amo o facto de agora a puder ver à semana e ao fim-de-semana, sempre que tenho oportunidade e ainda que sejam episódios repetidos!
Não me farto daquela cumplicidade mãe e filha, descontraída e divertida, daquele trocar de papéis, em que ficámos sem saber muito bem qual das duas será a mais madura! O núcleo que aquelas duas formam, contra tudo e contra todos, como se de uma ilha se tratassem, porque acredito mesmo que a relação entre mãe e filha é isso mesmo: uma ilha! Como esta em que habito, em que às vezes faz mau tempo e há derrocadas e tudo, mas onde no fundo, a estabilidade é sempre o bom tempo e o verde fértil acaba sempre por voltar a reinar!
Porque há momentos onde só uma mãe ajuda, onde só uma mãe nos lê, mesmo sem falarmos, mesmo sem ser preciso dizer palavra! Momentos em que uma mãe sabe! E todo o resto do mundo, não!
terça-feira, 16 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
Nostalgia de Fim-de-Semana ou onde pára o FDS?!
Sábado foi dia de natação com a mais pequena, almoço divertido e guloso na Pizza Hut, seguido de comprinhas semanais, com direito a jantarada de francesinhas lá por casa bem regada a Super Bock, Mateus Rosé, Sangria, Kima e Coca-Cola. Domingo, fez sol, foi dia de dormir até tarde, tomar banho nas calmas, almoço preguiçoso, seguido de gelado gostoso e depois passeio de triciclo à beira mar e brincadeiras no parque, culminando com jantarinho bem à maneira e soneca de sofá!
PORQUÊ, MEU DEUS, PORQUE É QUE NOS DÁS TUDO ISTO... só para depois nos atirares com mais uma segunda-feira para o lombo?! PORQUÊÊÊÊÊEÊ?!
*Estou fartinha, fartinha de segundas-feiras!!!! :P
sexta-feira, 12 de março de 2010
Reflexão para o fim-de-semana...
quinta-feira, 11 de março de 2010
"Ser Mulher e ser melhor..." no AO - 11.03.10

Ao que consta e segundo investigações recentes, saber cozinhar ajudou a desenvolver a inteligência humana, no sentido em que favoreceu a digestão dos alimentos e permitiu uma diminuição do intestino, que fez com que se libertasse "energia que pôde ser usada para desenvolver a inteligência. Um cérebro maior significa um intestino mais pequeno", revelou Peter Wheeler, professor da Universidade de John Moores, em Liverpool. Seguindo esta lógica de ideias, não admira que aliada à versatilidade e imaginação necessária à elaboração de ementas diárias para a família, a mulher fosse a mais beneficiada com toda esta celeuma. Assim, resta-me dizer uma coisa, aos homens machistas e opressores, que povoaram e mandaram no mundo durante séculos a fio: Amigos, a culpa é toda Vossa! Ou seja, por aqui se comprova a velha máxima de que “a necessidade aguça o engenho”. Os ditos senhores a pensar que as mulheres ficariam qual passarinho na gaiola e elas, engaioladas em lindas cozinhas, de avental ao peito, a fazer crescer cérebros desde o tempo da invenção do fogo. Não admira por isso, que se verifique a situação actual do aumento do número de mulheres nas Universidades portuguesas, problema, de resto, abordado por Miguel Sousa Tavares no seu segundo “Sinais de Fogo”, como se de um verdadeiro atentado aos Senhores Doutores e Engenheiros se tratasse, chegando mesmo a falar em “quotas para homens”, num futuro próximo, no acesso às Universidades. E a mim, tudo isto me faz rir... melhor, tudo isto me faz gargalhar a bom pulmão! Sinto orgulho de viver numa época em que finalmente, o homem começa a ver a mulher como ser capaz de se lhe opor em inteligência e em mérito! Se bem me lembro, dizia MST, que passaríamos de um país de “Doutores e Engenheiros”, para um de “Doutoras e Engenheiras”! Mau! Afinal, a mulher portuguesa já não é bem o que era: jeitosinha e parolinha como a tola da sardinha! Ironias aparte, não acho que subverter a “Lei do Universo”, tornando a mulher absolutamente mais poderosa e influente do que o homem seja a solução dos nossos problemas, porque dizendo as coisas abertamente, nem os homens gostam de mulheres arrogantes, nem as mulheres gostam de homens bananas, tirando os fetichistas, mas aí o tango é outro! De qualquer das formas e a par da “preocupação” de alguns homens, verbalizada em público pela voz do Dr. MST, parece-me que as mulheres estão a pagar bem caro esses famigerados títulos de “Doutoras e Engenheiras”, por acumulação dos cargos modernos e dos tradicionais (mãe, esposa)... sim, porque desengane-se quem acredita que no mundo profissional a coisa é “trigo limpo, farinha Amparo” para a mais comum das mulheres! Podemos ser em maior número nas Universidades, mas, e no mundo profissional?! No mundo dos altos cargos?! E a nível da remuneração?! Será que somos tão bem pagas como os homens, desempenhando uma mesma função?! Será que não paga uma mulher bem caro o preço de uma vida enquanto “carreirista”?! É que já nem me refiro só à supressão de valores familiares ou censura social pelas opções que toma, mas será que é fácil estar constantemente a ignorar um relógio que é biológico e que mesmo medicado não pára de fazer “tic-tac”?! Pois é, meus Senhores, com as Vossas dores posso eu bem, não me lixem com as quotas para homens no acesso ao ensino superior, façam-se homens e trabalhem, lutem como nós mulheres lutámos anos a fio, séculos e séculos e como ainda continuamos a fazer, todos os dias, a toda a hora. Porque não há nada mais difícil do que estar constantemente a ter que fazer valer, aquilo que é mesmo nosso, de valor! Virar as costas a quem maldiz escolhas, que por nada lhe dizem respeito e levá-las avante! Querem um conselho, aqui da amiga Mulher a 1000, ponham o avental e vão para a cozinha! Diz-se por aí que “faz milagres”!
quarta-feira, 10 de março de 2010
Este Post é daqueles posts muito chatos de mãe!!!

Este Verão, a minha filha terá que deixar as fraldas... e eu... eu estou num misto de felicidade, ansiedade e medo... porque se por um lado as fraldas são caras e más para o ambiente e chatas de trazer sempre na carteira, bem que nos poupam de uns quantos embaraços de deslizes inesperados nos locais e situações menos oportunas!
Acho que aquilo que também me assusta nesta fase é o saber que ela está cada vez menos bebé e cada vez mais menina. E isso é o pior terror de qualquer Pai, o crescimento dos filhos! Perder aqueles bebés simpáticos, gorduchos e dependentes e ganhar adolescentes rebeldes de borbulhas no rosto, a emitir frases do tipo “Não sejas cortes, ó cota!”. Grrrr...
Acho que aquilo que também me assusta nesta fase é o saber que ela está cada vez menos bebé e cada vez mais menina. E isso é o pior terror de qualquer Pai, o crescimento dos filhos! Perder aqueles bebés simpáticos, gorduchos e dependentes e ganhar adolescentes rebeldes de borbulhas no rosto, a emitir frases do tipo “Não sejas cortes, ó cota!”. Grrrr...
Para mim, também é a sensação aterrorizadora de saber que a “Educação se dá no berço” e saindo ela do berço, em breve, terei provas comprovadas daquilo que andei a fazer até hoje!
Ainda assim, o pote dela já está lá em casa desde a altura em que ela começou a dizer “Cocó”, sempre que fazia alguma das suas necessidades. Coisa que deixou de fazer assim que a começamos a levar a correr para o pote! Acho que ela também ainda não estava pronta para deixar as fraldas! Depois das minhas leituras de “tretas” educacionais, cheguei à conclusão, que teria que começar por fazer do momento do pote um momento “divertido”, assim como algo que ela ficasse entusiasmada de fazer, como ir comer um gelado ou passear de triciclo. Chamei o “Pimp my WC” lá a casa e personalizei a casa de banho mais pequena toda bem ao jeito do gosto da "pequenada"! Arranjei um mini banco verde alface para ela chegar ao lavatório, enchi tudo de patinhos de borracha, piaçá com um patinho de borracha, base para chuveiro com patinhos de borracha, stickers de animais divertidos para os azulejos, toalhas coloridas e um mini assento de sanita com porquinhos cor-de-rosa choque! Resultado: ela adora ficar lá sentada, mas não faz nada! Da primeira vez quis lá ficar sozinha de porta fechada e tudo! Ficou 15 minutos, quando lá cheguei não tinha feito nada, limpei-a e quando lhe estava a lavar as mãos, fez xixi pelas pernas abaixo! Ora, desculpem-me a descrição dos pormenores e a falta de discrição, mas para quem é pai, isto são coisas do dia-a-dia, mais que naturais! Assim, mudei de técnica e desde o início desta semana que implementámos a rotina do pote antes de vestir o pijama, lavar os dentes e ir para a cama... e não é que resultou?! Por três dias seguidos ela senta-se no pote, espreme-se toda e faz um micro xixi, mas visível a olho nú no pote! Cinco estrelas para ela pelo esforço e (coisinha que nunca pensei dizer na vida) orgulho estampado nos nossos olhos, de pote na mão, enquanto nos esforçamos por fazer correr aquelas pinguinhas para a sanita!
Afinal, vê-la crescer, não dói assim tanto!
terça-feira, 9 de março de 2010
"Amuansung"
... Ora Bolas...
Andaram para aí a dar Divas como se não houvesse amanhã e a mim:
nem um me ofereceram,
nem eu calibre tive para um ganhar!
Amuei!
E logo eu, que sou fã da Samsung, que já vou no meu 3º modelito da marca... não é justo! Anyways, agora também já não o quero! A quem me quiser oferecer um, deixo aqui os candidatos, por ordem de preferência...


Quem quer um pálido Diva com estas belezas cor-de-rosa à diposição?!
P.S. - Mas agora a sério... podem mesmo oferecer! Vá, não se acanhem!
P.S.2 - Eu juro que o uso muito... muito, muito! Tá bem?!
P.S.3 - Obrigadinha!
P.S.4 - Que é que querem... todas as bloggers pedem coisas e têm Whislists e afins...
P.S.5 - I'm just a girl!
P.S.6 - Desculpem lá, isto são inundações no cerebrelo provocadas pela chuva que não parou hoje desde manhã bem cedo...
P.S.7 - Ou isso, ou queimei um fusível, das 2, 3!
Another one bites the Dust...
Três vivas às mulheres que continuam a ganhar terreno e ainda por cima nos provam que é possível ser a melhor Mulher num mundo de grandes homens!
Cameron, querido, obrigada por seres tão grande... mas já devias saber, que por trás de um grande homem, há sempre uma GRANDE mulher!
segunda-feira, 8 de março de 2010
Um, Dois, Três - PRESS START
E esta semana, que hoje começou, os assuntos da moda são: os Óscares, as fatiotas dos Óscares, o primeiro Óscar de realizador atribuído a uma mulher, os direitos das mulheres, ora, a falta deles, o dia das Mulheres e blahhhh... o tempo! Juro-vos que esta semana promete! E enquanto chove no molhado e o Verão não vem, eu vou pôr uma velinha à Primavera e namorar biquínis! sexta-feira, 5 de março de 2010
Fotos Pessoais e Intransmissíveis!
(Fotografia tirada em Sintra, antes do noivado, antes da gravidez, antes do casamento, antes de tudo...)E já agora, porquê a mania de fotografarmos os nossos pés onde quer que fôssemos juntos?!
... porque sempre soubemos que queríamos percorrer todos os caminhos juntos e porque sabíamos que um dia, iríamos querer recordar todos os caminhos por nós dois percorridos!
Penso que "falo" pelos dois, quando "digo" que basta olhar para cada uma dessas fotos e conseguir voltar ao lugar, ao dia, às vivências todas, sem tirar nem pôr... e isso, mais ninguém conseguirá por nós. Daí vem a magia destas fotos!
P.S. - repare-se nas sapatilhas que amei de morte assim que vi e persegui de Lisboa a Cascais, para acabar por comprá-las na Maia!
P.S. 2 - repare-se ainda nos sapatos dele, que o acompanham até hoje, juntamente com 300 pares primos dos mesmos!
P.S.3 - Às vezes é mesmo bom saber, que há coisas que não mudam nunca!
O completo disparate de Sexta-Feira!

Este será dos posts mais non-sense, que possivelmente já por aqui postei... mas tem que ser!
Ora, de manhã, entre remelas e resmunganços e atrasos, como de costume, lá venho eu, com a cria no banco de trás, quando um “anormal” se engana no caminho e faz uma jigajoga à maneira e se atravessa todo na minha frente... da minha cabeça poderiam ter saltado logo trinta e coiso impropérios originalíssimos, variações férteis entre o “filho deste e daquele” e os compostos de cabrão e tal e coisa, podiam... não fosse um pequeno pormenor, uma coisa que capturou toda a minha atenção, fazendo-me soltar uma gargalhada sonora e varrendo todos os possíveis cognomes do dito senhor da minha massa cinzenta, deixando-me com uma única formulação na moleirinha: “Mas que raio é aquilo!?”...
“Que raio era afinal aquilo”, perguntam vocês... ora, aquilo era, nem mais, nem menos do que um penduricalho no retrovisor, a modos que uma almofada em forma de coração, com um terço de missangas a envolvê-lo e uma pombinha do espírito santo no centro... e foi aí, que comecei a olhar para os automóveis à minha volta e cheguei à (brilhante) conclusão que em cada três carros nesta ilha, um deles tem, de facto, penduricalho no retrovisor... ele é tercinhos de madeira, tercinhos de plástico, almofadas de corações, flores, peluches fofinhos, pinheiros com cheirinho, bonequinhos que abanam a cabeça, patas de coelho, figas e cornos... mas é que é um fenómeno tão óbvio que tenho pena de não ter tido a destreza para fotografar tudo e todos... (talvez noutro dia!)
E agora pergunto-me: para que servirão?! Será que têm o mesmo propósito que as almofadas no banco de trás, ou as bonecas com saia de renda para guardar o rolo de papel higiénico, ou os peluches com corações, ou os stops foleiros no vidro de trás!? Ou serão talismãs... e agora que penso nisso... lembro-me de ter colocado um olho turco no retrovisor do meu carro antigo... porquê?! PORQUÊ, meu Deus, porquê?! Olhem... não sei!
Ora, de manhã, entre remelas e resmunganços e atrasos, como de costume, lá venho eu, com a cria no banco de trás, quando um “anormal” se engana no caminho e faz uma jigajoga à maneira e se atravessa todo na minha frente... da minha cabeça poderiam ter saltado logo trinta e coiso impropérios originalíssimos, variações férteis entre o “filho deste e daquele” e os compostos de cabrão e tal e coisa, podiam... não fosse um pequeno pormenor, uma coisa que capturou toda a minha atenção, fazendo-me soltar uma gargalhada sonora e varrendo todos os possíveis cognomes do dito senhor da minha massa cinzenta, deixando-me com uma única formulação na moleirinha: “Mas que raio é aquilo!?”...
“Que raio era afinal aquilo”, perguntam vocês... ora, aquilo era, nem mais, nem menos do que um penduricalho no retrovisor, a modos que uma almofada em forma de coração, com um terço de missangas a envolvê-lo e uma pombinha do espírito santo no centro... e foi aí, que comecei a olhar para os automóveis à minha volta e cheguei à (brilhante) conclusão que em cada três carros nesta ilha, um deles tem, de facto, penduricalho no retrovisor... ele é tercinhos de madeira, tercinhos de plástico, almofadas de corações, flores, peluches fofinhos, pinheiros com cheirinho, bonequinhos que abanam a cabeça, patas de coelho, figas e cornos... mas é que é um fenómeno tão óbvio que tenho pena de não ter tido a destreza para fotografar tudo e todos... (talvez noutro dia!)
E agora pergunto-me: para que servirão?! Será que têm o mesmo propósito que as almofadas no banco de trás, ou as bonecas com saia de renda para guardar o rolo de papel higiénico, ou os peluches com corações, ou os stops foleiros no vidro de trás!? Ou serão talismãs... e agora que penso nisso... lembro-me de ter colocado um olho turco no retrovisor do meu carro antigo... porquê?! PORQUÊ, meu Deus, porquê?! Olhem... não sei!
quinta-feira, 4 de março de 2010
"Lar, Doce Lar..." - no AO a 04.02.10

“Casa é onde está o coração”… e é este o “mantra”, que me persegue desde a passada sexta-feira!
Quem, como eu, tem duas “casas” ora tem o coração partido, ou o traz sempre consigo só por via das dúvidas. Não aconteça de me dar uma de Dorothy, e logo eu que nem sapatinhos vermelhos tenho, desatar a bater os calcanhares e gritar aos sete ventos, para quem quiser ouvir: “Eu quero ir para casa. Eu quero ir para casa. Eu quero ir para casa!”. É que a Sata não é propriamente mágica a acelerar voos e eu não sou propriamente exímia na arte de nadar Atlântico fora a caminho do meu porto, perdão Porto!
Foi há “coisa” de dois anos atrás, que de malas e bagagens nos mudámos do Porto para S. Miguel, naquilo que seria uma temporada de cerca de dois anos. Nos olhos, para além de um rio (Douro) preso em bagadas que me corriam face abaixo, levava uma ideia de “casa”, que me acompanha até hoje. Mas quem migra, sabe bem, que não é preciso mais do que algum conforto, bem-estar e carinho, no lugar que nos acolhe, para que o ninho se monte e de uma, logo passemos num ápice a ter duas “casas”.
Quem disse que com o tempo as despedidas se tornariam mais fáceis mentiu-me! Mais ainda, foi aldrabão o suficiente para me fazer acreditar, que se algum dia, eventualmente, por apenas uma das “casas” eu tiver que optar, que vai ser fácil, “deixa estar”! E neste momento, em que acabei de deitar a minha filha, no seu quarto, na sua cama, não sei se número um, se número dois, não me apetece nada fazer as malas! Porque S. Miguel é “casa”, mas Porto é berço! E não há berço que me embale como este! Por isso, e desde que pus pé fora do avião, fora da ilha, na passada sexta-feira, que repito de mim para comigo: “Casa é onde está o coração”… e eu, levo sempre o meu comigo, só assim, pelo sim, pelo não!
Quem nunca “migrou” talvez não me entenda, talvez não perceba a razão porque não “desfiz” completamente as malas desde que cheguei, mas também ainda não fui capaz de as “fazer”, deixando-as prontas para o voo que me espera amanhã, que me levará, de novo, de volta a “casa”! Quem nunca deixou para trás, numa porta de embarque de um aeroporto qualquer, pai e mãe, irmãos e tios, avós e sobrinhos, de emoção presa nos olhos e mão a acenar quando nos quer abraçar, talvez não perceba o porquê de eu agora, me despedir de todos em cinco minutos e não olhar para trás no embarque. Quem nunca chegou a “casa”, vindo de outra “casa”, talvez não entenda o prazer de redescobrir “ticos e tecos” seus, já esquecidos, deixados propositadamente para trás, só para nos fazer acreditar que vamos voltar, que havemos de voltar! Porque não é fácil, deixar uma “casa” para trás, ainda que seja para entrar noutra, logo a seguir.
Sempre que o avião aterra na ilha eu dou graças a Deus, primeiro por termos chegado bem e depois por saber, que também nós ficaremos bem! Demoro cerca de três dias a recuperar do “jet lag” emocional! É dose, digo-vos! Mas o incrível é que passa… e assim se leva uma vida, entre duas casas, entre dois lares, com a consciência de que, ao educar uma filha, desde os dois meses de idade, num lugar alheio ao lugar que a viu nascer, lhe estamos a dar, também a ela, duas “casas”… e mais ainda, dois berços, dos quais não sei bem, qual é que ela vai querer, para um dia, a embalar! Seja como for, um conselho lhe vou dar: levar sempre o coração atrás! E pelo sim pelo não, vou-lhe meter um par de sapatinhos vermelhos na mala… amanhã, porque hoje, ainda não me sinto capaz de a fechar. Hoje, deixo-me embalar…
Quem, como eu, tem duas “casas” ora tem o coração partido, ou o traz sempre consigo só por via das dúvidas. Não aconteça de me dar uma de Dorothy, e logo eu que nem sapatinhos vermelhos tenho, desatar a bater os calcanhares e gritar aos sete ventos, para quem quiser ouvir: “Eu quero ir para casa. Eu quero ir para casa. Eu quero ir para casa!”. É que a Sata não é propriamente mágica a acelerar voos e eu não sou propriamente exímia na arte de nadar Atlântico fora a caminho do meu porto, perdão Porto!
Foi há “coisa” de dois anos atrás, que de malas e bagagens nos mudámos do Porto para S. Miguel, naquilo que seria uma temporada de cerca de dois anos. Nos olhos, para além de um rio (Douro) preso em bagadas que me corriam face abaixo, levava uma ideia de “casa”, que me acompanha até hoje. Mas quem migra, sabe bem, que não é preciso mais do que algum conforto, bem-estar e carinho, no lugar que nos acolhe, para que o ninho se monte e de uma, logo passemos num ápice a ter duas “casas”.
Quem disse que com o tempo as despedidas se tornariam mais fáceis mentiu-me! Mais ainda, foi aldrabão o suficiente para me fazer acreditar, que se algum dia, eventualmente, por apenas uma das “casas” eu tiver que optar, que vai ser fácil, “deixa estar”! E neste momento, em que acabei de deitar a minha filha, no seu quarto, na sua cama, não sei se número um, se número dois, não me apetece nada fazer as malas! Porque S. Miguel é “casa”, mas Porto é berço! E não há berço que me embale como este! Por isso, e desde que pus pé fora do avião, fora da ilha, na passada sexta-feira, que repito de mim para comigo: “Casa é onde está o coração”… e eu, levo sempre o meu comigo, só assim, pelo sim, pelo não!
Quem nunca “migrou” talvez não me entenda, talvez não perceba a razão porque não “desfiz” completamente as malas desde que cheguei, mas também ainda não fui capaz de as “fazer”, deixando-as prontas para o voo que me espera amanhã, que me levará, de novo, de volta a “casa”! Quem nunca deixou para trás, numa porta de embarque de um aeroporto qualquer, pai e mãe, irmãos e tios, avós e sobrinhos, de emoção presa nos olhos e mão a acenar quando nos quer abraçar, talvez não perceba o porquê de eu agora, me despedir de todos em cinco minutos e não olhar para trás no embarque. Quem nunca chegou a “casa”, vindo de outra “casa”, talvez não entenda o prazer de redescobrir “ticos e tecos” seus, já esquecidos, deixados propositadamente para trás, só para nos fazer acreditar que vamos voltar, que havemos de voltar! Porque não é fácil, deixar uma “casa” para trás, ainda que seja para entrar noutra, logo a seguir.
Sempre que o avião aterra na ilha eu dou graças a Deus, primeiro por termos chegado bem e depois por saber, que também nós ficaremos bem! Demoro cerca de três dias a recuperar do “jet lag” emocional! É dose, digo-vos! Mas o incrível é que passa… e assim se leva uma vida, entre duas casas, entre dois lares, com a consciência de que, ao educar uma filha, desde os dois meses de idade, num lugar alheio ao lugar que a viu nascer, lhe estamos a dar, também a ela, duas “casas”… e mais ainda, dois berços, dos quais não sei bem, qual é que ela vai querer, para um dia, a embalar! Seja como for, um conselho lhe vou dar: levar sempre o coração atrás! E pelo sim pelo não, vou-lhe meter um par de sapatinhos vermelhos na mala… amanhã, porque hoje, ainda não me sinto capaz de a fechar. Hoje, deixo-me embalar…
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
"O Pensamento Mágico" no AO - 25.02.10

Quem lá esteve sentiu na pele o arrepio de pele de galinha provocado por um excelente texto, dito e interpretado por uma grande senhora, abrilhantado com um cenário simples, mas eficaz e encaixilhado por uma música simples, mas completa! Estou a falar da peça “O Ano do Pensamento Mágico”, que subiu a palco no Teatro Micaelense este Sábado que passou. Eunice Muñoz de voz tremida e rouca, por vezes quase em tom embargado pela constipação que a acompanhou só fez subir em emoção o texto e a comoção provocada pelo mesmo nos olhos, pensamentos e corações dos presentes! Pediu desculpa, por não ter “dado a sua melhor voz” a um público açoriano tão bom e tão meritório do seu melhor, interrompido apenas por um sonoro e regional “Foi ‘xelénte!” arremessado de uma voz feminina no meio daquele público emocionado. Eu, que conhecendo bem o texto e o peso emocional do mesmo, jurei a mim mesma não ceder à tentação de deixar extravasar a emoção pelo vaso lacrimal, resisti até à sua última interpretação, que me levou inteira para um vale de lágrimas comovido quando repetiu aquilo que mais me tocou na peça, a jura de amor eterno e fortíssimo daqueles seus entes familiares, que pensou ser seus para sempre, que pensou nunca ter que vir a largar!
O texto é uma brilhante análise do estado de dor efectiva que se verifica quando perdemos alguém próximo e muito amado e de lição deixa-nos apenas uma: um dia, vai acontecer-nos a nós!
Ninguém gosta de pensar em “coisas tristes”. Ninguém pensa gratuitamente no sofrimento que o amanhã trará, mas se o não pensar o evitasse a alguém, então eu escolheria o amorfismo cerebral. A verdade é que, como a própria Joan Didion tão bem escreveu: “ A vida modifica-se rapidamente... A vida muda num instante... Sentamo-nos para jantar e a vida, como a conhecemos, acaba!”. Que melhor exemplo desta tão verdade querem do que aquilo que se passou na Madeira?! O Homem é pequenino, e a sua existência neste mundo é efémera, esta é a única certeza de vida, que poderemos de facto guardar! Assim, a única coisa que podemos deveras desejar é que no pouco tempo que nos resta, muito de bom nos sobeje! E esta é a minha lição desta semana: A Vida é curta! Melhor é vivê-la bem!
O texto é uma brilhante análise do estado de dor efectiva que se verifica quando perdemos alguém próximo e muito amado e de lição deixa-nos apenas uma: um dia, vai acontecer-nos a nós!
Ninguém gosta de pensar em “coisas tristes”. Ninguém pensa gratuitamente no sofrimento que o amanhã trará, mas se o não pensar o evitasse a alguém, então eu escolheria o amorfismo cerebral. A verdade é que, como a própria Joan Didion tão bem escreveu: “ A vida modifica-se rapidamente... A vida muda num instante... Sentamo-nos para jantar e a vida, como a conhecemos, acaba!”. Que melhor exemplo desta tão verdade querem do que aquilo que se passou na Madeira?! O Homem é pequenino, e a sua existência neste mundo é efémera, esta é a única certeza de vida, que poderemos de facto guardar! Assim, a única coisa que podemos deveras desejar é que no pouco tempo que nos resta, muito de bom nos sobeje! E esta é a minha lição desta semana: A Vida é curta! Melhor é vivê-la bem!
Parte II
Epá, sinceramente eu de musa não tenho lá muito e de rebelde ainda menos. Sou só uma miúda a tentar crescer... e agora deixa-me chegar a casa, para pousar a mala e descalçar estas malditas botas, que só trago calçadas porque eram pesadas demais para trazer na bagagem! Assim falou Helena.
Não tinha ninguém no aeroporto à sua espera. Aguardava-a agora uma viagem de metro até casa. Passou o “Andante” no leitor, entrou no metro e sentou-se. Ligou o i-Pod, e hoje era definitivamente dia de ouvir a “Betterman”... ai os Pearl Jam. E ela?! Poderia ela encontrar homem melhor?!
Voltou a Roterdão.
O Francesco não era um italiano daqueles típicos, mas ela sabia que depois do João, só mesmo um som italiano sussurrado ao ouvido a faria sair do transe daquele amor tão louco e sucumbir de novo ao prazer de uma nova paixão.
O João, ah, o João... ainda não vos falei dele!? Depois daquela paixão parva dos seus 16 até aos 19 anos pelo rapaz da Império... o totó da Império, o que a trocou pela parva da Belga... a nossa Helena caiu num novo estado de descompensação e descrédito, que durou 4 anos. Isso aliado a uma vida universitária fértil, pelo menos em gazetas e em festas, fê-la cair nos braços do João. Bastou um dia e uma caminhada juntos para se deixarem envolver. Até hoje ela não sabe como tudo aconteceu. Já se conheciam de vista, tinham amigos em comum, ele sempre lhe tinha achado uma piada de morte, ela nem sequer tinha nunca olhado para ele com olhos de “ver”! E numa noite, saidíssimos do Bazar, alcolizadíssimos pelo gin tónico, quis a sorte que ficassem apenas os dois em amena cavaqueira em frente ao rio. E foi precisamente quando o sol começou a nascer, que ele lhe prendeu a cara entre as mãos e ganhou coragem para lhe dar o derradeiro beijo, aquele que ela nunca teria esperado receber. Depois ainda com a cara dela entre as mãos disse-lhe: “Tu és Linda! Espantosamente Linda!”. Caminharam de mãos dadas até à paragem do autocarro, despediram-se, mas a despedida foi breve. O que se seguiu foi um amor de Verão, louco, voraz, que se extingui tão rapidamente quanto apareceu. Isto porque ele recebeu uma proposta para estagiar num projecto na Polónia e ela, inscreveu-se no programa Erasmus e partiu para Roterdão. Em Roterdão, Helena não fazia planos de se apaixonar, mas a voz do João seguia-a onde quer que ela fosse: “Tu és Linda! Espantosamente Linda!”, “Tu és Linda! Espantosamente Linda!”... Ai... perdia-se horas nesta lembrança nostálgica, fechava os olhos e deixava-se estar muito quietinha para ver se ainda não se tinha esquecido do tom, ritmo, sotaque, calor, com que João lhe dizia aquilo enquanto se recordava da sua cara entre aquelas mãos! Tola Helena, tola! Palavras vãs leva-as o vento! E todas nós sabemos do impacto que têm palavras ocas num coração vazio... ainda o alarga mais! Ela estava a dar em louca! LOUCA! Um dia, mesmo com a neve, obcecada com aquelas palavras que teimavam em não a deixar, resolveu sair. Pegou na bicicleta, nas luvas de pele e “ala que se faz tarde”. Pedalou, pedalou, com tanta força que não sentiu o gelo! Queria fugir daquela voz, daquele som, daquelas palavras malucas. AAAAAAH! Berrou! AAAAAAH! SAI!
- Élena! Cosa fai?! Fermate! Stai benne?!
E a voz parou! Ui... quem falou. Parou! E ele apareceu. Ele com o seu sotaque italiano, o seu cantarolar e enrolar de “erres” e vogais muito abertas! Era este o som que ela precisava de ouvir. O Francesco era um italiano simpático de ar amistoso, não excessivamente bonito, nem extraordinariamente interessante, mas ela também não gostava muito de rapazes bonitos! Vivia no seu piso, na sua residência e começaram a partir desse dia a falar mais, a partilhar mais... parecia que nos “homens de Helena”, a partilha era a chave do amor. Mas era sempre uma partilha aparente, camuflada, porque na verdade, nenhum deles conhecia a verdadeira Helena, apenas conheciam a imagem que ela queria dar-lhes a conhecer. Mas bom, ela sabia que teria que voltar a Portugal, eventualmente e que a história que começava em Roterdão, teria que ficar em Roterdão. Helena racionalizava tudo! Tudo mesmo! Para ela era impensável gerir a ginástica de ir para Itália ou trazer Francesco para Portugal, ou ficarem os dois em Roterdão... na cabeça dela estava tudo definido: “What happens in Roterdam, Satys in Roterdam!”. E assim foi, dias antes da data do seu regresso a Portugal deitou-se com Francesco uma última vez, de manhã beijou-lhe a testa e disse-lhe: “Obrigada por teres sido a música maluca da minha sanidade!”.
-Élena! Élena! Dove vade?! Cosa dice amore mio?!
Ela não lhe respondeu. Não lhe voltou a falar! Com Helena era assim, tomava a decisão e era a hora! Não havia volta a dar! E ela tinha um voo para apanhar!
Chegou a casa, finalmente. Tirou as botas, viu o seu quarto, como já não se lembrava dele, deitou-se na sua cama e pensou: Amanhã troco de cartão de telemóvel!
E trocou.
O Francesco não era um italiano daqueles típicos, mas ela sabia que depois do João, só mesmo um som italiano sussurrado ao ouvido a faria sair do transe daquele amor tão louco e sucumbir de novo ao prazer de uma nova paixão.
O João, ah, o João... ainda não vos falei dele!? Depois daquela paixão parva dos seus 16 até aos 19 anos pelo rapaz da Império... o totó da Império, o que a trocou pela parva da Belga... a nossa Helena caiu num novo estado de descompensação e descrédito, que durou 4 anos. Isso aliado a uma vida universitária fértil, pelo menos em gazetas e em festas, fê-la cair nos braços do João. Bastou um dia e uma caminhada juntos para se deixarem envolver. Até hoje ela não sabe como tudo aconteceu. Já se conheciam de vista, tinham amigos em comum, ele sempre lhe tinha achado uma piada de morte, ela nem sequer tinha nunca olhado para ele com olhos de “ver”! E numa noite, saidíssimos do Bazar, alcolizadíssimos pelo gin tónico, quis a sorte que ficassem apenas os dois em amena cavaqueira em frente ao rio. E foi precisamente quando o sol começou a nascer, que ele lhe prendeu a cara entre as mãos e ganhou coragem para lhe dar o derradeiro beijo, aquele que ela nunca teria esperado receber. Depois ainda com a cara dela entre as mãos disse-lhe: “Tu és Linda! Espantosamente Linda!”. Caminharam de mãos dadas até à paragem do autocarro, despediram-se, mas a despedida foi breve. O que se seguiu foi um amor de Verão, louco, voraz, que se extingui tão rapidamente quanto apareceu. Isto porque ele recebeu uma proposta para estagiar num projecto na Polónia e ela, inscreveu-se no programa Erasmus e partiu para Roterdão. Em Roterdão, Helena não fazia planos de se apaixonar, mas a voz do João seguia-a onde quer que ela fosse: “Tu és Linda! Espantosamente Linda!”, “Tu és Linda! Espantosamente Linda!”... Ai... perdia-se horas nesta lembrança nostálgica, fechava os olhos e deixava-se estar muito quietinha para ver se ainda não se tinha esquecido do tom, ritmo, sotaque, calor, com que João lhe dizia aquilo enquanto se recordava da sua cara entre aquelas mãos! Tola Helena, tola! Palavras vãs leva-as o vento! E todas nós sabemos do impacto que têm palavras ocas num coração vazio... ainda o alarga mais! Ela estava a dar em louca! LOUCA! Um dia, mesmo com a neve, obcecada com aquelas palavras que teimavam em não a deixar, resolveu sair. Pegou na bicicleta, nas luvas de pele e “ala que se faz tarde”. Pedalou, pedalou, com tanta força que não sentiu o gelo! Queria fugir daquela voz, daquele som, daquelas palavras malucas. AAAAAAH! Berrou! AAAAAAH! SAI!
- Élena! Cosa fai?! Fermate! Stai benne?!
E a voz parou! Ui... quem falou. Parou! E ele apareceu. Ele com o seu sotaque italiano, o seu cantarolar e enrolar de “erres” e vogais muito abertas! Era este o som que ela precisava de ouvir. O Francesco era um italiano simpático de ar amistoso, não excessivamente bonito, nem extraordinariamente interessante, mas ela também não gostava muito de rapazes bonitos! Vivia no seu piso, na sua residência e começaram a partir desse dia a falar mais, a partilhar mais... parecia que nos “homens de Helena”, a partilha era a chave do amor. Mas era sempre uma partilha aparente, camuflada, porque na verdade, nenhum deles conhecia a verdadeira Helena, apenas conheciam a imagem que ela queria dar-lhes a conhecer. Mas bom, ela sabia que teria que voltar a Portugal, eventualmente e que a história que começava em Roterdão, teria que ficar em Roterdão. Helena racionalizava tudo! Tudo mesmo! Para ela era impensável gerir a ginástica de ir para Itália ou trazer Francesco para Portugal, ou ficarem os dois em Roterdão... na cabeça dela estava tudo definido: “What happens in Roterdam, Satys in Roterdam!”. E assim foi, dias antes da data do seu regresso a Portugal deitou-se com Francesco uma última vez, de manhã beijou-lhe a testa e disse-lhe: “Obrigada por teres sido a música maluca da minha sanidade!”.
-Élena! Élena! Dove vade?! Cosa dice amore mio?!
Ela não lhe respondeu. Não lhe voltou a falar! Com Helena era assim, tomava a decisão e era a hora! Não havia volta a dar! E ela tinha um voo para apanhar!
Chegou a casa, finalmente. Tirou as botas, viu o seu quarto, como já não se lembrava dele, deitou-se na sua cama e pensou: Amanhã troco de cartão de telemóvel!
E trocou.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Profissão: Construtor de Realidades!

Um dia, a minha filha, vai-me perguntar o que é que o pai faz...
... e eu vou responder: “O Pai constrói realidades!”.
... e eu vou responder: “O Pai constrói realidades!”.
Sim, porque o que é que o pai “faz”, não corresponde exactamente a “qual é a profissão do pai”. E de facto, aquilo que ele faz é muito mais forte do que aquilo que ele tem como profissão, apesar de muitas vezes a profissão acabar por nos “fazer” também um pouco a nós!
E o que ele faz é mesmo isso “construir realidades”, em mais sentidos do que um. Para começar ele é Engenheiro Civil e eu, que nunca pensei vir a apaixonar-me por um “trolha com canudo”, como costumava chamá-los, dou por mim agora a apreciar tudo o que é obra e projecto em que ele está envolvido e a valorizar o trabalho de projectistas e arquitectos e engenheiros, que sob a “mão” “daquilo que fazem”, acabam por transformar tudo aquilo que nós fazemos também. Afinal de contas, aquilo que eles “fazem” é construir “novas realidades”, “novos aspectos”, “novas paisagens”, sob as quais nós faremos depois tudo o resto: viver, passear, correr...
O Pai da minha filha constrói assim realidades, as paisagísticas, que já enumerei, e as nossas realidades, melhor: a nossa realidade! Pois é ele, que com tudo aquilo que nos dá e faz por nós diariamente nos permite ver a vida como a vemos e vivê-la da forma que vivemos.
Eu também, sou construtora de algumas realidades, e não só, porque eu alio ao lado paisagístico saído da mão do meu marido o lado ideal, o dos sonhos, da formação, da cultura. E com tanta construção que temos a decorrer lá por casa, não admira nada, que a nossa filha venha mesmo a ser a nossa maior obra!
Mini-ensaio sobre a Cópia!

A originalidade é uma coisa fodida, é que basta alguém usurpar-se da nossa para passar logo a ser deles! Bem sei, bem sei, que há muitas coincidências neste mundo de apalermados, acéfalos, mas irrita-me! Que é que querem?! É que eu nem sou mulher de grandes nojos, ódios ou agressividades, mas realmente prezo muito a criatividade individual e a capacidade nos nossos pequenos neurónios produzirem pequenas especificidades que nos tornam únicos! Não é que não preze quem copia os outros. Não! Prezo. Claro que sim! Afinal de contas, quem copia acaba sempre por reconhecer valor a quem acabou de copiar! O problema é que quem só conhece quem copia, só conhece o valor do copiado e do copião. O Palerma do criador que se lixe! Já dizia o outro, que afinal quem tem ideias, não passa é de um valente idiota! Afinal de contas, a cópia é sempre mais fácil de fazer do que o esboço, porque na cópia, temos já o esboço como suporte.
O problema de muita gente é que não pode com a felicidade dos outros. Como dizia alguém, “com o mal dos outros posso eu bem!”.
Mas um copião é quase como um simulador, que no fundo sabe que simula e muito bem, muitas vezes bem próximo do real, mas “falta-lhe um bocadinho assim”! É, é isso mesmo... “falta-lhes um bocadinho assim” e o assim vai desde o centímetro ao infinito. É grave?! Pois é! Mas deixem lá, infelizmente não é fatal!
O problema de muita gente é que não pode com a felicidade dos outros. Como dizia alguém, “com o mal dos outros posso eu bem!”.
Mas um copião é quase como um simulador, que no fundo sabe que simula e muito bem, muitas vezes bem próximo do real, mas “falta-lhe um bocadinho assim”! É, é isso mesmo... “falta-lhes um bocadinho assim” e o assim vai desde o centímetro ao infinito. É grave?! Pois é! Mas deixem lá, infelizmente não é fatal!
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
StAmP TimE! - Happy Hour dos Selinhos!

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Quem é amiga, quem é?! HUM?!
A Brown Eyes é!
Que me enviou estes dois selinhos e desafios! E eu, aceitei!
Que me enviou estes dois selinhos e desafios! E eu, aceitei!
Este Blog é Super Fofo! AHA! Pois é...
As regras deste selinho são:
-Dizer o que achou do selo:
Muito Fofo! Mas gostei mais da atitude de quem o ofereceu!
- Indicar sete blogs e avisá-los:
No can Do! Este é para quem o apanhar!
Este Blog é fashion e a Blogueira Inspirada! Oh Yes! Hell yeah!
Este selo traz um desafio que consiste em responder a 10 questões, que são:
1. Dois truques de beleza: Deitar cedo e tarde erguer;
2. Duas prendas que gostas de receber: Flores e Cartas e Chocolates e Prendas (eram só duas?! Ups!);
3. Local preferido para fazer compras: Zara;
4. Dois defeitos: Teimosa e Aérea;
5. Duas qualidades: Dedicada e Sociável;
6. Dois produtos de beleza recomendáveis: creme hidratante Serum 7 e qualquer verniz da OPI;
7. Três manias: não deixar facas fora das gavetas, não deixar gavetas abertas e não ir dormir sem trancar a porta da rua ;
8. Três características que não suportas nas pessoas: Egoísmo, Traição e Mentira;
9. Três características que adoras nas pessoas: Sinceridade a todo o custo, Abertura de Espírito e Capacidade de Entrega;
10. Pessoa especial para ti: Há muitas, mas o meu marido estará sempre no topo de qualquer lista!
Passar o selo a 5 blogues, 5 blogues femininos:
Art
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Pronto e é isto! De resto, apenas quero deixar um OBRIGADA imenso a todos os que me lêem e me seguem e preenchem o meu dia com os Vossos comentários e blogues e pronto! Basta de lamechices, que eu ando meia "sentimentaleira" e isso não está com nada... Grrrr!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
A Invisibilidade do Essencial e os Olhos do Coração...

Acabados de almoçar entrámos no café por baixo de nossa casa, como sempre populado de uma mescla de gentes, com uma mescla de idades! Dirigia-me ao balcão, tentando agarrar o carapuço da mais pequena, que sempre tenta escapar para se colocar ao sabor do vento da arca frigorífica ou perto das imagens dos morangos e chocolates que ela tanto gosta de apontar, quando de repente começam a passar as imagens do que se passava na Madeira. Parámos, ficamos de olhar fixo no ecrã preso lá no alto e no café, só se fez... silêncio.
Agarrei a mais pequena, controlei as lágrimas que teimavam em querer saltar cá para fora e deixei-me ficar ali, naqueles segundos presa àquelas imagens. Acho que ainda lá estou... ou então trago-as presas na retina! Naquele segundo senti, no meio daquelas pessoas todas aquilo que só um verdadeiro ilhéu sabe sentir: a noção da vulnerabilidade de se ser ilhéu, de viver num Paraíso, que só é nosso emprestado e não dado e que a Mãe Natureza vem reclamar quando e como quer, da forma que muito bem entender!
Dormi mal, dormi muito mal! Não consigo parar de pensar no vento que faz hoje por aqui e não consigo tirar da lembrança a voz de quem perdeu tudo numa noite em que nada o faria prever, numa noite como todas as outras, em que sossegados em casa foram invadidos pela força da água e pela violência de uma mãe, madrasta, chamada Natureza!
Nem de propósito no Sábado à noite fomos ver a peça do “Ano do Pensamento Mágico”, texto magnífico da Joan Didion, um relato na primeira pessoa de quão vulnerável é o laço que nos une a esta vida e a tudo o que tomámos por certo, pela voz e presença em palco da GRANDE e LINDA Eunice Muñoz! E mais uma vez a noção da nossa pequenez foi extrema!
"A Vida modifica-se rapidamente… A Vida muda num instante… Sentam-se para jantar e a vida como a conhecem acaba!”
É por isso, que hoje estou assim, pequenina do tamanho de uma ervilha. Vou até ali aconchegar-me no meu casulo e volto amanhã... talvez!
Agarrei a mais pequena, controlei as lágrimas que teimavam em querer saltar cá para fora e deixei-me ficar ali, naqueles segundos presa àquelas imagens. Acho que ainda lá estou... ou então trago-as presas na retina! Naquele segundo senti, no meio daquelas pessoas todas aquilo que só um verdadeiro ilhéu sabe sentir: a noção da vulnerabilidade de se ser ilhéu, de viver num Paraíso, que só é nosso emprestado e não dado e que a Mãe Natureza vem reclamar quando e como quer, da forma que muito bem entender!
Dormi mal, dormi muito mal! Não consigo parar de pensar no vento que faz hoje por aqui e não consigo tirar da lembrança a voz de quem perdeu tudo numa noite em que nada o faria prever, numa noite como todas as outras, em que sossegados em casa foram invadidos pela força da água e pela violência de uma mãe, madrasta, chamada Natureza!
Nem de propósito no Sábado à noite fomos ver a peça do “Ano do Pensamento Mágico”, texto magnífico da Joan Didion, um relato na primeira pessoa de quão vulnerável é o laço que nos une a esta vida e a tudo o que tomámos por certo, pela voz e presença em palco da GRANDE e LINDA Eunice Muñoz! E mais uma vez a noção da nossa pequenez foi extrema!
"A Vida modifica-se rapidamente… A Vida muda num instante… Sentam-se para jantar e a vida como a conhecem acaba!”
É por isso, que hoje estou assim, pequenina do tamanho de uma ervilha. Vou até ali aconchegar-me no meu casulo e volto amanhã... talvez!
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Hoje é dia de...

Dizem que saio mais a ele. Inventava histórias para me contar à noite, que eu até hoje não me canso de recordar: dois sapatos, um sapateiro, um mal cosido que abria a boca e só dizia asneira. Levava-me ao Palácio de Cristal, ao Zoo, à praia. Ensinou-me a nadar, a andar de bicicleta a jogar ao pião, a martelar e arranjar coisas em casa. Forrámos juntos o tecto do meu primeiro carro. Discutimos que nem cão e gato, mas mal um era atacado, logo o outro saía ferozmente em sua defesa. É o meu Pai, é o maior, o meu ídolo, o supra-sumo dos homens à face da terra. O meu Herói! E hoje está de Parabéns, faz 60 anos! E eu nem quero acreditar! Já tens tantos anos assim?! Não se nota nada! Só no feitio... Continua como és, sempre igual a ti mesmo e vê lá se tiras o pó à bengala que te demos... só assim, pelo sim, pelo não!
Vai correr tudo bem! Para mim continuas igual! Feliz 60 e olha... ou vai, ou rebenta!
PARABÉNS PAI!
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Historinha, para ler... com tempo!
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Em 25 anos de vida já tinha conhecido 3 grandes amores da sua vida, e no entanto, esta era uma alma agnóstica, descrente do amor, porque na verdade, nada sabia sobre ele.
Ninguém olharia para ela duas vezes, não fossem aquelas duas esmeraldas que trazia como olhos na cara e aquele cabelo longo, longo de mais, na opinião de seu pai e sua mãe, que lhe davam um ar de ninfa, mas de moça sem cuidado, de alguém, que aparentemente não se interessava por nada nem ninguém. Gostava de moda, gostava de arte, ouvia de tudo na música, mas do que ela gostava mesmo, aquilo de que ela era verdadeiramente fã, era da vida! Já em pequena sempre se demarcou dos demais por ser aventureira, destemida, irrequieta, que valeu uma série de sustos aos seus pais e uma série de histórias para contar para ela! Estava hoje no “rebound”, como ela própria lhe chamava, no recuperar de mais um final de mais uma história de amor da sua vida. Sentada no comboio, entre Roterdão e Schiphol, o cheiro a canela de um bolo do seu companheiro de viagem fê-la recordar do seu primeiro amor, do seu primeiro caso, do seu primeiro beijo... sim, porque não há “amor como o primeiro”, pensava ela...
Tinha 16 anos, não sabia nada da vida, não sabia nada de namorados e não gostava muito de si, nem do seu corpo, como qualquer rapariga de 16 anos, que se preze! Encontrou-o uma vez no campo do Vasco, perto da Batalha numa das poucas vezes que lá foi jogar basquete com os amigos. Ele não reparou nela, não tinha porquê reparar. A sua T-shirt branca larga, os seus City jeans apertados e All-Star rotas eram só mais um dos bilhetes “AFASTEM-SE DE MIM”, que ela trazia cravados na testa. Ainda assim, logo que o viu ela soube-o: estava de rastos, de quatro por ele, total e completamente apalermada. Iludida pela facilidade com que ele se ria e socializava deixou-se cair a um canto, batendo a bola vermelha baixinho e pensando nos dois, noutro tempo, noutra época. Fantasiar dava-lhe alento. Imaginou-se Princesa e ele Príncipe de mais um conto de fadas. Olhou-o com meiguice e ele atirou-lhe com uma bola à cara. Não foi de propósito. Foi acidental, mas foi o bastante para que os dois se vissem, com olhos de ver, com olhos de quem finalmente vê a pedra que estava ali no caminho e na qual iria ter que tropeçar, quer quisesse, quer não.
-Desculpa, não foi de propósito, estás bem.
- Sim. Sim. Tá ok. Tá tudo ok!
Saiu dali a correr, o mais rápido que pôde, antes que o vermelho todo que lhe carregou as bochechas quisesse sair delas e explodisse ali mesmo, pintando tudo e todos à sua volta naquele tom, de pudor.
Como ela se perdeu em sonhos, fantasias, Ele foi-lhe alimento de muitas noites. A lembrança daquele Príncipe que ela idealizou. Na primeira oportunidade que teve voltou ao Vasco e tentou que os seus amigos, aqueles que a conheciam bem, lhe dessem o máximo de informações sobre aquele Príncipe, mas sempre sem levantar suspeitas! Mas tudo falhou. É inevitável não levantar suspeitas numa idade em que tudo o que seja hormonal é de suspeitar e ao que queria parecer ninguém o conhecia. Mais lhe valia ir comer um rissol à Império e livrar-se daquelas perguntas parvas, que todos teimavam agora em lhe fazer.
-Opá, calem-se, já chega! Mariana, vou à Império, vens?!
- Sim.
Claro que sim, Mariana a sua “fiel escudeira” não a ia deixar ficar mal, não a ia deixar sozinha, num momento daqueles, principalmente agora, na iminência do interesse de Helena no seu primeiro rapaz!
- Acho-o interessante. Quer dizer achei, na altura, porque nunca mais o vi.
- Pois, tá bem, mas interessante tipo “fazia-me a ele”?! Ou interessante tipo “é giro e tal, mas não é para mim”?!
Riram-se as duas... com uma Coca-Cola na mão e depois de se esquivarem dos voos razios das pombas de Santa Catarina ambas saberiam a resposta. À saída da Zara, onde nunca compravam nada, por acharem muito “senhoril”, mas onde não perderam a oportunidade de experimentar tudo o que foi vestido comprido, decote escabroso e o primeiro blazer com o seu primeiro par de sapatos de tacão, deparam-se com Ele.
- Mariana, olha, olha... é ele...
Olharam as duas sem pudor, para um rapaz sentado na esplanada da Império, com uma grande pasta de desenho a seus pés. É artista! Só pode, eu sabia! Como é lindo! Meus Deus, como era lindo. Estupidificadas e sem jeito começam a falar alto demais, depressa demais, pensando assim chamar a atenção sem dar muito nas vistas. Ele olhou para ela, de leve, e como que identificando-a logo, comenta qualquer coisa com o amigo e desatam-se os dois a rir! Ó lástima da minha vida, ó merda de puto rebelde com a mania que é bom.
- Detesto-o! – disse mais uma vez ruborizada ao seu Sancho Pança, que a seguia na lateral.
- Eu também! Anda, esquece lá isso. Vamos até ao largo da Igreja e ficamos por lá sentadas a comer gomas.
Este era um pacto das duas, sempre que as coisas corriam mal, as gomas eram o seu “porto seguro”. Sentavam-se no largo da Igreja da Batalha, por detrás do quiosque e riam-se de quem passava enquanto comiam gomas sofregamente parando apenas para as reabatecer no quiosque do Sr. João, que já as conhecia e volta e meia se alargava nos bónus das gomas. Como era boa a vida naquela altura, nem quando a mãe de Mariana foi operada ao coração as gomas não lhes lavaram a alma. Nem quando o pai de Mariana fugiu e deixou a mãe sozinha como os dois irmãos, mais ela, a vida lhes pareceu acabar!
- Tudo tem uma solução. – lembrava a sábia Helena, e a solução era essa mesmo, a revolta escondida por detrás daquele quiosque, apagada por aquela amizade das duas, abafada pelas trincas que dava em cada goma comprada.
Que seria feito de Mariana?! Que lhe teria acontecido afinal!? Engraçado como a amizade daquelas duas se dissipou no dia em que Mariana entrou para Psicologia, o curso que queria, na Faculdade que queria e Helena não o consegui, tendo que esperar por uma segunda fase para ingressar no curso que pensou que quis e que depois se apercebeu nunca ter de verdade desejado.
Mas a vida era mesmo assim, uma série de voltas e reviravoltas e uma sucessão de coisas boas, encaradas mais tarde como parvas ou desnecessárias. Não havia explicação racional, que fizesse entender o fim daquela amizade das duas. Ou teria havido!? A única mágoa pequenina, que Helena se lembrava de guardar era a de um dia, Mariana lhe ter dito que ia para casa e em vez disso ter ido à festa da Ruca e ter curtido com o Ricardo Samuel, aquele parvo idiota por quem Helena se deixou apaixonar. Muitos anos depois iria agradecer a Deus não ter ela essa lembrança para guardar. Ele ficou-se pelo metro e sessenta que tinha na altura e só lhe acrescentou centímetros em tacões, que começou a usar pela altura das Raves e Festas Trance. Credo, não era mesmo isso que ela queria para ela. Enfim, no seu primeiro mês na Faculdade do Porto, onde entrou na 2ª fase, deu de caras com Ele, outra vez! O rapaz da Império, o tal, o anormal da bola. Partilharam salas de aula juntos, intervalos e à medida que a confiança surgiu, surgiu também uma sensação de conforto e à vontade que levaram Helena a pensar que se tratava de amor. Unidos por um sentido de humor implacável e por umas gargalhadas sonoras, um dia, no meio de uma delas, surgiu um beijo. Durou, durou e nenhum dos dois quis assumir, mas a verdade é que o tempo e o seu arredor tratou de o fazer. Estava assim definido, quatro dias depois daquele beijo, eram namorados. Não se perdiam em longas conversas, as gargalhadas foram dando lugar a uma excitação contida, que fazia as hormonas fervilhar dentro dos dois... e foi assim, que um dia de ponte, em que na falta de aulas e nada de jeito na MTV, ele conseguiu pôr a mão debaixo da camisola dela, desapertar-lhe o soutien, sentir o seu peitinho redondinho e quente e fizeram amor. De uma maneira trenga, atabalhoada, não se beijaram no fim, ele correu para a casa de banho para tirar o preservativo e ela vestiu-se e saiu. No dia seguinte, nos dias seguintes, a coisa melhorou e com a intimidade a aumentar e a curiosidade também deixaram-se perder os dois numa ilusão de amor, que durou três anos. Até Helena deixar de ser novidade e ele ganhar confiança de machão e começar a ter um “side-affair” com uma miúda belga da sua aula de pintura. Helena morreu, chorou dia e noite, pensou que ninguém mais a iria querer, que não seria de mais ninguém e só ao chegar a Schiphol se lembrou que: Quem consegue perder o seu primeiro amor e sobreviver, consegue perder todos os outros da sua vida e gostar cada vez mais de si. Aquela foi a última vez em que um homem lhe dava com uma “bola na cara”. Ela iria sobreviver. Entrou no avião de regresso a Portugal sem um pingo de pena, nem dor na consciência, afinal de contas, sempre era mais fácil esquecer um amor, quando uma viagem de avião nos separa.
E era assim, esta Helena, a nossa protagonista, a nossa “musa” rebelde, prestes a viver a vida, com umas botas de neve nos pés e uma mala de viagem na mão.
33ª Croniquice no AO -18.02.10 - Feliz Cupido e Carnaval "Bacano"!

Esta semana foi em cheio! Ele foi “Dia de Namorados”, sim porque o S. Valentim já não interessa a ninguém, tanto ou mais que a páginas tantas passa a ser trocado pelo Cupido, que sempre fica melhor na fotografia e atira corações, que é mais “fofinho” e vende mais; depois ainda tivemos as celebrações de Carnaval, que são quase como o Natal, cada vez começam mais cedo e são “quando um Homem quer”! Mas aquilo que me ocorre, assim num ápice, ao lembrar-me da forma como estas duas ocasiões são celebradas em Portugal é tão apenas e só um slogan bastante famoso por estas bandas aqui há uns anos atrás: “Vá para fora cá dentro!”. Em relação ao Dia dos Namorados a viagem neste dia é feita a espaços dentro de nós, raramente “visitados” na correria do dia-a-dia: a aldeia do Romantismo, mesmo ali ao lado da Vila da Intimidade e pertinho, pertinho da povoação da Sedução, sim, porque é engraçado como algumas pessoas precisam praticamente de ser obrigadas por Decreto-Lei a celebrar o amor, a lembrar-se do quão importante atenções como flores e surpresas carinhosas são essenciais numa relação. Em relação ao Carnaval e sempre que vejo imagens das celebrações por esse Portugal fora, só me parece que acabei de viajar para os trópicos ou para a República das Bananas em que só faltam mesmo os cocos, bananas e palmeiras, porque de resto, a tanga, já toda a gente a enverga! É que nem o “calor” esquisito que se faz sentir por estas alturas é proibitivo para quem tem tanto para dar e mostrar! Bom, com tanto “Carnaval com sotaque” por estes Caminhos de Portugal, sempre nos poupam o bilhete de avião e as horas de voo. E uma vez que “a Vida são dois dias e o Carnaval são três”, mais vale gostar dele e ganhar um dia de folia! E depois ainda temos aqueles que aproveitam para fazer uma “viagem” ao passado por estas alturas em que, segundo consta, “ninguém leva a mal”, e partem das Ilhas em busca de um Portugal perdido! Eu cá gosto mesmo do Carnaval, é que por estes dias, as máscaras sempre são mais fáceis de identificar e apelando à falta de originalidade da grande maioria delas eu diria que sempre são mais previsíveis! E agora calo-me, antes que me acertem com um saco de água, perdão “lima”!
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Ashes to ashes, Dust to Dust!
Ora muito bem... apesar de não estar com grande mood para grandes textos, aqui vai alguma coisa, só para que esta quarta-feira de cinzas não passe incólume.
Acordei de manhã possuída por um desânimo de que já não me lembrava, mas também não era causado pela vontade de ficar na cama, porque dormi bem, era assim como uma picaretazinha chata que a gente vai ouvindo ao longo do dia, o dia todo e que de tanto ouvir nos começa a ensoneirar e a deixar num estado meio anestesiados, dopados por uma apatia, que vem sabe-se lá bem de onde...
Aliada de uma vontade, como só eu possuo, em contrariar tudo e todos, vai de me contrariar a mim mesma e ir aproveitar o fim de saldos para o shopping à hora de almoço. Entro na Tiffosi, experimento umas calças com o maridão e qual não é o meu espanto quando não me vejo com um rabo de “chorar por mais” estilo “finalmente e pela primeira vez na minha vida até parece que tenho um rabo de jeito”, logo assombrado pelo gesto de levantar camisola e vislumbrar as misérias de que tenho sido alvo: um ventre inchado, redondinho, caído, fofinho, quase tão fofinho, que se não fosse deprimente até podia ser giro ao estilo “anjinho renascentista com ar de queridinho e de quem é amante da boa mesa e bom garfo”! AI! Que vergonha...
Enfim, decidida a não me deixar vencer pela imposição de um corpo espelho das minhas novas mestrias culinárias (mousse de chocolate negro, bolo fofo de chocolate com 60% de cacau, açorda de marisco, cabidela, cheesecake de frutos do bosque, bacalhau no forno e ensopado de cabrito de fazer inveja aos Deuses), fui até à Zara, comprei um mini-vestido largo, uma mini-saia descaída e dois mini-blazers... Objectivo traçado: ficar tão bem naquela porra daquelas calças como fico neles!
Infelizmente nunca fui muito dada às artes mágicas de fazer desaparecer pneus e gordurinhas indesejadas... assim, aguardo pela minha próxima gastro ou maleita intestinal crónica e até lá vou vivendo sob uma ilusão: a de que tenho peito para decotes e cú para as calças! Vantagens de se ser “anafadinha”!
Pensamento positivo, minha gente, esse é o segredo! Um dia, renascerei das minhas próprias cinzas, magra, cadavérica, feliz, mas quase tão débil como um passarinho. Será que aquelas calças valem mesmo a pena!?
Ah, a par de tudo isto, descobri que para além das calças push-up, também já as fazem "anti-celulite"... para a próxima experimento umas dessas!
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