
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
É OFICIAL...
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Prendinhas de Natal...

O CONTO DO NATAL, por Sílvia Martins
Não foi só por uma vez, mas foi por mais de duas e muitas mais vezes do que três, que o Natal se portou muito mal. O Natal era um menino, com outro menino qualquer, que bem podia ter sido chamado de João, José, Bernardo ou Vishal, era igual, mas que por ter nascido no dia 25 de Dezembro recebeu o nome da época, tal e qual: Natal.
O Natal tinha cabelinhos loiros, encaracolados, bochechas rosadas e um aspecto muito angelical. Talvez por isso fosse tão difícil acreditar, que onde quer que ele fosse, agisse como um vendaval. Falava muito alto, berrava de modo descomunal, cantarolava nas aulas e assobiava como se estivesse num musical. Fazia birras na rua, não gostava de banhos, nem do carnaval, não comia a sopa e só queria chocolate, numa quantidade abismal! Não gostava disto, daquilo, daquele, do outro… que coisa! O Natal era mesmo pouco cordial.
O Natal não tinha muitos amigos, mas tinha muitos brinquedos… o que visto assim, para qualquer menino normal, seria uma coisa muito triste... afinal, para que servem os brinquedos, quando não se tem ninguém com quem brincar?! Mas para o Natal, isso parecia não ter nenhum mal. Não lhe fazia diferença e era-lhe tudo igual. “Mal, mal, mal… está muito mal, menino Natal!”. A sua mãe, de olhar maternal, esperava que um dia o seu filho mudasse, antes que fosse tarde, antes que todos se recusassem a brincar com ele… antes que a solidão fosse enfim, o seu final.
“Quero um carro do Noddy, e uma pista do Cars, e a plasticina do Ruca e o dinossauro também, quero um jogo dos Gormitis e um Ferrari vermelho, quero uma bicicleta do homem aranha e um carro a motor… eu quero, eu quero, eu quero!”… “Ah… e um barco e um avião também.” – dizia ele à sua mãe! Mas a mãe estava farta, de tanto pedido e de ele não ser nada querido. “Tens que mudar, parar de berrar, não te quero a chorar, a saltar, nem a ralhar… tens que aprender a brincar… com menos brinquedos… ah, e já agora, uma vez que o Pai Natal está a chegar… bem que lhe podias prometer, que ias aprender a dar!”. Dar. Dar, dar, dar… mas dar o quê?! A mãe estava choné… só podia… e não… não ia tomar banho, nem lavar a cara, nem a mão, nem o pé! “Olha, sabes que mais, eu gosto muito do cheiro a chulé!”. Mal, mal, mal… isso está muito mal, menino Natal!
O Natal não mudou… assim continuou até ao dia 24 de Dezembro, dia em que o Pai Natal ia lá a casa. Mas o Natal não lhe deixou bolachinhas, nem leite, nem nada… e colocou pregos na lareira, e esqueceu-se de lhe deixar a meia… então, nessa noite, depois de o deitar, a mãe foi para a sala a chorar… quando o Pai Natal lá chegou, e com ela se deparou, perguntou-lhe o que se passou e ela lhe contou!
O Pai Natal decidiu então… não lhe deixar prendas… NÃO… nessa noite… o Pai Natal deu-lhe um sonho! Sim, um sonho. Enquanto o Natal dormia, na sua cama revolta, o Pai Natal tocou-lhe na testa e levou-o a dar uma “volta”.
O Natal começou então a sonhar, que tinha acabado de acordar. Berrou pela mãe e ninguém respondeu. Berrou pelo pai e ninguém lhe valeu. Levantou-se aos pontapés e não viu ninguém a lés! Talvez estivessem na sala… correu à velocidade de uma bala. Mas não viu ninguém. Não estavam em casa. Por onde andariam?! De repente sentiu fome… e correu para o armário, mas não havia chocolates, nem sequer as tostas do seu avô Mário. Talvez no frigorífico houvesse algum leite… mas a única coisa que lá estava era uma sopinha de grelos com uma pinga de azeite. “Yack”, pensou, “nem por sombras”… “se calhar os meus pais foram mas é às compras”! Decidiu sentar-se no sofá, em frente à televisão… mas não dava nada a não ser uma imagem negra com um grande barulhão.
O Natal começou a ficar com medo… é que já não era nada cedo! Talvez os seus pais se tivessem fartado… quem sabe se teriam ido embora, para nunca mais voltar?! Não podia ser… ele não queria acreditar! Se ele pudesse, teria feito tudo diferente, só para poder voltar a ter ali gente. A fome era tão grande, que se levantou e comeu a sopa toda, pingo a pingo… até lambeu a colher… e foi nesse instante, que o Natal acordou!
Afinal tinha sido tudo um sonho. Um sonho mau. Um pesadelo… ou talvez não… talvez aquele sonho tivesse sido para ele, a sua grande lição! Chamou pela mãe, sem berrar, deu-lhe um beijo. Agarrou-se a ela e pediu-lhe desculpas, por tudo o que tinha feito de mal até aí. Procurou o pai e disse-lhe que não queria prendas… naquele Natal, o que ele queria mesmo… era um dia especial! A partir desse dia, o Natal mudou, aprendeu a dar, partilhar e a ajudar! Nunca mais fez birras (só em situações excepcionais) e viveu com os pais, muitos e felizes Natais!
Pozinhos de perlimpimpim… esta história só chega ao fim… quando também tu fizeres assim!
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Natalices - amanhã no AO
No Natal as pessoas dão… sempre… qualquer coisinha, umas meias (ou peúgos), umas cuecas, uns pijamas, uns perfumes ou qualquer coisa que o valha. Há os tios que dão sempre o mesmo, os tios que dão as coisas fixes e os pais, que dependendo das notas, nos iam dando o que lhe pedíamos! A partir do momento em que temos filhos, os pijamas e os peúgos passam a ser entregues directamente aos nossos rebentos (as coisas fixes também) e nós recebemos, com alguma sorte uns ferrero roché e com menos uns bombons de licor que nos desarranjam o ventre por completo!
Natal é dia de rabanadas e de crianças com dedos a colar… na melhor das hipóteses trazem também uns fios de aletria colados na cara e uns pós de canela espalhados na roupa! O bacalhau na mesa aquece a alma dos convivas e os que não gostam… levam com peru, que faz bem melhor à carteira! O primo ralha com a tia, a tia ralha com a avó… depois há sempre aquele que se entusiasma e rega demais o fígado, aquele que adormece no sofá e as que ficam na cozinha! Se tudo correr bem, só uma criança é que vai para a cama com o “corpo quente”, se tudo correr como previsto, vão todas! Depois, os pais aconchegam-lhes a roupa na cama e os ralhetes e lágrimas são “atirados” para debaixo do travesseiro. No Natal, há muito quem tire férias, mas mesmo que não as tirem, os dias passados em casa sabem bem a elas!
Um Natal sem discussões, sem quezílias típicas do seio familiar, não é Natal. Um Natal sem rabanadas também não. O Natal cheira a canela e a frio e a grelos e a primo desleixado que se esqueceu de trocar de meias!
Eu tive a sorte de ter sempre Natais assim, com família e comida… e mesmo com todos os arreveses, discórdia, barulho, calorias em excesso e crianças movidas a açúcar e prendas e mimos a mais, acho que todos deviam ter direito a um Natal assim! Que a magia dos Natal vos entre porta adentro a mil à hora e a paz fique para o resto do ano! Que todos os vossos sonhos se tornem realidade… mesmo aqueles que não vos couberem no sapatinho! Oh, oh, oh… Natal, eu aqui vou!!!
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Brinde ao optimismo na nação dos cépticos - Hoje no AO
O cepticismo e descrença em relação ao estado das coisas é tanto e de tal forma, que se questiona tudo e todos! Dificilmente acreditamos em alguém e o espírito que mais vigora no dar é a velha máxima de que quando a esmola é demais, o pobre desconfia. Não querendo com isto implicar que todos os portugueses são pobres, mas antes que alguns pobres são portugueses.
O “tuga” chegou ao cúmulo de que se encontrasse uma lâmpada mágica, igual à do Aladino e de lá saísse um génio, que lhe oferecesse três desejos, a primeira reacção seria perguntar pelo lugar onde estava escondida a câmara dos ‘Apanhados’ e a segunda era se tinha que declarar ao estado os desejos e, por fim, a taxa de juro que o génio lhe ia cobrar! Enfim, estamos assim em pior estado do que os velhos do Restelo, num estranha-se depois entranha-se da crise de proporções paquidérmicas que se instalou entre nós. Duvidamos do governo, dos governantes, dos governandos e dos desgovernados, de Deus, do Papa, dos padres, do país, da Europa, do capitalismo… chegamos até à vertiginosa loucura de duvidar da própria Democracia. Está instaurada a crise de valores que ameaçava, que incubava em nós desde os princípios da busca da nossa identidade enquanto ser social! Nunca o velho dogma do “Quem somos? Onde estamos?! E para onde vamos?!” foi tão pertinente e esteve simultaneamente tão em aberto como nos dias de hoje!
Os telejornais dizem ou fazem aparecer as palavras “crise”, “austeridade”, “desemprego” ou “fome” a cada meio minuto… os psicólogos e psiquiatras esfregam as mãos de contentinhos, com as depressões que se avizinham, convenientemente amparadas pela época natalícia, época da reunião de família… de dar… e receber!
Mas o que todos parecem esquecer-se é que ainda há muito que é de borla nesta vida… verdadeiros anti-depressivos bem à medida de qualquer carteira, por mais mofenta e vazia que esteja… beijar, andar descalço, sentir frio e depois calor, correr e sentir o coração a pulsar dentro de nós, rir, gargalhar, partilhar, ouvir alguém, sentir o seu amor, afagar o pêlo de um animal, senti-lo arfar, ver crianças a brincar e saber… saber que por mais crises, por mais desemprego, por mais austeros que sejam estes e outros orçamentos vindouros… há coisas que só dependem de nós, como encarar a adversidade com espírito de desafio e as dificuldades como “pedras no caminho”! Porque a necessidade aguça o engenho e arregaçar as mangas e ir à luta é menos lastimável do que chorar sobre o leite derramado! E sabem que mais?! Mesmo não sabendo o que o amanhã trará, estou fartinha de sentir pena de nós todos! Por isso, hoje, enquanto o amanhã não chega, aproveitem para ler um bom livro, ouvir a música que gostam, escrever as vossas mágoas, cantar a plenos pulmões, abraçar muito, rir mais ainda e se puderem ajudar alguém, ajudem, mas não por causa da crise que veio ontem ou a que virá amanhã… mas por causa das pessoas que estarão hoje a ajudar!
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
O meu pequeno ídolo!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Natal, prendas e lendas - Amanhã no AO
Sim, lá em casa, para além de sermos fãs de histórias de encantar, gostamos de aproveitar enquanto podemos para a alimentar de mundos de fadas dos dentes e duendes dos sonhos bons e gordinhos que dão prendas… e tudo e tudo e tudo! Aposto que é bem mais fácil puxar pelo imaginário e contar-lhes estas coisas que a fazem sorrir, do que ensinar-lhe as verdades que a esperam, algumas que teremos que lhe esclarecer… e as outras, as que ela terá que aprender! Assim, o Pai Natal passará lá por casa enquanto ela quiser acreditar, de mãos dadas com o Menino Jesus, no dia de São Nicolau, no dia de Natal, no dia de Reis… e quando um “Homem quiser”! A única coisa que esperamos em troca, é um sorriso de satisfação e um mínimo de histerismo q.b., para abrilhantar a quadra, gravar num vídeo e mais tarde recordar, estas e outras magias da nossa velha infância!
Mas não… hoje em dia, as crianças já não recebem só prendas no Natal ou nos aniversários, como nós, em tempos, e por isso… a coisa estranha-se e depois entranha-se! Logo, no máximo dos máximos recebemos um “Yes”, bem à moda import-export de tradições e temos que nos contentar em fazer um filmezito com um “desembrulhanço” apressado!
Longe vão os tempos em que eu tremia e gaguejava, quase chorando de júbilo, quando me deparava com aquele boneco pindérico na minha botinha, com que eu tinha sonhado, noite após noite, durante um ano inteiro! O que me leva a pensar, que talvez o nosso horizonte de expectativas não se coadune com as latitudes e longitudes das nossas atitudes. Por isso, este Natal, apliquei ‘austeridade’, para com menos (prendas) receber mais… entusiasmo, brilhozinho nos olhos e “magia” de Natal. É um PEC estival familiar… “Prendas Estrategicamente Compradas”, com um OE (Orçamento Emocional) bem estudado. Se resultar, conto-vos o segredo para o ano, prometo!
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
"Tanta roupa e..."

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
“Desfilhados” por uma noite… - no AO
Para muitos, a importância do tempo de exclusividade para o casal é sobrevalorizado, porque é suplantado pelo valor que tem vermos juntos os nosso filhos crescer, dedicando-lhes especial atenção e carinho e fazendo com eles programas de qualidade em família. Mas quando nos apercebemos que passamos mais de ano e meio sem ir ao cinema, que a única vez que demos as mãos em público foi para atravessar a rua ou saltar algum obstáculo, quando nos damos conta que os últimos concertos a que assistimos dão pelo nome de Ti-Tó-Tis ou Ruca… então… a coisa está grave! É que o que está em causa aqui não são os programas culturais em questão, mas um mundo de referências que o casal costumava ter a dois, como aquele velho filme, aquela música que era só dos dois, aquele concerto emocionante a que assistiram de caras coladas, aquele espectáculo em que ele se deslumbrou com o olhar dela sobre o palco… enfim, aqueles momentos a dois, que fazem daquele casal, um casal único, cúmplice e um verdadeiro casal! Já não estamos na esfera da família, mas refiro-me à importância que tem o bem-estar do casal, para conseguir manter a felicidade e união da família.
Foi nesta sequência de ideias, que aproveitando a boa vontade e compreensão de um casal amigo com uma filha da mesma idade que a nossa, decidimos aproveitar um serão para ir ao cinema e jantar a dois! Como seria de esperar… começámos logo mal, porque a mais pequena decidiu dormir uma sesta para lá da sua hora habitual e foi um corre-corre para chegar a horas ao cinema. Depois, não sabíamos onde ir jantar… porque estando a dois queríamos um espaço mais intimista, mais modernaço! Depois de muita indecisão lá nos decidimos por um (recomendado por um casal solteiro). Mas, esquecemo-nos de um pequeno pormenor… reservar lugar. Logo, não tivemos sorte. Optámos por outro, onde já não íamos há algum tempo… menos fashion, mas mais “comestível”. Encontrámos uma sala cheia de caras conhecidas, que nos interpelaram com questões de trabalho, ignorando o nosso “esquivanço” educado. Jantámos, conversámos, vimos o Porto empatar com o Sporting… mas quando o jantar acabou demos por nós com uma falta louca do “apêndice”… assim, a caminho do bar, onde esperávamos ouvir algum jazz, só falámos dela. Ligámos para saber se estava bem… estava óptima! Entrámos no bar, não havia jazz, pedimos uma aguardente velha e um café… que bebemos à pressa porque… a verdade… é que nos sentíamos uns peixinhos fora de água! Rimo-nos de soslaio ao ouvir um comentário da mesa ao lado de que “as relações são complicadas” e de que “comprar carro é um investimento, mas casa é uma estupidez”… e percebemos que estava na hora de ir para a nossa!
Qual Cinderela, antes da meia-noite batemos em retirada e só descansámos quando deitamos corpo na cama. Afinal, essa coisa do tempo de exclusividade até que tinha sido bom… tínhamos rido muito, da nossa trenguice de casal “desfilhado”, das peripécias da noite… mas agora era bom estar no ninho… com a mais pequena por perto e a consciência que a vida com filhos nunca mais é a mesma, mas na maior parte das vezes… a mudança, é para melhor! Mudam-se as prioridades, mudam-se as vontades, n’est-ce pas!?
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Sabemos que estamos a fazer um bom trabalho quando...

Vou contar-vos o episódio... vale a pena visualizar a cena...
Na creche da minha filha o terror anda de fraldas, tem cabelo loiro à escovinha e dá pelo nome de José! Pinta as bonecas das meninas, puxa-lhes o cabelo, dá dentadas e é fofo que se farta... por isso, safa-se com ar de bom menino no seu casaco azul às pipinhas! A Maria mais piquena farta-se de se queixar dele, acorda de noite a gritar pelo nome dele e a dizer que não... nãaaao xuzé! Tudo desde que ele lhe tirou os cromos da Kitty que ela tanto amava e os estragou todos, um a um... não se faz!
A Repolhita cá de casa não tem pesadelos com ele, mas traz dentadas nas costas, bochechas e braços... de vez em quando, com a marca dentária dele! Já o vi a puxar-lhe o cabelo enquanto ela se deliciava no cavalinho de plástico da Chicco e não gostei... mas, a verdade é que isto são coisas normais destas idades!
Uma altura, em que a Repolhita chegou a casa toda arranhada na cara, queixando-se que tinha sido ele... o pai "galináceo" cá da casa, vulgo maridão e Rei do Lar, ensinou-a a dar murros e pontapés... e incentivou-a a fazê-lo sempre que alguém se atrevesse a magoá-la. Mas a atitude dela de ontem... superou todas as nossas melhores expectativas… ao que consta, o José ontem fez das dele… mordeu dois meninos, puxou cabelos e a ela apertou-lhe o nariz… as responsáveis da sala, decidiram advertê-lo e convocaram todos os meninos afectados explicando-lhes que “os meninos não mordem… as bocas dos meninos são para comer e falar… não para morder outros meninos… e bla bla bla…”… ainda neste cenário, a Repolhita decidiu sentar-se numa cadeira em frente a ele… cruzou a perna e de dedinho no ar disse-lhe com ar sentido e sobrolho franzido: “Tou muito xangáda contigo xuzé! HUM!”… e pronto, foi isto… não bateu, não deu murros, não esperneou, nem chorou! Falou e disse, na minha opinião muito bem! (Muito melhor do que muitos adultos teriam reagido se outros lhe tivessem “apertado o nariz”! )
E agora vou só até ali ao lado contar isto a mais alguém… para ver se deixo sair este orgulho de mãe, de dentro de mim, em doses moderadas!!!
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
São nove da manhã...

"Mãe... tenho pêlux nas pénas!"....
Primeiro ri-me... depois, caiu em mim a consciência que talvez devesse ter uma resposta mais maternal e pedagógica para lhe dar... Parei de rir, mas a sorrir respondi-lhe:
" Sim filha, tens... sabes, quando tu eras muito pequenina já os tinhas... eras assim muito, muito, muito pequenininha, mas com muitos pelinhos nas pernas!"
(Silêncio)...
Espreito-a pelo espelho retrovisor e ela continua a olhar para as pernas, tentando agarrar os pêlos...
"Mãe...", começa ela a medo... "é como o papá?!"...
"Não filha... os teus são clarinhos!!!"
"Poixé... só os papás é que têm pêlux gandes, né?!"
"é filha... é..."
Eu repito, eram nove da manhã... alguém consegue respostas mais pedagógicas a esta hora da matina?!
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
E a pedido de muitas famílias...
"Em casa onde não há pão..." - Hoje no AO
Eu acho muito bonito, este gesto de solidariedade, manifestação e activismo dos direitos cívicos… muito bonito mesmo! Pena que tamanha massificação de gentes não se veja à porta dos actos eleitorais, ou nas decisões camarárias, ou sequer ignorem aquilo que de facto se está a passar com o país. Se eu estou contente com os passos que temos dado?! Não. Se acho que a coisa vai apertar?! Sem dúvida. Se fiz greve?! Não. E porquê?! Porque não acho que esta seja a solução dos nossos problemas, dos problemas da crise económica nacional, europeia e global… porque sei os custos que uma greve destas traz, os inconvenientes, os incómodos e a hipocrisia que se esconde por trás da manifestação de muita gente. Tão simples quanto isto, também não acho nada bem que quem queira fazer greve o tenha direito a fazer e quem queira trabalhar se sinta impedido de o fazer, porque não há transportes, porque não tem como o fazer, porque não tem onde deixar os filhos, ou porque é “aliciado” por sindicalistas à porta do seu local de trabalho! Lamento, mas se na sociedade do “a minha liberdade acaba onde começa a tua”, onde está a liberdade dos outros?! Dos “cortas” dos que não acham que berrar seja a solução. Se a greve é para manifestar descontentamento, estou certa que o mesmo número de queixas e cartas a chegar às mãos do senhor primeiro-ministro ou assembleia da república tinham muito mais impacto… talvez todas enviadas no mesmo dia, talvez todas com mil e trezentas queixas fundamentadas, exigindo resposta… ou melhor ainda, com soluções para a nossa crise, com propostas de melhoramento da situação… mas, assim de repente esqueci-me que a lei do berro é mais acessível que a lei da pena… que a retórica e a argumentação também abriram falência… e que o nosso país não viu o que se passou na França, que apesar das seis greves gerais de paralisação total, não fizeram demover Sarkozy, que se limitou a “renovar” o seu governo! E não… não estou a fazer política, nem exercício puro de demagogia, mas irrita-me que as pessoas, enquanto seres sociais escolham quase sempre a revolta como solução dos seus problemas, que nada resolve, mas só agrava, aumentando o mal-estar e a inquietação que vivemos já todos e para os quais, aparentemente e até ver, ninguém tem ainda solução! Uma greve geral, só por si, e mesmo sendo a segunda em vinte anos de história, não traz o “Messias” que nos salvará da crise… eu, assumo, também não sei qual será a solução dos nossos problemas… mas instalar o caos no país, também não me parece que o seja!
terça-feira, 23 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Cá em casa...
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Metamorfose ( a minha, não a do Kafka) - no AO
A verdade é que o dia do nosso aniversário é só um dia, em tudo igual aos outros, que se não fosse pela lembrança da data no calendário, ou pela indicação da minha data de nascimento no B.I., me seria completamente indiferente, mais um dia, em tudo na mesma. Mas não… para mim os aniversários sempre foram motivo de celebração… pelas festas, pelas prendas, sempre tão desejadas, sempre tão inesperadas! Com os 25 isso decai. Já fomos a muitas festas, não precisamos da desculpa de um aniversário para fazer mais uma… não estamos à espera deste dia para nos darem aquilo que queremos, porque, em princípio, tudo o que queremos (e que nos poderiam dar), já é nosso, porque o compramos. Lembro-me do dia em que fiz 25 anos… lembro-me tão bem que assusta e também me lembro, de alguém muito importante para mim, me ter dito para me preparar, que a partir daí até aos quarenta era sempre a correr… e depois, dos quarenta em frente, era sempre a arrastar… as maleitas, as ciáticas, o reumatismo, os males da alma… culminando na bela da menopausa, que imagino ser quase como o ponto e vírgula na vida de qualquer mulher! Pode-se viver com tudo isso?! Claro que sim! Já se vivem todos esses males com mais qualidade?! Pois claro que sim… mas nem por isso custam menos!
Enfim, enquanto escrevo envelheço… mas não sou só eu… vocês também… e por falar em prendas, este ano o meu marido, jovial e querido como só ele, ofereceu-me umas botas excelentes para fazer caminhadas e escalada! Que eu usarei com orgulho para escalar (as escadas rolantes do shopping) e para caminhar (de casa até ao trabalho, do trabalho ao hiper e pelo fim-de-semana fora), como se não houvesse amanhã! Engraçado como as prendas que nos dão pelo nosso aniversário definem bem a altura da nossa vida… aos cinco recebi uma Barbie, aos doze um órgão, aos dezasseis uma guitarra, aos dezoito a carta, aos vinte uma jóia, aos vinte e um a viagem da minha independência, aos vinte e dois um estojo de pintura (oferta de uma “vaquinha” de todos os meus amigos), aos vinte e três não me lembro, aos vinte e quatro, também não e aos vinte e cinco… uma neura! Aos trinta recebi umas botas, e um desenho da minha filha, e um convívio com amigos e uma serenidade no saber, que finalmente, hoje, com trinta, já sei isto tudo… e que aos quinze, era apenas uma parvinha, preocupada com o top, a festa e as prendas, ignorando que o verdadeiro segredo da felicidade não está em ser jovem, admirada e bonita, mas em ser amada e valorizada e mais eu!
Por isso, hoje, não trocava este dia em que com trinta anos, verto uma lágrima ao ver a pintura das mãos da minha filha e sinto os pés quentes, pelas botas que trago e as costas confortáveis, no abraço caloroso do meu marido! Porque fazer anos é isto… acrescentar vida aos nossos dias e não, dias à nossa vida! E esta hein?!
De mim, para mim...
... e sobre esta, posso contar já uma história engraçada...
Ao vê-la, a minha filha (que repara cada vez mais nestas coisas), perguntou-me:
- Mãe, que dix aí?!
- Diz, que uma mãe entende o que um filho não diz!
Ela... de ar pensativo...
- Diz que gostas de mim?!
... risos...
- Sim, filha, diz que gosto muito de ti!
Ela, satisfeita, olha para o emblema do seu casaquinho e diz com ar doce a apontar para ele...
- E aqui diz que eu gosto muito de ti também!
Querem melhor prenda do que esta?! Não há!!!
A festa da minha trintice...
(A mesa das Kittys)
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Hoje é um dia memorável...
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
O pior de sonhar...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A minha estirpe é fixe - HOJE NO AO
A minha geração faz empréstimos a 40 anos para casas onde vai viver pelo menos 10, com duas ou três esposas diferentes! Com os meus, os teus e os nossos! A minha geração vive da aparência da capa do livro best-seller, com essência de literatura light! A minha geração ri-se na cara do perigo. Não sabe o que são spreads, PEC’s e desconhece o impacto do Orçamento de Estado no país… tudo, porque os políticos são “todos iguais” e a retórica “é uma seca”. A minha geração sufoca debaixo de casacos de cabedal sintético, tudo porque é anti-peles de animais… e porque a diferença do peso na carteira seria de cento e tal euros a mais! A minha geração sonha com paixões arrebatadoras, mas no fundo, no fundo… escolhe um “parceiro para a vida” como quem compra um carro. Idealiza os modelos de sonho, sonha com os mais potentes, os mais stylish, os mais caros… mas compra aqueles para os quais o banco lhe dá crédito! Investe no amor como quem investe na bolsa e quando há crash… foi culpa do mercado.
A minha geração inventou o amor por leasing, de dois, três ou quatro anos e o aluguer de “viaturas”. A minha estirpe suspira por voos mais altos, mas de tão altos que os sonha, limita-se só a suspirar! A minha geração era rasca, depois ficou à rasca, agora já só com muitas dificuldades se desenrasca… mas é uma geração de mentes brilhantes… que mais brilham, quanto mais longe da nação estiverem. Que se destacam pela luz dos holofotes que se lhe apontam e que se deixam sublinhar pelos reflectores das capas dos jornais e das revistas cor-de-rosa!
Na minha geração, quem sonhava em criança, dizia-se dele ter muita imaginação, ambição e inteligência… já quem sonha em adulto é ingénuo, inocente, aluado ou nos piores dos cenários “utópico”. Mas tentem vocês gerações jurássicas compreender, que não é fácil ser-se original num século em que tudo já se fez, já se disse, já se criou. Em que o valor reside na experiência e que peca pela falta de a oferecer. Estamos na roleta russa do azar do século XXI. Nada se faz de novo na literatura, nas artes, porque o que tem valor é apenas aquilo que já se fez e aquilo que se vai fazendo de diferente é vivido e analisado à lupa sob uma voz de dura rigidez crítica, que a ninguém poupa, sob a égide do… “ainda tens que comer muita farinha maizena!”.
A minha geração é a versão GTI dos empréstimos, do amor, dos casos, dos filhos únicos, das maternidades difíceis, dos Nirvana, do pós-grunge, das All-star, do Fizz de limão e da pastilha gorila com os cromos da WWF na mão. Passámos da BMX ao BMW, trocámos a Levis pela Zara e a roupagem do Axel Rose pela falta de roupa da Rihanna, mas na essência a minha geração é pura. Inexperiente só se for de sucesso, mas voluntariosa nas duras aprendizagens do século da emancipação.
Se a minha geração tivesse um lema de vida e resumo de aprendizagem, seria a triste verdade que reza, que tudo se paga nesta vida… mesmo quando a nossa quota-parte de responsabilidade na transacção, se limita a pouco mais do que a recepção da factura!
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Coisas parvas que me dizem...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
O Lado lunar da maternidade - HOJE no AO
A culpa é educada, mas é chata, não larga, mesmo quando percebemos que precisamos de mais tempo para viver o casamento a dois, mas passamos o jantar “romântico” inteirinho a pensar neles, se estarão bem, se terão comido, se já estarão a dormir, se estão transpirados, tristes, sozinhos. Apesar de saber que os deixámos em segurança, que os deixámos com quem os ama também… mas não como nós. Ninguém ama um filho como nós e saber que eles poderão estar mal e nós não estamos lá para nos sentirmos culpados, mas ao lado deles, arrasa qualquer coração de mãe.
O auge da minha culpa senti-o no dia em que decidi que tinha que voltar ao trabalho. E tinha que, para meu bem e bem da minha filha, retomar a minha vida enquanto ser “não só mãe”, mas também profissional. Nunca mais me vou esquecer do caminho percorrido desde a creche até ao trabalho, quando a deixei pela primeira vez ao cuidado de outros… chorei como chora uma criança desesperada. E não pensem que não pensei em tudo antes… escolhi aquela que considerei ser a melhor creche, com as educadoras mais carinhosas, mais atentas, mais experientes… mas nada disso acaba com a culpa de mãe. Desde aí já desisti de um mestrado e dois trabalhos diferentes, tudo porque não considerava que os horários fossem os mais adequados, porque percebi que a minha prioridade neste momento não é a carreira, mas a minha filha, o que não alivia a culpa, tanto quanto eu pensei na altura. Sei que a culpa não me deixará por aqui, irá acompanhar-me sempre que entender que está na altura de ir de férias sem ela, ou que não lhe puder pagar as férias que ela quer, ou a carta, ou o carro…. Ou, ou, ou…
Deste lado lunar da maternidade ninguém nos fala, porque é irracional sentirmo-nos assim, porque é doentio, porque não é normal, porque é feio, porque não se deve… e eu pergunto-me: se assim é, porque é que eu não conheço uma única mãe, que não se sinta assim como eu, talvez nuns dias mais do que noutros?!
quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Já fui loira, já fui ruiva, de momento estou “castanha”! Sim, porque morena, já sabem, não estou de certezinha nenhuma. A pior mudança capilar que já fiz na minha vida terá sido possivelmente a do pré Natal do ano passado, em que cheguei a casa de cabelo vermelho e passei a época a ouvir comentários do género: “Gosto dessa cor, está natalícia!” ou “Ao menos poupas no gorro”! Enfim… as mudanças são mesmo assim, às vezes correm bem, outras vezes menos bem, mas ao menos agitamos as águas!!! Fizemos correr “tinta” e estamos a fazer história, construir recordações. A duas semanas de fazer 30 anos abri uma janela no tempo para espreitar para o passado! Gostei do que vi, mas fechei a janela. Não quero correntes de ar na sala, nem que me despenteiem os caracóis! Também não guardo especial vontade de voltar à pala de 10 centímetros, nem às repas… próximo objectivo é… a rampa de lançamento para o platinado Lili Caneças! Venham mais trinta!
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Olha a bela da declaração de amor...
Esta foi...
... a primeira árvore de Natal lá de casa! Isto, antes dos Açores, antes da nossa filha, antes de antes de antes de antes!
Este ano, será a primeira vez da árvore de Natal cá em casa, nos Açores, depois da nossa filha, depois dos Açores, depois de depois de depois e antes de muitos outros antes! Esperamos! :D
Sei que sou cada vez mais mãe...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Shiuu... é segredo! - Amanhã no AO
No dia seguinte, estava a ver o telejornal, quando saturada de ouvir a palavra “crise” repetida cinco vezes, numa mesma frase, deixei deslizar os dedos pelos botões do telecomando parando num canal novo da programação, o canal que dá o maldito programa da 4, vinte e quatro horas por dia, em directo, com opções de diferentes perspectivas das câmaras e de seguir uma pessoa na casa, e de acompanhar a sua história, a sua evolução no programa… e, descobrir o seu “segredo”! Cedi novamente, desta vez, havia uma discussão sobre a falta de tabaco na casa, e os efeitos disso, e um debate entre fumadores e não-fumadores… enfim… uma devassa da vida alheia. Curiosa, pois bem, talvez até um pouco “cusca”, deixei-me ficar “colada”… aha, eis senão que, o meu marido entra porta adentro e me pergunta: “Ui, então estás a ver isso!?” – Corei. “Hummmm… curiosidade filantrópica!” – respondi sem embargo, continuando: “Pura curiosidade filantrópica! Sabes, acho isto um estudo sociológico do melhor… é como ver humanos num aquário, uma amostra da sociedade real, com condicionantes e agravantes, e ao nosso dispôr…”. “Pois, tá bem… vamos lá almoçar mas é!”. Certo! Fomos almoçar, mas fiquei perplexa comigo mesma. Como que me estranhando. Como era possível, que por vergonha de ver algo tão descomplicado, voyerista e desestruturado, eu arranjasse uma desculpa tão pretensiosa, pseudo-intelectual e descarada!?
A verdade é que ninguém gosta deste tipo de programas, pelo menos, não gosta no sentido de amar, e seguir fielmente, porque isso seria doentio, mas a curiosidade em acompanhar aquela “novela da vida real” e a habituação que criámos nós, enquanto sociedade, em ver a realidade através daquela janela, sem se pensar muito naquilo que se está a ver ou a “consumir”, faz de nós telespectadores cansados da rotina do dia-a-dia e do “ram-ram” da política nacional e da economia mundial propensos a este tipo de “laxantes” televisivos! Eu confesso, que quando me ataca a neura intelectual, mudo de canal e sintonizo nos “segredos”, nesses e noutros, com a única diferença de que me “envergonho” mais de uns do que de outros! Sou humana, e depois, perfeitamente imperfeita me assumo, encaixando-me algures na mediocridade avassaladora, que protege de outras “crises” e deslizes!
SOS OE...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Ai a crise...
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Vai uma colher de xarope vitamínico...

terça-feira, 19 de outubro de 2010
A minha opinião sobre a crise...

Sem qualquer base de sustentação política ou estudo de mercado feito, e ainda com parcos conhecimentos da economia mundial.
A minha opinião é que: desta vez ninguém escapa e como sempre, quem mais paga é o mexilhão! Mas em crise já eu vivo desde que entrei no mercado de trabalho, na crise de uma sociedade de consumo, capitalista, em que todos vivemos a ilusão de que quem mais pode é quem mais tem e que a felicidade está à distância de quatro dígitos no cartão de crédito!
Pagamos agora todos juntos a factura gorda, que foi mais de alguns, mas pagamos todos juntos, pois a permissividade no endividamento das contas públicas foi de todos nós, sociedade apática e desinteressada do bem e do investimento público, que não quer saber, só para não ter que se chatear e fecha os olhos, e desvia e crítica, falando de alto, sem agir, para não agitar águas, para não se molhar também… ou então, aguardando a sua própria vez… para molhar o bico, também!
Somos todos culpados, uns por acção, outros por falta dela e tantos ainda por cumplicidade ignorante!
Se é poupar que me assusta?! Não! Se é não gastar tanto?! Tampouco! Muito mais me assusta não ganhar, não ter, não ser capaz de mudar nada! E mais ainda: não confiar completamente nesta classe de governantes, que traz as soluções sempre depois da “casa roubada” e sempre sem certezas de que irão ou não funcionar!
Não há messias, nem grandes salvadores da economia da pátria, é certo, mas seria bom, por uma vez que fosse, que estes senhores não fossem sempre os portadores das más notícias, que nos afectam sempre muito mais a nós, do que a eles!
Cá em casa, já estamos em crise há muito… mas a austeridade instala-se a partir de agora. Se nos valerá de alguma coisa?! O pior, é que acho mesmo que não!
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
"We'll always have Paris" - Será?!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Um toque de humanidade e dois pingos de esperança
De resto, este resgate dos mineiros chilenos, traz à luz do dia a história de 33 homens a 620 metros abaixo da superfície, com dramas e enredos, que vão desde nascimento de uma filha, a um pedido de casamento 10 anos depois, a descobertas de amantes e relações ilícitas, que os esperavam à superfície, lado a lado com esposas e mães e filhos e amigos e família.
Numa das imagens que se pôde ver na tv, a que até o jornalista prestou homenagem, inibindo-se de a comentar, via-se o interior do túnel e um troço da subida que os mineiros tiveram que fazer… arrepiante foi a palavra, o isolamento, a escuridão, toda a esperança daquele e de todos os outros Homens, que assistiam, que o esperavam, que aguardavam a sua vez… e o silêncio. Um enorme silêncio.
Um acontecimento histórico, uma história de heróis, não só os mineiros, mas todos os que ajudaram e acreditaram no salvamento deles… um verdadeira lenda viva, que só prova que a vida não pára de nos surpreender e que o ser humano é realmente fantástico.
Mas esta história é também uma ode aos verdadeiros valores da vida… pois só na ausência de coisas como a luz, o conforto, o amor, o contacto humano e a liberdade é que nós as sabemos de facto valorizar! Tudo isso e mais uma coisa, um pormenor, em tudo tão pouco, em tudo tão tudo: a saúde! E só quem pena pela falta dela saberá o valor que ela tem!
No dia em que fiquei a conhecer o drama destes mineiros chorei, não consegui evitar, tenho lágrima fácil e a compaixão faz parte do meu carácter! Hoje chorei outra vez… não um choro convulsivo ou descontrolado, mas o choro da sensação de empatia, um choro emotivo e sem explicação certa, talvez apenas um choro por saber que com tantas diferenças que nos separam a todos, nestes momentos nós somos humanos, todos iguais!
terça-feira, 12 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Medos, princesas e sorrisos - Amanhã no AO
(Esperem… não desistam ainda de continuar a ler, como em todas as boas histórias, também esta tem uma moral para miúdos e graúdos…)
Os três amigos lembraram-se então que o bolo da princesa poderia ajudar a ovelha Clotilde, mas a princesa já não tinha mais canela! Nada de grave, porque revelou-lhes a princesa, o ingrediente “mágico” podia ser substituído por outros não menos especiais… perguntou a cada um deles qual era a sua iguaria preferida e foi juntando à base do bolo caramelos, chocolates e açúcar. Levaram o bolo à ovelha, que saiu da tristeza em que estava inundada, não pela doçura do bolo ou especial ingrediente que ele contivesse, mas pelo acto em si. A princesa tricotou uma nova camisola para a ovelha e todos se rejubilaram ao ouvi-la balir de feliz! Moral da história: neste mundo (real) como no outro (da fantasia), os pequenos gestos fazem uma grande diferença e às vezes o véu da tristeza, pesado fardo para aquele que o carrega, é facilmente levantado por quem com genuína amizade se aproxima de nós.
No fundo, a melhor forma de acalmar o medo que vive em nós, que é normal, natural, saudável e até de algum modo benéfico, é mesmo lembrarmo-nos que no meio de tanto mal, ainda há algum bem… e que o sorriso continua a ser mesmo o maior quebra neuras paquidérmicas e depressões glaciares conhecido até ao momento, capaz de subtrair ao maior medo algum desconforto. Quantas vezes não ficou com enxaquecas por falta de uma boa gargalhada de descontracção muscular?! Não subestime o sorriso, nem o bem que ele faz, a si e a quem o rodeia. O que me leva a pensar… se como eu, você já sorriu hoje?! Se ainda não o fez, deixe-me dizer-lhe que é tão indispensável à sua saúde como comer, beber ou medir as tensões. Vá lá, não custa nada… na verdade é bem mais fácil do que franzir o sobrolho ou grunhir. 1, 2, 3… agora é a sua vez!
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Tuning Out!

Elogio da diferença - no AO
Existem muitas vantagens em aprender a conviver bem com as diferenças, nomeadamente ficamos mais ricos, mais conhecedores de várias coisas, que por nossa livre e espontânea vontade ou iniciativa, provavelmente, nunca teríamos vindo a conhecer. Outra coisa boa de conviver com pessoas diferentes de nós, é que essa convivência e o processo de aceitação são garante de quebra de monotonia.
Eu gosto de doces, ele de salgados, ela de tudo. O que se passa lá por casa é um mini retrato do que representa a nossa sociedade um “melting pot” de diferenças de gosto, de atitude, umas vezes mais culturais, outras mais individuais.
A vantagem de se lidar com a diferença é que a própria aceitação da mesma faz de nós pessoas mais adaptáveis, mais flexíveis… um pouco como a água, que se vai adaptando ao caminho, mas ainda assim conseguindo sempre deixar a marca da sua passagem.
“O que seria do mundo se todos gostassem de amarelo?”, ouvimos nós com frequência. E a questão é mesmo essa, o segredo para a resolução de conflitos, tensões e celeumas, que surgem da existência de diferenças ou divergências é esse mesmo: é que ninguém precisa de gostar da nossa diferença. Basta que a aceite. E assim, num gesto de modernidade e inteligência tão simples como este, a tolerância, se teriam evitado guerras e mortes e mágoas… tanta mágoa, dor, vergonha e trauma advém desnecessariamente da não-aceitação da diferença! Toda ela, perfeitamente evitável, com uma boa dose de aceitação, tolerância e respeito.
Mas a questão da dificuldade na aceitação da diferença ou no exercício da tolerância é mesmo a parte do respeito, pois numa sociedade em que vigora uma nítida ditadura do “Chico-esperto” é difícil fazer as pessoas perceber o verdadeiro valor do respeito… na rua, no trabalho, em casa! Lembro-me a propósito disso de um conselho, recomendação, que a minha mãe me segredou no dia em que me casei… é que o segredo de um casamento feliz, não assenta só no amor e na paixão, que são passíveis de erosão do quotidiano, mas sim, no respeito. No aceitar e tolerar de diferenças naturais, que surgem inevitavelmente ao longo do tempo e que sem respeito não serão nunca ultrapassáveis, toleráveis ou passíveis de resolução. Porque respeitar não quer dizer que tenha que se gostar, ou concordar, mas prova que somos capazes de ter “jogo de cintura” suficiente para driblar a bola da vida, sem termos que nos vergar. Se é difícil respeitar sempre tudo e todos?! “Nim”! Umas vezes mais do que outras, mas na maior parte das vezes, esse será mesmo o melhor caminho a seguir. A diferença enriquece-nos enquanto seres humanos, unidos todos por qualidades de ser. E agora digam-me lá, se o maior elogio que se pode dar alguém é ou não é um simples: “ Tu és única/o”?! Eu não me cansarei nunca de o ouvir, e no dia, em que me deixarem de o dizer… então aí sim, preocupo-me, porque para além de aceitar a diferença, a verdade é que… eu gosto mesmo muito dela!