
Acho imensa piada aos homens! A sério que acho! Até me dá vontade de rir, cada vez que os ouço queixarem-se do tédio que é ter que fazer a barba todas as manhãs! Imagino que seja uma chatice, todo aquele processo de esfregar creme, passar lâmina, lavar a carinha... e ui, que arde tanto este after-shave! Mas piada tinha mesmo era eles serem socialmente “obrigados” a fazer a depilação em tudo o que é cantinho sensível e recôndito do corpo humano, sem sequer soltar um “ai”! Também acho imensa piada quando se queixam da dureza que é a vida deles como trabalhadores. Eu também me queixava, os pobres! Mas quando chegam a casa e se sentam no sofá de papo para o ar, enquanto a Maria trata dos filhos, faz o jantar, come, lava a loiça e arruma tudo, aí já não me fazem tantas cócegas! Até porque, diga-se de passagem, que a maior parte das Marias também teria vontade de relaxar de barriga a apontar para o céu depois de um duro dia de labuta! É que para eles é muito complicado, temos que entender, manter uma carreira e ainda assim ter família... é uma grande responsabilidade! Engraçado é que a ginástica de gestão de todas essas tarefas em simultâneo raramente seja feita por eles, mas sim, “pela grande mulher, que sempre há atrás de um grande homem”! E uma vez, que a ironia é um miminho e que ainda não paga imposto, eu já me consolava só de poder partilhar com eles alguns meses de gravidez e umas poucas, poucochinhas das dores de parto, que senti! Qual Epidural, qual quê... que esta vida não está para anestésicos! Mas agora a sério... tenho imensa pena deles, mesmo, é que até nem durmo ao lembrar-me daquelas noites em que num jantar com uma série de outros casais com filhos, eles acabam todos estrategicamente por se agrupar num espaço “child-free”, mas sempre atentos: “ Amor, olha a menina! Querida, o pequeno fugiu.”. Gosto especialmente quando dizem em tom de consolação: “ Eu juro-te, nunca seria capaz de fazer o que tu fazes!”. Pois olha só, que amor! Isso sei eu hoje, que se o soubesse ontem, em vez de casar contigo tinha era arranjado uma esposa... um ser fiel e incansável, que lidasse com a sua vida própria, manobrando ginásticas impensáveis de vida doméstica e profissional, enquanto me dava tempo para mim e para a minha carreira, sem muitos “reclamanços”. E claro está, sempre sem me tirar o direito à minha família! Graças a Deus, nem todos os homens congelaram no estágio do Australopitecos, mas porque é que nem todas as mulheres se dignam a ser sapiens sapiens?!







































