quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

"É a Vida!"


Quando eu era pequena acreditava em anjos, fadas, tudo o que fosse ser superior e mágico, que ajudasse o bem a vencer sempre!
Quando eu era pequena acreditava que todos os seres, todas as pessoas tinham algo de mágico e único dentro de si.
Quando eu era pequena pensava sempre que há mais para a vida, do que a própria vida só por si.

Por isso, muito me custa hoje, ao ouvir alguém queixar-se das lástimas que arrasta consigo ou das tareias que levou da vida concluir: “É a Vida!”.


Epá, não me lixem, primeiro o Pai Natal, depois as fadas e os anjos... e agora a vida?!



Where's the Magic?!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Querido, já chega!


Com ar de traquina, pele moreninha, refegos nos braços e nas pernas, marca da sua ainda meninice lá ia ele de banda desenhada debaixo do braço, pacote de bolacha Maria numa mão e noutra um isqueiro escondido, ou talvez uns fósforos, aquilo que apanhasse mais rapidamente na cozinha às escondidas da mãe. O refúgio era sempre o mesmo, um silvado, meio agreste, com um spot muito seu, em género de clareira, mesmo nas traseiras de sua casa. O objectivo era sempre o mesmo: Fumar!
Lá em casa, tudo o que era adulto do sexo masculino fumava. Era para ele como que um ritual de masculinidade, afirmação e prazer, que sempre vem do que é proibido ou interdito. Sentava-se na clareira, comia bolachas e fumava os poucos cigarros que roubava em casa... um ao avô, um ao pai, aos tios, a quem os deixasse esquecidos por tempo suficiente para uma marotice rasteira que ele fazia com tanta doçura!
Devia ter por volta de 10 anos, segundo informação da mãe, quando esta o apanhou, pela primeira vez de calções brancos neste seu espaço, neste seu ritual. Levou-o para casa ao som de uma descompostura, que para além de muito audível foi emitida em vernáculo muito típico do norte do país. Deu-lhe uma tareia com toda a força que tinha e também amor, a que juntou a revolta pelo facto de o seu marido não deixar de fumar, apesar das promessas, do seu sogro não deixar de fumar, apesar das doenças e do seu filho mais velho já se ter iniciado também nesse maldito vício! Ralhou-lhe, ameaçou-o, fez tudo o que o amor lhe ditou e por fim, pediu-lhe... e ele assentiu! Essa foi a primeira vez que ele quebrou essa jura!

“Eu juro, Eu juro que deixo de fumar!”

Agora, muitos anos volvidos, continua a fumar, já tentou e prometeu mais de uma centena de vezes que ia deixar, depois de casarmos, depois de a nossa filha nascer, depois de chegarmos aos Açores, depois de estabilizarmos por cá... e mais recentemente depois de descobrirmos a doença do pai dele, ao que tudo indica, provocada pelo tabaco.

Hoje, a médica do pai dele voltou a dizer-lhe que ele tinha que deixar de fumar... “ Eu sei, mas custa tanto...”, ao que ela lhe respondeu com uma outra pergunta:

“E morrer?! Não custará mais?! E andar em sofrimento para o resto da vida?!”

Meu amor, no que diz respeito à minha resposta e à da tua filha, que não falando ainda o demonstra já bem... a tua falta será a única coisa que nos custará na vida!
Quase em género de pacto com ele, para lhe dar força, prometi que me juntava a ele e deixava de consumir uma ou várias das coisas que mais gosto e de que ele tem conhecimento: chocolate, coca-cola... mas nada...
E ao fim de tantas tentativas falhadas e tantas vezes que cheguei mesmo a acreditar que ele ia conseguir, esta, foi a que mais me custou, porque não quero que ele deixe de fumar, só quando já não o puder mesmo, fisicamente fazer!

Este é o meu último pedido, amor...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

BlooDy Monday!


AAAh!


Segunda-feira!


Epá, e eu que não me lembrava de nada melhor do que isto!


Boa! É assim mesmo!


Agora sim, já cheira a realidade!


E de volta à vida real, faz muito mau tempo nos Açores, chuva, vento e algum frio, passei uma noite péssima, a pé e com a pequena em cima de mim, que... adivinhe-se, está constipada outra vez! Querem melhor começo de semana?!


Naaa... Tá bom assim, deixem estar! Estou com uma neura que não se pode e às vezes acho, que o simples facto de conseguir chegar ao trabalho com um pingo de força anímica nas veias é um acontecimento digno de louvor! Por favor acordem-me quando for hora de ir dormir! Tá?!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

New Blog on the block!


Tá... Já sei... Tralala sou tão vaidosa, capitalista, fashionista... Vá... Damn! I'm just a Girl! Tá?!


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

WISHLIST 2010 - #1: Ser cromo do Ídolos!


Hoje é quinta-feira e como tal, o almoço que se impõe é Picanha no Beach! Desilusão das desilusões não tinham “O” bolo de chocolate, mas tinham uma mousse igualmente divina e uma sopa de grão de bico de fazer espumar. Depois da deglutição do manjar do dia, lá vínhamos nós, eu e o Rei da Casa no bólide não a 1000/h, mas nuns prazeirosos 60/h! O rádio, sintonizado numa das muitas maravilhosas estações de rádio micaelenses, tocava ABBA e eu dei por mim a trolitar um “There is something in the air tonight, the stars where bright FER-NAN-DOOOO!”.


Céptico e de olhar sempre na estrada o "Senhor" sai-se com esta:


“Na próxima Edição do Ídolos inscrevo-te!”

Eu, ainda meia perdida no transe daquele sonho onde eu até sei cantar qualquer coisa, acordo e desatamos os dois à gargalhada... o que se seguiu foi pura poesia, que terá mais piada talvez para quem me conhecer e já me tiver ouvido cantar algum dia! (Sim, porque eu posso não marcar pela positiva, mas lá que deixo o trauma e uma recordação muito cómica... lá isso deixo! LOL)

Passo a transcrever a verborreia verbal do pós-almoço:


EU: É vou ao Ídolos... e o Manel acaba de me ouvir cantar e sai-se com um: TU NÃO CANTAS A PONTA DE UM CHAVELHO! ZERO, NICKLES PICKLES!

ELE: E o outro com ar de mauzão: QUE COR DE CABELO É ESSA PÁ!?

EU: E a brazuca: OLHA SÍLVIA, ISSO FOI UM BOCADO SINISTRO, MAS O LOOK TÁ BACANO!


ELE: (olha para mim e desata-se a rir!)


EU: (ainda envolta na mística da imaginação eu continuo) E o Laurent: Olha, tu cantar não cantas nada...


ELE: ... mas seguras muito bem essa "vaca" que trazes agarrada aos dentes!


AH?! Pois é... trazia uma picanhita para o lanche presa na dentadura... E terminou assim com um rebentar de gargalhadas e um acto muito lindo, que é o de espitrucar o naco da dita para fora da boca e continuar na risota!


AH! L’amour!!!

Voar e Educar no AO - 07.01.10

De regresso à ilha, depois das festas e dos excessos, não há nada que me apeteça menos do que ter que me enfiar dentro de um avião durante duas horas e meia, com uma criança de 19 meses, com horas de sono e de alimentação trocadas, e um marido rezingão, que tenta levar a cabo a tarefa de deixar de fumar, resolução do novo ano! Pior ainda, é quando já encaixados cuidadosamente nos nossos lugares, com criança, tralhas e neura, reparamos que um de nós está no lugar errado e que temos que viajar separados! Ora quatro menos dois, dá dois e lá se vai um par de braços com quem partilhar 12 quilos. Sim, porque se o espaço nas cadeiras já é limitado, imaginem-se a viajar, duas horas e meia, sozinhos com a cria no lugar do meio. Eu, já vi filmes de terror com menor potencial aterrorizante. Enfim, a isso juntem-lhe o inchaço típico da época e temos cara de peru recheado a viagem toda! Mas pior do que isto, só mesmo levar com um vizinho da frente que teima em inclinar a cadeira para nosso desespero, como se isso lhe proporcionasse um sono mais tranquilo. Já não me bastava vir a viagem inteira a olhar-lhe para o couro cabeludo casposo, ainda me apercebo que o senhor para lá de espaçoso tem um respirar pesado! Daqueles assim que são causa de divórcio do casal mais feliz. Mas bom, lá me fui aguentando, até porque com a refeição pelo meio, sempre tivemos meia hora garantida com mais 20 centímetros de espaço à nossa disposição. Eu não sei, como há neste mundo quem tenha a destreza de viajar de avião com uma criança desta idade, por mais do que duas horas e meia, sem que sucumba na porta de saída do avião de esgotamento nervoso em último grau. Eu juro, por muito que goste de viajar, não tenho essa costela masoquista em mim. Ou então, tenho uma criança invulgarmente activa... não sei... serei só eu?! Dúvidas maternas aparte, acho que aquilo que faltou ao meu “inclinado” companheiro de viagem da frente foi um pouco de bom senso, misturado com caridade, a quem eu daria o nome de educação cívica, ou civismo! Bem sei, bem sei, que a minha liberdade acaba onde começa a dele, mas a dele poderia ser bem menos espaçosa e bem mais conscienciosa! Mas sobrevivi, e contra todos os traumas, esta história ainda tem moral, a da minha filha, que do alto dos seus 19 meses ao meu tom brincalhão baixinho de: “Dá tautau ao senhor!”, me respondeu em surdina, mas de dedinho no ar: “Não, Não!”. É lindo começar o ano a ver o fruto da nossa educação florescer! Para 2010 faço Votos de melhores Voos!




quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Cara de Janeiro...


Bom... a pedido de muitas famílias, aqui fica o vislumbre do novo visual! TXARAN!

Taras e Manias...


Não que me considere uma pessoa muito “manienta”, mas como todos, tenho algumas que fazem de mim, mais uma ave rara e peculiar na face da terra, igualmente única e especial a qualquer um dos comuns mortais!

Art, aqui está a resposta ao teu desafio! ;)


1 ''Mania'' – carteiras XXL;

2 ''Mania'' – mordiscar as peles dos dedos quando nervosa;

3 ''Mania'' - não carregar o telemóvel;
4 ''Mania''- escrever;

5 ''Mania'' – andar quase sempre sem dinheiro na carteira!



REGRAS: "Cada bloguista participante tem de enunciar 5 manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher 5 outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do recrutamento. Cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blogue."





desafiadas


Paula
Ginger
Brown Eyes
Eduarda (Made in Love)
E quem mais se sentir tentado a responder…

Não sei bem porquê, mas sempre detestei este mês: JANEIRO. Nem do nome gosto. Tenho-lhe uma implicância menina, que me dá neuras e ganas de querer pular por cima deste mês.
Depois das festas, sempre muito gordos e inchados, mal habituados com as prendas e carinhos e dias de folga, bem dormidos, bem regados, bem gargalhados, este mês começa sempre com um arrastar de corpos até aos sítios onde normalmente nos movemos com sistemática facilidade! É que nem o raio do “SAMBA de Janeiro” me anima!
Ainda tenho as malas por desfazer, já abertas e esparramadas algures no corredor de entrada da casa. Ainda trago na carteira os bilhetes de avião e o kit de tralha de viagem com uma bebé. Para cúmulo, a casa que ficou vazia e fechada durante duas semanas foi ocupada por seres que detesto, um exército de formigas na cozinha, que tento combater há dois dias, umas baratongas King-Kong, como só há nos Açores nas zonas mais húmidas da casa, casas-de-banho e lavandaria e um bicho de aspecto curioso, algures entre a centopeia e um carrapato, que encontrei hoje por cima da mala que tem a minha roupa. Estou inundada de comichões e nojo e a rezar para que essa bicharada encontre novo pousio. Não há pachorra!
Mas, voltando a Janeiro, é que nem por ser mês de saldos esta porra de mês me anima... até porque depois da “corrida” às prendas, ganho uma certa apreensão a shoppings caóticos e Zaras com aspecto da feira de Custóias depois da bomba atómica lhe ter acertado em cheio.
Este, é definitivamente o mês das neuras por excelência! Nos Açores é em Janeiro que começa o frio, se bem que aqui no escritório é Janeiro até Agosto! Em Janeiro toda a gente sabe que ainda falta um fartote de dias até termos férias, outra vez... em Janeiro as casas estão húmidas, do ressoado dos corpos festivos e a louça ainda cheira a bacalhau. Algures entre o fim deste mês e o início do próximo já começa a coisa a animar, até porque Fevereiro é pequenino e o ordenado rende mais qualquer coisinha. E em Março tudo floresce, as flores brotam, os passarinhos cantam, as alergias espirram, mas o amor anda no ar! Ah Março! Em Abril Páscoa! Férias, Pausa! E depois lá vem a neurinha nervosa outra vez. Maio é um mês baralhado, algures entre o calor e o tempo choco, que tem como auge o aniversário da minha filha! E depois... depois vem o Verão... e o que a gente gosta mesmo é disso: Sol, Praia e um bom escaldão!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

De 2010 para o Blogue!


AIIIII...


Estou de volta!


Estou de volta à ilha, de volta ao trabalho, de volta ao blogue, de volta às coisas que me fazem detestar o dia-a-dia rotineiro, mas trago esperança! Esperança de um novo ânimo, de um novo alento que me surpreenda neste novo ano e estou aqui para enfrentar!
Estes primeiros dias do regresso custam muito, aliás, tenho dias, como o de hoje, que custam é mais que muito! Mas comigo é assim: “I get knocked down and I get up again”!
As festas foram muito boas, cheias de excessos, com a repolhita carregada de mimos e prendas e surpresas e sorrisos e a mamã carregada com pelo menos mais 3 quilos, ao que falhei redondamente nos meus “planos” de dieta!

Continuo ruiva, pelo menos de tom capilar e começo a gostar desta “diferença”, como alguém lhe chamou, que acabada de me conhecer me presenteia com esta pérola: “ Ai, que gira! Diferente!”. Eu volto a reforçar a ideia, que essa pessoa tinha acabado de me conhecer! De que forma poderá um comentário destes ser positivo?! E com esse trauma em chave de ouro fechei o meu 2009!


E com 2009 concluí também com sucesso e mérito, “penso eu de que”, o meu primeiro ano completo de maternidade! Foi um ano um tanto ao quanto confuso, de estabilização, mas ainda assim com muita mudança e agitação pelo meio, em que eu teria que dizer, que as minhas croniquices foram a novidade e ponto alto!


Para 2010 continuo à espera de ser brindada com muita saúde, para mim e para os meus, algum tempo livre, bom gosto e muitos sorrisos!


Em relação ao amor só tenho a dizer, que decidimos renovar o contracto! Claro está, não posso viver esta monarquia de amor sem o meu Rei!


Então é assim, que depois das duas crónicas com que encerrei 2009, dou início a muitas mais, que se seguirão em 2010! Bora lá alinhar na leitura interventiva este ano, para variar?! Bute lá atão! Bámo lá cambada...


... e tu 2010, “Canta-me ó Musa”!



Volto ao Contacto amanhã... que acho que ainda estou no jet lag das férias! Valha-me Deus...

No AO a 31.12.09

Subo para uma cadeira. Numa mão tenho 12 passas, na outra, um flute de espumante. Soa a primeira badalada, meto a primeira passa à boca. Fecho os olhos, penso no meu primeiro desejo, dou um gole no espumante e ouço a segunda badalada. Desta vez perco um pouco mais de tempo a pensar no meu desejo, quase não tenho tempo de a engolir e já oiço a terceira. O meu terceiro desejo é bem mais simples de formular, mas desta vez fica-me uma pevide da uva presa nos dentes, perco um pouco mais de tempo, a bochechar com o espumante e a quarta badalada já lá vem e eu esqueci-me do que queria pedir. Mais uma passa, esta sem desejo e já lá vem a quinta. Tenho as mãos a colar e de olhos fechados, com o quarto golinho de espumante assim num tão curto espaço de tempo já me sinto a flutuar. Quinto desejo, este é complicado, a páginas tantas engasgo-me com o raio da passa, a cadeira bamboleia e eu tenho que descer. Não pode ser bom presságio. Dou mais um golo e oiço a sexta badalada, o meu pensar de desejos já se evaporou e agora só quero conseguir engolir a papa de passas que tenho na boca. Mais um gole. Subo para a cadeira de novo. Estou enjoada, a mistura de peru, puré, Ferrero, aletria, Coca-Cola, bolo-rei e pão-de-ló com queijo está a começar a fazer nascer uma febre de azia no meu estômago. Já perdi a conta às badaladas entre a sétima e a oitava lá consegui pensar em algo de jeito para desejar. E agora olho em frente, a minha mãe de ar curioso, fita-me com a perfuração de uma sonda, admirando a minha persistência em continuar a desejar, mesmo já sem saber bem aquilo por que desejo! Vá, a nona passa é um desejo para ela, que engulo com a décima badalada a rasgar-me o tímpano. Este espumante é dos meus, faz cócegas na garganta e deixa-me a cabeça a andar à roda. Com a décima primeira badalada já só engulo o espumante e deixo as passas a acumular no céu-da-boca! Só tenho mais dois desejos. Este é para ele e o último será para ela. Ao sonar da décima segunda badalada suspiro de alívio. Já não consigo engolir mais passas. Trinco-as todas e deixa-as a desfazerem-se-me na boca, enquanto desço da cadeira para os abraços da praxe! “Feliz Ano Novo, Feliz Ano! Que este ano nos traga tudo o que tem de melhor!” – Lá fora a minha sogra já parte a loiça velha para afastar o mau azar! Os vizinhos juntam-se a ela. Nem por ser ano de crise a decidem poupar! E porque na passagem do ano vale tudo, até acreditar que este ano tudo vai ser diferente, estou a contar as horas para as doze passas, perdão badaladas!



Título: 12 Passas Badaladas

Croniquices da Mulher a 1000/h, por Sílvia Martins

No AO a 24.12.09

Eu tenho um telemóvel, daqueles de 3ª geração, daqueles dos quais não faço uso de metade das funções. Eu tenho um computador, aliás, tenho dois. Os dois portáteis, um com grande memória e grande ecrã, para ouvir música e ver filmes e um outro do tamanho do “Magalhães”, que trago sempre na carteira e me serve como processador de texto para horas mais inspiradas. Eu tenho não menos do que 30 pares de sapatos e um incontável número de carteiras e casacos. Eu tenho um carro, de aspecto duro, mas resistente, à prova de choques e arranhões, com leitor de cd’s e fecho central e vidros eléctricos. Tenho uma televisão, aliás, mais que uma, leitor de dvd’s, microondas, frigorífico, tenho pens, máquinas de depilar, enrolar o cabelo, alisamento japonês... Enfim, tenho à minha volta toda uma panóplia de artefactos, que para além de me ajudarem nas tarefas do dia-a-dia, me trazem conforto e uma sensação de bem-estar! No entanto, tenho dias em que tendo tudo isso, mais parece que não tenho nada. Ando insatisfeita, ando rezingona, ando descontente, preocupada. Tenho a sensação de que me falta alguma coisa, que podia ter mais do que aquilo que tenho. Trago constantemente na memória aquelas botas, que ainda não tenho, aquele carro, que é mais bonito que o meu, aquela escova de “alisamento perfeito” ou aquele verniz entre o rosa e o roxo, com tom pastel e sem brilho. O Homem é por essência um ser insatisfeito, em todas as áreas da sua vida e não apenas nos bens materiais que possui e dos quais dispõe. Se ainda não temos namorado, queremos um, se ainda não temos marido, queremos um, se ainda não temos filhos, queremos um ou dois, se ainda não temos emprego, vamos à luta. Porque no fundo são todos estes desejos que nos fazem mexer e lutar e sair da cama todas as manhãs. Mas, frequentemente, só nos lembramos do bem que de mais precioso temos, quando este nos falta... a Saúde! E então, quando essa nos falta, nessa altura já não queremos mais nada! Podemos ter o carro mais rápido, mais bonito, o amante mais voraz, os filhos mais lindos... que a única coisa que queríamos ter... era mesmo a nossa saúde de volta! Por isso, é imperativo que para além de tudo o que se queira neste Natal, acima de tudo se queira saúde... e “da boa”, como dizem as gentes do Norte! Faço públicos os meus votos de saúde para todos... e depois, que se lhes juntem, o amor, a paz e algum dinheiro, porque não?! Afinal de contas: “O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.”.




Título: O meu Sonho de Natal

Croniquices da Mulher a 1000/h, por Sílvia Martins

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

AH.... uma coisinha!


Não podia partir sem antes anunciar publicamente o que fiz hoje, e não foi em photoshop!


e não... não fiz um piercing no nariz...
e bom... ainda não sei se gosto!

Ok... Agora fui MESMO!

Eu Vou, mas Volto!


Amanhã vou de férias!

VOU PARA CASA!

Mas antes de ir, tenho que deixar aqui as minhas prendinhas virtuais para os meus seguidores mais fiéis, de resto, como manda a lei!

Aqui vai:

Para a Brown Eyes: um bocadinho de calor tropical e esperança!
Para a Art: um sugo e muito amor do norte!
Para a Paula: uma sensação de SPA e um abraço forte!
Para a Ginger: toneladas de paciência e um balde de fantasia!
Para a : muita fé e força e um carinho caloroso de amizade virtual!
Para a Carrie: um par de sapatos novo e carradas de sorte!
Para a Eduarda: um camião de inspiração e um todo o sucesso do mundo!
Para a Saltos Altos: muita moda e uma lufada de Sorte e Alegria!

E é isso... para todos os outros que me seguem e não comentam e para aqueles de quem me posso ter esquecido, aqui fica o meu desejo sincero:

MUITA SAÚDE, PAZ e algum tempo livre para ler o blogue!

OH, OH, OH!

Beijinhos a todos e até ao meu regresso!

FUI

24ª Croniquice no AO - Natal em Pré-Época - 17.12.09


A partir de hoje estou de dieta. Que ainda não estou, porque de manhã comi um donut e até agora já engoli 3 bolachas de aveia com chocolate, 2 cafés e 4 sugos. Bom, mas amanhã começo. Fica aqui prometido. E o que está escrito e publicado não pode ser apagado! Contornado, talvez... mas amanhã, amanhã sim, amanhã! E depois vem-me à cabeça o som da musiquinha “É pra amanhã, bem podia ser pra hoje...”, mas o amanhã parece-me bem melhor! É que aproximando-se as festividades, aquelas que nos deixam em duas semanas de engorda, em que temos a sensação de nos termos sentado a uma mesa na noite de dia 24 e só de lá ter levantado o real assento no dia 01, ou 02... ou 06, para quem ainda festeja os Reis!
Para a minha mãe eu estou sempre “tão magrinha, minha rica filha”, quer tenha menos dois quilos, quer tenha mais vinte e depois o pós maternidade é muito cruel, porque as pessoas desenvolvem sempre uma expectativa de que quem é mãe vai engordar, que às vezes acontece, mas que muitas vezes não tem ligação directa e concreta com o simples facto de se ter sido mãe! Gosto sempre quando me dizem, “Ai, mas tu estás igual!”, como se a maternidade fosse supostamente um castigo do engorda e nos desse a aparência suave e fofa de uma Popota em dia de festa! “Mas quê?! Não era suposto?!”. A Sociedade é cruel e vitimiza com base no aspecto, mas frequentemente se esquece que para lá do peso da gordura no aspecto, essa mesma “amiga” tem um inigualável peso na saúde de quem a traz consigo. Eu não sou o melhor dos exemplos para falar de hábitos alimentares, mas faço um balanço da comida “boa” e da comida “má” e tento sempre que a “boa” leve a melhor sobre a má e no final tenha a sua vitória triunfal! Mas voltando às festas, festividades e comes e bebes. Vejamos o menu para a típica ceia de Natal: para começar temos a saladinha, mas porque está frio, muitas vezes esta dá lugar a uma sopinha, nome carinhoso para um caldeirão de batata, couve, cenoura, abóbora, feijão e quiçá, um pouco de carne para “matar o bicho”, depois abrem-se as hostilidades com o bacalhau, de novo as couves, de novo a batata, ou então o polvo, ou o peru e o arroz com passas e pinhões e nozes, depois vêm os doces, rabanada da “boa”, que já se “inaugurou” mesmo antes do jantar, a aletria, o arroz doce, os “formigos”, os sonhos, as filhoses, e o açúcar e a canela, e o vinho, e os digestivos, e o café com o chocolatinho, como manda a lei... e no dia seguinte?! Fazemos tudo isso outra vez! Está decidido, amanhã: dieta!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Friends will be Friends!


Sabemos que temos amigos de verdade, quando recebemos um email logo pela manhã a dizer:


"Bdia! Tens visto alguma coisa na Mango q queiras?

Tenho um desc de 40% para usar ate dia 20 :)"


E pronto, assim se sabe que não é um oceano de água que apaga uma amizade de anos!


Obrigada minha anónima de eleição!


É bom saber que te lembras... só isso!


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

"Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio."


Se “O Homem é do tamanho do seu sonho” e se eu ”tenho em mim todos os sonhos do mundo”, deixa-me mas é estar bem caladinha, não se lembre alguém de me pôr a fazer dieta!


E hoje, toda eu sou sonho, quimera do dia que tarda em chegar, do momento adiado de felicidade esperada e sonho o pior dos sonhos, aquele que não acaba quando acabados de acordar nos levantamos e saímos da cama!

Hoje, sentava-me ali, a ver peixinhos, a contemplar... a deixar as horas passar.



O meu corpo está aqui...
o pensamento além...
e o meu coração entre os dois,
Se não foge,
É apenas, porque pobre,
valentes pernas não tem!


I’m leaving, on a jet plane!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

É Natal! Não faz mal... - 10.12.09 no AO

Mas desde quando é que virou moda ser o Grinch do Natal?! Na minha mais tenra idade, ainda me lembro, ser sempre esse “estraga festas” avarento o mau da fita, mas hoje em dia, parece que toda a gente resolveu dar uma de cépticos do Natal, sob pretexto de um suposto consumismo, que se nos instalou nas veias! Ora, corrijam-me se estiver enganada, mas quem é que faz as vossas compras de Natal?! Bom, eu por mim falo, que sendo a responsável pelas mesmas só me excedo se quiser. Os anti-Natal assumidos, aqueles que só guardam recordações boas dos Natais passados, acusam os inocentes e raríssimos indivíduos, que ainda vibram com esta época de serem “vendidos”, “consumistas”, “cínicos”. Dizem eles, que “o Natal é uma hipocrisia”, que é “só mais uma desculpa para nos fazer gastar dinheiro”, que “ é uma chachada pegada de falsos moralismos”. Eu acho, sinceramente, que certas pessoas passam a detestar o Natal, precisamente no ano em que passam a comprar mais prendas, do que aquelas que recebem. Curiosamente, são essas as mesmas pessoas que dizem aos quatro ventos, que o Natal “não é só as prendas”! Valha-nos ao menos aqueles, que se recusam, apenas e só, aos “mega fretes” das sagas familiares... não menos curioso é que, esses só deixaram de gostar do Natal, precisamente porque perderam algum ser querido e familiar amado. O que todos se esquecem é que o Natal só é deprimente para quem não tem família, precisamente o que vem provar o valor da mesma. E por família não entendo só a de sangue, que eu, graças a Deus, fui abençoada com uma muito mais alargada, com quem não partilho o mínimo traço de ADN. Aqueles que acusam os “festejeiros do Natal” de serem hipócritas esquecem-se que os bons modos e os bons princípios começam “em casa” e que se não estiver bem com os meus, não estarei bem com ninguém. Bem sei, bem sei, que o Natal é quando um Homem quer, mas porque não aproveitar a tolerância de ponte e a desculpa calendarizada para uma boa celebração em família?! Com direito a prendas e tudo... Vá lá! Os que acusam os “Nataleiros” de se esquecerem que muitos não têm direito a Ceia de Natal, nem a carinho nesse dia, esquecem-se, frequentemente, de que não é só nesse dia que eles não têm esses direitos. Por isso, Xô da minha área gentes incrédulas, que com o Vosso cepticismo posso eu bem. Porque esta Mulher quer um Natal com tudo a que tem direito: família, abraços, calorias a mais, presépios de musgo, frio, lareira, Pais Natais e Lotto. Porque só quem tem amor em casa, o sabe trazer para fora dela!
Croniquices da Mulher a 1000/h

por Sílvia Martins


participação nr.2 para a Fábrica de Letras


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A Minha "listinha" de Natal... (inspiração H&M)!

Eu que até pensei de mim para comigo, que este ano não ia escrever cartinha fútil ao Pai Natal a pedinchar tudo o que é bem material, dei por mim a passar os olhinhos no site da H&M e aqui fica a dica, para os indecisos do costume... e porque nem só de palavras e textos vive esta mulher...

Ora, como sabem tem sido cada vez mais difícil concentrar-me nas compras para a "je"... mas a "je" ainda sabe do que gosta... e S.Miguel é lindo e tal e tal... mas não tem H&M...

Por isso, façam lá o jeito à pobre... ihihi... Afinal, são só trapos! :)

Sugestões 1 - "São trapos Senhora!":

H&M Look Book

E já que a pedir ninguém é burro... porque não fazer um marido MUITO feliz?! Hummm... Vá lá... temos um casamento para manter... uma filha piquena... Estes davam um jeitaço:

Sugestão 2: "Estonteantes Tapa misérias!"

H&M Look Book

Saias pirosas de Lindas, que me obrigariam a fazer a depilação e a usar tacão... Salvem os pêlos da Sílvia...

Sugestão 3: "Uncover my legs..."

H&M Look Book

Bem... e aproveitando a proximidade dos avós, se me derem algum destes, vou usá-lo para sair a sós com o maridão:

Sugestão 4: "É p'arrebentar... e as sabrinas para depois calçar!"

H&M Look Book


E pedir por pedir... e porque não podia pensar em mim, sem antes pensar nela... Bad Sílvia, Bad Sílvia... Mas são tão lindas que não se aguenta... aqui ficam as sugestões para a Repolhita!

Sugestões 5: "É pra ela, não é pra mim..."

H&M Look Book

Obrigada aos que contribuirem para a causa... e aos que não contribuirem... obrigada também... a pedir-vos mais qualquer coisita no Natal que vem! ;P

P.S. - E não... isto não virou um blog cor-de-rosa... é só aproveitamento útil de espaço público para serviço pessoal...

Tarefas Ingratas do meu ingrato dia...


Parte das minhas funções aqui no escritório englobam a tarefa de fazer recepção a todo e qualquer indivíduo que me entre por aquela porta... e se dias tenho, em que por aquela porta entro eu e pouco mais do que eu, outros dias há em que isto se torna a verdadeira porta de entrada de um centro comercial, mas num horário muito morto... vá, que eu não estou aqui para enganar ninguém!
Aquilo que mais gosto de fazer é receber o carteiro, que todos os dias me traz para além do jornal diário, alguma correspondência e eventualmente um bónus... uma cartinha de um familiar ou amigo, ou até mesmo uma prendinha, assim sem contar! O que não acontece tantas vezes como gostaria, mas "o sonho comanda a vida"... e qual cãozinho de Pavlov, assim que ouço a motoreta do Senhor Carteiro a aproximar-se, toda eu sou espuma e vontade de receber uma cartinha!
Ainda assim, esta porta já se abriu mais vezes hoje, do que em toda a semana passada... tudo porque, outra das minhas funções é receber candidaturas de pessoal, que se oferece para trabalhar aqui!
Ora, nem hoje, nem ontem, nem no mês passado e nos anteriores, sequer, estivemos a precisar de alguém para a empresa, mas eu tenho que receber as candidaturas e fico com os dados das pessoas e CV’s e não lhes querendo dar falsas esperanças, alguns trazem um ar de “Por favor arranje-me lá qualquer coisa para fazer, senão não como” de cortar o coração.
Só hoje já cá entraram seis. Todos com a mesma expressão, todos com os mesmos desejos, com a mesma simpatia nervosa e a todos eu tive que me forçar a dar uma resposta politicamente correcta: “De momento não estamos a precisar de ninguém, mas ficamos com o seu contacto e se necessário for, logo o contactamos!” – Em 99,9% dos casos sei que ninguém lhes vai ligar... em 0,01% dos casos, tenho esperanças que lhes liguem.
É duro estar aqui sentada a receber o nosso, ainda que pouco, a lamentar-me e saber que há tantos, que pelo pouco que ganho, fariam milhares!
Eu sempre disse, que “quem se queixa de barriga cheia” não conhece as dores de uma barriga vazia!
“Boa Sorte, Volte Sempre!” – Que coisa tão cruel de se dizer...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Aahh! A Maravilha do masoquismo da Paternidade!

Cá em casa somos: duas televisões, um leitor de dvd, 2 placas de internet e 3 computadores, mas o que nós queríamos mesmo era dormir uma noite inteira...

Se podíamos dormir mais se não fosse a mais pequena?!

Podíamos...
...mas não era a mesma coisa!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

LINDO!

In een andere taal..


Iedere dag, minder in het weekend en in freie dagen, kom ik hier en schrijf ik hier iets op, dat iedereen kan lezen, maar niet iedereen kan begrijpen.
Iedere dag denk ik, dat ik hier iets interessant en leuk heeft geschreven, maar iedere dag, zie ik dat hier niet…
In een blog te schrijven is iets dat ik te gemakkelijk vind… mischien hou ik een dag ermee op… maar niet vandaag.
Vandaag denk ik, dat ik hier nog een dag, iets lezen of vinden zou, dat ik am interessantsten zou vinden en dat ik interessant zou maken.
Een dag mischien…
Op een dag…

Estão a ouvir isto?! É o som do meu eco... ECO, ECo, Eco, eco...


Esta coisa de se ter um blog... é muito giro, sim senhor! Rititi, lá, lá, lá... mas às vezes dão-me assim umas ânsias e uns gómitos mal esgomitados! Provoca-me umas revoltas internas e não de entranhas... porque está certo, escrevo porque gosto e essencialmente porque me dá prazer, mas deixemo-nos de cinismos, que não estamos em épocas disto: se eu não quisesse ser lida, escrevia num diário, né?!

É que não consigo pensar em nada mais entediante do que o meu blog neste momento... passam-se textos (e não são nada curtos), e textos (mais uma vez passíveis de dar pano para mangas)... e os comentários são parcos, raros e quase inexistentes, excepção feita, obviamente aos das minhas 2 ou 3 fiéis seguidoras e comentadoras... opá... é que me dá vontade de escrever aqui as maiores patacoadas do século, só assim, a ver se tenho reacção...
Tipo:
“Não gosto de Alface!” – E tinha logo 30 comentários... “ah, eu também não”... e tal e coisa, e “tomate é que é fixe”... e “pois tás lá!”, “és uma parva, alface rules”, “ai, que não sabes o que é bom”... Mas não... NADA!
Ás vezes entro aqui e ouço aquela vozinha do anúncio da década de 90, aquele contra a sida, ou lá o que o valha... “Is there anybody out there?!!?! Uhu Uhu...”.

Enfim... das duas três:

Ou tá-se tudo cagando para as trivialidades mais ao menos bem escritas que aqui vou escrevendo, e daí que ninguém vá dar importância ao facto eu ter escrito cagando, palavra que nunca escrevi neste blog até hoje;

Ou este blog é mesmo exaustivo e diz tudo só por si... Ó pra mim toda cheia de power! E pronto, mais uma vez quem me lê tá-se cagando para o facto de eu querer ler comentários ou não... é que, mérito a mim, que respondo sempre aos vossos... mas vá... vá, que isto é só TPM e síndrome de Natal e já passa!

Olha, não comentem nada, estou-me... borrifando! (Que eu não sou malcriada! ;P)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

É Natal... não faz mal!


Na minha tenra idade, o Natal era o Pai Natal! A altura em que íamos até casa dos Avós, em que a minha tia saía por uma porta e entrava por outra para nos fazer a surpresa de deixar as prendas ao relento. O Natal era a avó a reclamar pelo avô se ter sujado todo para ir buscar um pinheiro selvagem e musgo e nos terem preparado um presépio bem à maneira! Natal era frio, passado à lareira, com torradas de pão regional e os gases do meu primo que se lhe seguiam! O Natal era quente! Familiar. Depois, não sei bem como, o Natal deixou de ser isso... se calhar até sei, o meu avô morreu. E com ele morreu um espírito de Natal e família, que não voltará jamais... porque já ninguém se arrisca a sujar as calças para ir buscar pinheiros, nem a fazer presépios, com rios e lagos de papel de alumínio e bonequinhos do presépio em barro, meios esbutenados!
Então, o Natal passou a ser deixar a bota debaixo do exaustor e esperar que a minha mãe me fosse chamar à cama na hora das prendas! Que alegria! Um Nenuco com roupinhas, um boneco a gatinhar... e a ceia... bom... dessa já não me lembro tão bem!
E foi assim que o Natal para mim passou a ser “as prendas”! Dizia sempre o que queria, mas supostamente sempre gostei de surpresas. Percorria os quatro cantos da casa em busca de prendas surpresa e chorei baba e ranho quando um Natal encontrei uns calções rosa fuscia, em malha polar, que a minha mãe adorou e me comprou... e eu nunca usei!
E depois vieram uns tempos de separação da família, em que o Natal era pretexto de voltar a casa, voltar aos meus... um pouco como o é hoje... e as prendas eram acessórias, o que eu queria mesmo eram “os meus”... mas era difícil juntá-los a todos... e hoje em dia, já não sei bem quem são!
O último Natal, antes de a minha filha nascer, fiz na minha casa uma árvore enorme, bem alta, mas não muito gorda, com uma decoração a preto, prateado e branco. Enfeitámos tudo, eu e o Rei da Casa e dedicamo-la ao nosso “José Diogo”, porque a minha filha fechou as pernas na ecografia e andámos meses a pensar nele como rapaz! O ano passado, a minha filha esteve lá, na ceia, nas prendas, e eu tentei por tudo, que o espírito de família voltasse outra vez... mas já não é a mesma família, nem o mesmo espírito! Este ano, já me convenci, que nada volta atrás... mas quero na mesma Natal com árvore, presépio, ceia, família, prendas e quem sabe... um joguito de BINGO?!
Ainda não comprei nenhuma prenda! Compro-as todas a partir de dia 18... mas como pretexto para matar saudades e não por obrigação! Em conversa com a minha Sogra esta semana, disse-me ela que quando perguntou ao meu sobrinho o que ele queria para o Natal, ele lhe respondeu: “PAZ e SOSSEGO!”. E eu pensei: “Este ao menos sai-me barato!”... Será?!

Croniquice 22ª - Minha Filha, Meu Amor - 03.12.09 no AO

Meus Amigos, só tenho uma coisa para vos dizer: ser mãe é dose! Mas é dose mesmo, daquelas de cavalo. Qual cavalo! É dose de hipopótamo. Eu amo a minha filha. Amo-a tão perdidamente e de uma forma tão forte que até dói, mas agora, o que eu não gosto mesmo nada é de ser mãe! Pronto! Disse, está dito, já foi! É que só quem é mãe sabe do que me queixo... nem é tanto da gravidez, que mesmo levando o meu corpo a limites dantescos, não me escandalizou! Também não me queixo do parto, se bem que 19 horas em sofrimento, para acabar em cesariana são demais até para o Hércules! Nem das noites mal dormidas, que 18 meses volvidos já se tornou costumeiro. O que eu não gosto mesmo no papel de mãe são o parco reconhecimento e as doenças... bem... dessas é que eu não gosto mesmo nada! Na idade da minha filha, a mais comum das doenças é sempre designada por virose! Tem febre, é uma virose. Vomita, é uma virose. Tosse, é uma virose. Fica irritadiça, é uma virose! Enfim... não sabia eu antes de ser mãe, que fosse possível que uma criança tão pequena pudesse ser dormitório de eleição para tantas e tão variadas viroses! De resto, outra coisa que não aprecio lá muito no papel de mãe é a responsabilidade! Não é que não me considere uma pessoa responsável, mas até o cúmulo da responsabilidade tem folgas semanais! Eu já fui uma pessoa extremamente fashionista, hoje em dia, contento-me em sair de casa sem mancha de leite, bolachas, baba ou ranho na roupa! É que até as tarefas mais simples se tornam conquistas quando sozinha com um bebé recém-nascido. Por exemplo, tomar banho: Acalmar bebé, check! Colocá-lo na cadeirinha, check. Bebé dorme, check! Tirar a roupa, entrar no banho, check, check. Ligar a água e espalhar o champô com a maior rapidez possível, NO check! Porque entretanto o bebé acorda com umas cólicas fenomenais, contorce-se na cadeira, chora como se não houvesse amanhã e interrompemos tudo! Bebé ao colo, check. Música para acalmar, check. Bebegel, check. E quando damos por ela, estamos nós em verdadeiro Xeque-Mate. Gosto muito daquelas senhoras que dizem que a maternidade não mudou nada na vida delas, mas fico sempre curiosa, pensando em quem é que estará a tomar conta dos filhos delas!? Porque sei que elas não estão de certeza! Cinema acabou. Saídas à noite, jamais Salomé! E mesmo para ir ao Circo, ao Café ou ao espectáculo do Ruca, sei de casamentos cujos preparativos demoraram menos tempo! Ainda assim, a minha filha foi a melhor coisa que me aconteceu na vida! Já ser mãe...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Zzzzzzz....


Estou tão cansada, que tenho dúvidas até na ortografia desta palavra!
CaN-Sa-Da.
Muito!
Nem foi tanto por ter passado a noite em branco, mas mais pela preocupação desgastante com a pequenita, que nos surpreendeu às 2 da manhã com um banho de regurgitação assustador. A minha hora de almoço foi passada a pôr a casa em ordem, abrir janelas para arejar colchões e ambiente interior e pôr uma máquina cheia de roupa de cama, dela, nossa, toalhas e afins... tudo aquilo que não tinha pernas e que mesmo que as tivesse não teria conseguido escapar da fúria daqueles jactos assustadores...

A cada queixa um suplício, uma dor de impotência, de não puder fazer nada para a ajudar. A cada suspiro um abrir de olhos, um palpitar mais forte e é assim que este coração de mãe vive em constante agonia!

Preciso de férias...
como é que isso se escreve mesmo?!
FÉ-Ri-As...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A Vergonha do Amor


Hoje em dia, já estou mais para o Romântico-Realista do que para o Romântico-Naturalista, que em tempos fui... Está certo, também muitas fases tive em que era mais Romântico-Decadentista ou Romântico-Existencialista, mas depois de ter conhecido o meu marido na minha fase mais Romântico-Nihilista de sempre, convenci-me de que o Amor é uma dádiva. Assim sendo, não adianta procurá-lo, ou nos é dado, ou não nos é dado de todo! Desculpem lá os cépticos destas visões mais práticas e redutoras acerca do amor, mas a verdade é que o Amor verdadeiro, aquele que parece que vai durar para sempre, não é conquistado, esse amor é-nos dado e cabe-nos a nós, agarrá-lo, ou deixá-lo fugir... e tenho para mim, que realmente, nestas coisas do Amor, não há muitas segundas oportunidades de apostar tudo na “chave de ouro”!
Muitas vezes eu própria me auto-censuro de ter estes pensamentos Romântico-Realistas, porque é muito mais utópico e maravilhoso pensar que se poderia trocar tudo na vida, por um dia de ilusão, mas a verdade é que a vida, se não a trocarmos por nada, tem entre muitas outras coisas, muitos dias de ilusão para nos oferecer!
Há algo que me aborrece nas pessoas que dizem que “ainda não encontraram a sua alma gémea”, ou que “ainda procuram o seu verdadeiro amor”, assim como se procura o penteado ideal para nós ou a carreira de sonho, ou a casa ideal. TRETAS! Digo-vos, isso é tudo uma GRANDE TRETA! Nunca se encontra o verdadeiro amor, nunca poderemos saber se já encontramos ou não a nossa alma gémea, se é que isso existe... e enquanto nos perdemos neste estúpido existencialismo do amor naturalista, o amor realista passa-nos à frente e a gente nem o vê! Por isso, ainda me espanto quando penso na sorte que tive, não em conhecer o meu marido, mas em não o ter deixado passar-me apenas à frente dos olhos!
Outra coisa que me aborrece é a sensação de posse, que toma conta das pessoas numa relação, sobre o “objecto” amado, quando nada nesta vida nos pertence... muito menos alguém! “Ninguém é de ninguém”, cantarola o outro com aquela vozinha de panisga, mas tem muita razão no que diz! Porque não somos de ninguém... e o que lixa tudo nestas certezas que sempre queremos ter nas relações monógamas é que não aceitamos a quebra da cláusula de exclusividade do contrato imaginado, porque: “assim perdemos o amor da nossa vida!”. Eu, da minha parte, folgo em dizer, que tenho vários amores na minha vida, um deles, é óbvio, é o meu marido, por quem tenho outros sentimentos, para além do amor, esses sim, mais que exclusivos, paixão, atracção, outros acabados em “ão”, mas por quem tenho também sentimentos, não menos importantes, mas não exclusivos, respeito, carinho, admiração!
Tudo isto para dizer o quê?! Que me revolta, que em nome do Amor, se cometam actos mais gravosos, danosos e letais do que na Guerra e para dizer que não acredito, que no Amor valha tudo! Muitas vezes porque nós próprios é que nos convencemos que há amor, onde de facto, se calhar ele nunca esteve! Porque amar, não é achar que não se podia viver sem a outra pessoa, é saber que se podia, sim! Mas é saber também, que essencialmente se teria uma existência bem mais infeliz e menos completa!
Quem morria de amor, eram as mulheres dos Séculos passados, consumidas pelo desgosto e pela tristeza, deixando-se definhar sob pretexto desse sentimento, quando na verdade, se assim o faziam é porque não tinham mais nada para o que viver... eram vidas vazias, sem grandes interesses, limitadas por uma sociedade, que lhes fazia crer que a família era tudo, e sem marido, não havia filhos, e sem filhos, não havia família e logo, não havia razão que sustentasse a sua existência... e todos sabemos que não há vida, quando não há razões dentro de nós para a haver! De resto, eu quero crer, que as vidas das mulheres deste Século estão pejadas de razões para elas viverem, e que todos sabemos, que há filhos, mesmo sem marido, e que também há maridos, mesmo sem filhos! Tanto jogo de língua, para tentar dizer aqui, que por A + B eu acho que a minha existência sem o Amor do meu marido não seria a mesma, mas sei que continuaria a existir! Porque Amar demais é perigoso, amar sem noção dos limites do amor e das relações, também... e no fundo, tenho pena que as pessoas se aproveitem do pior que o sentimento do Amor desperta nelas e se limitem a fazer cumprir a sua vontade sobre a vontade de quem pensam que amam, mas não amam de facto... Porque amar, às vezes, também é deixar partir! Uma mãe, sabe bem disto, e não me parece que haja no mundo sentimento de amor, mais forte, do que o Amor de uma mãe pelos seus filhos. Hoje, que estou longe da minha mãe, tenho por ela uma amor mais forte do que pensava que tinha quando a tinha por perto, porque nunca devemos tomar o amor como garantia, porque o amor não a tem! Assim como também não há prazo de troca para amores com defeitos, porque o limite desse prazo é o limite desse mesmo sentimento!
Acho que se tivéssemos mais Romântico-Realistas neste País, tínhamos menos fatalidades cruéis em nome do Amor:


“Vítima de violência doméstica durante anos a fio, Maria Manuela Costa sempre sofreu em silêncio. E a madrugada de ontem voltou a ser de pesadelo mas, logo pela manhã, a mulher de 35 anos encheu-se de coragem e foi à GNR de Montemor-o-Velho apresentar queixa. Encaminharam-na para o hospital, só que o marido, ex-fuzileiro, seguiu-a e foi matá-la com dois tiros de caçadeira, dentro da ambulância, em frente ao posto.”


Para mim, não tem perdão, nem há arrependimento possível. Para mim, o pior castigo será este ANIMAL olhar nos olhos da filha de 5 anos para o resto da vida dele e ver que a privou do maior amor, que alguma vez a vida poderia ter oferecido a esta criatura inocente, a quem ele deu a vida, mas negou tudo o resto!


Não tem perdão. E isto, não foi um acto em nome do Amor. Quem comete um acto destes, não tem pingo de Amor no coração!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Carta ao Pai Natal...

E ainda há quem diga, que o Hip Hop é vazio de conteúdo... TzTzTz! Ouçam lá esse! ;)

Teoria da Conspiração dos Brinquedos...


Chega a altura do Natal e chegam os catálogos de brinquedos, as publicidades fabulásticas com kits para os bonecos, que eu nem sequer para a minha filha tenho e às tantas dou por mim a comprar-lhe o Nenuco Banheira e o Nenuco Massagens e o Kiklá da Chicco, com os kits de muda, fralda e marsúpio e penso de mim, para comigo, se não saía mais barato ter outro filho em vez de todas estas criaturas de borracha lá em casa! Enfim... mas logo, me passa quando me lembro que estes, apesar de poderem chorar, fazer xixi, cocó, mamar no biberão e comer papinhas a brincar, trazem com eles, um botão que dá um jeitaço... assim aquele que diz ON e OFF! OK, mas não foi tanto a parafernália de brinquedos à disposição da canalhada de hoje em dia, que me motivou a escrever hoje. Aquilo que eu tenho constatado, é que, por norma, os brinquedos favoritos da minha filha são mesmo aqueles de aspecto mais dúbio, que levou um dia o meu afilhado a corrigir-me, do alto dos seus 4 anos e dizer: “ Madinha, não é O Noddy, é A Noddy!”, ao que eu prontamente respondi: “Não querido, é O... é um menino!”. “Menino?!” – diz ele - “Olha, tem petanas compidas e xapatos com lacinhos! É a Noddy!”... Pois... por esta é que eu não estava à espera, e de facto, quando comecei a olhar bem para o boneco, aquilo tem muito de transgénero... Foi aí, que aproveitei a deixa, para lhe explicar o conceito de Metro sexualidade! Portanto, aos quatro anos, o meu afilhado ficou a saber que o Noddy era um menino, mas um menino fashion! Um metro sexual! Desta vez estarei prevenida e em relação à minha filha, se dúvidas surgirem darei a mesma explicação. É que nos dias que correm, com tanta Manuela Moura Guedes e Castel Branco por aí à solta, quanto mais cedo eles aprenderem estas coisas melhor!
Mas voltando à bonecada. O Noddy, está mais que visto, deixa grandes dúvidas quanto à sua sexualidade, já para não dizer, que é um menino, que conduz um táxi, numa cidade de ursas, macacas, velhos e lápis de cor falantes! Vá-se lá perceber! Depois temos o Ruca, bonequinho do qual sou mega fã, porque transmite boas lições de moral e é giro e tal e tal, tem uma família feliz, com direito a mamã carinhosa, pai que ajuda nas tarefas domésticas, gato, que até nem suja muito e uma maninha fofinha com nome de flor! Aliás, levei a minha filha com 8 meses a ver o espectáculo do Ruca e ela delirou... simplesmente, me deixa na dúvida o facto de aquela criança ser saudável, o que me preocupa... já alguém reparou que o Ruca com quatro anos é carequinha como uma cebolinha, sem uma pontinha de cabelo para amostra e que ninguém parece reparar! É que até o avô dele tem mais cabelo... o pobre! Depois temos outra, não menos sinistra, mas muito amada bonequinha, a famosa Hello Kitty! A minha filha tem de tudo com essa gatinha, roupa, carteiras, mochila, triciclo, ganchos, fitas, bolachas, dvd’s... enfim, é a Kitty mania lá em casa! Para ela, a “TiTTy”! Mas quando começo a reparar bem na “Titty” dou por mim a pensar qual será o fascínio por uma bonequinha de desenho tão rudimentar, com amigos também rudimentares e de espécie igualmente indefinida, que dão pelos nomes de: “Cinamorol” e “Pompompourim”, ou lá o que os valha! Já para não falar que na maior parte das vezes em que a Kitty aparece em “merchandise”, só aparece a cabeça da mesma... não é tão macabro como a musiquinha do “Atirei o pau ao gato”, nem a do “Eu peço ao Sr. Barqueiro que me deixe passar, tenho filhos pequeninos acabados de criar... passará, passará, mas um filho ficará, se não for a mãe à frente, vai um filho lá de trás”, mas não deixa de impressionar se pensarmos nisso! Yiaiks!
De resto, nem vale a pena falar da melhoradas e assiliconadas Popota e Leopoldina, que depois deste Natal nunca mais serão as mesmas, a Popota deu uma de Kuduru e resolveu adoptar o estilo Caminho da Índias meets Marylin Monroe, meets sluty Hippo... a Leopoldina, desde que viu a Angelina na Tomb Raider, nunca mais foi a mesma!
E agora digam-me, andamos nós a educar canalhinha linda e decente, para este mundo lhes pôr nas mãos e vistinhas aos dois aninhos de idade toda esta “pouca vergonha”! Não se faz... Não se faz!

P.S. – E eu já nem vou falar na falta de órgão sexual do Nenuco... porque bom, com esse nome... estava-se mesmo a ver, né?! (Nenuco/Eunuco – será mensagem subliminar?!)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Croniquice 21ª no AO - Direito de Resposta - Não é defeito. É feitio! - 26.11.09


Pai e Mãe serão sempre pai e mãe, até ao final dos nossos dias, até quando já estivermos pejados de brancas e rugas e encolhidos de dor ciática, que nos impossibilite de fugir ao Alzeihmer, que sempre anda à roda, nessas alturas para nos apanhar! E por isso, quando a minha mãe me ligou há tempos, comentando um dos meus textos, aqui publicados, pediu com jeitinho que eu escrevesse coisas mais “meiguinhas” e românticas, sob o risco de quem me lê pensar que ando de mal com a vida! Preocupação válida de mãe, mas inválida para mim, que não querendo correr o risco de aqui muito me expor, lá o vou fazendo aos bocadinhos todas as semanas! Mas vá, que eu sou uma querida e tenho apreço pelos meus dez leitores regulares, aqui fica o testemunho verídico e não ficcional: estou de bem com a vida gentes, alegrem-se! De resto, esta semana, e depois das recomendações de mãe, vem o “puxão de orelhas” de pai, que sendo aquilo que de melhor exemplar de pai pode haver, se sentiu afectado pelo meu estado de crítica constante aos homens! O que ele não percebeu é que eu não critico só os homens, e muito menos critico, todos os homens, não é questão de género! Eu critico estereótipos, independentemente do sexo! Bom, já sei, não se faz, pimenta na língua para a menina, mas a verdade é que são alvo fácil e de ainda mais fácil reconhecimento da parte dos meus leitores! Assim, faz muito mais sentido se eu escrever aqui sobre algo que todos sabemos que existe, (ainda que possamos nunca admitir, que somos alguém assim), do que falar sobre ideais de homens príncipes, quando todos sabemos que a cavalaria já há muito se extinguiu! Outra coisa, que o meu querido pai se esqueceu, foi talvez dos valores mais importantes que me incutiu, a noção de que a minha existência enquanto mulher é tão válida quanto a existência de outros seres enquanto homens! O que ele não me disse, é que no fundo, e para a Sociedade em geral, a coisa não se pinta bem assim, e que este continua a ser um mundo amigo do homem, governado maioritariamente por ele e com leis favoráveis ao seu género! Muito se tem feito, para combater esta tendência secular, e do que de mim depender muito se continuará ainda a fazer! Outro mito que tem que se desfazer em relação à Mulher a 1000/h é o de que ela é feminista, que não é bem assim! Tendenciosa, talvez, mas cada um fala do que melhor conhece, ou não será assim?! A questão não está em achar que os homens não valem nada, mas sim em achar que as mulheres poderiam actualmente valer bem mais!

terça-feira, 24 de novembro de 2009


Na ilha de S.Miguel em que o vento é pródigo e abundante, quase me esqueço das minhas associações aos ventos fortes, mas raros, que se faziam sentir na baixa do Porto, que para além de prenúncio de mudança do tempo e indicador de dores nos ossos e maleitas musculares era para mim, acima de tudo um aviso... um aviso de mudança! Um vento forte, daqueles que nos despenteia o cabelo e nos levanta as pontas do casaco, um vento daqueles tão intenso, que ao atravessar a ponte D. Luís a pé, quase não nos deixava sair do sítio, para mim era sempre indicador de que vinha mudança por aí. E por mudança, entenda-se, mudança na minha vida, algo que a Sorte ou o Azar trariam no bico em breve! E assim, passei a detestar o vento, a temer esses vendavais descontrolados e fortes, que escapavam à minha força e vontade. Quase sempre, esse vento trouxe mudança. Nem sempre esse vento trouxe mudança da boa, mas maioritariamente acabou sempre por me tornar melhor! Hoje, aqui na Ilha, está um vento tremendo, com um tempo em tons de cinzento e um manto azul escuro, que teima em não pousar de vez no céu, deixando escapar pequenas infiltrações de luz azul celeste. Mas o vento, o vento, esse é forte e o meu medo cresce com cada lufada que traz.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

É ao som desta música, que mais que muitas vezes bate o meu próprio coração!

Pego em ti nos meus braços, levanto-te bem alto e danço contigo que nem uma louca, ora pulando, ora rodopiando, o teu sorriso valeu por todos os meus dias, as tuas gargalhadas foram o combustível de todas aquelas noites e todos aqueles dias e todas aquelas preocupações e sufocos!

Quero que sejas feliz!

Quero que sintas o bater desse teu coração.

Quero um mundo maior e maior e melhor e mais forte e mais puro e mais sincero e muitos abraços para te receber!

Quero que todos conheçam de ti esse teu sorriso de coração para fora, essa tua gargalhada sonora pura e eu que eu estarei sempre lá, seja para a fazer despertar, seja para a apreciar, seja para me lembrar que ela existe... não quero que te vendas, nem ao dinheiro, nem ao luxo, nem à dor, não quero que reste pó de pobreza à vista, nem de fome, nem de ódio... só amor!

Porque por ti... sinto bem mais forte e a cada dia que passa este meu fraco coração bater!

Can you feel my heart beating?!

Hope you do...

Bê à Bá da Geografia de Portugal


E que tal começarmos a semana com uma Lição de Geografia?! Humm?! De borla e tudo! Vá, só desta vez, e porque vocês são amiguinhos e eu não quero aqui leitores mal informados! Vá lá ver então... ontem, nas notícias, deram nota de um cargueiro encalhado nos Açores, com seis cavalos Lusitanos a bordo. Curiosos, tanto eu, como o Rei da casa, queríamos saber onde... já nem tanto a cidade, ou localidade, mas já nos servia a ilha... e nada! Acabou a notícia e falou-se sempre em Açores, Açores, Açores... mas, meus amigos, os Açores não são uma ilha! São um arquipélago, que é o mesmo que dizer, um conjunto de ilhas! 9, para ser mais precisa! Nós estamos em S. Miguel, grupo oriental, mesmo ao lado de Sta. Maria, o Algarve cá do sítio! No grupo central temos mais 5 ilhas: Faial, Graciosa, Pico, S. Jorge e Terceira. E no longínquo grupo ocidental ficam as maravilhosas ilhas das Flores e do Corvo! Dizer que um cargueiro encalhou nos Açores é tão ilustrativo como dizer que um camião teve um acidente no Norte do País! Humm! Got the point! Então vá lá ver se se faz justiça a este cantinho que também é Portugal! E não... não temos cá o Alberto João Jardim, isso são aquelas outras duas ilhas de Porto Santo e Madeira... nós cá temos um César, que diz que também é Carlos!
Se eu podia ter escrito sobre outra coisa qualquer para começar a semana?! (...) Podia, mas não era a mesma coisa!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ladaínha de Fim-de-semana...


Vantagens de se ser a única mulher neste escritório: passo o tempo sozinha, vão todos jantar e ninguém se lembra de me convidar... humm... para além disso, não estou a ver mais nenhuma, não! “It’s a man’s world...”!!!
E com isto parto para fim-de-semana, que ontem levei um “puxão de orelhas” do meu pai, que me acusou de só falar mal dos homens! Realmente, não se faz... o que vale, é que a mim, a carapuça não me serviu... porque eu não falo SÓ MAL dos homens... também falo das mulheres e de outros homens, de quem às vezes até digo bem! Pois é Pai, às vezes, para se falar um bocadinho bem é preciso falar-se muito mal antes!
Bom Fim-de-Semana a Todos!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Mea Aventura, mea culpa...


Eu sou daquelas pessoas que nunca se lembram de carregar o telemóvel, nunca fixam datas de aniversário, não verificam o saldo da conta com regularidade, não fazem mapas de gastos diários, nem conseguem planear uma ementa semanal para a família.
Sou daquele género de sonhadora utópica para quem pagar contas para além de obrigação é maçador, para quem calcular juros ou taxas é um tédio de morte e que não tem a mínima predisposição para fazer listas de compras ou respeitar organizações de armários e gavetas!
Também sou menina - mulher o suficiente, para tendo um medo e asco terrível a aranhas, baratas e bichinhos viscosos ou rastejantes, nunca ter coragem de os esborrachar! Não é por acaso que a minha filha ganhou fobia a moscas e ciscos.
Tenho muitas outras qualidades, mas sempre muito mais abstractas. Naquilo que diz respeito a finanças, dinheiros e tarefas da ordem do dia, eu sou aquilo a que podemos chamar: um zero à esquerda e à direita, que já agora também tenho dificuldade em identificar com prontidão!
Assim sendo, e consciente de todas estas minhas limitações, assim como uma propensão minha, quase natural para chegar atrasada, hoje, fiz questão de não me atrasar para o emprego, até porque era dia de ter patrão no escritório! Saí de casa dentro do limite das horas, apanhei uma tempestade de Adamastor e fiquei presa num inacreditável trânsito, que se fez, não sei bem como, nem porquê, no centro da cidade de Ponta Delgada! Assim, quando deixei a Babe na Creche, e olhando para o depósito do bólide, quase a rasar o vazio, decidi arriscar e avançar caminho e não parar na “casa partida” para abastecer os habituais 20 Euros! Sim, porque se há outra coisa que sou incapaz de fazer é encher o depósito. E, de facto, uma outra coisa que sou muito bem capaz de fazer, é esquecer-me de abastecer! Advertida pelo Rei da casa, vezes sem conta, em relação a este assunto, levei uma estalada do destino quando me vi parada no meio da auto-estrada sem gasolina, sem bateria no telemóvel, atrasada e no meio do dilúvio de Noé! Terror, medo, frustração e eis senão quando uma simpática carrinha da assistência rodoviária pára mesmo atrás de mim. Assim, tive direito a uma viagem sem cinto naquela carrinha, a ouvir o senhor de aspecto curioso a contar as aventuras a que já assistiu nesta estrada, rir-me do seu ânimo ao dizer que salvou um cavalo que caiu de um muro para o meio da estrada e desmaiou, apenas e só e ficar assustada com o ar de gáudio do mesmo sujeito ao contar de um acidente em que até ficou com sangue na camisola! Meeedo. Mas entretanto já tínhamos chegado à bomba de gasolina e ele prontamente sacou de um garrafão de plástico, encheu de gasolina, paguei-lhe um café, ele ofereceu-se para me abastecer o carro, o que eu agradeci, porque não fazia ideia como fazê-lo com um garrafão e ainda me disse para ficar na carrinha e não apanhar chuva! Mas eu, não... nada disso, então, estava curiosa, queria ver, apesar da torrente! Assim aprendi o que fazer com uma cana, metade de uma garrafa de plástico e um garrafão com 5 Euros de gasolina s/chumbo 95!
Depois de toda a emoção, perguntei-lhe quanto lhe devia... disse-me: Nada! Nada?! Não, nada disso, pegue lá isto! Agradeceu, partimos os dois e quando sacou da câmara fotográfica para registar a viatura, disse-me entre dentes... “é para motivos de estatística!” – E agora eu pergunto... serei só eu que desconfio quando a esmola é grande demais?! Hummm...

19.11.09 no AO - "Quem quer casar com a Carochinha?"


Acho imensa piada aos homens! A sério que acho! Até me dá vontade de rir, cada vez que os ouço queixarem-se do tédio que é ter que fazer a barba todas as manhãs! Imagino que seja uma chatice, todo aquele processo de esfregar creme, passar lâmina, lavar a carinha... e ui, que arde tanto este after-shave! Mas piada tinha mesmo era eles serem socialmente “obrigados” a fazer a depilação em tudo o que é cantinho sensível e recôndito do corpo humano, sem sequer soltar um “ai”! Também acho imensa piada quando se queixam da dureza que é a vida deles como trabalhadores. Eu também me queixava, os pobres! Mas quando chegam a casa e se sentam no sofá de papo para o ar, enquanto a Maria trata dos filhos, faz o jantar, come, lava a loiça e arruma tudo, aí já não me fazem tantas cócegas! Até porque, diga-se de passagem, que a maior parte das Marias também teria vontade de relaxar de barriga a apontar para o céu depois de um duro dia de labuta! É que para eles é muito complicado, temos que entender, manter uma carreira e ainda assim ter família... é uma grande responsabilidade! Engraçado é que a ginástica de gestão de todas essas tarefas em simultâneo raramente seja feita por eles, mas sim, “pela grande mulher, que sempre há atrás de um grande homem”! E uma vez, que a ironia é um miminho e que ainda não paga imposto, eu já me consolava só de poder partilhar com eles alguns meses de gravidez e umas poucas, poucochinhas das dores de parto, que senti! Qual Epidural, qual quê... que esta vida não está para anestésicos! Mas agora a sério... tenho imensa pena deles, mesmo, é que até nem durmo ao lembrar-me daquelas noites em que num jantar com uma série de outros casais com filhos, eles acabam todos estrategicamente por se agrupar num espaço “child-free”, mas sempre atentos: “ Amor, olha a menina! Querida, o pequeno fugiu.”. Gosto especialmente quando dizem em tom de consolação: “ Eu juro-te, nunca seria capaz de fazer o que tu fazes!”. Pois olha só, que amor! Isso sei eu hoje, que se o soubesse ontem, em vez de casar contigo tinha era arranjado uma esposa... um ser fiel e incansável, que lidasse com a sua vida própria, manobrando ginásticas impensáveis de vida doméstica e profissional, enquanto me dava tempo para mim e para a minha carreira, sem muitos “reclamanços”. E claro está, sempre sem me tirar o direito à minha família! Graças a Deus, nem todos os homens congelaram no estágio do Australopitecos, mas porque é que nem todas as mulheres se dignam a ser sapiens sapiens?!

You're too sexy for my Blog!


Acabo de receber mais um selinho... e à terceira é de vez! Então não é que desta vez fui premiada pela Sexydês do meu Blog! Lindo...

O que me levou a pensar em razões porque este blog possa de facto ser sexy... Ora, eu, fã da retórica e da argumentação, cocei a cabeça, expulsei a piolhagem das trivialidades e chego à conclusão de que este blog pode e deve de facto ser sexy, no sentido de atraente, cativante, sedutor, até porque não seria 100% feminino, se de facto não fosse tudo isso e muito mais!
Art, gaja, OBRIGADA! Adorei! :)

Aqui fica o selinho e passo a 3 outros blogs sexy, como manda a lei:

Art – mais do mesmo de volta!
Carrie – pega lá que é doce!
– para provar, que mesmo as mulheres que gostam de futebol, podem ser Sexy! ;)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Isto não é um baby fashion blog...


... mas tenho que desabafar...
Alguém me explica porque é que eu saio para ir ao Shooping “tratar das vistas” e ver se compro umas coisinhas para mim, tipo uma carteira de inverno ou uns leggings fashion e acabo sempre, mas sempre por não comprar nada para mim e me perder na secção de crianças?! É que é flagrante!
E eu, eu ainda me lembro do tempo, em que a Miss Self Centered aqui só comprava tudo o que era peça mais gira das últimas colecções, ou peças de avanço de estação e nunca saía de casa sem a carteira a condizer com o calçado, ou um casaco a dizer com a echarpe... tztztzt... essa Sílvia morreu e nasceu uma caretona e kitsh mamã, que só se lembra de embonecar a cria, com tudo aquilo que ela daqui a uns anos vai odiar e criticar nas fotos que vir!
Ai Senhores, alguém me diz onde está o botão de rewind?! É que eu já sabia que os objectivos mudavam, quando se vira mãe, mas que mudavam TANTO assim... isso já é demais! E ainda por cima, estou com uma vontade de MORTE de vos mostrar o que lhe comprei... sou só eu que me perco de amores pelo estilo Baby Zara Home?! (Publicidades aparte, é claro!) – Ter meninas é do pior... eu sabia que devia ter sido mãe de um rapazolas de chuteiras e fato de treino... enfim! Aqui ficam para Vossa consideração “As Comprinhas “!