quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Atendimento prioritário - Mito ou fatalidade?! - HOJE NO AO

Mais um fim-de-semana, mais uma ida corriqueira ao hipermercado para umas compras de primeira, segunda e “terceiras” necessidades. Até aqui, nada de novo. Olhamos para a frente, a primeira caixa para pagamento que nos aparece em riste é aquela, para a qual nos dirigimos. Normalmente somos atentos, os dois, eu e o meu marido, mas neste domingo, não sei se motivados pelo impulso da urgência em ir para casa, influência da hora que adivinha mais uma refeição, encaminhámo-nos para uma caixa prioritária, sem que nos déssemos conta das implicações que isso tem!
Não me entendam mal, que eu não tenho nada contra os atendimentos prioritários, muito pelo contrário, sou completamente a favor, que as grandes e as pequenas superfícies, tendo em conta as condicionantes dos clientes, que a estes espaços se dirigem, e melhor os querendo servir, dêem prioridade a casos de “urgência” ou de “cortesia social”. Enfim, estávamos então a colocar as nossas compras na passadeira, alinhando-nos no nosso lugar no ranking deste atendimento, e eis senão que somos advertidos para uma situação prioritária, a quem teríamos, que dar cedência de lugar e prioridade. Uma grávida, nada contra, já fui uma, conto, quiçá, vir a ser de novo! Respeito muito semelhante condição de graça, que acima de tudo acho muito engraçada! E então, quase como que numa reacção de instinto, afastámo-nos para deixar passar as prioridades, quando sinto a mãozinha da minha filha agarrar no ferro do corrimão da barreira separadora de caixas e me ocorre, se também eu não serei prioritária, com uma criança de dois anos e treze quilos de pura beleza nos braços. Colocámos a questão, sem nunca recusar ceder a prioridade, e a resposta foi um sorridente, mas seco e psedou-irónico: “Mas essa criança já anda!”. Quase como um disparo, rasgando caminho pelo meu aparelho fonatório fora, movido por indignação retorqui: “o problema é esse, anda e demais!”. Não me entendam mal, que nestas minhas palavras nunca estarão em causa os atendimentos “prioritários”, senão que apenas e só, os critérios deste mesmo atendimento, o que me levou a ponderar semelhantes simulacros por pura curiosidade… numa fila de supermercado estão, com o mesmo número de compras e o mesmo grau de pressa: uma grávida de 4 meses, uma de oito, um cego, um surdo, uma mãe com um bebé recém-nascido num carrinho, outra com um bebé recém-nascido ao colo e outra com uma criança que já anda e não pára de “esbracejar”, comportamento típico daquelas idades, que em tudo querem mexer, tocar, provar! Enfim… qual seria o caso mais prioritário de entre todos?! Ou respeitar-se-ia aqui a ordem de chegada, sendo o surdo sistematicamente empurrado para o fim da fila, por falta de visibilidade da deficiência que transporta?! Pois… não sei! Mas acho curiosos estes critérios pudicos de um falso realismo de prioridade nos atendimentos, em espaços comerciais que apelam para que se “façam as compras em família”, e que não primam pela simpatia, “prioridade”, nem compreensão para com as necessidades das mesmas. Imagino, que se fossem dois ou três filhos pequenos, que andassem, em lugar de um, o filho que ainda não nasceu, continuasse a ser “o prioritário”.
Pois, para que conste, a mim, se me perguntarem, e tendo eu vivido uma longuíssima gravidez de 42 semanas completas, continuava a preferir que não me dessem prioridade nenhuma nessa altura e que me a dêem toda agora… pois sete quilos de gravidez quieta, sempre pesam menos do que treze de criança ao rubro! Ainda assim, este domingo não parou de nos surpreender… e não só tivemos que ceder prioridade a uma, mas a duas grávidas! O insólito kafkiano instalou-se o nesse domingo decidi, que se puder escolher… crianças, nas compras, comigo: só se me couberem no ventre!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ontem no AO

Título: Pare, leia e intervenha…

Hoje, neste espaço, também eu faço política. Ora bolas, também tenho esse direito! Mas se me permitem a minha política não é a partidária, nem muito menos a demagógica, a falsa socialista, a de “épocas de patetice”, a capitalista dissimulada, ou a extremista sem “ponta por onde se lhe pegue”! Não. A minha política é outra. Hoje, a minha política é a de intervenção, a de apelar às vossas consciências, aos vossos princípios e morais e a um direito/dever que nos assiste a todos… o de opinar, de reflectir, de intervir!
Em curso, num espaço comercial bem pertinho de nós aqui em Ponta Delgada, de onde vos escrevo, está uma iniciativa a decorrer, que me fez crescer esta vontade imperiosa de fazer política, por momentos, de várias formas, como hoje… Num shopping bem perto de si, decorre uma recolha de assinaturas para uma petição. Os mais atentos saberão ao que me refiro, para os mais distraídos aqui fica: que tal fazer valer a sua voz pela sua assinatura numa petição contra o tráfico sexual?!
Eu já dei o meu grito de Ipiranga, assinei, datei e até desenhei a minha mão por lá… e você?! O quê?! Acha que não tem razões para isso?! Então continue a ler e depois pense em passar por lá…
Por todo o mundo, decorre um dos mais antigos e lucrativos negócios, 24 horas, non-stop, sem tempo para férias, pausas ou “silly seasons”. Neste negócio o “crash” é humano e a crise é uma e apenas essa: a social. Falo do negócio da prostituição, da exploração e levado ao extremo… do tráfico sexual. E não se pense que neste negócio o pendor é feminino… não, não é! A este negócio interessam homens, mulheres, crianças, adolescentes, idosos e não há discriminação de raça, cor ou credo! E não… não se pense também que isto é um problema exclusivo de outros países ou de classes sociais mais desfavorecidas… não… este problema é transversal, abrangente, dramático e pode afectar-me tanto a mim, quanto a si!
O problema do tráfico sexual é que é velado, manobrado, inteligentemente arquitectado… e a parte que mais me assusta é essa mesmo: saber que há quem estude e perca tempo a elaborar minuciosamente estes esquemas de montagem, rapto, angariação, “colecta” de material humano para exploração! Serão os traficantes e abusadores mais inteligentes do que nós?! Não penso que o sejam… e por isso, é que é importante apelar às vossas consciências, inteligências e vontade de intervenção para que todos juntos possamos unir as nossas melhores ideias, as nossas melhores sugestões… e em caso de “falta de tempo”, com grande pena minha, mal que afecta uma maioria da população, façam então uma assinatura, que se o nome não for muito grande, aposto consigo, não levará mais do que dez segundos…
“Ah… isto traz água no bico… ah e tal… sendo organizado por uma marca… a Mulher a 1000 quer é um patrocínio…”, pois… lamento, não é o caso! E que tal verem o filme “Human Trafficking”, ( será que por esta sugestão também tenho patrocínio dos padrinhos de Hollywood?!). E então, o que é que eu ganho com isso?! O mesmo que você… o poder de exercer a minha voz, de ajudar e de ser parte de uma vontade em transformar o mundo num lugar melhor, num sítio mais seguro e num espaço onde valha a pena viver. Um sítio onde a exploração de seres humanos não impere e onde não seja possível “debaixo dos nossos narizes” instaurar, em pleno século XXI, mais uma forma de “escravidão” e abuso!Não está em Ponta Delgada?! Tem dúvidas?! Não quer comprar nada?! Não há problema… vá a www.thebodyshop.com/stop. Com o apoio da APAV, da ECPAT, (e da Mulher a 1000/h) esta é sem dúvida, uma política que vale a pena “fazer”!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

REPORT que tem que ser!


Meu Deus... nem acredito que passo dias sem cá vir postar nada de novo! Que marotice minha...

Confesso que não tenho tido grande tempo, mas a vontade também não tem imperado por aí além... Mas... sinto que este espaço está a precisar daquele toque de mim, dos meus dias, das minhas "historinhas", para além das Croniquices!!!

Pois é... a minha vida deu uma reviravolta daquelas boas e ando num reboliço com tanta coisa nova e urgente e que não pode esperar...

... o programa da rádio das oito às dez, a programação e alinhamento das dez em diante... depois os costumeiros afazeres de fada do lar, grande "fada"... e o almoço. Enquanto isso decorre, os blocos noticiosos a soar em pano de fundo, depois o jornal, depois a repolhita... e por fim... eu e o
maridão!

Não sei se têm sentido a minha falta... eu garanto que tenho sentido mais falta de visitar os vossos espaços do que de publicar coisas por aqui! Honest TRUE! E confesso que tenho passado a voar, mas com regularidade pelos meus favoritos!

Talvez vocês tenham saudades é das aventuras da Repolhita Mini Me, que continua linda, tagarela, mas "tata", muito esperta e em pleno nas aventuras do seu desfralde!!! :D Confesso, não tem sido fácil! No entanto, garanto-vos a pés juntos, que se os miúdos nascessem já com dois anos de idade, e tirando a parte da "logística" do parto, mandava vir outro filho já hoje! :D
Ela está linda... indescritível estas novas emoções desta fase da maternidade, que me levam a pensar que já me esqueci de "outras fases" menos positivamente pictóricas!

Já fui aos saldos, lentamente estou a voltar a ser loira, aderi aos baggy jeans, às saruel e tudo o que é calça larga e fresca ( ao género, que o meu pai carinhosamente apela de "pito calçudo cagão"... e a mim apenas me lembra as do (once very popular) MCHammer).

Por isso, meus amigos, estas são algumas das novidades, do mundo a 1000, da Mulher, a não menos do que isso! :D

Ah... é verdade... e que tal opiniões sinceras sobre aquelas novas pulseirinhas da moda... as "body balance" ( ou raio que as valha)... aquilo vale mesmo a pena?! Resulta?! Ou é só moda?! HUM?! Aguardo feedback... assim como sugestões para passar na rádio! Prometo que dedico músicas!!! ;P

LOvE Ya All...

Eu volto! :D

quarta-feira, 21 de julho de 2010

No meio de tantos eus também eu estou...

Quando era pequenina o meu nome era eu! Quando me perguntavam quem eu era, era fácil responder… era a Sílvia, pois claro, e isso bastava! Ao longo dos anos, com o passar do tempo e o acumular de aventuras, fui acumulando epítetos, que ia juntando ao meu “eu”… era a Sílvia, filha da Fernanda e do Zé, era a Sílvia, neta dos “palhinhas” e dos “penteeiros”, era a prima do Tó, a sobrinha da Teresa, a amiga da Xana, da Su e da Marlene, era a Sílvia do Alexandre, a Sílvia das aulas de viola, da patinagem, da FLUP. Enfim… um impensável número de Sílvias, que continuam a crescer e a acumular a “olhos vistos”. Algumas dessas Sílvias, há muito que ficaram já para trás, lamentavelmente, por exemplo, da Sílvia das aulas de viola, só me ficaram os acordes do “Dunas”. Curioso como aquilo que define uma criança é para ela tão claramente e só o seu nome, alheia a tantos outros seres, que desse mesmo nome possam partilhar! Aos adultos, para lá dos epítetos, servem-nos também para identificação, mais do que muitas vezes os títulos… e passamos de Sílvia a Dra. Sílvia, ou Menina Sílvia, ou Senhora Sílvia, consoante o nosso interlocutor, o contexto em causa e o conhecimento mais ou menos formal ou informal das nossas capacidades, habilitações literárias e papéis.
Uma das coisas que mais me revoltou quando casei, foi que deixei de ser Sílvia para passar a ser “a esposa do Engenheiro de tal”… e paralelamente, quando passei a ser mãe, passei também a ser “a mãe da menina X”! Bem sei, bem sei, que por uma questão de poupança de esforços mentais e de memória e maior rapidez e eficácia na comunicação, os substitutos do nosso próprio nome, por nomes comuns, que nos definem são muito mais práticos e eficazes, mas numa altura de mudanças radicais na minha vida… isso marcou-me como se se tratasse de uma perda de identidade, da minha identidade, do meu “eu”, mais simples, mais puro, mais fiel, mais fidedigno… o “eu” Sílvia.
No jornal, semanalmente, o “eu”, que se vos apresenta é um “eu” Mulher a 1000/h, já tendo mesmo sido apelidada de “a mil”… sim… eu também sou “a mil”, pelo menos um fragmento de mim é esse, mas acho cada vez mais difícil encontrar-me a mim no meio de tantos pedaços de “eu”. No fundo, acho que sou o conjunto de todos eles, identificando-me mais com uns, do que com outros, reagindo melhor à resposta a uns e pior a outros! Acho que funciona da mesma forma com todos os “adultos” que conheço.
A propósito de tudo isto vem um acontecimento desta semana, que me fez reflectir sobre a forma como nós nos apresentamos e damos a conhecer enquanto “adultos”, precisamente, pois se para uma criança, o seu próprio nome basta e é só… para um adulto o nome não chega, nem que seja primeiro e último. Frequentemente seguindo-se ao nome e antes de tudo o resto vem a profissão! Ora, numa sociedade que apela ao plurifuncionalismo, à versatilidade, à dinâmica laboral, profissional e individual, numa sociedade em que o mundo profissional se caracteriza cada vez mais pela precariedade e o “fazer muito para ganhar pouco”, também o nosso “eu” profissão aparece cada vez mais fragmentado.
Assim, de cada vez que, em contextos vários, tenho de me apresentar pela minha profissão, para mim é um dilema. Dilema ainda mais agravado, se tiver que me definir profissionalmente por escrito, num espaço de caracteres limitados. Como foi o caso que se passou comigo esta semana, quando de visita a uma loja, e para aproveitar as promoções, me convidam a aderir a um “cartão”, daqueles muitos, que diz que dão descontos. Aceitei. Um desconto nunca é demais. Entre nome, morada, data de nascimento e contacto telefónico, lá chegou a vez de me perguntarem a profissão… nestas situações, que não é a primeira, sorrio (sorriso sempre incompreendido) ao que se segue depois, e mediante a disposição, uma “meia verdade” ou uma “verdade muito incompleta”!
Passo a explicar: a minha profissão de (de)formação é “professora”, palavra curta sintética e de fácil compreensão, que me dá frequentemente direito ao título de Dra., mas já fui “administrativa”, o que me dava direito a um simpático “menina”, também faço locução, às vezes ganho um "senhora" à custa disso,mas se me identifico como mãe, aí passo logo a "Dona"… e se digo que sou revisora, instala-se o trinta e um e segue-se um expressivo e ignorante: “AH?!”. Valha-nos o meu sentido de humor e personalidade forte, que quando mais bem disposta me leva ao atrevimento de rematar com um: “Profissão?! Sou Mulher do século XXI, isso diz-lhe alguma coisa?”.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Croniquices no AO - ontem foi assim...

"Filhos de Produções Independentes"
Acho que posso dizer que já conheci pessoas de todos os géneros, cores e feitios, com todas as implicações que isso possa, obviamente ter. Talvez por isso já pouca coisa me choque ou escandalize neste mundo, onde com algum dinheiro e, frequentemente, pouco juízo tudo é possível. Conheço muito quem seja pai e mãe solteiros, mas poucos que o sejam por opção, ou se o são, será uma opção segunda, vá... um plano B. Por isso, esta história de pais com dinheiro e instintos biológicos paternos me deixe ainda um pouco desnorteada. Já perceberam que estou a falar da história da “paternidade”, divulgada recentemente, do nosso “campeão” e herói internacional Ronal “dooh”! É verdade, ao que consta, quis o senhor ser pai e à falta de paciência para aturar a mãe, quis para mãe presente do seu filho a sua própria mãe, para mãe ausente a biológica e para si um mini Ronaldinho bem ao jeito que a família gosta, de preferência se jogar tão bem à bola como ele, vai fazer milhões e marcar pouco ou nada pela selecção. Mas, esta realidade, já considerada por alguns, especialistas na matéria, segundo se sabe, um capricho, a mim soa-me a puro egoísmo. Não vos sei explicar ao certo como nem porquê, mas tendo tido um pai e uma mãe tão presentes, tão importantes, cada um representando o seu próprio papel na minha vida e código genético, acho que, e repito, por pura opção, escolher que uma criança viva só com a sua mãe ou só com o seu pai, me parece injusto, pois existirá, penso eu e corrija-me quem souber melhor que eu, uma tendência natural na criança para querer conhecer a “outra metade da laranja”, a outra parte que não se parece com a figura parental que conhece. Vejamos, eu passo a explicar, quanto mais não seja perceber porque é que tem os olhos do pai e um nariz, que não reconhece de mais ninguém a quem chame de “família”.Mas tenho que me adaptar, se calhar o erro está em mim e qualquer dia estou online a escolher os traços genéticos que quero manter no meu próximo filho e os que dele quero apagar. Ou então não... e continuarei como hoje a deixar-me maravilhar pelas surpresas que as combinações genéticas nos fazem e pela magia do funcionamento da natureza. Mas isto sou eu, que não me consigo imaginar quem sou se tivesse sido só criada e educada pelo meu pai... primeiro acho que me tinha habituado a sobreviver só de batata cozida e filetes de pescada dourados (que foi a única coisa que ele alguma vez cozinhou para mim) e segundo, acho que nunca tinha conseguido sair de casa para nenhum encontro amoroso sem que antes ele tivesse afugentado da porta de casa todo e qualquer eventual pretendente, nem que fosse à dentada! Se tivesse sido produto da educação só da minha mãe, talvez ainda hoje usasse sapatinho de verniz, totós e lacinho no cabelo, quiçá! Bom... tiradas hipotéticas e humorísticas aparte, não consigo mesmo conceber que alguém escolha por plano A, primeiríssimo na linha de opções ser Pai em produção independente. Mas como comecei por dizer, esta vida é rica em novidades de um mundo com mais dinheiro do que juízo, onde o “quero, posso e mando” impera e onde ninguém nos chama à razão, sob pena de ficar sem “mesada”. Assim, Dona Dolores deve estar consoladíssima, com esta sua “maternidade” tardia e não duvido que faça das tripas coração para agradar ao filho-filho e ao filho-neto. Quanto ao rebento eu só desejo tudo de bom e que não prime por herdar o sentido de moda da família Ronal”dooh”, que ao que consta, dizem as “más línguas” já escolheu os diamantes de 3 quilates para pendurar nas orelhas ao querubim e já mandou fazer todos os “babygrows” de chita tigresse, com emporio “armado” estampado em tudo o que é etiqueta e um carrinho de bebé em vermelho ferrari com jantes bling, bling a fazer “catchim” em tudo o que é pedra da calçada.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

E das sete e meia às dez da manhã, de segunda a sexta...

... também trabalho aqui...

... assim vestida...



NICE!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Croniquice de ONTEM no AO...

Puxa, que com tanta coisa na cabeça me ia esquecendo de a deixar aqui, pra vocês!!!
"Não me digas que me amas..."
Não sei bem porquê, mas tenho ideia que o número de vezes em que se diz “eu amo-te” não corresponde exactamente à intensidade ou sinceridade do dito! Confesso aqui e desde já, que desconfio muito, mesmo muito das pessoas que dizem “amo-te” como quem diz “até já”, ou da validade do dito em relação à banalidade de vezes em que o dizem! Dizem “amo-te” como quem diz “adoro-te” ou “gosto muito de ti”, ou “quero-te muito”, o que para mim não é exactamente o mesmo! Actualmente tenho curiosamente cada vez mais dificuldade em dizê-lo. Acho que o digo, numa ou noutra ocasião, em que realmente o sinto e ele me salta dos lábios pelo ar fora, mas a maior parte das vezes… ainda que tendo vontade de o dizer, não o faço!
Talvez tenha um certo pudor em dizer esta expressão. Confesso que o digo só quando todas as outras não bastam! Só quando o silêncio não traduz o sentimento e a verbalização de algo se impõe.
Não gosto de ver nas revistas grandes testemunhos de profissão de amor a algo ou alguém, fico meia desnorteada quando vejo semana após semana alguém a professar o seu amor por esta semana o João, na próxima o Pedro e na anterior o Manuel… fico podre quando sinto que atrás daquele “amo-te” vem um pedido ou pior, um “mas”!
Um “amo-te” não tem “mas”, um “amo-te” não é um “I love you”! Um “amo-te” é calar a boca do outro com ele e fechá-la com um beijo a seguir! Um “I love you” sai assim, como quem nos cala com um sorriso… mais ao menos como um “adoro-te”!
Não. Não acredito mesmo que a frequência de vezes que se diz “amo-te” represente uma maior intensidade do sentimento! Acho, e posso estar errada, mas é esta a impressão que guardo, que quanto mais o digo menos o sinto, porque o digo a torto e a direito e não o guardo para o momento certo. Sim, porque um “amo-te” tem um momento certo! Não pode ser dito antes ou depois de mastigar, por exemplo. Imaginem o cómico da situação de um “amo-te” antes de uma grande trinca num bife, ou então depois… ainda com um resto de carne preso nos dentes e as papilas gustativas todas ao rubro, a salivar de excesso gustativo… não! Não me parece bem!
É claro, cada caso é um caso… cada cabeça, sua sentença, mas da minha experiência vos posso dizer, que das vezes em que mais o senti, não o disse! Umas vezes porque a emoção me embargou a voz, outras porque a voz não foi necessária e o disse com tudo o resto e outras, porque com tanta força me quis negar a dizê-lo que me lembrei sempre de um poema lindíssimo de Almeida Garrett, meu conterrâneo e admirado poeta: “Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma./ E eu n'alma – tenho a calma,/ A calma – do jazigo./ Ai! não te amo, não.// Não te amo, quero-te: o amor é vida./ E a vida – nem sentida/ A trago eu já comigo./ Ai, não te amo, não!/ Ai! não te amo, não; e só te quero/ De um querer bruto e fero/ Que o sangue me devora,/ Não chega ao coração (…)”.
Neste poema, do reforço da negação do sentimento vem a confirmação do mesmo, porque o amor “escreve direito por linhas tortas”.
Em relação à minha desconfiança na intensidade de um “amo-te” em relação às vezes em que o mesmo é dito, encaro-a um bocadinho na linha do “cão que ladra não morde”. E acho que quem não teme o amor não o compreende.
Para mim, o amor é dos sentimentos mais nobres, necessários e admirados, mas também o único que temo! E assim como tenho medo de cobras, tenho medo do amor, porque o veneno deste segundo é bem mais passível de torpe e de dor! Há antídotos para o veneno das cobras… e para o amor?! Alguém conhece antídoto para as “mordidas” de amor?!

MICROFONANDO


Eu e o micro hoje não nos entendemos!

Tive momentos de pânico ontem quando me pediram para dirigir o programa na mesa de mistura e tal... mas sobrevivi! Mais uma vez! Ainda assim... comecei em género de surdina e acabei a bombardear "eh pás" a todo o speed! Não se pode ser perfeito, mas confesso, que tirando a parte de acordar com as galinhas e não poder levar a mais pequena à Creche, a Rádio deu-me um gozo fenomenal! Tenho dito!


E agora... venha o fim-de-semana, que a "moura" agradece!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

SINTONIZANDO...


Ora pois é… foi assim que hoje, depois de acordar às SETE DA MANHÃ (crime hediondo) me desloquei até à Rádio Nova Cidade, na Ribeira Grande, do outro lado da ilha, portanto, para fazer “conversa” durante duas horitas e experimentar, pela primeira vez a minha habilidade enquanto locutora de rádio!
Confesso, estava em pânico, se por um lado adorei fazer o alinhamento das músicas e tal, por outro, estava completamente em branco em relação ao que iria dizer, aos tempos, à publicidade e isso aliado ao projecto que começou recentemente na Rádio deixou-me um pouco em “strek”, mas… no final… saí de lá com a sensação de “tarefa cumprida”! Amanhã, penso lá estar novamente, sendo que me deram 2 dias para ver como me sentia e que ainda não me falaram das “condições” de trabalho! Ao que sei, a proposta consta em fazer o programa da manhã da rádio, com a Andreia, que é quem trata do lado técnico da coisa e tentar “dinamizar” o dito! E, como é de conhecimento público, para dinamizar estou cá eu!

Já sabem… se estiverem pra isso… para me ouvir é AQUI, entre as nove e as onze do continente português!!!

Agora vou-me, que tenho tarefas acumuladas e notícias para ver e ler, que o meu trabalho no jornal não pára… PRAISE THE LORD!

Bem Hajam todos e aos que me “escutaram” obrigada pelo feedback!
FUI

quarta-feira, 7 de julho de 2010


Sexta-feira acabou com uma viagem de barco até Santa Maria.


Uma estreia em viagens de barco para a mais pequena e uma estreia na ilha para os mais velhos!


Tudo correu bem, a ilha é fantástica, o tempo podia estar melhor (muito ventoso), mas de resto a grande aventura foi mesmo no "dead line" para chegar ao barco e embarcar o jeep, em que eu, no meio das pressas e depois de uma caminhada de quase um quilómetro ter trancado as portas do carro com ele ainda a funcionar! Por sorte a mais pequena não estava lá dentro!


Enfim… depois, valeu-nos a hospitalidade das gentes quando um tubo do motor do jeep se furou e começamos a entrar em "sobre-aquecimento" com o jeep a destilar água por todos os poros e a mais pequena eléctrica a gritar: “o popó tá fazê xixi! Popó, ai ai!”.


De resto, trouxemos de Santa Maria um tom de caramelo pálido e uma conjuntivite! Sim, isso mesmo… eu apenas num olho, a mais pequena nos dois!
Como podem ver, apesar de ausente do blog tenho estado sempre a mil… como se quer!



Depois disto e para quem se quiser rir um pouco, amanhã de manhã, entre as oito e as dez da manhã (hora dos Açores) aconselho a passarem por aqui e ouvir a emissão “online”! Resta-me acrescentar que se trata de uma experiência, uma estreia e “cheira-me” coisa a não querer repetir… mas, quiçá?!

quinta-feira, 1 de julho de 2010


Hoje, ao fim de um ano de Croniquices, pela primeira vez, a minha não aparece nas páginas do jornal!
“Valores mais altos se impõem” e não fosse eu trabalhar agora também no dito jornal e perceber que às vezes a publicidade é que nos paga o ordenado até tinha ficado chateada!

Tirando isso, ontem foi dia de jantar de final de formação. Foi engraçado este mês, o ambiente do grupo foi divertido e acho que estava toda a gente em sintonia! Agora que acabou, confesso, que acho que vou ter saudades, de estar a aprender, de sair da rotina, de ter conhecido gente nova, diferente… mas como tudo na vida tem um fim, também esta fase o teve. (Ponto Final)! Para além disso, a mais pequena precisa com urgência de voltar ao seu ritmo normal de sonecas e tal e coisa!
Entre outras coisas, ontem ao jantar, falou-se de relações, paixões, amor… e hoje dei por mim a pensar em tudo o que foi dito, em tudo o que eu sinto… e acho que acredito mesmo que só existem 3 coisas sem as quais uma relação não pode MESMO funcionar…

1. Acreditar na relação;
2. Acreditar no outro;
3. Uma dose de loucura q.b.!


Ora aí está… aqui fica a receita mágica para manter uma relação… sem estes 3 ingredientes, nada feito!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Há dias assim...

... em que trabalho aqui...

... com esta vista...
... assim vestida...

Entretanto estava aqui a pensar que este ano não tenho férias... o que nem é tão mau assim, uma vez que ao que parece este ano também não vamos ter Verão! Assim sendo, parece-me justo!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

As pessoas e os comportamentos... - ONTEM NO AO

As pessoas assumem todo o tipo de comportamentos, dos mais variados: dos insanos, aos extremamente racionais, dos estouvados, aos cautelosos ou, até mesmo, calculistas. Dos frígidos aos obcecados, dos carinhos aos violentos, mas ainda assim, não acredito que alguém, possa ser em todo o seu carácter ou todo o seu percurso de vida apenas e só definido por um ou outro destes comportamentos. Estou em crer, ainda que receosa, que não há quem seja sempre louco, nem sempre sano, nem sempre carinhoso, ou sempre meigo, nem sempre violento ou sempre agressivo. Acredito, claro está, que há pessoas que têm comportamentos deste como padrões dominantes do seu carácter, mas no fundo, no fundo, todo este “bla,bla,bla” serve para dizer, que na verdade o que eu acredito mesmo é nas pessoas! Acredito na capacidade que certas pessoas têm de tornar o nosso dia, a nossa vida, toda uma existência em algo único e especial.
Nem sempre acreditei nisto. Nem sempre! Muitas vezes magoada pelos revezes da vida deixei de acreditar nas pessoas, em algumas pessoas ou em tudo. Acho que a vida às vezes nos prega destas partidas, torna-nos descrentes, e nós vamo-nos deixando inundar de uma amargura e isolamento, que faz de nós seres solitários, contra natura, seres absolutamente abnegados e muito, muito menos felizes.
Para acreditar nas pessoas o primeiro passo deve ser a realização de que também nós o somos: “pessoas”. Mais ou menos desfragmentadas, mais ou menos unas, mais ou menos neutras… enfim, pessoas. Posto isto há que fazer um esforço para estabelecer um paralelismo entre a nossa existência e a existência dos outros enquanto entidades abstractas. As outras pessoas podem não ser casadas, como eu, mas certamente já se apaixonaram ou tiveram uma relação amorosa alguma vez na vida; as pessoas podem não ter filhos, como eu, mas certamente que são filhos de alguém, se não de sangue, serão de suor, afectos e dedicação; as pessoas podem não ser todas mulheres, como eu, mas não duvido que nunca tenham tido contacto com nenhuma, uns mais capazes de os fazer perceber a nossa essência e outros menos.
Com tudo isto, o que eu quero fazer valer é que acreditar nos outros nos torna pessoas mais fortes, mas crentes, com uma orientação mais definida e mais capazes de cumprir objectivos, traçar metas, definir projectos. Porque se eu não acreditar nos outros, no fundo, no fundo, acabo por nunca conseguir verdadeiramente acreditar em mim.
Conhecer o outro, as outras pessoas é conhecer-me a mim e isso faz toda a diferença!
Numa noite de S. João, como a de ontem, saí à rua completamente descrente, dos outros, de todos, do mundo, do amor e conheci um moreno de sorriso maroto, que de cerveja na mão me fez baixar barreiras e dar-me ao luxo de acreditar! Acreditei nele, no seu sorriso, depois em todas as outras pessoas e finalmente em mim! Hoje, se não fosse esta crença não estava casada com ele, não era feliz, como sou, nem acreditava no mundo incondicionalmente, como acredito, e no poder das pessoas de realmente, quando crentes, total e absolutamente capazes de fazer algo para marcar a diferença e mudar o que está mal… Hoje, acredito, por ele, por mim e, principalmente pela minha filha… acredito que qualquer pessoa é capaz de fazer o mundo um sítio melhor, ou pior, consoante o seu comportamento de momento e que por isso, o comportamento e os momentos podem fazer toda a diferença!
Neste momento, quem me lê pode não acreditar no que escrevo, não concordar, não gostar, é um direito que lhe assiste num estado democrático e numa sociedade de direitos… mas se num dos meus leitores a diferença surgir, a vontade de acreditar e a esperança começarem a verdejar… então, então e só aí a minha existência e crença já se fizeram valer! Eu acredito que sim… e vocês?!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Postal dos "Correios"


Não é preciso passarem muitos dias para que muito se passe! A verdade é essa, na minha vida, como na vossa! Mas há fases na vida em que o muito passa em pouco tempo e em que o muito tempo parece pouco!
Estou em dívida para com alguns de vós a quem ainda não contei as minhas últimas aventuras! Na verdade, e porque o muito, que passou, me pareceu tão pouco, as novidades não são tão frescas assim, mas aqui vai:
Como sabem decidi mudar de rumo, trocando o certo pelo incerto, na certeza de que seria o mais certo para mim! E é com muita satisfação, que vos posso agora, quase ao fim de um mês, dizer: que estava certa!
Estou a trabalhar na redacção do jornal para onde “cronicava” semanalmente. Faço revisão e copy desk, das 14 às 18! Tenho aprendido muito! Adoro os desafios intelectuais e criativos com que me deparo dia após dia e não tenho tempo para nada! As manhãs são ocupadas com tantas outras coisas e a noite tem sido do exclusivo, quase, da minha formação, que acaba esta semana!
Resumindo e concluindo: estou muito feliz por ter tomado esta decisão e apenas lamento que o tempo me escasseie agora para o blogue!
Calculo que finda a minha formação volte a ter um pouco de espaço para o blogue na agenda… mas que me tem dado um gozo fenomenal dedicar mais tempo e com mais amor à camisola, a uma profissão, que encaro já como minha… lá isso tem! Sem sombra de dúvidas! Os dias passam com mais alegria e vontade, mesmo os mais cansativos, à custa de uma tradução perdi na semana passada duas noites de sono valentes, que me custaram uma valente “ressaca”, da qual não tenho saudades, mas que até essa me deu alento!
Em relação à Repolhita… continua linda e eu apaixonadíssima por ela! Anda com o sono um bocadinho trocado porque espera acordada até eu chegar (por volta da onze da noite), mas estou em crer que para a semana entra nos eixos! Este fim-de-semana descobri o amor que ela tem por água da “paia” e da “pisina”, e o meu medo e terror deste novo amor dela! Já tenho o colete/bóia encomendado.
O Rei da Casa tem sido um amor e tem feito um esforço muito grande para me ajudar a concluir esta formação, porque neste último mês tem sido ele a ir buscá-la e a ficar com ela, dando-lhe de jantar, banho e curiosamente a relação dos dois tem desenvolvido uma cumplicidade, que até aqui eu não tinha visto! Eu acho óptimo, este carinho em tudo muito diferente do carinho e da cumplicidade que temos as duas!
Posto isto… resta-me acrescentar que outra nova paixão da Pimpolha é o “Barney” do Jim-Jam, que nos dá direito a um abraço sempre que toca a música do final…
Deixo-vos com a versão em inglês da dita… ;)


quinta-feira, 17 de junho de 2010

As raízes e os frutos da Educação de um filho... - HOJE NO AO

Oficialmente em época de desfralde dou por mim a pensar que a maior dificuldade em ter e criar um filho é mesmo ter que educá-lo! É que educar não se limita às frases típicas do: “isso não se faz” ou “muito bem!”. Não! Educar é muito mais complexo do que dar ao nosso filho o nosso padrão de comportamentos, do que transmitir-lhe as nossas morais, os nossos costumes. Educar um filho é acima de tudo um grande desafio! Talvez o maior. E para além disso, educar um filho é ainda, um grande frete! Sim. Um valente e gigantesco frete! Senão vejamos que deixá-los fazer o que eles querem é muito mais divertido… porque sentados na poltrona de comando na mão, a vê-los fazer asneira e depois pagar a consequência enquanto nós dizemos em tom arrastado de vencedor consolador: “Eu já sabia que isso ia acabar mal…”!
Pois é, mas para educar é preciso agir e numa sociedade tendencialmente sedentarizada como a nossa sociedade actual, ter que levantar o rabiosque do sofá e impedir a criança, física e verbalmente de fazer algo que nós sabemos lhe irá trazer consequências negativas é muito mais cansativo!
Mas tudo isto a propósito do desfralde… A minha filha, que adora sentar-se no “pote”, “bacio” ou “xantita”, como ela lhes chama, está a pontos de nos enlouquecer com tanta mijadela fora dos mesmos. Só no passado feriado, entre as quatro da tarde e as oito da noite nós contámos cinco mudas de roupa e lavagens de "crocs", abençoado calçado plástico, que não havia sapato que aguentasse tanto esforço de resistência à humidade! Ela sabe o que tem ou não que dizer, o que tem ou não que fazer, mas, pura e simplesmente não o faz! Prefere deixar-se levar pelo momento, sem ter que se interromper e depois caminhar na nossa direcção com “ginga” de cowboy, pernas afastadas e mão na anca, repetindo um: “ó! Ó! Oooh…”, em tom de constatação, admiração, punição! Não têm sido, portanto, dias fáceis, nem para nós, nem para a máquina de lavar roupa, que de tanto trabalhar, qualquer dia ainda nos resolve apresentar baixa por intoxicação de fluidos!
Estou, claro está, a dramatizar e a brincar com a situação, porque se para muitos, eu acredite, que educar seja de facto um frete, para mim educar é quase como jogar nas apostas… em que a gente vai apostando e umas vezes ganha, outras vezes perde! Um desafio, um gozo enorme, portanto! De facto, educar um filho faz parte de uma educação que também nos é auto-induzida. Nunca me senti madurar tanto, nem crescer tanto como nestes dois anos de educação ininterrupta da minha filha!
Engraçado como quando via uma birra pública de uma criança antes de ter filhos eu emitia sempre o mesmo pensamento: “Se fosse meu filho…”! Engraçado, deveras cómico agora, porque hoje em dia sei bem, que “se fosse meu filho” eu talvez me limitasse a sujeitar-me a passar pelo mesmo ou pior, porque se na maior parte das vezes somos nós quem educa os nossos filhos, muitas outras vezes há, em que são precisamente os nossos filhos a educar-nos a nós.
O desfralde, será com toda a certeza, mais uma etapa vitoriosa da nossa educação e do crescimento dela, disso não tenho dúvidas. Enquanto isso, e porque não há material doméstico que aguente, eu vou investir em plásticos para cobrir tudo o que for área absorvente da casa, como sofás, colchões e carpetes, por exemplo! Só assim, pelo sim pelo não… porque não há material que por mais lavável que seja, não se ressinta de um dia ou dois seguidos de molhas consecutivas!
A respeito de educação, resta-me acreditar no que já dizia Aristóteles, que: “A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces”.

quarta-feira, 16 de junho de 2010


Acabei de chegar da minha formação, que está na penúltima semana antes do seu final. Em casa, a mais pequena já foi ao pote e já se "deixou ir", estamos em empate técnico portanto. O aroma que circula por toda a casa é de caldo verde e atum grelhado! O meu marido, na cozinha, acrescenta os últimos toques de ervas aromáticas à batatinha salteada e eu escrevo no blogue...

... e eu... escrevo no blogue!

Algo cheira a "podre" no reino da Dinamarca! O caldo verde está perfeito e o jantar divinal! Só pode ser do bacio... ou da falta dele! ;)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Saldo do dia de ontem...


POTE - 1

X

CUECAS - 5
[e a respeito disto: "A educação é uma coisa admirável,
mas é bom recordar que nada do que vale a pena saber,
pode ser ensinado! - Oscar Wilde]

90's - Anos de más modas, óptimas amizades (10.06.10 no AO)

Estávamos em meados dos anos noventa, eu usava uma pala medonha e repinhas de cabelo frisado, ela usava colares étnicos de palhinha e marfim, em género gargantilha, e o cabelo extraordinariamente longo. Eu, “agrungei-me” um pouco e cedo nos identificámos nas mesmas calças de ganga elásticas, City Jeans, com sapatilhas All Star, de preferência azuis marinho ou beges. Eram os anos loucos dos Nirvana e dos namorados estúpidos. O namorado dela foi da minha turma, tinha a alcunha de “Adeus”, porque acenava a todos quantos passavam. De resto, era um rapaz perfeitamente normal para a época: cabelos longos, t-shirts folgadas e corpo esguio. Eu não gostava dela. Ela, nem sequer reparava em mim. Eu achava-a snob, de uma arrogância desmedida. Cruzávamo-nos todos os dias, pelos corredores daquela “bendita” escola Secundária e ela, ao contrário do namorado, nem olá, nem adeus! Anos mais tarde vim a descobrir porquê… miopia, meus amigos, miopia! Sofria de “más vistas” e disfarçava para não ter que usar óculos.
Foi só quando o Secundário acabou, depois de anos de penteados e moda duvidosa, que nos encontrámos de novo. Eu olhei para ela, ela olhou para mim e vendo-nos uma à outra, como se pela primeira vez, formámos naqueles primeiros anos de faculdade travessos uma verdadeira amizade, à prova de bala. Ela com as suas “Doc Martens”, eu com as minhas malas XXL e excesso de livros às costas. Pejadas de falsas ideias, falsas morais, estivemos juntas no Jornal da Faculdade, na Associação da mesma, em tudo o que era bar, festa, praxe, cortejo… até ao ponto em que decidimos começar a estudar! Hoje, muitos anos, muitos namoros, muitas festas, muitas farras, muitas lágrimas depois, mesmo separadas por um caminho de oceano com muitas mil milhas de água, não há dia em que eu não me lembre dela, não há dia em que ela não se lembre de mim!
A vida separou-nos, mas são dias, como os de hoje em que eu sei, que a verdadeira amizade no feminino existe, que são crenças, como as que partilhámos juntas, que nos unirão até ao fim dos nossos dias!
Eu, num ano mais farto de aventuras e desventuras, num ano em que partimos as duas juntas de carro por esse Portugal fora, sem mapas, sem planos, sem rotas, apenas com a certeza de cerca de 7 dias de férias, apelidei-a de meu Sancho Pança, porque era isso que éramos as duas! Duas crentes, resistentes, unidas pela luta convicta de que o amor valia a pena, unidas pelos nossos sonhos, desejos e ambições. Foram muitos anos de confidências, sabemos coisas, uma da outra, que mais ninguém sabe, que mais ninguém sonha! Partilhámos tardes de compras, em género de exercício físico, horas de ginásio, em género de terapia ocupacional, manhãs de gazetas, em género de esforço adiado, noites de música, em género de aventura emocional, almoços prolongados, em género de conversas de café e uma existência conjunta em género de amizade feminina, contra tudo e todos, que possam alegar que isto é um mito, que não existe… porque ninguém quer caminhar só por esse mundo, porque os nossos limites e fronteiras não somos nós quem define, mas que nos definem a nós, porque tu és e para sempre será a prova de que não há D. Quixote que aguente lutar de frente com gigantes (ou moinhos) sem Pança, nem Pança que resista à tentação de acreditar que D. Quixote merece certamente a sua Dulcineia. E sim, é possível haver amizade, sincera e desinteressada entre duas mulheres e sim, muitas vezes o ponto de união foi o amor ou a resistência dele e a ele. Mas sabes que mais… “isso agora não interessa nada”, porque esta história já é nossa e dela, ninguém nos tira!
P.S. - nem de propósito, no dia em que lhe liguei para lhe dizer que ela tinha que ler esta crónica, apercebi-me que me tinha esquecido do aniversário dela! :( Mil perdões... mas sabes bem que não foi por mal!

quarta-feira, 9 de junho de 2010


Enchi-me de coragem, pois se era dia de “desfralde”, seria eu a inaugurar a efeméride! Vesti-lhe cuequinhas cor-de-rosa, como manda a lei! Depois vesti-lhe uns calções, t-shirt, sem body, e calcei-lhe umas croc’s, passando a publicidade, que dão um jeitaço para secar, no caso de inconvenientes ocasionais. Lá vínhamos nós, ela já de casaco vestido, eu já de carteira ao ombro a treinar as frases da praxe…

“Então, como é que tu vais dizer quando quiseres fazer xixi?” – e ela, expedita: “Qé fazê xixi!”, - “Boa! E quando quiseres fazer cocó?” – novamente com um brilhozinho nos olhos: “Qé fazê Cocó!” – “Boa!”. Insisti mais três vezes, até que ela parou, mesmo na soleira da porta e de cara assustada gritou: “Mãe… xixi!”.

O treino verbal tinha falhado redondamente… tudo porque com tanta preparação e entusiasmo cometi dois erros de principiante: o primeiro, ter arriscado sair com ela sem fralda no primeiro dia de treino… e o segundo: ter-lhe explicado o como, mas não o quando! Minha filha, para que conste, o exercício verbal é para ser antes do acto em si! Certo?!

Cheira-me que nos espera um longo mês de mijadelas nos cantinhos da casa… e digo-o literalmente! God have mercy!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Checking in...


Meus queridos leitores,

estou em dívida convosco, bem sei, mas tenho andado tão envolvida nesta minha nova fase de vida, com tanta coisa a acontecer e tão pouco tempo para tudo que só passei para dizer:

1. que estou viva;

2. que estou bem;

3. que continuo feliz!

Esta semana começámos mais uma nova etapa, a Repolhita está oficialmente no "desfralde" e já tive o primeiro contratempo! :D Tirando isso... tento voltar amanhã com mais tempo! Prometo!

Beijos e abraços a todos e muita energia... a 1000, sempre, pois claro!

segunda-feira, 31 de maio de 2010


Está tanta coisa a acontecer neste momento na minha vida, que juro juradinho, gostava de poder fechar os olhos e acordar só daqui a um mês!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ontem foi assim...


Jantar tarde, receber prendas, saltos e pulos na cama até quase à meia noite, muitas gargalhadas e os adultos de rastos.
Adoro fazê-la feliz!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

2 ANOS


Há dois anos a esta parte, por volta desta hora, mais coisa, menos coisa, eu ainda olhava incrédula para aquele ser pequenininho e chorão que estava deitado naquela cama de plástico ali ao meu lado. Durante 20 horas de muitas lágrimas, suor e sangue eu sofri em silêncio na esperança de que no final tudo corresse bem. Quando a vi pela primeira vez, no meio de toda a atrapalhação e dose reforçada de anestesia, o meu primeiro pensamento foi: “A minha filha é ruiva!”. Curiosamente, aquilo que me saiu da boca foi: “Ao menos deixem-me dar um beijo à minha filha!”. Deixaram. Eu beijei-a, mas não a senti. Os mais de 40 minutos que se seguiram foram uma tortura. Eu só queria ter a certeza de que ela estava com o pai, pois como a minha cesariana foi coisa urgente nem sequer o deixaram entrar! Para ele, o meu parto não foi mais fácil. Aguentou as 20 horas todas ao meu lado, controlando gráficos de contracções e atendendo telefonemas ansiosos... ainda hoje ele diz, que só não sentiu fisicamente a dor, mas a angústia foi tanta, que não pôde deixar de sofrer também. Perdi a conta aos “toques” que me fizeram e lembro-me de estar prestes a entrar em choque na mesa de operações, quando por falta de eficácia da epidural me senti quase ser esventrada para a minha filha sair! Não foi bonito, mas foi sem sombra de dúvida a experiência física mais intensa que senti na vida! Quando finalmente me deixaram sair do bloco, ele, de braços dormentes, cara inchada, olhos aguados segurava no colo o nosso pequenino rebento, que quando foi encostada ao meu peito se apressou a mamar como se não houvesse amanhã! E foi aí que a senti... pela primeira vez foi aí que lhe “tirei a pinta”, lhe decorei contornos, me afeiçoei a ela!

Em dois anos de vida dela muito na minha vida mudou. Acho que se chama a isso crescer! E é um facto, eu cresci com ela! Hoje nada me dá mais gozo do que ouvir a voz dela, o seu sorriso e nada representa maior tortura do que saber que ela está a sofrer ou triste, ou doente! Se ela estiver bem, eu estou bem... e eu tenho feito durante estes 2 anos, das tripas coração para que tudo esteja sempre bem com ela! Tenho tido sucessos e alguns revezes, mas no geral, estes foram os dois anos mais marcantes da minha vida, sem sombra de dúvida!

À minha filha escrevi há tempos largos uma carta, onde vou acrescentando coisas que não quero deixar de lhe transmitir, porque estou certa, que se algum dia eu lhe faltar, alguém lha fará chegar em mãos... Hoje, porque o dia é de festa, vocês também recebem prendas e passo a transcrever os parágrafos iniciais dessa carta, totalmente inéditos, totalmente por ler, totalmente sentidos. Espero que gostem!



“Carta à Minha Filha:
Servem as presentes e futuras folhas de papel desta carta para te transmitir tudo e qualquer coisa que não me lembre de te ensinar ao longo dos dias da nossa convivência conjunta.
No caso de algum dia te faltar e/ou por ausência de mente ou capacidades físicas te não possa transmitir aquilo que tenciono ensinar-te, mostrar-te, dizer-te ou pura e simplesmente dar-te a conhecer ao longo das nossas vidas, gostava que lesses esta carta, e no caso de a não puderes ler, que a lessem para ti.
Antes de mais nada, e a coisa mais importante que eu quero que tu saibas e de que nunca te esqueças é que... tu, Minha Filha, foste fruto de um grande amor e és amada de uma forma tão forte, intensa e incondicional, que se torna indescritível o sentimento que me deste a conhecer.
Tu, minha amada, desejada e querida filha tens o mérito de me teres dado a conhecer o único amor que não necessita de retribuição, que é infinito e infindável e que me levaria a abdicar de tudo na vida, incluindo da própria vida em si, se tal se provasse necessário.
Por tua causa tornei-me uma pessoa melhor e decidi tomar em mãos a tarefa de melhorar o mundo, para que um mundo melhor te possa acolher.
Desde que nasceste tudo na minha vida gira à tua volta e tu estás em tudo nela.
Minha querida, cresce e vive sempre com a certeza de que és muito amada e que se depender de mim, nada te faltará!
No meu curto tempo de vida aprendi algumas coisas que penso te possam ser úteis. Algumas dessas coisas serão talvez tão essenciais à tua vida como forma à minha:
1. Não queiras viver a vida sem amor! Amar o próximo e amarmo-nos a nós próprios é tão essencial à vida como o próprio acto de respirar. Mas lembra-te, para amares e saberes amar os outros, tens acima de tudo que te saber amar a ti própria.
2. Ama-te a ti própria, pois ninguém o fará melhor do que tu. Estima-te, aprende-te, conhece-te e acima de tudo aceita-te! Exactamente como és, com todas as perfeições e vicissitudes... pois se há algo que aprendi é que se tu não te amares, dificilmente alguém te amará também.
3. Acredita em ti. Mais do que ninguém tu conheces-te a ti própria. “ouve-te”, “respeita-te”, “protege-te”. Defende aquilo em que acreditas e não tenhas medo de rumar contra a maré, mas lembra-te, não o faças por orgulho, fá-lo por convicção!
4. Lembra-te: todos são nossos semelhantes! Como nós, todos têm alegrias, tristezas, dias bons, dias maus, todos são filhos ou pais de alguém, irmãos ou amigos... por isso, independentemente da raça ou credo faz aos outros como quererias que fizessem a ti!
5. Aceita os erros. Afinal de contas, “errar é humano”. Hoje erra outro, amanhã errarás tu! Aprenderás com o tempo, que aceitar os erros é encará-los de frente, evoluir e aprender.
(...)”



A carta continua, mas é para ela. Não podia deixar de o ser. Como tudo na minha vida, desde o dia em que a senti nascer!


PARABÉNS Minha Filha, Meu Amor!

Obrigada pela dádiva da tua vida na minha!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Amanhã no AO - HOJE "Áqui P'rÁ VocÊIS"!


Atenção! Antes de mais, que fique desde já bem claro, que apesar de eu não ser totalmente céptica em relação à mudança, sou parcialmente céptica em relação a algumas mudanças. De resto, sofro da síndrome de “criança no primeiro dia de aulas” naquilo que diz respeito à mudança. Lembro-me de ter tido um coleguinha de turma, que tinha as reacções mais estranhas em relação aos primeiros dias de aulas: ou vomitava em jacto ao pisar pé dentro da sala de aula, ou ficava muito vermelho a pontos de sufocar, ou tremia que nem varas verdes até acabar por cair redondo no chão! Não sei ao certo, até hoje, o que lhe provocaria tal angústia, porque a nossa professora da primária foi sempre a mesma, quatro anos seguidos, uma senhora amorosa, com nome de flor, que nos tratava por “periquitinhos”! No entanto, a reacção dele, ano após ano, durante todo o ensino primário foi sempre esta. Uma espécie de “alergia crónica” aos primeiros dias de aula. Bom, digamos que eu não sou exactamente alérgica crónica à mudança, mas tenho algumas “irritações” nervosas aquando da fase de ponderação de mudança e início da transição. Ainda assim, mal sinto o pé tocar na água, mergulho! Talvez este meu receio inicial se justifique por ser ainda daquelas raras pessoas que acredita que na vida tudo pode correr de acordo com o planeado, se quando fizermos um plano, acreditarmos nele e nos agarrarmos com unhas e dentes, cingindo-nos só a ele, com todas as metas e objectivos traçados, atingindo desse modo todas as etapas plena e jovialmente. Mas ao fim de quase 30 anos, até eu começo a acreditar que às vezes é nos planos inesperados e nas mudanças súbitas que nós conseguimos encontrar os nossos melhores projectos e maiores realizações.
Em tempos de crise, porém, algumas mudanças, são encaradas como derradeiros actos insanos, não de “besta sadia”, mas de “malucos varridos” mesmo. O grande António Variações escreveu em tempos, algo recentemente musicado e trazido à nossa lembrança pelos sons dos ‘Humanos’, onde nos lembra que estamos “sempre a tempo de mudar” e nos recomenda em tom “amigo”: “Muda de vida, se tu não vives satisfeito”. Segundo ele não deveríamos viver “contrafeitos”. Maior verdade não podia haver, mas em termos práticos eu conto pelos dedos de uma mão as pessoas que eu conheço e que, em um ou mais aspectos das suas vidas, não vivem “contrafeitos”. Será por resistirem sistematicamente à mudança?! Ou será porque no fundo andamos todos à procura de algo completamente irreal, que é a busca da perfeição, felicidade absoluta e completa realização?!
Talvez seja por uma combinação de factores, mas a verdade é que com tanto empréstimo à perna e “despesa mensal fixa”, não há espaço para margem de manobra e grandes mudanças na vida da maior parte das pessoas. Os que realmente se podem dar ao luxo de mudar, os que acreditam que “quem muda”, alguém ajuda... os destemidos, corajosos. Os que têm o descaramento de arriscar e pura e simplesmente “mudar”, nem sempre caem de pé, como os gatos... mas às vezes também não perdem a vida por causa disso. Não será afinal muito mais divertido sofrer as descargas de adrenalina que as emoções de mudança provocam, do que viver no marasmo dos dias, ignorando um coração forte a latejar dentro de nós?! “Olha que a vida não, não é nem deve ser / Como um castigo que tu terás que viver!”. No alto da sua emoção e inteligência, Raul Solnado pedia-nos um dia: “Façam o favor de ser felizes!”. Eu, acho que não se poderia pedir nada melhor a ninguém! Se é preciso coragem para se tentar ser feliz?! É! Se é impossível ser feliz todos os dias?! Depende... Mas que apesar de todo o cepticismo, descrença, desconfiança e medo vale a pena mudar, às vezes, para se tentar ser um bocadinho mais feliz, isso estou certa que sim! E então?! O que é que vão fazer hoje?! Ficar ou Mudar?!

Mudança (de)vida!
Croniquices da Mulher a 1000/h, por Sílvia Martins

terça-feira, 25 de maio de 2010

Aturem-me...





... porque ser mãe babada é isto!

A 2 dias...



... de fazer 2 anos!

(Alguém me explica porque é que eu gosto tanto deste estilo colorido, descontraído e mix match das miúdas?!)

"We are all under the sun"...


O fim-de-semana foi tão bom, mas tão bom, com direito a feriado regional e tudo ontem, que eu já devia saber que esta terça-feira ia ter sabor a segunda... acordei com uma dor de cabeça fatal, a miúda continua constipada e amanhã começo uma formação que me vai ocupar durante um mês todos os dias das 18:30 às 22:30 e todos os Sábados das 09:00 às 18:00! Mas é por uma boa causa e para além disso este é um dos projectos que tenho vindo a adiar desde que fui mãe e desde que me mudei para esta ilha! No entanto, ontem, fui abalada por um medo de deixar a pequenita tantas horas sozinha com o pai... é que esta semana nem ir buscá-la posso e vou ter que faltar à formação já na quinta-feira, porque ela faz aninhos, enfim, senti-me “vai-não-vai” para desistir, mesmo antes de ter começado! E é por isso que é bom ter ao nosso lado quem nos ame, quem sinceramente se preocupe connosco e que adivinhando o que nos vai na alma nos diga: “Não te preocupes! Vai correr tudo bem. Não quero que deixes de fazer mais isto por nós... deixa-me ser eu agora ajudar-te a fazer alguma coisa por ti!”. E assim, amanhã começo mais uma aventura! Para além disso, espero que entre amanhã ou depois comecem as entrevistas para a minha “substituta” e que eu possa no início da próxima semana partir para “outros voos”!

sexta-feira, 21 de maio de 2010


Este fim-de-semana tenho, porque tenho mesmo, que organizar o meu guarda-roupa. Pôr tudo em ordem nas gavetas e armários, separar “o trigo do joio”... tenho que o fazer porque, para além da desarrumação vigente actualmente em tudo o que é espaço de arrumação no meu quarto, eu tenho esta prática quase como um ritual ao género “dança da chuva”, mas ao contrário... a ver se o sol se instala definitivamente nesta ilha, contrariando as agoiradas previsões meteorológicas e tudo o que é voz de sapiência popular, que diz que este ano a ilha só terá um mês de Verão e que para o ano será ano de “torrão”!

Para além disso, hoje é sexta-feira e eu espero que este final de semana seja para mim também o final de mais uma etapa na minha vida, sendo que aguardo com ansiedade a nova fase que aí vem, na esperança de que este positivismo, com cheirinho a sexta-feira me contagie para o resto do ano! E já agora, que estamos em fase de “desejos”, que me contagie a mim e a vocês todos, que por aqui passam e têm a “pachorra” de ler os devaneios desta pobre alma de rapariga perdida num mundo de amor e ilusão...
Volto mais logo!


P.S.- Já alguém reparou, que finalmente sincronizei o fuso horário do estaminé?! Estava no fuso horário do Pacífico, segundo consta...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Voa, voa...



Esta semente,
que eu carreguei comigo 42 semanas, exactas,
está a 7 dias de fazer 2 anos...
e eu...
eu estou a pontos de desatar a chorar!
CREDO, como o tempo voa...

HOJE no AO - "Os Crisulentos dos 500 Euros"

Quando eu ainda estudava no preparatório, lembro-me de ter participado na minha primeira manifestação. Lembro-me de envergar um cartaz onde se lia “Ó Leite, já estás a azedar!”. Lembro-me de ter pedido para me explicarem o sentido do cartaz. Lembro-me também do barulho, dos gritos, dos arrepios de pele de galinha e do orgulho nos olhos, quando os alunos do secundário e universitário, passando por nós nos aplaudiam e diziam: “Boa! Hoje é por nós, mas amanhã para vocês!”. Lembro-me de nunca me ter resignado com nada. Muitas vezes, nas aulas, aquando de uma explicação menos razoável nunca hesitei em perguntar, questionar, indagar, tudo assim, repetitivamente, insistentemente e exaustivamente. Lembro-me de ter escrito o meu primeiro texto publicado no jornal da escola revoltando-me contra o apelido da minha geração, lembram-se de nós?! A “geração rasca”?! Pois é... Já mais tarde, para o Jornal da Faculdade escrevi outro, acerca do nosso novo epíteto, “geração à rasca”! A geração “aflitinha” para terminar o curso, “aflitinha” para pagar as propinas, “aflitinha” para arranjar emprego! E hoje, ganhámos novo título: o da “geração dos 500 euros”. Vocês sabem quem somos... aqueles, que queimaram pestanas anos a fio, resistiram a tudo o que foi alteração de planos curriculares, provas e pagamento de propinas! Nós somos os licenciados que pagaram os estudos com o suor do trabalho dos nossos pais, aqueles que queriam para nós “ um futuro melhor do que o deles”! Nós somos os que cresceram sem telemóveis, com direito a carteirinha para trazer o passe dos transportes públicos ao peito! Somos os que sobreviveram aos “andarilhos” e à violência escolar, que na altura não se chamava “bullying”, mas “a força dos mais fortes” e que nunca mostrámos medo perante a régua de madeira pousada na mesa da professora! E agora?! Agora quem somos nós afinal?! Agora... agora somos os “temporários”, os recibos verdes, alguns mais verdadeiros, outros mais falaciosos, somos os funcionários públicos sem regalias. Os idealistas. Somos a geração que se endivida por 40 anos para comprar casa, pelo menos 4 anos para comprar carro e que acaba por não saber nunca o que o amanhã trará!
A “geração dos 500 euros” é uma geração letrada, sim senhor! Sabe de História, Filosofia, Direito e Literatura Medieval, fala pelo menos 3 línguas na perfeição e parte-se do princípio que saiba ler pelo menos mais 3. É uma geração cheia de “conhecimentos de informática na óptica do utilizador”, possuidora nata de talentos sociais, “boa capacidade de trabalho em grupo” (que remédio!) e com carta de condução! Uma sociedade onde, supostamente, a igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres vigora e onde quem espera, sempre desespera!
Mas nós somos mais do que isso: somos os professores de matemática em caixas de hiper-mercados, os filósofos de 30 anos que nunca tiveram um primeiro emprego, as professoras de português, que querendo local fixo de trabalho se dedicam à prática administrativa e os historiadores, que sabendo datas e factos de todos os livros, alguns de cor, nos indicam prateleiras e estantes em tudo o que é FNAC!
Bem sucedidos, também temos alguns, os senhores doutores cujo pai era do ramo e o empregou na Clínica, o dentista amigo, que “pediu emprestado” para montar consultório, os eternos “trolhas de canudo”, que vão pulando de obra em obra, qual marinheiro de porto em porto. Somos a geração da canção do “coitadinho”, destinados às constantes “dietas da crise”! A nossa geração é talvez das mais ambiciosas de sempre, pejados de sonhos, inundados de histórias de finais felizes “á la Hollywood” e “à la Disneyworld”, mas a quem melhor se aplicará a velha máxima de que, no fundo, no fundo, a única verdade, verdadinha é a de que, quem se lixa é única e simplesmente sempre o mesmo... o pobre do “mexilhão”!

O namoro acabou...


... estes já vêm a caminho!

Entre nós é assim...


... a fotografia ou fica bem à primeira, ou não fica de todo!

Nós não somos muito chegados à paragem do momento para o registo “kodak”, mas eu, principalmente, gosto de guardar registo dos momentos! Ultimamente, e por uma questão de facilitismo tenho-o feito com o telemóvel, mas adorava ser capaz de nunca me esquecer de carregar a bateria da máquina fotográfica... coisa que não sou! Eu até a trago na carteira, com cabos e tudo, mas quando chega a hora “h” há sempre algo que falha!
No entanto, uma coisa em que eu reparo e que não deixa de ser irónico é que, os fotógrafos mais incautos, inexperientes e emotivos, como eu, caem frequentemente na tentação do “pára, pára aí e olha lá para a câmara”! O que não deixa de ser um contra-senso, pois se é a alegria do momento que querem apanhar, a mim tiram-ma logo toda com o meu pânico de “será que vou ficar bem na foto?!”.
Mas aqui entre nós, é como eu sempre digo, nem sempre a felicidade está na maior perfeição. Às vezes, as fotos mais bonitas são as mais imperfeitas e às vezes, os momentos mais perfeitos são os que não permitem sequer o tempo para a foto.
Este fim-de-semana foi assim, para nós, quase perfeito! E essas foram tiradas logo a seguir a um bom almoço de cozido das Furnas, no nosso jardim preferido no Hotel, com umas companheiras fantásticas, muito queridas e que tornaram este dia muito, muito mais feliz!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

VENDO!

VALENTE DOR NAS COSTAS
Impecável, como nova, com menos de duas semanas! Óptima para desculpas para não ir trabalhar, fazer aquele programa chato ou aturar situações/pessoas indesejáveis.
Ofereço a delícia de verem aqui publicado o meu sorriso, assim que me livrar delas!
Numa altura de valorização do empreendorismo, há que arriscar! Que me dizem, temos negócio?!
AUch!

Boa Ideia...




... encomendei aqui!


E ainda pedi para juntar mais este:

Com estes... estou em fase de namoro:





Ah e tal a crise e tal... e que não pode ser, não se pode! Estamos todos a contar trocos, a dar graças a Deus por ter um emprego, mesmo não gostando dele, mesmo não chegando para pagar as contas, mesmo correndo o sério risco de ser infeliz... ah e tal, a crise, que não se pode e estamos todos a pontos de ficar louquinhos de tanto stress e pressão e bananas na cabeça e Carmen Miranda e vamos ver se nos aguentamos... ah e tal, que peninha do nosso País, que coisa, que desgraça, coitadinhos de nós... mas acalmem-se... não tarda nada está aí o Mundial... e olhem, é o puto do “bacanal”! Tudo a morrer de amor e orgulho à camisola, a gritar POR-TU-GAL a plenos pulmões! E Viva a Lusofonia, que só hoje já recebi 4 e-mails de publicidade para ganhar bilhetes para a África de Sul... ah... e uma Vuvuzela! Afinal de contas, o que seria a minha vida neste Mundial sem uma Vuvuzela?!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Tomei a liberdade...


... de partilhar convosco isto:


"Se puderes,

Sem angústia

E sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo

O logro da aventura.


És Homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças…"


Miguel Torga


Porque há muito quem tenha escrito, mas poucos que o tenham feito, como se fosse só para nós!

Um bilhete de ida...


Eu não gosto de mudanças! Aliás... não é bem que não goste, mas custa-me! “Dar o salto”, arriscar, trocar o “certo pelo incerto”, mesmo na certeza de que este incerto será o lugar mais certo para mim. Tenho um defeito de fabrico, não consigo celebrar a mudança, mesmo quando acredito que tudo aquilo que ela vai trazer é bom! Tenho este defeito. Mas depois tenho outras virtudes: a coragem, a destreza, a desfaçatez de acreditar que sou capaz e o descaramento de tentar mudar!
Estes últimos dias têm sido um verdadeiro tumulto! Entre trocas de e-mails, reuniões, telefonemas, esperas, negociações e pensar... muito pensar... o certo parece-me um tédio e tudo dentro de mim é sede de mudança! Não sei se vai correr bem, não sei se vou ser bem sucedida, se vou gostar! Seria louca em acreditar que sim, sem dúvidas nem hesitações... a vida ensinou-me, com os seus avanços e retrocessos, que até no mais belo pano cai a mancha e que aquilo que nos faz feliz nem sempre é o mais perfeito! Assim sendo, decidi arriscar, com tudo o que isso acarreta, com todas as mudanças que isso implicará e em breve, conto eu que possa ser muito brevemente, deixarei de “bloggar” deste sítio onde me encontro... e o futuro... o futuro o amanhã dirá!
Sabem, eu acredito que realmente, a idade traz muitos benefícios, inclusive a capacidade de nos resignarmos e acomodarmos, com a certeza e o conforto de que assim é que somos felizes! É por isso, que o tempo de mudança é agora, hoje... porque me recuso a deixar de acreditar e abraçar o “marasmo” de uma vida de “certezas absolutas”, pois certa, certa mesmo, essa é só a morte, tudo o resto são promessas de certezas, com que nos iludimos diariamente, engolindo-as aos pouquinhos com copinhos de água de paciência e conformismo!
Hoje sinto-me privilegiada, pois a oportunidade passou-me à frente e eu estou em condições de lhe tocar com a mão! Ao mesmo tempo, morro de medo que as coisas corram mal... mas isso, isso só saberei se arriscar! E hoje, arrisco!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Moral da História...

" I must become a lion hearted girl

Ready for a fight

Before I make the final sacrifice"

"Pais para toda a obra" - 13.05.10 no AO


Seria de esperar que a Croniquice de hoje fosse sobre o Papa, ou sobre as festas do Senhor Santo Cristo, ou sobre a nuvem de cinzas que espalhou a confusão... seria... mas como também já é de esperar para quem me lê, eu não escrevo obrigatoriamente sobre as notícias “quentes” do momento! E é por isso, mas só por isso, hoje vou escrever sobre as coisas que mais me ofendem enquanto mãe no século XXI. Eu sou mãe apenas há dois anos, de apenas um filho, aliás, sem querer ser sexista, mas sendo exacta, uma filha. Não tenho por isso vasta experiência no ramo, nem conhecimentos de causa de largos anos ou grandes teorias formadas ao longo do meu longo empirismo! No entanto sou mãe e como tal tenho direito a opinar sobre a minha curta, mas activa experiência, acerca do meu recente, mas empenhado esforço na procura da realização do meu melhor papel enquanto mãe e deixem-me que vos diga, que há coisas que me dão a volta ao estômago. Não há nada, mas nada que me revolte mais, que me faça mais “espécie” do que as opiniões fundadas e cristalizadas acerca dos pais dos tempos que correm. Se não batem é porque são uns “paus-mandados”, se batem é porque são violentos, agressivos e nunca deviam ter sido pais. Se dão tudo aos filhos é porque os vão estragar, se não dão é porque são negligentes e rudes. Se os pais se preocupam e levam os miúdos a tudo o que é especialista e ligam para a creche todos os dias é porque são galinhas e doentios, se não se preocupam, levam ao pediatra ou ligam para a Creche é porque são uns “bastardos” ingratos que deixam os miúdos ao “Deus dará”. Se os pais levam os miúdos para todo o lado com eles, eventos sociais, espaços públicos, locais exóticos incluídos, são uns “loucos destemidos e sem medida, que não têm noção da barulheira que as crianças fazem e caos e confusão”... se não os levam, são uns “castradores”, que nem deixam as crianças conviver, “nunca hão-de aprender a socializar aqueles pobres meninos”! Enfim, aquilo que mais vejo por aí é gente que opina livremente, sempre que lhe dá na real gana, sem a mínima preocupação do efeito que essas “opiniões” possam ter no “desempenho” enquanto pais, dos constantes alvos da crítica! “Ah e tal, que as crianças de hoje não têm educação...”, “ah e tal que os paizinhos são quem tem culpa”... não me entendam mal, não estou aqui a escrever para fazer a defesa dos “coitadinhos” ou ser advogado do diabo de ninguém, mas a verdade é que a sociedade penaliza cada vez mais os pais, esquecendo-se frequentemente que as exigências que são feitas aos pais actualmente em nada se comparam às do “antigamente”! Ora notem, que não há Pai interessado hoje em dia que não conheça de cor uma ou duas teorias do sono ou de alimentação dos pediatras mais afamados, não há Pai atento, que não saiba o percentil do seu filho ou Pai cuidadoso, que não tenha cadeirinha de carro e de passeio e berço conforme as normas de segurança... digam-me lá, com sinceridade, qual era o Pai que há vinte e poucos anos atrás sabia ou fazia ou sequer se preocupava com tudo isso?! Qual era o Pai ou Mãe, que há trinta e mais anos atrás se preocupava se o menino socializava ou se ia ficar traumatizado com a pancada que apanhava ou se chateava com os professores por causa das “reguadas” e castigos, ou sequer se incomodava se o miúdo tinha actividades extra-curriculares ou não?! E agora os culpados são os pais! Pois, se calhar são... mas apenas por dar ouvidos a vozes, que segundo reza a lenda, não chegam aos céus! Os filhos dos outros “incomodam” nos espaços públicos?! Pois então fiquem em casa! Algo de errado se passa na nossa sociedade quando educar é alvo de crítica, o palrar de uma criança é “barulho” e as suas brincadeiras uma “confusão”. Quando é que será que nos esquecemos todos, que também nós um dia já fomos crianças?!