segunda-feira, 29 de novembro de 2010

São nove da manhã...

imagem daqui

... a minha filha de dois anos e meio, no banco de trás do carro, levanta as calças e horrorizada grita:
"Mãe... tenho pêlux nas pénas!"....
Primeiro ri-me... depois, caiu em mim a consciência que talvez devesse ter uma resposta mais maternal e pedagógica para lhe dar... Parei de rir, mas a sorrir respondi-lhe:
" Sim filha, tens... sabes, quando tu eras muito pequenina já os tinhas... eras assim muito, muito, muito pequenininha, mas com muitos pelinhos nas pernas!"
(Silêncio)...
Espreito-a pelo espelho retrovisor e ela continua a olhar para as pernas, tentando agarrar os pêlos...
"Mãe...", começa ela a medo... "é como o papá?!"...
"Não filha... os teus são clarinhos!!!"
"Poixé... só os papás é que têm pêlux gandes, né?!"
"é filha... é..."

Eu repito, eram nove da manhã... alguém consegue respostas mais pedagógicas a esta hora da matina?!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

E a pedido de muitas famílias...





... aqui ficam vislumbres da fatiota que fiz para o Nenuco da Repolhita! Eu sei... dói de feio que é... eu sei... parece um gladiador transsexual ou qualquer coisa que o valha... mas ocupou-me a tarde de domingo (quase toda... grrr...) e ela fica um doce agarrada a ele cheia de orgulho porque foi a mamã que fez... Ai ai! A beleza da imperfeição nos olhos de quem nos ama...


P.S. - reparem que tem um top de alças prateadas, uns calções com um laço a condizer e pormenor kiny atrás e umas perneiras com lacinhos com uma fita no cabelo a fazer pendant... sou, ou não sou a próxima Lagerfeld dos Nenucos!? HUM?!

"Em casa onde não há pão..." - Hoje no AO

Depois do dia de ontem… só me ocorre uma velha máxima que diz: “em casa onde não há pão, tudo ralha, ninguém tem razão”! É que assenta que nem uma luva a uma sociedade que em crise, com necessidade de aumentar a sua produtividade, estimular os mercados, oferecer votos de confiança e reduzir o seu endividamento e despesas, resolve fazer um dia de greve, para se manifestar berrando nas ruas, levantando os braços, mostrando o seu descontentamento e erguendo a voz para que o “governo” ouça, para que o “Socas” saiba que ninguém está contente, que ninguém concorda com ele, que ninguém tolera estas políticas de austeridade e que ninguém gosta que lhe andem a mexer no bolso, na carteira e na conta do banco e, quiçá, debaixo do colchão. Então… unidos a uma voz, sindicalistas, anarquistas, monárquicos, reformados, desempregados, trabalhadores e muitos outros “-ores” e “-ares” saem à rua para gritar! Uns mais do que outros, que muitos deixaram-se ficar mesmo por casa, afinal de contas… não havia transportes e o trânsito estava um caos!
Eu acho muito bonito, este gesto de solidariedade, manifestação e activismo dos direitos cívicos… muito bonito mesmo! Pena que tamanha massificação de gentes não se veja à porta dos actos eleitorais, ou nas decisões camarárias, ou sequer ignorem aquilo que de facto se está a passar com o país. Se eu estou contente com os passos que temos dado?! Não. Se acho que a coisa vai apertar?! Sem dúvida. Se fiz greve?! Não. E porquê?! Porque não acho que esta seja a solução dos nossos problemas, dos problemas da crise económica nacional, europeia e global… porque sei os custos que uma greve destas traz, os inconvenientes, os incómodos e a hipocrisia que se esconde por trás da manifestação de muita gente. Tão simples quanto isto, também não acho nada bem que quem queira fazer greve o tenha direito a fazer e quem queira trabalhar se sinta impedido de o fazer, porque não há transportes, porque não tem como o fazer, porque não tem onde deixar os filhos, ou porque é “aliciado” por sindicalistas à porta do seu local de trabalho! Lamento, mas se na sociedade do “a minha liberdade acaba onde começa a tua”, onde está a liberdade dos outros?! Dos “cortas” dos que não acham que berrar seja a solução. Se a greve é para manifestar descontentamento, estou certa que o mesmo número de queixas e cartas a chegar às mãos do senhor primeiro-ministro ou assembleia da república tinham muito mais impacto… talvez todas enviadas no mesmo dia, talvez todas com mil e trezentas queixas fundamentadas, exigindo resposta… ou melhor ainda, com soluções para a nossa crise, com propostas de melhoramento da situação… mas, assim de repente esqueci-me que a lei do berro é mais acessível que a lei da pena… que a retórica e a argumentação também abriram falência… e que o nosso país não viu o que se passou na França, que apesar das seis greves gerais de paralisação total, não fizeram demover Sarkozy, que se limitou a “renovar” o seu governo! E não… não estou a fazer política, nem exercício puro de demagogia, mas irrita-me que as pessoas, enquanto seres sociais escolham quase sempre a revolta como solução dos seus problemas, que nada resolve, mas só agrava, aumentando o mal-estar e a inquietação que vivemos já todos e para os quais, aparentemente e até ver, ninguém tem ainda solução! Uma greve geral, só por si, e mesmo sendo a segunda em vinte anos de história, não traz o “Messias” que nos salvará da crise… eu, assumo, também não sei qual será a solução dos nossos problemas… mas instalar o caos no país, também não me parece que o seja!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Quem tem medo...

... da Greve Geral?! Hum?!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Cá em casa...



... já estamos em contagem decrescente até ao Natal! Foi lindo enfeitar a árvore e montar o presépio a seis mãos... e é delicioso ouvir a vozinha dela a cantar musiquinhas de Natal e a olhar toda derretida para a árvore e para as luzinhas!

"Mãe?! É hoje que chega o Pai Natal?!"

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Metamorfose ( a minha, não a do Kafka) - no AO

Apesar de ser quase meia-noite, estou decidida… começo a escrever este texto com 29 anos e acabo de o escrever com 30. Sempre quero saber se lêem uma trintona de forma diferente!
Na verdade, desde o meu 25.º aniversário que me preparo psicologicamente para esta barreira. A barreira dos trinta! Não é uma barreira, diriam muitos de vós… pois claro que não, concordo eu. Mas hão-de concordar também que há uma série de estranhas coincidências associadas a esta idade… os trinta. Senão porquê, pensem comigo… no melhor dos cenários terei os mesmos anos de vida que tive até hoje e mais cinco até me reformar… isto, partindo do princípio utópico que me reformarei aos 65, ou ainda mais surrealista, que a “reforma” como a conhecemos ainda exista daqui a 35 anos. Depois, têm que concordar comigo que a diversão acaba definitivamente aos 30, porque se até aqui passei pelo menos metade da minha vida a brincar à grande, a partir de agora e até pelo menos por tempo igual e ainda superior a 5 anos, eu terei que me esfolar a trabalhar, para que outros possam “brincar”! Certo?! Certo.
A verdade é que o dia do nosso aniversário é só um dia, em tudo igual aos outros, que se não fosse pela lembrança da data no calendário, ou pela indicação da minha data de nascimento no B.I., me seria completamente indiferente, mais um dia, em tudo na mesma. Mas não… para mim os aniversários sempre foram motivo de celebração… pelas festas, pelas prendas, sempre tão desejadas, sempre tão inesperadas! Com os 25 isso decai. Já fomos a muitas festas, não precisamos da desculpa de um aniversário para fazer mais uma… não estamos à espera deste dia para nos darem aquilo que queremos, porque, em princípio, tudo o que queremos (e que nos poderiam dar), já é nosso, porque o compramos. Lembro-me do dia em que fiz 25 anos… lembro-me tão bem que assusta e também me lembro, de alguém muito importante para mim, me ter dito para me preparar, que a partir daí até aos quarenta era sempre a correr… e depois, dos quarenta em frente, era sempre a arrastar… as maleitas, as ciáticas, o reumatismo, os males da alma… culminando na bela da menopausa, que imagino ser quase como o ponto e vírgula na vida de qualquer mulher! Pode-se viver com tudo isso?! Claro que sim! Já se vivem todos esses males com mais qualidade?! Pois claro que sim… mas nem por isso custam menos!
Enfim, enquanto escrevo envelheço… mas não sou só eu… vocês também… e por falar em prendas, este ano o meu marido, jovial e querido como só ele, ofereceu-me umas botas excelentes para fazer caminhadas e escalada! Que eu usarei com orgulho para escalar (as escadas rolantes do shopping) e para caminhar (de casa até ao trabalho, do trabalho ao hiper e pelo fim-de-semana fora), como se não houvesse amanhã! Engraçado como as prendas que nos dão pelo nosso aniversário definem bem a altura da nossa vida… aos cinco recebi uma Barbie, aos doze um órgão, aos dezasseis uma guitarra, aos dezoito a carta, aos vinte uma jóia, aos vinte e um a viagem da minha independência, aos vinte e dois um estojo de pintura (oferta de uma “vaquinha” de todos os meus amigos), aos vinte e três não me lembro, aos vinte e quatro, também não e aos vinte e cinco… uma neura! Aos trinta recebi umas botas, e um desenho da minha filha, e um convívio com amigos e uma serenidade no saber, que finalmente, hoje, com trinta, já sei isto tudo… e que aos quinze, era apenas uma parvinha, preocupada com o top, a festa e as prendas, ignorando que o verdadeiro segredo da felicidade não está em ser jovem, admirada e bonita, mas em ser amada e valorizada e mais eu!
Por isso, hoje, não trocava este dia em que com trinta anos, verto uma lágrima ao ver a pintura das mãos da minha filha e sinto os pés quentes, pelas botas que trago e as costas confortáveis, no abraço caloroso do meu marido! Porque fazer anos é isto… acrescentar vida aos nossos dias e não, dias à nossa vida! E esta hein?!

De mim, para mim...


... e sobre esta, posso contar já uma história engraçada...

Ao vê-la, a minha filha (que repara cada vez mais nestas coisas), perguntou-me:

- Mãe, que dix aí?!

- Diz, que uma mãe entende o que um filho não diz!

Ela... de ar pensativo...

- Diz que gostas de mim?!

... risos...

- Sim, filha, diz que gosto muito de ti!

Ela, satisfeita, olha para o emblema do seu casaquinho e diz com ar doce a apontar para ele...

- E aqui diz que eu gosto muito de ti também!

Querem melhor prenda do que esta?! Não há!!!

E as prendas...

... pois claro!

A festa da minha trintice...


... seis amigos juntos a uma mesa, três casais com três meninas lindas. Uma mesa dos pais, uma mesa das "Kittys", um bolo que virou boneco de voodu, de tantas espetadas de dedinhos que levou e uma amena cavaqueira que nos tirou sono e neuras e cansaços! No final, a musiquinha que se impõe... três vivas à rainha e um brinde enternecedor aos "estrangeiros" nos Açores. Um convívio muito bom, mas que nos deixou de rastos na manhã seguinte... aqui ficam as fotos para partilhar e mais tarde recordar...


(A mesa dos pais)





(O Bolo)




(A mesa das Kittys)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Uma última dúvida antes dos 30...

... onde pára o Aspegic?!

Hoje é um dia memorável...


... porque é o meu último dia na casa dos 20!

Amanhã vos direi como é a vida de uma "trintona"!


Wish me LucK!


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O pior de sonhar...


... é termos a ilusão de somos capazes de os tornar realidade. Mas realizar um sonho custa.

Custa tanto que dói. Uma dor quase física e é de um desgaste quando por cada passo dado recuamos três... que há dias em que até o sonho nos abandona e nós duvidamos dele! É por isso que é importante não se sonhar sozinho. Sonhar a dois, a três, a quatro, a cinco ou a mais... é sonhar bem mais e bem melhor. Sonhar sozinho não tem piada nenhuma, porque sonho partilhado é sonho já meio concretizado. Obrigado a todos os que acreditam no sonho, pela vossa companhia, palavras amigas e conforto! Ao maridão agradeço o acreditar em mim, mesmo quando eu não acredito, de me empurrar e voltar a dar corda para eu não parar de correr... e à Art, agradeço a amizade, a dedicação e o facto de pintar e rabiscar os meus sonhos na mais completa perfeição! Um brinde ao sonho, um brinde a ti, um brinde a nós e um brinde a todos!!!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A minha estirpe é fixe - HOJE NO AO

A minha geração é consumista! Nasceu no berço de ouro do capitalismo, embalado pela esteira da democracia e pelas ilusões hollywoodescas e infantilizadas pela Disney!
A minha geração faz empréstimos a 40 anos para casas onde vai viver pelo menos 10, com duas ou três esposas diferentes! Com os meus, os teus e os nossos! A minha geração vive da aparência da capa do livro best-seller, com essência de literatura light! A minha geração ri-se na cara do perigo. Não sabe o que são spreads, PEC’s e desconhece o impacto do Orçamento de Estado no país… tudo, porque os políticos são “todos iguais” e a retórica “é uma seca”. A minha geração sufoca debaixo de casacos de cabedal sintético, tudo porque é anti-peles de animais… e porque a diferença do peso na carteira seria de cento e tal euros a mais! A minha geração sonha com paixões arrebatadoras, mas no fundo, no fundo… escolhe um “parceiro para a vida” como quem compra um carro. Idealiza os modelos de sonho, sonha com os mais potentes, os mais stylish, os mais caros… mas compra aqueles para os quais o banco lhe dá crédito! Investe no amor como quem investe na bolsa e quando há crash… foi culpa do mercado.
A minha geração inventou o amor por leasing, de dois, três ou quatro anos e o aluguer de “viaturas”. A minha estirpe suspira por voos mais altos, mas de tão altos que os sonha, limita-se só a suspirar! A minha geração era rasca, depois ficou à rasca, agora já só com muitas dificuldades se desenrasca… mas é uma geração de mentes brilhantes… que mais brilham, quanto mais longe da nação estiverem. Que se destacam pela luz dos holofotes que se lhe apontam e que se deixam sublinhar pelos reflectores das capas dos jornais e das revistas cor-de-rosa!
Na minha geração, quem sonhava em criança, dizia-se dele ter muita imaginação, ambição e inteligência… já quem sonha em adulto é ingénuo, inocente, aluado ou nos piores dos cenários “utópico”. Mas tentem vocês gerações jurássicas compreender, que não é fácil ser-se original num século em que tudo já se fez, já se disse, já se criou. Em que o valor reside na experiência e que peca pela falta de a oferecer. Estamos na roleta russa do azar do século XXI. Nada se faz de novo na literatura, nas artes, porque o que tem valor é apenas aquilo que já se fez e aquilo que se vai fazendo de diferente é vivido e analisado à lupa sob uma voz de dura rigidez crítica, que a ninguém poupa, sob a égide do… “ainda tens que comer muita farinha maizena!”.
A minha geração é a versão GTI dos empréstimos, do amor, dos casos, dos filhos únicos, das maternidades difíceis, dos Nirvana, do pós-grunge, das All-star, do Fizz de limão e da pastilha gorila com os cromos da WWF na mão. Passámos da BMX ao BMW, trocámos a Levis pela Zara e a roupagem do Axel Rose pela falta de roupa da Rihanna, mas na essência a minha geração é pura. Inexperiente só se for de sucesso, mas voluntariosa nas duras aprendizagens do século da emancipação.
Se a minha geração tivesse um lema de vida e resumo de aprendizagem, seria a triste verdade que reza, que tudo se paga nesta vida… mesmo quando a nossa quota-parte de responsabilidade na transacção, se limita a pouco mais do que a recepção da factura!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Coisas parvas que me dizem...


Ontem o papá ia chegar mais tarde para jantar. Ela, que não queria vir para casa depois da escola, pediu-me para irmos dar "uma volta". Fomos ao shopping. "Mas mãe, eu num ké i às compax!"... Não fomos. Fomos até ao "parquinho" onde ela se divertiu e foi agarrada por um menino de quatro anos, que a tentava beijar enquanto lhe dizia... "olha, olha... olha o teu nome aqui na minha camixóla!"... Ela, farta de fugir, decidiu ir às "compax". Comprámos uma touca nova para a natação e uns óculos e uma malinha cor-de-rosa. Depois disse-me que tinha fome, que queria pizza... e um gelado! (Era bem mais fácil quando ela ainda não sabia bem aquilo que gostava, nem o dizia sequer)... mas, seja feita a vontade dela, lá fomos à Pizza Hut. Mal entrou, lançou logo charme aos empregados todos e em menos de um minuto já tinha um balão na mão. "cô Róza", pois claro, como tinha que ser. Sentámo-nos, pedi uma pizza, uma sopa, uma cola e uma água. Comeu a sopa, com a promessa que depois lhe dava um gelado. Comeu a pizza, com a promessa que depois a deixava ir brincar e comeu o gelado... sem promessas nenhumas.

Já no fim da refeição, movida a açucar e gorduras de fast food, atirou-se da cadeira abaixo. O que me deu a ilusão de que tinha batido com a boca no chão e um arrepio na pele. Ganhou direito a um cubo mágico e muitas palavras de consolo e muitos "não chora" da parte de quem nos ladeava e depois de um comentário amigável da mesa ao lado, eu desculpei-a... "ela é muito activa"...


... e eis que, também eu saí a ganhar, com um comentário de brinde, que me maravilhou: "Olhe, é sinal que está viva!"


.... pois...


... sorri amarelo (muito forçada).


Mas que raio de comentário mórbido pseudo-consolador é este... é que para além de não consolar nada, nem sequer ser muito simpático ou positivo, me deixou a pensar nas coisas parvas que às vezes nos dizem, como se de grandes verdades de lapallice se tratassem. O que me fez vir à memória as célebres palavras da supé-tia da nação... em que "estar vivo é o contrário de estar morto"! Inchallá pelas maravilhosas pérolas da nossa sociedade, que tanto me fariam agora "discorrer"... mas como não quero ser mal-criada limito-me a um arremate, bem mais sensato, sintético e inteligente: "E esta, hein?!"

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Digam comigo...


... eu sonho, tu sonhas, ele sonha, NÓS sonhamos...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O Lado lunar da maternidade - HOJE no AO

Toda a gente nos fala das coisas boas de ser mãe. Do lado B da maternidade! Como são lindos, como é bom, como são as melhores coisinhas da nossa vida! E se de facto, também eu sinto que cresci muito com a minha filha e que ganhei um amor sem igual para a vida, agora que sei disso tudo, também sei que a maternidade tem um lado lunar! E como já muito há quem escreva e fale e conheça o lado B da maternidade, eu apresento-vos aqui, numa só palavra, a pior faceta da maternidade. O lado lunar, que é comum a todas as maternidades sentidas, a todas as mães, a muitos dos pais, e principalmente a todos os que se sentem responsáveis pela educação de uma criança: a culpa. Sim, isso mesmo. A culpa é de longe de todas as coisas menos positivas da maternidade a mais negra. Isto porque noites sem dormir, viroses e birras são chatas, mas são passageiras, transitórias, vivem-se por fases, mas a culpa não. A culpa está sempre ali ao lado, de mão dada connosco para toda a maternidade. E a culpa começa no sentimento que cai sobre nós quando não lhes sabemos tirar as dores das cólicas pós-parto, quando nos distraímos e comemos couves ou chocolate e depois os amamentamos ao peito, quando não acordamos durante a noite para lhes cobrir os pés, quando não conseguimos evitar aquela queda, aquele arranhão, aquela esfoladela. A culpa diz-nos olá, bom dia, boa tarde, boa noite! Está sempre lá. Quando os levamos à creche, lavados em lágrimas, porque “num ké i páxcóla, ké fiká contiguuuu….”, quando não os inscrevemos mais cedo na natação, quando lhes recusamos mais um brinquedo, mais um minuto, mais um já vou e mais e mais e mais!
A culpa é educada, mas é chata, não larga, mesmo quando percebemos que precisamos de mais tempo para viver o casamento a dois, mas passamos o jantar “romântico” inteirinho a pensar neles, se estarão bem, se terão comido, se já estarão a dormir, se estão transpirados, tristes, sozinhos. Apesar de saber que os deixámos em segurança, que os deixámos com quem os ama também… mas não como nós. Ninguém ama um filho como nós e saber que eles poderão estar mal e nós não estamos lá para nos sentirmos culpados, mas ao lado deles, arrasa qualquer coração de mãe.
O auge da minha culpa senti-o no dia em que decidi que tinha que voltar ao trabalho. E tinha que, para meu bem e bem da minha filha, retomar a minha vida enquanto ser “não só mãe”, mas também profissional. Nunca mais me vou esquecer do caminho percorrido desde a creche até ao trabalho, quando a deixei pela primeira vez ao cuidado de outros… chorei como chora uma criança desesperada. E não pensem que não pensei em tudo antes… escolhi aquela que considerei ser a melhor creche, com as educadoras mais carinhosas, mais atentas, mais experientes… mas nada disso acaba com a culpa de mãe. Desde aí já desisti de um mestrado e dois trabalhos diferentes, tudo porque não considerava que os horários fossem os mais adequados, porque percebi que a minha prioridade neste momento não é a carreira, mas a minha filha, o que não alivia a culpa, tanto quanto eu pensei na altura. Sei que a culpa não me deixará por aqui, irá acompanhar-me sempre que entender que está na altura de ir de férias sem ela, ou que não lhe puder pagar as férias que ela quer, ou a carta, ou o carro…. Ou, ou, ou…
Deste lado lunar da maternidade ninguém nos fala, porque é irracional sentirmo-nos assim, porque é doentio, porque não é normal, porque é feio, porque não se deve… e eu pergunto-me: se assim é, porque é que eu não conheço uma única mãe, que não se sinta assim como eu, talvez nuns dias mais do que noutros?!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010


Nasci careca. Com um ano tinha dois caracóis apenas no topo da caraminhola. Com dois anos já tinha um vasto ninho de pequenas caracoletas loiríssimas a cobrir-me o tecido capilar. Aos sete, mais parecia que me tinha caído um balde de tinta aloirado no topo da cabeça e depois de cinco anos a levar escovadelas de morte e puxões de cabelo para fazer tranças e totós, as caracoletas viraram ondas! Com 15 anos apanhei com o apelido de Simba, a quem tive direito pela farta trunfa e não pelo ronronar. Aos vinte, lembro-me de ter tido uma paixoneta por um surfista que no meio de uma conversa em que me fartei de lhe ver revirar os olhos, me respondeu: “Desculpa, mas estou a fazer surf, nas ondas do teu cabelo!”. Escusado será dizer, que para mim, essa foi a gota de água, no mar de ondas do meu cabelo e no desenrolar daquela paixão de Verão. Com cerca de 22 arrisquei e pintei de ruivo. Sempre sonhei ser ruiva, misto de admiração, queda infantil, pela princesa Ariel e pela rebeldia da Ana dos Cabelos Ruivos.
Já fui loira, já fui ruiva, de momento estou “castanha”! Sim, porque morena, já sabem, não estou de certezinha nenhuma. A pior mudança capilar que já fiz na minha vida terá sido possivelmente a do pré Natal do ano passado, em que cheguei a casa de cabelo vermelho e passei a época a ouvir comentários do género: “Gosto dessa cor, está natalícia!” ou “Ao menos poupas no gorro”! Enfim… as mudanças são mesmo assim, às vezes correm bem, outras vezes menos bem, mas ao menos agitamos as águas!!! Fizemos correr “tinta” e estamos a fazer história, construir recordações. A duas semanas de fazer 30 anos abri uma janela no tempo para espreitar para o passado! Gostei do que vi, mas fechei a janela. Não quero correntes de ar na sala, nem que me despenteiem os caracóis! Também não guardo especial vontade de voltar à pala de 10 centímetros, nem às repas… próximo objectivo é… a rampa de lançamento para o platinado Lili Caneças! Venham mais trinta!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Olha a bela da declaração de amor...








... palavras. Uma declaração de amor tem sempre palavras! Ora ditas, ora escritas, ora pensadas, ora sonhadas!

Flores. Uma declaração de amor cheira sempre a flores e as flores caem sempre bem no colo do declarado. As palavras e as flores traduzem o sentimento do amador sobre o objecto amado.
Aos meus pais, que hoje fazem 31 anos de casados, desejo muitos e muitos, muitos mais anos de amor, declarações, flores e felicidade!
Porque afinal de contas, a maior declaração de amor de todas, é ter-se a par de muitos anos a somar, uma história feliz para contar!

Esta foi...


... a primeira árvore de Natal lá de casa! Isto, antes dos Açores, antes da nossa filha, antes de antes de antes de antes!

Este ano, será a primeira vez da árvore de Natal cá em casa, nos Açores, depois da nossa filha, depois dos Açores, depois de depois de depois e antes de muitos outros antes! Esperamos! :D

Sei que sou cada vez mais mãe...


... quando a nossa filha nos pede uma "pilinha" para fazer xixi e a nossa resposta, depois da explicação lógica das diferenças entre meninos e meninas, e depois do choro e insistência dela, nós lhe arremessamos com um: "Sim filha, tudo bem, a mãe amanhã manda vir uma, tá?!", "TÁ!".

Acaba o choro, acaba a birra, acabam as respostas inteligentes e lógicas e fica tudo resolvido com uma mentirinha consoladora!

E viva o dia das bruxas, que parece que ainda foi ontem que a vesti pela primeira vez para esta "festinha", de diabinho, com corninhos e rabinho e tudo e tudo e tudo... e hoje a vi entrar pela Creche dentro, de vassoura entre as pernicas, chapéu de bruxa e gato preto e abóbora ao colo. E também nisto sei que sou cada vez mais mãe... porque a deixei entrar e fiquei a vê-la depois à socapa, por detrás da porta, com ar de baba na cara e lágrima no canto do olho. Está tão grande a repolhita... e eu cada vez maior, no amor que sinto por ela! Como será isso possível?!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Shiuu... é segredo! - Amanhã no AO

Jurei! Jurei a pés juntos que não ia ver o novo programa do canal 4 da televisão nacional. Jurei e disse que era ridículo, e que ia ser uma pouca-vergonha, como foi o outro, também disse que aquilo era só gente sem nível, “artistas de nails falhadas e guardas playboys de discotecas decadentes”, lembro-me eu de ter comentado lá por casa. Mas um dia… num zapping muito nocturno, cansado e com os olhos quase a fechar parei no dito programa. Parei e estavam um rapaz e uma rapariga, em amena cavaqueira, falando dos problemas que estavam a ter para lidar um com o outro dentro da casa… e… e fiquei curiosa, pois claro, queria saber mais! Depois, pela conversa, percebei que eles eram um casal e que o segredo dos dois lá dentro era a própria relação… uma relação! Foi assim que tudo começou! Eu, fã de histórias de amor e desamor e um pouco “alcoviteira” de essência, confesso, lá me deixei envolver por aquele enredo: o rapaz, nitidamente mais emocional, ela, mais fria, mais calculista e uma promessa de quebra de relação, perda de interesse e, quiçá, um possível novo envolvimento lá dentro! Bah! Desliguei a televisão e fui dormir! Confesso, até um pouco envergonhada por me ter deixado ficar a ver aquele programa, aquela coisa desinteressante, sem cultura, sem nível. Que vergonha, que vergonha!
No dia seguinte, estava a ver o telejornal, quando saturada de ouvir a palavra “crise” repetida cinco vezes, numa mesma frase, deixei deslizar os dedos pelos botões do telecomando parando num canal novo da programação, o canal que dá o maldito programa da 4, vinte e quatro horas por dia, em directo, com opções de diferentes perspectivas das câmaras e de seguir uma pessoa na casa, e de acompanhar a sua história, a sua evolução no programa… e, descobrir o seu “segredo”! Cedi novamente, desta vez, havia uma discussão sobre a falta de tabaco na casa, e os efeitos disso, e um debate entre fumadores e não-fumadores… enfim… uma devassa da vida alheia. Curiosa, pois bem, talvez até um pouco “cusca”, deixei-me ficar “colada”… aha, eis senão que, o meu marido entra porta adentro e me pergunta: “Ui, então estás a ver isso!?” – Corei. “Hummmm… curiosidade filantrópica!” – respondi sem embargo, continuando: “Pura curiosidade filantrópica! Sabes, acho isto um estudo sociológico do melhor… é como ver humanos num aquário, uma amostra da sociedade real, com condicionantes e agravantes, e ao nosso dispôr…”. “Pois, tá bem… vamos lá almoçar mas é!”. Certo! Fomos almoçar, mas fiquei perplexa comigo mesma. Como que me estranhando. Como era possível, que por vergonha de ver algo tão descomplicado, voyerista e desestruturado, eu arranjasse uma desculpa tão pretensiosa, pseudo-intelectual e descarada!?
A verdade é que ninguém gosta deste tipo de programas, pelo menos, não gosta no sentido de amar, e seguir fielmente, porque isso seria doentio, mas a curiosidade em acompanhar aquela “novela da vida real” e a habituação que criámos nós, enquanto sociedade, em ver a realidade através daquela janela, sem se pensar muito naquilo que se está a ver ou a “consumir”, faz de nós telespectadores cansados da rotina do dia-a-dia e do “ram-ram” da política nacional e da economia mundial propensos a este tipo de “laxantes” televisivos! Eu confesso, que quando me ataca a neura intelectual, mudo de canal e sintonizo nos “segredos”, nesses e noutros, com a única diferença de que me “envergonho” mais de uns do que de outros! Sou humana, e depois, perfeitamente imperfeita me assumo, encaixando-me algures na mediocridade avassaladora, que protege de outras “crises” e deslizes!

SOS OE...


... a grande questão na cabeça de todos os economistas hoje, não é tanto onde poupar, mas como fazer a economia portuguesa crescer?!

Ora... eu tenho uma pergunta, se nós, populaça, nos pouparmos nas compras, se pouparmos nas saídas, se nos contivermos nas férias, se não nos endividarmos, se não produzirmos porque não temos empregos, se recebermos ordenados de miséria, se continuarmos com ambições de primos pobres da europa e do mundo... será que é assim que a economia portuguesa cresce!

Digam-me da vossa sentença "engrúmes" desta vida, é assim que se faz crescer Portugal?! É a lei dos opostos "all over again", ou a lei do contrasenso, no seu auge, no País à beira-mar plantado?!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ai a crise...


... porque é que nós mulheres temos estas ânsias, estas febres, estes ímpetos consumistas... mesmo em alturas pouco próprias?! Tenho que me aguentar... tenho que me aguentar!!! ;P

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Vai uma colher de xarope vitamínico...


Tenho andado em baixo de forma... depois de uma semana de gripe e três dias de enxaqueca e mais umas viroses da repolhita... esta semana estou sem baterias! Totalmente derrotada! Dói-me o corpo, estou sem ânimo, sem alma... e a contribuir para tudo isso junto... faço 30 anos daqui a pouco menos de um mês! Acho que estou numa espécie de "rebound", num repensar de várias situações, numa análise em flashback dolorosa e algo turva de momentos e fases e perspectivas de futuro. Estou preocupada, ainda para mais as perspectivas com a crise económica nacional e mundial, não me dão larga margem de manobra!

Não sei bem o que se passa... devo estar a precisar de vitaminas...


... volto já!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A minha opinião sobre a crise...


… e sobre o Orçamento de Estado e sobre as medidas de austeridade e os tempos difíceis que se adivinham, and so on, and so on… sim, porque não vivo na LaLaLand e também sofro com as consequências da crise que se instalou e das incertezas dos mercados e da sociedade de consumo, que me fez de ninho e berço!
Sem qualquer base de sustentação política ou estudo de mercado feito, e ainda com parcos conhecimentos da economia mundial.
A minha opinião é que: desta vez ninguém escapa e como sempre, quem mais paga é o mexilhão! Mas em crise já eu vivo desde que entrei no mercado de trabalho, na crise de uma sociedade de consumo, capitalista, em que todos vivemos a ilusão de que quem mais pode é quem mais tem e que a felicidade está à distância de quatro dígitos no cartão de crédito!
Pagamos agora todos juntos a factura gorda, que foi mais de alguns, mas pagamos todos juntos, pois a permissividade no endividamento das contas públicas foi de todos nós, sociedade apática e desinteressada do bem e do investimento público, que não quer saber, só para não ter que se chatear e fecha os olhos, e desvia e crítica, falando de alto, sem agir, para não agitar águas, para não se molhar também… ou então, aguardando a sua própria vez… para molhar o bico, também!
Somos todos culpados, uns por acção, outros por falta dela e tantos ainda por cumplicidade ignorante!
Se é poupar que me assusta?! Não! Se é não gastar tanto?! Tampouco! Muito mais me assusta não ganhar, não ter, não ser capaz de mudar nada! E mais ainda: não confiar completamente nesta classe de governantes, que traz as soluções sempre depois da “casa roubada” e sempre sem certezas de que irão ou não funcionar!
Não há messias, nem grandes salvadores da economia da pátria, é certo, mas seria bom, por uma vez que fosse, que estes senhores não fossem sempre os portadores das más notícias, que nos afectam sempre muito mais a nós, do que a eles!
Cá em casa, já estamos em crise há muito… mas a austeridade instala-se a partir de agora. Se nos valerá de alguma coisa?! O pior, é que acho mesmo que não!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

"We'll always have Paris" - Será?!


Estou com uma dúvida existencial... será que uma verdadeira história de amor, só o é, se acabar bem!? E como é que nós sabemos, quando uma história de amor acaba de verdade!? Será a morte o único ponto final deste tipo de histórias!? E quantas vírgulas e reticências podemos acrescentar numa?! Assim de repente lembro-me de Casablanca, Moulin Rouge, Dr. Jivago e África Minha... quatro dos meus filmes favoritos... and I can't help but wonder!!!

Eu sempre acreditei que uma história de amor só o é se o final for "e foram felizes para sempre", mas será que isso é mesmo final de uma verdadeira história de amor!? Ou só um arrematar apressado de uma história com falta de pontuação, recursos estilísticos e imaginação que nos valha?!


Parto gripada e pensativa para um fim-de-semana que se espera de paz e amor!

(Pelo menos, assim o desejo!)

Então... bora lá desejar-vos a todos um FIM-DE-SEMANA EM GRANDE!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Um toque de humanidade e dois pingos de esperança

Dos momentos televisivos mais importantes e marcantes a que assisti na minha vida, constam os ataques às Torres Gémeas e o resgate dos mineiros chilenos. Sem sombra de dúvida, dos momentos mais genuínos, arrepiantes, asfixiantes e absorventes a que já assisti na caixa mágica, que é a televisão. Nestes dois momentos distintos e em tudo tão diferentes guardo uma sensação comum: a de que o Homem é um pequeno enorme ser. Pequeno à escala de um Universo infinito e enorme na força que guarda em si, na esperança, na emoção… no sentir a vida! Numa das cartas que um dos mineiros enviou à sua família, aquilo que mais emociona é ler algo como isto: “ Não imaginam a dor que é, estar debaixo da terra e não poder dizer que se está aqui, vivo!”.
De resto, este resgate dos mineiros chilenos, traz à luz do dia a história de 33 homens a 620 metros abaixo da superfície, com dramas e enredos, que vão desde nascimento de uma filha, a um pedido de casamento 10 anos depois, a descobertas de amantes e relações ilícitas, que os esperavam à superfície, lado a lado com esposas e mães e filhos e amigos e família.
Numa das imagens que se pôde ver na tv, a que até o jornalista prestou homenagem, inibindo-se de a comentar, via-se o interior do túnel e um troço da subida que os mineiros tiveram que fazer… arrepiante foi a palavra, o isolamento, a escuridão, toda a esperança daquele e de todos os outros Homens, que assistiam, que o esperavam, que aguardavam a sua vez… e o silêncio. Um enorme silêncio.
Um acontecimento histórico, uma história de heróis, não só os mineiros, mas todos os que ajudaram e acreditaram no salvamento deles… um verdadeira lenda viva, que só prova que a vida não pára de nos surpreender e que o ser humano é realmente fantástico.
Mas esta história é também uma ode aos verdadeiros valores da vida… pois só na ausência de coisas como a luz, o conforto, o amor, o contacto humano e a liberdade é que nós as sabemos de facto valorizar! Tudo isso e mais uma coisa, um pormenor, em tudo tão pouco, em tudo tão tudo: a saúde! E só quem pena pela falta dela saberá o valor que ela tem!
No dia em que fiquei a conhecer o drama destes mineiros chorei, não consegui evitar, tenho lágrima fácil e a compaixão faz parte do meu carácter! Hoje chorei outra vez… não um choro convulsivo ou descontrolado, mas o choro da sensação de empatia, um choro emotivo e sem explicação certa, talvez apenas um choro por saber que com tantas diferenças que nos separam a todos, nestes momentos nós somos humanos, todos iguais!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Souvenir...


... de um fim-de-semana bem passado... já parece que foi há "canos"! Mas apeteceu-me!

Kit Azorian Proud para menina!


... o da minha, já cá canta! LOL

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Medos, princesas e sorrisos - Amanhã no AO

(Para ela e por ela, como não podia deixar de ser)


Já me tinham avisado, que os três são a idade das birras, dos medos, dos pesadelos, mas ainda assim custa tanto ouvir sair daquela boquinha um “tenh'medu”, assim, do nada, inesperado, imprevisível, amedrontado. Dá vontade de voltar a colocá-la dentro da minha barriga para que não sinta medo de mais nada, nem de mais ninguém. O mundo pode ser mesmo assustador… e daí que me sinta ainda pior quando ela expressa o seu medo, porque eu própria também tenho medo, por mim, por ela… enfim! Se o medo é do escuro, como ontem, a única coisa que me resta fazer é acalmá-la… levá-la para longe deste mundo real que assusta e contar-lhe uma história, vestir a realidade de uns pozinhos de perlimpimpim e partir com ela para um mundo, em que quem manda é uma simpática e amigável princesa, com o nome dela, com três companheiros que a seguem para todo o lado, os seus três animais preferidos: um cavalo, um cão e um gato… a quem dei os nomes de Botinhas, Pantufas e Peúgos, pouco originais, inspirados apenas naquilo que tinha acabado de ver no quarto. A história que lhe contei ontem envolvia um bolo com capacidades, supostamente mágicas, inspiradas numa especiaria que adoro, a canela, e que segundo a princesa com o nome da minha filha, ajudava toda a gente a sentir-se mais feliz! Os quatro amigos comeram o bolo e partiram felizes para um passeio no prado, onde encontraram a vaca Cornélia, que lhes contou acerca da tristeza da ovelha Clotilde, cuja camisola favorita tinha sido estragada pela chuva.
(Esperem… não desistam ainda de continuar a ler, como em todas as boas histórias, também esta tem uma moral para miúdos e graúdos…)
Os três amigos lembraram-se então que o bolo da princesa poderia ajudar a ovelha Clotilde, mas a princesa já não tinha mais canela! Nada de grave, porque revelou-lhes a princesa, o ingrediente “mágico” podia ser substituído por outros não menos especiais… perguntou a cada um deles qual era a sua iguaria preferida e foi juntando à base do bolo caramelos, chocolates e açúcar. Levaram o bolo à ovelha, que saiu da tristeza em que estava inundada, não pela doçura do bolo ou especial ingrediente que ele contivesse, mas pelo acto em si. A princesa tricotou uma nova camisola para a ovelha e todos se rejubilaram ao ouvi-la balir de feliz! Moral da história: neste mundo (real) como no outro (da fantasia), os pequenos gestos fazem uma grande diferença e às vezes o véu da tristeza, pesado fardo para aquele que o carrega, é facilmente levantado por quem com genuína amizade se aproxima de nós.
No fundo, a melhor forma de acalmar o medo que vive em nós, que é normal, natural, saudável e até de algum modo benéfico, é mesmo lembrarmo-nos que no meio de tanto mal, ainda há algum bem… e que o sorriso continua a ser mesmo o maior quebra neuras paquidérmicas e depressões glaciares conhecido até ao momento, capaz de subtrair ao maior medo algum desconforto. Quantas vezes não ficou com enxaquecas por falta de uma boa gargalhada de descontracção muscular?! Não subestime o sorriso, nem o bem que ele faz, a si e a quem o rodeia. O que me leva a pensar… se como eu, você já sorriu hoje?! Se ainda não o fez, deixe-me dizer-lhe que é tão indispensável à sua saúde como comer, beber ou medir as tensões. Vá lá, não custa nada… na verdade é bem mais fácil do que franzir o sobrolho ou grunhir. 1, 2, 3… agora é a sua vez!

OUTONO...


... cai a folha, mas o estilo: NUNCA! Adoro... echarpes, pashminas, cachecóis, lenços e quase tudo o que se possa usar ao pescoço!



Esta é a minha colecção... e a vossa!? uAHAHAH!

oUTONO, aqui vou eu!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Tuning Out!


O projecto Rádio acabou!
Depois de três direcções de produção diferentes, de alguns rumos e muitas navegações sem rota, eis que mais esta página se virou!

Da experiência ficam muitas aprendizagens, algumas recordações felizes e uma confirmação:
Eu até posso não saber sempre aquilo que quero, mas sei bem demais aquilo que não quero!

E é isto, estou uma adulta feita... a caminho dos trinta, com aspecto de 18 e mentalidade de 40, se faz mó a muita gente?! Aposto que sim!
Se podia ser diferente?! Poder até podia... mas é como diz o outro: Não era a mesma coisa!

A quem me ouviu, acompanhou e apoiou em mais uma aventura: OBRIGADA!

Elogio da diferença - no AO

Lá em casa somos três, em tudo tão diferentes! O mais comum é que antes da hora do jantar, à custa da maldita da televisão, já esteja o caos instalado… ora porque um quer ver o jogo, ora porque outro não quer ver as notícias, ou porque a pulga, que já pensa que manda, acha que o Barney e o Noddy são os reis da programação em horário nobre da TV. Isto é só um exemplo, de muitas das diferenças que pululam num mar de divergências diárias lá em casa. Ele só gosta de um par de sapatos, eu gosto de ter sempre mais um do que mil, ela só gosta de andar descalça. Mais de metade do guarda-roupa é meu e o que resta, é das trilhentas camisas dele, todas nos mesmos tons. Já perceberam que lá em casa as coisas não seriam propriamente fáceis se não convivêssemos todos pacificamente ao som de um “I say tomatos, you say tomátos”…
Existem muitas vantagens em aprender a conviver bem com as diferenças, nomeadamente ficamos mais ricos, mais conhecedores de várias coisas, que por nossa livre e espontânea vontade ou iniciativa, provavelmente, nunca teríamos vindo a conhecer. Outra coisa boa de conviver com pessoas diferentes de nós, é que essa convivência e o processo de aceitação são garante de quebra de monotonia.
Eu gosto de doces, ele de salgados, ela de tudo. O que se passa lá por casa é um mini retrato do que representa a nossa sociedade um “melting pot” de diferenças de gosto, de atitude, umas vezes mais culturais, outras mais individuais.
A vantagem de se lidar com a diferença é que a própria aceitação da mesma faz de nós pessoas mais adaptáveis, mais flexíveis… um pouco como a água, que se vai adaptando ao caminho, mas ainda assim conseguindo sempre deixar a marca da sua passagem.
“O que seria do mundo se todos gostassem de amarelo?”, ouvimos nós com frequência. E a questão é mesmo essa, o segredo para a resolução de conflitos, tensões e celeumas, que surgem da existência de diferenças ou divergências é esse mesmo: é que ninguém precisa de gostar da nossa diferença. Basta que a aceite. E assim, num gesto de modernidade e inteligência tão simples como este, a tolerância, se teriam evitado guerras e mortes e mágoas… tanta mágoa, dor, vergonha e trauma advém desnecessariamente da não-aceitação da diferença! Toda ela, perfeitamente evitável, com uma boa dose de aceitação, tolerância e respeito.
Mas a questão da dificuldade na aceitação da diferença ou no exercício da tolerância é mesmo a parte do respeito, pois numa sociedade em que vigora uma nítida ditadura do “Chico-esperto” é difícil fazer as pessoas perceber o verdadeiro valor do respeito… na rua, no trabalho, em casa! Lembro-me a propósito disso de um conselho, recomendação, que a minha mãe me segredou no dia em que me casei… é que o segredo de um casamento feliz, não assenta só no amor e na paixão, que são passíveis de erosão do quotidiano, mas sim, no respeito. No aceitar e tolerar de diferenças naturais, que surgem inevitavelmente ao longo do tempo e que sem respeito não serão nunca ultrapassáveis, toleráveis ou passíveis de resolução. Porque respeitar não quer dizer que tenha que se gostar, ou concordar, mas prova que somos capazes de ter “jogo de cintura” suficiente para driblar a bola da vida, sem termos que nos vergar. Se é difícil respeitar sempre tudo e todos?! “Nim”! Umas vezes mais do que outras, mas na maior parte das vezes, esse será mesmo o melhor caminho a seguir. A diferença enriquece-nos enquanto seres humanos, unidos todos por qualidades de ser. E agora digam-me lá, se o maior elogio que se pode dar alguém é ou não é um simples: “ Tu és única/o”?! Eu não me cansarei nunca de o ouvir, e no dia, em que me deixarem de o dizer… então aí sim, preocupo-me, porque para além de aceitar a diferença, a verdade é que… eu gosto mesmo muito dela!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mulher a 1000...


... com menos 28 aninhos!

domingo, 26 de setembro de 2010

À primeira qualquer cai...

Sentada no chão, a minha filha canta a música “ O meu chapéu tem três bicos” e eu em pura contemplação, penso no bico-de-obra em que me meti. Sim, porque há sempre aquele momento, aquele instante do meu dia, em que eu acho que talvez não soubesse bem no que me estava a meter quando decidi ser mãe! Ele é um sem-fim de noites sem dormir, uma preocupação chata que só não me faz cacarejar de mãe, porque me controlo com todas as minhas forças, e depois, depois… umas ganas inexplicáveis de ter mais um, seguidas de uma falta de coragem paquidérmica, que me leva a suores nocturnos só de imaginar que um dia isso pode mesmo acontecer.
E assim vive uma mãe, num estado de “esquizofrenia maternal”, como alguém o definiu um dia. E depois vêm as contas, e depois os atrasos nos salários, e depois as ementas da semana, as prendas de aniversário, as festinhas e reuniões, os compromissos e o conciliar de agendas, a mudança do óleo do carro, abastecer de combustível, pedir favores, pagar favores, fazer provas chatas e burocráticas para a segurança social (para receber 11 euros de abono de família), as chamadas chatas, os fretes sociais, os compromissos na esteticista, a actualização de saber… e depois de tudo isso, às vezes, lá venho eu algures no meio de tudo isto. Utópica, sonhadora, descomprometida, desapegada de uma realidade “castradora” para quem sonhou um dia, como eu, ter uma família à moda antiga, com filhos à mesa, como pulgas no pêlo de um cão. Não é fácil ser consciente. Nada fácil, digo-vos desde já. É muito mais fácil pensar que tudo se resolverá por si e que se a coisa correr mal, “olha logo se vê”. Mas as coisas não são bem assim, riscos desses correm-se com ligeireza na política, mas não na vida real.
Acho tão aborrecida esta coisa de se ser adulto, de se ter constantemente que passar uma imagem, nem sempre nossa, mas aquela que temos que ter, no trabalho, na sociedade, na família. Tenho saudades da rebeldia infantil, que nos permite dar uns belos gritos e uns pinotes e dançar à chuva sem julgamentos. Saudades do tempo em que podia andar descalça pela casa, sem ter que me preocupar se a miniatura de mim, que tenho lá em casa, me vai imitar e arranjar uma bruta amigdalite à custa disso, que me levará depois a mais um sem fim de noites sem dormir e preocupações galináceas, e mais uns dias de atestado e mais umas contas de farmácia e de pediatras, sim… porque nestas coisas, a bela da “virose” nunca se resolve à primeira! Pois, não sei… é que ter filhos é assim, mais coisa, menos coisa, como jogar à “cabra-cega”… vai-se tacteando, tacteando e quem sabe, um dia lá se acerta!
Lembro-me tantas vezes de ficar aborrecidíssima com a minha mãe quando ela me dizia, que se não fosse pelo meu pai, ela nunca tinha tido filhos. Eu não percebia, amuava, fazia pirraça, sabia que ela gostava de mim, claro… mas não percebia o fundamento de não se querer ter filhos. Principalmente porque a filha em questão, era eu. Mas o ciclo da vida é mesmo este, é ser filha da mãe e depois, mãe da filha, ou de filhas. Percebo quem não queira ter filhos, principalmente as mulheres, porque perdoem-me os homens o egoísmo, mas apesar de todos os avanços do século a parte física, biológica e hormonal da maternidade continua a ser toda da nossa inteira responsabilidade. Já para não falar nas desvantagens que uma mulher com filhos tem em relação a outras no mundo profissional… mas não vamos sequer por aí… a mim, o que me espanta mesmo, é que alguém como eu, mesmo sabendo de tudo isto, tenha por vezes laivos, essas ganas de “ir ao segundo”… é que a estas coisas se costuma aplicar uma máxima mais do que conhecida: “À primeira qualquer cai, à segunda, cai quem quer”. E, de modos, que esta semana é isto que ocupa o meu pensamento… o eterno dilema de nunca se saber a resposta para certas e determinadas questões da vida!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Houston, we have a... weekend!

... e sim, adorava ir à praia, apanhar o sol que não apanhei neste Verão, sentir o calor na pele, que era uma consolação... mas, não! Não... comecei o final de semana com um telefonema da creche, a mais pequena está com febre! Oh sim, oh yes... yet again! E aqui estou eu, com mais três toneladas de preocupação maternal no pêlo... e porque é que não consola nada ouvir pela enésima vez: "Mas Sílvia, isso é normal, os miúdos pequenos apanham montes de viroses!"... Pois é, mas porque raio é que a minha apanha com montanhas delas por ela e pelos outros miúdos todos?! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! Pronto. Já passou.
Vou dar mais um colinho e passar mais um fim-de-semana de molho!
Nos entretantos ponham lá uma velinha por mim aos vossos santos padroeiros, que os meus já se queixaram do odor a vela queimada!
Beijufas e pantufas para todos...
FUI

Um dia assim... (Esta semana de volta ao AO)

São sete da manhã, o relógio toca… bom, não é bem o relógio, é mais o despertador do telemóvel, porque o relógio é digital e o seu despertar irritante. Não gosto de acordar cedo, nunca gostei, talvez por isso sempre tenha tido empregos que só me obrigavam a acordar depois das nove. Também tive a sorte de os ter sempre perto de casa, ou relativamente perto… mas hoje, vou para o outro lado da ilha, que não é longe, mas que com o despertar às sete já não me permite tomar o duche que se impõe para acordar. Adio mais cinco minutos, ora se não tomo banho e não, mais vale dormir mais cinco minutos, e depois mais cinco e com cinco mais, já dormi um quarto de hora, não integral, mas interrompido, que tenho sempre que acordar de cinco em cinco minutos para o adiar mais um pouco. Acordo, levanto-me, ao passar pelo corredor sinto o respirar sereno da minha filha que ainda dorme tranquila. Cruzo-me com o meu marido na casa de banho, faço a higiene matinal necessária, visto qualquer coisa ao acaso, despeço-me com um beijo breve e saio de casa a correr, com sacos e tralhas e chaves e sem moedas para tomar café. A manhã passa assim, entre umas horas de trabalho, um duche antes de almoçar, um almoço a correr e a tarde instala-se no meu dia, acompanhada por uma enxaqueca daquelas, que me faz doer as temperas, até ao ponto de me deixar a lacrimejar e bocejar num sem fim de agarra a cabeça e pena, pena, pena… é um dia normal, tirando a enxaqueca, que não aparece todos os dias! No cair da tarde, o dia começa para mim, vou buscar a minha filha, recebo um abraço saudoso, juntamente com os recados do dia… uns dias com queixas de mordidas, uns dias com quedas, uns dias com neuras… mas sempre, sempre com ela nos braços, porque por pior que o meu dia tenha sido, o melhor de todos eles é ela! Por vezes, a seguir a isto, temos compras a fazer, outras vezes, vamos directas a casa, e pouco tempo mais temos para um banho, algumas brincadeiras e jantar! E depois… depois ele chega. E quando ele chega a casa, o mundo todo cai-me nas costas e eu deixo-me cair nos braços dele. E quando me pergunta, como foi o teu dia… os momentos que se seguem valem mais do que horas de psicanálise e terapias sem fim.
Quando me perguntam, por vezes, porque é que uma “miúda” tão pouco convencional como eu, sucumbiu assim à tradição mais “retrógrada” da história, o casamento, eu nunca me lembro destes momentos assim, mas respondo sempre que se não fosse com ele, não teria casado com mais ninguém… e acho que a verdadeira razão que leva alguém a casar com outra pessoa é mesmo essa, sem mais histórias, nem argumentos, nem tretas… só isto: a certeza de que se não fosse com esta pessoa, não seria com mais ninguém!
Não me peçam para explicar porque decidi casar e não apenas juntar-me, acho que isso, até hoje não sei bem explicar… o que me pareceu no momento em que ele me pediu em casamento, é que não havia, naquele momento, nada que eu quisesse mais do que isso, o que, para mim, neste momento, continua a fazer todo o sentido!
Se é difícil estar casada?! Não acho. Não acho mesmo, pelo menos não mais, nem menos difícil do que é manter uma relação com alguém, com a certeza diária, de que, aconteça o que acontecer, o meu final de dia acabará sempre da melhor forma, com ele a entrar porta adentro e eu a sucumbir a mais um dia de luta, de vida, amparando-nos os dois, um no outro, aconteça o que acontecer!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

NO AR!!!


... e então?! Há discos pedidos?!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Planeta Blogger chama Mulher a 1000!!!


Fui a casa! Matei saudades e enchi o saco de mais umas toneladas delas, que trouxe comigo de volta para a ilha! É sempre assim, e não adianta dizer que com o tempo a coisa melhora, que não melhora mesmo nada!

Na semana passada não escrevi croniquices no AO, pedi dispensa! Tentei, tentei, mas não consegui... é um risco que se corre, quando se escreve do coração para a mão, e ele nos amua nela não querendo comunicação...


Trago uma enchaqueca comigo desde domingo, que me tem andado a atrofiar o juízo, juntamente com este tempo da ilha de S.Miguel, que não ... nem sai de cima! Que karma!


Continuo na rádio, todas as manhãs, agora sozinha na locução de um programa, que já teve três directores de programação diferentes, um generalista, um comercial e um "nostálgico para o povão"... sim, assim se faz rádio no meu país! Eu, ao sabor da corrente lá vou fazendo como melhor sei, mas confesso que se de natureza já sou adversa à mudança, com mudanças destas em tão pouco tempo dão-me ganas de me pirar de lá! Ainda assim, porque já fui picada pelo "bichinho da rádio" vou-me aguentando, na esperança de melhores dias e projectos que me façam arribar a crista!


Na crista da onda continua por cá a mais pequena, que está linda que dói, fala como um papagaio, mas com pronúncia da ilha e nos derrete a cada instante! Este fim-de-semana, fizemos o seu primeiro lanche pic-nic... enquanto ela se deliciava de iogurte na mão a ver os bambis, perguntei-lhe: "Estás a gostar do pic-nic?", ao que ela responde com ar de baralhação: "Mas mãe, eu não vi o cuco no pico!!!"... Pois, já me tinha esquecido como custa esta assimilação de conceitos novos na massa cinzenta dos nossos jovens infantes! No final do dia, ainda assim, consegui extrair dela um: "o nico pico é fixe!".


Estou bem, tirando as enxaquecas, mas com saudades da vida de blogger! Sempre que me tento actualizar nos "mundos" que conheci por aqui, fico sempre assim, com saudades!


A todos vocês um grande "Hello, i'll be back", não sei bem quando, mas Hasta la vista!!!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

E depois de uma semana de 31 dias...


... e um mês de 365 anos... aqui estou eu, com o cansaço de três séculos e uns dias nas costas, com um looooongo dia de amanhã pela frente, com direito a dentista, esteticista e tudo... e com a miúda a chocar mais uma virose! Há lá fim-de-semana que me valha?!


( Vou começar a rezar agora... será que ajuda?!)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Ditadura de salto alto - HOJE NO AO


Mulher não ressona, ronrona. Às vezes o ronronar é mais rouco, mas nunca ressona! Nunca. Mulher não arrota, sorri para dentro. De preferência, se o sorriso se ouvir, a mulher diz “Santinho”! Mulher não assobia. É Feio! Se assobiar, fá-lo quando estiver sozinha, a alto e bom som, de forma tão violenta, que da próxima vez que se lembrar de o querer fazer, ainda lhe doam os lábios. Quando for para a mesa, os cabelos estarão alinhados, de preferência apanhados, as costas e ombros tapados e as mãos bem lavadas. Tão importante como lavar os dentes depois das refeições é não os mostrar a torto e a direito quando se ri. E assim eu fui formatada a pensar, pelas minhas avós, que querendo o melhor de mim, me ditaram regras e estatutos do comportamento da mulher “de bem”. Portanto, ditando-me o manual da ditadura de salto alto.
Mulher que é mãe sobe automaticamente para o nível 2 da ditadura do salto alto, ganha extras que lhe permitem dizer coisas como: “de sopa não se gosta, come-se” ou “ não é já, é agora!”. A maternidade a isso obriga! A educação é coisa complicada, e cedo se prova que a democracia, pode ser eficaz, mas a ditadura surte efeito mais rapidamente.
No mundo dos homens, muitas são as vítimas desta ditadura de rabo de saia. Vitimizados por violências verbais como: “põe a mesa” ou “será que podias ajudar aqui?”. Enfim… um sem fim de actos ditatoriais, que mais não servem do que o ideal de perfeição da mulher. O cosmos aos nossos pés! Antes fosse!
Mas esta ditadura não obriga, as líderes são maternais, amantes, sensíveis e deixam-se ferir por sensibilidades de “sola de sapato” sexistas, que não vêem a igualdade de direitos como bem adquirido, mas como bem… a ver se vamos ter!
A verdade é que, por muito cruéis que possam parecer estas regras e ditos em tom agudo, não há crueldade maior do que aquela que foi infligida às mulheres, séculos a fio. Não é o tom de voz da mulher que incomoda muitos homens, com “h” pequeno, nem tão pouco o conteúdo daquilo que ela diz…
… mais os incomoda, o facto de ela dizer! Era tão mais fácil quando elas tinham que estar caladas! “Mulher só fala quando interpelada, e se tem dois ouvidos, mas só uma boca, é para ouvir mais do que aquilo que fala.”. “Mulher é ardilosa”, claro está, que melhor defesa terão os homens do que esse ataque secular?!
Pois, Eva, bem nos tramaste! A fundadora da ditadura de salto alto foi ela, que mesmo sem salto obrigou Adão a trincar a maçã do pecado… e depois… depois o resto é história! Agora, a mulher, grande culpada pelo mal da humanidade carregará para sempre o castigo de um preconceito enraizado, que leva os homens a singrar por título e as mulheres pela força do punho… mas amigos, isto muda! E não é já… “é agora”!

EXTÂSE!

Estou em extâse... um novo livro do Mario Vargas Llosa sai em Novembro... para nós só para o ano... mas não caibo em mim de contente!
Quem já leu "Travessuras da menina má" saberá porquê!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Querido Pai Natal,

antes que digas que já fui tarde demais... aqui fica uma sugestão para me deixares no sapatinho...
(Não cabendo dentro, podes deixar ao lado... ah, e já agora, não sou esquisita com datas, afinal de contas, o Natal é ou não é quando um homem quer?!)


Your's truly,
Mulher a 1000!

Chamadinha rápida...


Limpei a cara ao blogue... está mais legível e apetecível neste look mais "clean"! Não sei bem porquê, mas sofro desta patologia, de me fartar rapidamente do mesmo "embrulho". Portanto, o conteúdo mantém-se, mudaram-se só os "exteriúdos"!
No mundo da Mulher a 1000 a vida rola, "xuxu beleza", aproveitei a pausa, durante a qual espero que a sopa da mais pequena fique pronta ( sopinha de batata, cenoura, frango e alho... o básico vitamínico, portanto). Mas a pausa é breve... porque agora tenho que descansar dez minutinhos antes dos habituais: "não ké xupinha" ou "exa papinha num péta"... e o incansável "num góooooto dixuuuuu.... uaahahahahahahhaaaaaaaaaaaah!". Agora dá-lhe para isto... a minha resposta?! Sempre a mesma: De sopa não se gosta, come-se! (Toma, embrulha e leva para casa!) - Quem diria que ao fim destes anos todos me tornaria numa "dessas" mães! Estou irreconhecível!
Enfim, 1,2,3 colheres, inspira, expira e voltamos à carga!
Bom, e depois desta brevíssima saio daqui a xispar, com esperanças de voltar amanhã, talvez quiçá!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Verão, verão... Haverá maior contradição? - no AO

Acho piada ao Verão... especialmente a este Verão esquisito que se faz sentir por bandas de S. Miguel. Acho piada por vários motivos, não é que goste sempre, mas acho-lhe piada!
Vejamos, todos os anos por esta altura, mais coisa, menos coisa, quando o calor começa a apertar e as roupas a diminuir, eu desenvolvo um complexo recorrente típico de preguiça na árvore, que me recorda as dietas que eu não fiz, as idas ao ginásio a que me baldei e uma coisa lixada, o facto de que o passar dos anos puxa para cima na idade e para baixo em tudo o resto! No Verão, e à falta de maior trapo que nos tape, não há ponta que não se veja de gordurinha localizada, prega nr. 4, 5, 6 e por aí em diante, ou então asneira alimentar do acumular de calorias de inverno, que à falta de hibernação, não se gastando, deixamos acumular. Há muito quem prime pela auto-estima excessiva, e achando-se no direito, de usar tudo o que vê usar nos outros, e gostando, peque pela falta de dois tamanhos acima, ou um par de olhos na retaguarda! Enfim... escusado será dizer, que as “tangas” só são para quem as quer! Mas até nisso eu acho piada ao Verão, porque gente que se cobre de mantos no Inverno, chega ao Verão e não tem pudor que lhe valha!
Ainda assim, e logo que o frio do Inverno se começa a evaporar no ar, a vontade de expor a pele ao fresco impera e a mim, aquilo que mais não são os ataques “fashionísticos”, nem a falta de “linha”, que como diz uma amiga minha: “não podemos ser perfeitas, mas podemos comer perfeitamente”! No Verão, aquilo que mais me aborrece são os comentários ao meu tom de lula... portanto: pálido, branco! Ora, de acordo com os genes que herdei, melanina não é rainha na minha pele, isso, aliado ao facto de o inverno não ser propriamente pródigo em “escaldões”, faz com que frequentemente, gente que não conheço de lado nenhum me brinde com comentários do género: “Ai que estás tão branquinha... e rónhónho!”, “Branco mais branco não há... fon fon fon!” ou uma das pérolas da coroa: “Olha lá ó nina, o sol não brilha no teu hemisfério?”.
Bom, escusado será dizer que este tipo de “bocas” já me incomodou mais em tempos do que actualmente, pois se há coisa que eu aprendi neste meu pouco tempo de vida é que, mais ridículo do que ser, é querer parecer! Portanto, se sou branco pérola de tom de pele natural, escusam de me lembrar do dito... nasci assim, vejo-me todos os dias ao espelho, uns dias mais do que outros e portanto, estou convencida... nada há a fazer! E eu até gosto de ser assim! Puxa, afinal de contas, é isto que eu sou! Mas há sempre uns marmelos armados ao pingarelho que acham imensa piada em lembrar-me do meu tom de pele, alto e bom som, como se a vida deles dependesse disso. A essas pessoas, normalmente, mostro a “carapaça” da minha indiferença ou então, respondo... depende dos dias! Não posso transcrever aqui algumas das respostas que já dei, lamento, pois se nessas alturas a indignação me turva o palavreado, aqui não me convêm transcrições de puro vernáculo popular. Ainda assim, escuso-me de aceitar que só a bela de solário tenha direito a arejar a pele... mas esta é outra das razões porque acho piada ao Verão... é que se vocês sonhassem o que algumas passam para parecer mais do que o ser, ficavam de cabelos em pé! Ainda está para vir o dia, em que arrisque a troca de um melanoma por melanina! Como diria o outro: “Jamais Salomé!”
Assim, o meu recado para hoje é breve: sejam quem são, no Inverno como no Verão! Acreditem em mim, não haverá melhor resolução! Tenho dito.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

"Puro Açores"

Lá ao fundo tocavam os The Gift, enquanto a Sónia Tavares cantava, com aquele vozeirão que só ela, as "Maravilhas dos Açores", com uma remake da "Pure" a celebrar as 5 Maravilhas destas ilhas... mas no nosso espaço de diversão a preocupação foi outra:
as pipocas estavam quase a acabar... aaaaaahhhh...
Isto sim, é "puro" e a cores!!! ;)


P.S. - Reparem na mãozinha marota no lado direito da foto... LOL

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mães de férias, mas sem folgas... - no AO

Li algures as conclusões de um estudo que indicava que 80% das mães que tinham acabado de regressar das suas férias, com as respectivas famílias, admitiam precisar de mais férias depois disso. Algumas delas, chegavam mesmo a admitir que preferiam a rotina do dia-a-dia do que o cansaço de ter que lidar com as mudanças de humor, resultantes das alterações de rotinas dos filhos, excesso de actividades e energias e a responsabilidade acrescida de ter que controlar tudo desde o novo espaço, às refeições, etc, etc, etc. E se não compreendi de imediato os resultados e conclusões do estudo, assumo desde já a minha total concordância com o espírito da maioria abordada. Sim, ser mãe cansa. Sim, todos precisamos de férias… mas, sim, tirar férias com os filhos, pode cansar ainda mais do que o já habitual cansaço!
Ainda assim, eu que sempre gostei de viajar, de quebrar a rotina e de não me acomodar, tenho sérias resistências em relação à ideia de não fazer nada fora da rotina só pelo que isso possa acarretar! Ou seja, mesmo cansada, admito que não abdico de uns dias de “férias”, ainda que isso, com uma criança de 2 anos atrelada a nós, nem sempre seja sinónimo de “descanso”. No entanto, e por aquilo que posso constatar das minhas breves experiências de “férias” como mãe de uma criança pequena, nem sempre os espaços que escolhemos nos facilitam a tarefa! Mesmo hotéis e espaços turísticos, que se assumem como familiares, acolhedores, “amigos das crianças”. Senão, como se pode explicar que um hotel de quatro estrelas, com um dos restaurantes mais afamados e tradicionais cá da ilha, tenha na sua ementa uma e apenas uma sopa, de roraz, com pimenta da terra, e não ofereça nem mais uma opção de menu para crianças, nem que fosse o tão típico “hambúrguer com batata frita”, que ainda não percebi porquê, mas é o menu infantil típico, apesar de todas as recomendações de nutricionistas para que se evitem os fritos na alimentação dos mais novos. Ainda assim não é só por aí que certos espaços pecam e não contribuem em nada para o descanso dos pais… é que a culpa não é inteiramente das crianças, pois não se pode esperar que uma criança tenha atitudes e comportamentos sociais típicos de adultos, já devidamente amestrados, e assim é com pesar que constato que, ainda há muitos restaurantes que não têm cadeirinhas de refeição de bebés, ou que nos relegam para a mesa do canto, ignorando a proximidade de escadas, ou que nos recusam uma mesa, por estarem num dia com “muita confusão”, ou nos olham de lado por levar connosco num jantar romântico uma criança, acreditem, eu, acima de todos sei que elas não dão os melhores candelabros, mas pagar por uma tarifa “romântica” num hotel e não cumprirem os requisitos, como as velas ao jantar, só porque levamos connosco a nossa filha, não me parece o mais correcto, nem cordial, nem amistoso… mas talvez isto seja só a minha implicância “refinada”, que me obriga a recusar deixar de gostar das coisas que já gostava antes de ser mãe e que acho que a culpa do cansaço das mães, não é só dos filhos ou dos pais, mas de uma sociedade muitas vezes “castradora” do espírito próprio dos nossos infantes, que só se querem mesmo é divertir-se. Porque a mim não me incomodam tanto as pequenas rebeldias típicas da idade da minha filha, quanto o olhar de soslaio e dissimulado de gentinhas que acham que foram crianças diferentes… desenganem-se pois meus caros, fomos todos iguais, apenas com a diferença de um espaço temporal para alguns mais longínquo do que para outros, que leva a que o esquecimento selectivo se instale.
E já agora, aqui vai o meu recadinho… numa ilha que se quer fazer valer pelo turismo valia a pena pensar nas crianças, antes de seduzirem os pais, com falsas promessas de espaços “familiares e acolhedores”, proporcionadores de um ambiente “romântico”…

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Pernas a banhos no fim-de-semana, início da semana de "molho"...

O fim-de-semana passado foi isto!
Esta semana estamos de molho!
Mais uma virose!
Desta vez temos febre, tosse e rouquidão...
... será complô contra os fins-de-semana divertidos?!

Leituras negras de tão cor-de-rosa - no AO

Fui ao cabeleireiro esta semana, estou a ficar com aquelas horríveis “entradas” de pensador na testa, que herdei do código genético da minha mãe, que nos marca desde a nascença com grandes testas e a partir dos 30 com umas entradas capilares laterais que quase poderiam servir para pista de aterragem de pequenos voos charter! Enfim, mas não é de problemas capilares que trata a croniquice desta semana, podia ser, mas não é! Estava eu sentada no cadeirão de massagem quando reparo em coisa muito frequente neste ambiente: a oferta de mais uma revista “cor-de-rosa” para “leitura” de mais uma distinta senhora, que se encontrava a fazer a pedicure! E eu, a respeito das revistas “cor-de-rosa”, tenho uma opinião um pouco particular, mas bem cimentada… é que, e apesar de por vezes, mais que muitas, não resitir a “vê-las”, nunca lê-las, considero-as um veículo, socialmente aceite, de “coscuvelhice” velada da vida do alheio. É que nestas revistas, e mais numas do que noutras, a tónica é sempre a mesma, a vida deste e daquele, a casa deste e daqueloutro, os filhos desta e daquela, as relações, os casarões, os escaldões… enfim… um sem fim de baboseiras, que ora nos deixa boquiabertos de tanta palermice, ora de tanta aparente falta de decoro e privacidade na exposição de vidas íntimas a público.
Eu, pecadora me confesso, que noutras alturas, mais do que hoje em dia, já cheguei mesmo a comprar quilos das ditas, para ver como tinha sido o casamento desta ou daquele, apontando o dedo e sibilando críticas viperíssimas aos modelitos que as figuras envergavam, ou babando em cima de itens que nunca sequer considerei poder ter… relógios milionários, vestidos estonteantes, sapatos de chorar pelo preço, que bem podia ser o meu rendimento anual. Mas como confesso que comprei e já li, também admito que talvez fosse a minha faceta mais “curiosa” a vir ao de cima, com o pretexto de que me estava a “manter a par das tendências da moda”! E mantive, decorei desde penteados a tendências para carteiras e padrões, mas também me ri muito à custa do “este anda com aquela que andou com o outro, que já foi casado com uma que agora é gay”! Verdadeiras novelas imagéticas, imortalizadas para sempre numa folha de papel, à nossa disposição, para dele nos bem servirmos, como entendermos.
Hoje em dia, talvez por causa da falta de tempo, outras prioridades e outro amadurecimento, acho que vejo com mais clareza, aquilo que essas revistas são, que salvo raríssimas excepções trazem artigos ou entrevistas de verdadeiro interesse, com que possamos aprender alguma coisa. E quando quero ver moda, agora, compro uma revista com esse único ponto de vista!
O que me interessa a mim quem tem mais celulite neste Verão ou quem é o novo namorado da Elsa Raposo, coisa que de resto é mais variável do que as cotações da bolsa de Lisboa. Isto é a minha opinião e por isso, cada vez que vejo alguém de aspecto pseudo-intelectual a desfolhar essas revistas como se do “The New York Times” se tratasse, só me apetece agarrar na barriga e desatar a rir. Porque “queque” que é “queque”, compra a revista Caras como quem compra uma entrada para um museu, lendo as legendas das imagens das “tias” como quem lê o roteiro e sugestões da “visita”. Se querem comprar essas revistas, ao menos façam-no com o ar da vizinha “cusca” que surpreendemos a remexer no nosso lixo ou a entrar na nossa lavandaria, que com o maior ar de boa “companheira” nos arremata com um: “Ai vizinha, a sua roupa já está sequinha, sequinha!”.
E sequinha estou eu, de pachorra para com quem acha que ler é desfolhar páginas “cor-de-rosa”, deliciando-se com o bebé do mês e lendo as respostas do “Consultório Ele e Ela”, como quem lê um artigo científico! E depois admiram-se que seja este o século da “morte” dos grandes autores!